REsp 2233297 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por ausência de prequestionamento; a matéria relativa ao uso do tempo de prova do livramento condicional para fins de progressão de regime não foi objeto de decisão específica na instância de origem nem enfrentada por meio de embargos de declaração, incidindo, assim, as Súmulas...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Ministério Público do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 October 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Progressão De Regime, Prequestionamento, Súmulas 282 E 356/stf
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Parties
Ministério Público do Estado de Minas Gerais
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se o tempo cumprido durante o período de prova do livramento condicional pode ser utilizado para aferir requisito objetivo da progressão de regime
- 2 Obrigatoriedade do prequestionamento para conhecimento do recurso especial
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por ausência de prequestionamento; a matéria relativa ao uso do tempo de prova do livramento condicional para fins de progressão de regime não foi objeto de decisão específica na instância de origem nem enfrentada por meio de embargos de declaração, incidindo, assim, as Súmulas 282 e 356 do STF.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO A controvérsia foi relatada pelo Parquet Federal em seu parecer, in verbis (e-STJ fls. 124/125): O recorrido foi condenado por crimes diversos, incluindo tráfico de drogas (art. 33 e art. 33, § 4º da Lei 11.343/06), porte ilegal de arma (art. 14 da Lei 10.826/03) e corrupção ativa (art. 333 do CP), totalizando uma pena de 12 anos e 02 meses de reclusão (em razão de dois processos de execução). Em 14 de dezembro de 2022, o sentenciado obteve o benefício do livramento condicional, concedido pelo Juízo da Execução Penal de Igarapé/MG. O benefício foi deferido sob diversas condições. Posteriormente, a Defesa postulou a progressão de regime. O Juízo da Execução Penal deferiu a progressão do regime fechado para o semiaberto, com data de início retroativa a 14/02/2023 (data prevista para a progressão). Irresignado, o Ministério Público interpôs agravo em execução, argumentando que o apenado, ao usufruir do livramento condicional, já estava na última etapa da pena e, portanto, não se encontrava mais no sistema progressivo, o que tornava a progressão indevida ou prejudicada. O TJMG negou provimento ao recurso ministerial, mantendo o entendimento de que a progressão de regime e o livramento condicional são institutos autônomos e independentes, e que a concessão de um não obsta a do outro, especialmente porque a progressão garantiria o cumprimento da pena em regime mais brando, caso o livramento condicional fosse revogado. O MP/MG interpôs o presente recurso especial, alegando a violação do artigo 112, caput, da Lei de Execução Penal. Sustenta que o acórdão recorrido contraria o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual o pleito de progressão se torna prejudicado quando o sentenciado já está em livramento Condicional. Recurso admitido. Opinou, então, o órgão ministerial pelo provimento do recurso. É o relatório. Decido. O recorrente, nas razões recursais, afirma, em resumo, que (e-STJ fl. 98): Ora, se o apenado que se encontra em livramento condicional não está cumprindo pena no regime fechado, semiaberto ou aberto, certo é que o tempo de pena cumprido durante o "período de prova" não poderá ser usado para aferir o requisito objetivo da progressão de regime. Isso, porque o artigo 112, da Lei de Execução Penal, exige que o sentenciado tenha cumprido uma parcela da pena no regime anterior para que se perfaça o "sistema progressivo de cumprimento da pena". Não bastasse, de acordo com esse entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a consequência do descumprimento do livramento condicional será, além da perda do período de prova, se cabível, a revogação do benefício como acima explicado e, consequentemente, o retorno ao cumprimento da pena no regime prisional anterior. Assim, não se pode admitir, nem sequer em abstrato, que, a um sentenciado que vinha cumprindo pena no regime fechado e é beneficiado com o livramento condicional nesta condição, por exemplo, sobrevenha a progressão ao regime semiaberto em razão do cumprimento de pena em período de prova, pois, com eventual revogação do livramento condicional, o retorno ao cumprimento da pena se daria no regime semiaberto, valendo-se do período de tempo cumprido em função de um benefício revogado diante do descumprimento de suas condições ou do cometimento de um novo crime. Acerca do tema recursal a Corte de origem manifestou-se nos seguintes termos (e-STJ fl. 79): "A priori", cumpre destacar que o livramento condicional e a progressão de regime são institutos autônomos, regulados por normas diversas, possuindo prazos independentes para obtenção. Nesse sentido, um não se confunde com o outro, sendo o livramento uma antecipação da liberdade, a qual o reeducando fica condicionado ao cumprimento de certas determinações que, se descumpridas, podem acarretar a sua revogação, o impedimento para nova concessão e a desconsideração do período de prova. Dessa maneira, em que pese a abrangência do livramento condicional, este, sendo instituto autônomo, não exclui o interesse do reeducando na obtenção da progressão de regime. Nesse mesmo viés, a título de exemplo, tem-se a situação de eventual caso de revogação do livramento condicional, hipótese na qual o reeducando se beneficiaria com a declaração anterior de sua progressão de regime. Desse modo, considerando que a progressão de regime e o livramento condicional são institutos independentes e autônomos e que o reeducando preenche os requisitos objetivos e subjetivos, verifica-se não haver óbice para a concessão dos benefícios. Verifico do exame dos excertos referenciados que a argumentação de que o tempo de pena cumprido durante o período de prova do livramento condicional não poderá ser usado para aferir o requisito objetivo da progressão de regime e os argumentos a eles relacionados, do modo como ora debatidos no apelo extremo, não foram tratados de forma específica na origem e não houve a oportuna provocação do exame da quaestio por meio de embargos de declaração, sendo patente a falta de prequestionamento. Destarte, no ponto, tem incidência a vedação prescrita nas Súmulas n. 282 e 356/STF. A propósito: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ROUBO. DOSIMETRIA. CONFISSÃO E REINCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. RESP N. 1341370/MT. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A tese acerca da incidência da atenuante da confissão e sua posterior compensação com a agravante da reincidência não foi objeto de debate pela instância ordinária, o que inviabiliza o conhecimento do recurso especial por ausência de prequestionamento. Incide ao caso a Súmula n. 282 do STF. .. 3. Agravo regimental não provido. Ordem de habeas corpus concedida de ofício para determinar a compensação da agravante da reincidência com a atenuante da confissão, redimensionando a pena para 9 anos, 7 meses e 6 dias de reclusão e 19 dias-multa, mantidos os demais termos da condenação. (AgRg no REsp 1.778.141/RO, relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 12/3/2019, DJe 25/3/2019.) PROCESSUAL PENAL. AGRAVOS REGIMENTAIS NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 16, CAPUT, DA LEI 10.826/03, ART. 288, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CP, ART. 157, § 2, I, II E V, DO CP E ART. 155, § 4º, II E IV, DO CP. AGRAVO DE A. M. DA S. S. SUSTENTAÇÃO ORAL NO AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. DECISÃO MANTIDA. CONTINUIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. AUMENTO NA TERCEIRA ETAPA DA DOSIMETRIA PELO NÚMERO DE MAJORANTES DO CRIME DE ROUBO. ILEGALIDADE FLAGRANTE. SÚMULA 443/STJ. REDUZIDA AS PENAS. AGRAVO IMPROVIDO. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. .. 5. Carece o recurso especial de A. G. DE J e S. C. DA S. do indispensável requisito do prequestionamento quanto ao reconhecimento da continuidade delitiva. Incidência das Súmulas 282 e 356/STF. .. 7. Agravos regimentais improvidos e habeas corpus concedido, de ofício, para reduzir as penas dos agravantes relacionadas aos crimes de roubo, ante a inobservância da Súmula 443/STJ, mantido o regime fechado. (AgRg no REsp 1.668.610/SP, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 13/12/2018, DJe 4/2/2019.) PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS. FIXAÇÃO DA PENA. ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. ART. 33, § 4º, DA LEI 11.343/2006. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. REGIME SEMIABERTO. ART. 33, § 2º, "b", e § 3º, DO CP. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A suposta existência de erro material na fixação da reprimenda não foi tratada pelo acórdão recorrido e tampouco foram opostos embargos de declaração para sanar o suposto defeito. Aplica-se, por analogia, as Súmulas 282 e 356 do STF. .. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 980.386/SP, relator Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 9/3/2017, DJe 17/3/2017.) Ante o exposto, não conheço do recurso especial . Publique-se. Intimem-se. EMENTA