AREsp 1896125 - DECISAO
O agravo foi negado por ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, justificando-se a aplicação, por analogia, da Súmula 182/STJ; subsidiariamente, manteve-se o entendimento de que os contratos firmados com pessoas físicas dos sócios mantêm a...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JANAÍNA PORCHAT GREGÓRIO SOLLA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Final No Agravo (nega Provimento)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Locação, Ação De Despejo, Ilegitimidade Passiva, Prorrogação Contratual, Sub Rogação, Honorários Advocatícios, Admissibilidade Recursal, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj
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Parties
JANAÍNA PORCHAT GREGÓRIO SOLLA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Final No Agravo (nega Provimento)
Legal Issues
- 1 ilegitimidade passiva dos sócios após alteração do quadro social
- 2 efeito da cessão/venda do fundo de comércio sobre a sub-rogação do contrato locatício
- 3 prorrogação automática do contrato por prazo indeterminado (art.47, §1º, Lei 8.245/91)
Ratio Decidendi
O agravo foi negado por ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, justificando-se a aplicação, por analogia, da Súmula 182/STJ; subsidiariamente, manteve-se o entendimento de que os contratos firmados com pessoas físicas dos sócios mantêm a responsabilidade destes, que a cessão do fundo de comércio não produz sub-rogação sem consentimento escrito do locador, e que o contrato se prorroga por prazo indeterminado nos termos do art.47, §1º da Lei 8.245/91.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Deixo de majorar os honorários advocatícios.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto por JANAÍNA PORCHAT GREGÓRIO, em face de acórdão assim ementado (fls. 527/528): LOCAÇÃO. AÇÃO DE DESPEJO CUMULADA COM COBRANÇA DE ALUGUÉIS E ENCARGOS. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AFIRMATIVA DA OCORRÊNCIA DE ALTERAÇÃO DO QUADRO SOCIAL DA EMPRESA. IRRELEVÂNCIA, DIANTE DA CONSTATAÇÃO DE QUE O CONTRATO DE LOCAÇÃO FOI FIRMADO COM AS PESSOAS FÍSICAS DOS SÓCIOS. ALEGAÇÃO DE QUE A LOCAÇÃO FOI CEDIDA A TERCEIRO, ANTE A VENDA DO FUNDO DE COMÉRCIO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE CONSENTIMENTO ESCRITO DO LOCADOR. DESACOLHIMENTO. PROCEDÊNCIA MANTIDA. RECURSOS IMPROVIDOS. 1. Figurando no contrato de locação como locatárias as pessoas físicas dos sócios da empresa, a alteração do quadro social não afasta a legitimidade dos réus para figurar no polo passivo na ação de despejo por infração contratual. Não tendo os locatários solicitado por escrito ao locador a alteração do contrato, o fato não gerou o efeito de propiciar a sub-rogação. 2. O fato de haver a parte locatária transferido o fundo de comércio a terceiro não é suficiente para operar a sub-rogação no contrato locatício, especialmente diante da expressa vedação contratual e da ausência de consentimento prévio e escrito da parte locadora. Assim, rejeita-se a alegação de ilegitimidade passiva para a execução, ante a persistência da obrigação. LOCAÇÃO. AÇÃO DE DESPEJO CUMULADA COM COBRANÇA DE ALUGUÉIS E ENCARGOS. CONTRATO QUE SE PRORROGOU POR PRAZO INDETERMINADO ATÉ A EFETIVA ENTREGA DAS CHAVES. RECURSO DA CORRÉ JANAÍNA PORCHAT GREGÓRIO SOLLA IMPROVIDO. Uma vez esgotado o prazo do contrato, operou- se automaticamente a prorrogação por prazo indeterminado, por incidência da norma do artigo 47, § 1º, da Lei 8.245/91, que é cogente. Irrelevante, por isso, a previsão de que a prorrogação dependeria de prévia convenção das partes. SUCUMBÊNCIA. RECURSO DE APELAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ELEVAÇÃO DO MONTANTE EM RAZÃO DO IMPROVIMENTO. OBSERVAÇÃO EFETUADA. Por força do que estabelece o artigo 85, § 11, do CPC, uma vez improvidos os recursos de apelação, daí advém a elevação da verba honorária para 20% sobre o valor da condenação. A decisão agravada negou seguimento ao recurso pelos seguintes fundamentos: I) não demonstrada violação do dispositivo legal apontado como tal; II) "Além disso, ao decidir da forma impugnada, a D. Turma Julgadora o fez diante das provas e das circunstâncias fáticas próprias do processo sub judice" (fl. 816). Incidência da Súmula 7/STJ; e III) não demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. A parte agravante não infirmou nenhum dos fundamentos acima elencados. Nesse contexto, impende ressaltar que, em respeito ao princípio da dialeticidade, os recursos devem ser bem fundamentados, sendo necessária a impugnação específica a todos os pontos analisados na decisão recorrida, sob pena de não conhecimento do recurso, por ausência de cumprimento dos requisitos previstos no art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil de 2015, e pela aplicação analógica da Súmula 182/STJ. Nesse sentido, confiram-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. APLICAÇÃO ANALÓGICA DA SÚMULA N. 182/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.1. Nos termos do art. 1021, § 1º, do CPC/2015, é inviável o agravo interno que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. Incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ.2. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp 968.815/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 7.2.2017, DJe 10.2.2017) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 182 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO.1. Aplicabilidade do NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 2 aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC.2. O agravo interno não impugnou as razões da decisão agravada, pois não refutou, de forma fundamentada, o não conhecimento do agravo em recurso especial por ter sido apresentado em desacordo com os requisitos do art. 544, § 4º, I, do CPC/73. Incidência da Súmula nº 182 do STJ e violação do art. 1021, § 1º, do NCPC.3. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp 878.403/RS, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 16.6.2016, DJe 23.6.2016.) Imprescindível, portanto, para o conhecimento do recurso, que seja feita a impugnação específica de todos os seus motivos determinantes, explicitando-se, de forma articulada e argumentativa, as razões que justificariam a prolação de decisão em sentido diverso. A Corte Especial do STJ, em recente julgamento (EAREsp 746.775/PR), manteve o citado entendimento, sob pena de não conhecimento do agravo, ante a incidência da Súmula 182/STJ. Confira-se a ementa do aludido julgado: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal.Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19.9.2018, DJe 30.11.2018) Nesse precedente, o Colegiado, por maioria, negou provimento aos embargos de divergência e manteve a decisão da Segunda Turma do STJ que não conheceu do agravo por aplicação da Súmula 182/STJ, visto que a parte agravante não atacou todos os pontos da decisão que não admitiu o recurso especial. Conforme o voto vencedor, tanto no Código de Processo Civil/1973 quanto no Código de Processo Civil/2015 há regra expressa que remete às disposições mais recentes do Regimento Interno do STJ, no sentido da obrigatoriedade da impugnação de todos os fundamentos da decisão que não admite recurso especial. Para o Ministro relator, não há possibilidade de impugnação parcial da decisão que deixa de admitir recurso especial, já que tal decisão é incindível e deve ser impugnada em sua integralidade. A não obediência a essa regra implicaria o exame indevido de questões (já atingidas pela preclusão consumativa, decorrente da inércia da parte agravante em manifestar-se no momento oportuno), pois o conhecimento do agravo obriga o STJ a conhecer de todos os fundamentos do recurso especial. Assim, sem a impugnação específica e suficiente para infirmar o fundamento da decisão agravada, aplica-se, por analogia, o enunciado n. 182 da Súmula do STJ. Em face do exposto, não havendo o que reformar, nos termos do art. 34, XVIII, "b", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, nego provimento ao agravo.Deixo de majorar os honorários advocatícios (art. 85, § 11, do Código de Processo Civil) pela fixação anterior no patamar máximo permitido em lei. Intimem-se.