HC 924504 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque a impetração contra indeferimento liminar está, em regra, vedada pela Súmula 691/STF salvo flagrante ilegalidade, a qual não se verifica no caso; além disso, afastar qualificadora por inexistência de apreensão da arma e aplicar in dubio pro reo à coisa julgada seria...
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- Parties
- Paciente/impetrante: ALEXSANDRO DE JESUS CERQUEIRA; Impetrado: Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal / Impetração Com Pedido Liminar; Habeas Corpus Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido (decisão de não conhecimento).
- Legal Topics
- Majorante Do Emprego De Arma De Fogo, Revisão Criminal, Súmula 691/stf, In Dubio Pro Reo, Regime Prisional, Coisa Julgada
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Parties
ALEXSANDRO DE JESUS CERQUEIRA
Paciente/impetrante
Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Impetrado
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal / Impetração Com Pedido Liminar; Habeas Corpus Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de habeas corpus contra indeferimento liminar (incidência da Súmula 691/STF)
- 2 Aplicação da majorante do emprego de arma de fogo quando a arma não foi apreendida
- 3 Possibilidade de aplicar in dubio pro reo em sede de coisa julgada
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque a impetração contra indeferimento liminar está, em regra, vedada pela Súmula 691/STF salvo flagrante ilegalidade, a qual não se verifica no caso; além disso, afastar qualificadora por inexistência de apreensão da arma e aplicar in dubio pro reo à coisa julgada seria transformar o pedido em nova apelação e prejudicar a segurança jurídica, justificando o não conhecimento.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido (decisão de não conhecimento).
Orders
- Não conheço o habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de revisão criminal, com pedido liminar, impetrado em favor de ALEXSANDRO DE JESUS CERQUEIRA, contra decisão monocrática, proferida por Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Nesta sede, a defesa alega, em suma, que deve ser afastada a majorante da arma de fogo, pois a arma não foi apreendida. Requer a concessão da ordem, inclusive liminarmente, para que seja afastada a majorante em tela e readequado o regime prisional. É o relatório. Decido. Esta Corte possui entendimento pacificado no sentido de que não cabe habeas corpus contra decisão que indefere pedido liminar, salvo em casos de flagrante ilegalidade ou teratologia da decisão impugnada (Súmula 691/STF), ratio esta que igualmente se aplica às decisões monocráticas exaurientes. Sobre o tema, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ASSOCIAÇÃO PARA O T R ÁFICO. WRIT INDEFERIDO LIMINARMENTE NA ORIGEM. SÚMULA 691 DO STF. NULIDADE DO ACESSO AO CELULAR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. 1. Nos termos da Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal, em regra, não se admite a impetração de habeas corpus contra decisão que indefere a liminar na origem, sob pena de indevida supressão de instância, ressalvadas as hipóteses em que evidenciada decisão teratológica ou desprovida de fundamentação. 2. A nulidade acerca do acesso ilegal no celular do recorrente não foi apreciada na decisão impugnada, motivo pelo qual também não será examinada por esta Corte Superior, sob pena de indevida supressão de instância. 3. O decreto apresenta fundamentação que deve ser considerada idônea, baseada na grande quantidade de maconha apreendida (79 kg), além do fato de o recorrente ser reincidente e pertencer à associação criminosa voltada para o tráfico de drogas. Precedentes. 4. Não de divisa manifesta ilegalidade apta a autorizar a mitigação da Súmula 691/STF, uma vez ausente flagrante ilegalidade, cabendo ao Tribunal de origem a análise da matéria meritória. 5. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC 760.492/MS, Relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 27/9/2022, DJe de 30/9/2022.) PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. IMPETRAÇÃO CONTRA INDEFERIMENTO LIMINAR NA ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 691 DO STF. CONDENAÇÃO. REGIME INICIAL SEMIABERTO. NEGATIVA AO RECURSO EM LIBERDADE. MANUTENÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA. NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO DA CUSTÓDIA AO REGIME IMPOSTO. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE PROVIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. Nos termos da Súmula n. 691 do STF, não cabe habeas corpus contra decisão que indefere pedido de liminar formulado em writ originário. 2. A manutenção da custódia cautelar e a negativa ao recurso em liberdade justificam-se diante do risco à ordem pública, evidenciado pela periculosidade do agente, apontado como integrante de organização criminosa voltada à prática de tráfico de drogas em grande escala e à lavagem de dinheiro. 3. A custódia cautelar deve ser compatibilizada com o regime prisional imposto na sentença, conforme a Súmula n. 716 do STF, sob pena de imposição de regime mais gravoso. 4. Agravo regimental parcialmente provido. Ordem concedida de ofício, para determinar a transferência do agravante para estabelecimento prisional compatível com o regime semiaberto. (AgRg no HC 754.565/MG, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 13/9/2022, DJe de 16/9/2022.) No caso dos autos, não se verifica a ocorrência de flagrante ilegalidade na decisão impugnada, de modo a justificar o processamento da presente ordem, na medida em que se encontra assim motivada: "Depois, invoca a questão da qualificadora do emprego de arma, reconhecida sem que ela tivesse sido apreendida. É este, diga-se, também o posicionamento do 5.º Grupo de Câmaras; porém, ainda não o fosse, pouco importaria, como já ficou bem estabelecido. O mesmo fundamento se aplica, sem necessidade de maiores considerações, ao último argumento (revisão do regime prisional e fixação de regime mais benéfico). Mais uma vez, a decisão coincide com o posicionamento do Grupo; pouco importaria, porém, se fosse outro. Sintetizando: todos os argumentos se baseiam no princípio do in dubio pro reo mas aplicá-lo à coisa julgada é dizer, em prejuízo da segurança jurídica implicaria exceção que, cedo ou tarde, por certo viria a acarretar prejuízo não menor aos acusados de infração penal. Assim, evidente a improcedência do pedido, razão por que se aplica o art. 168, § 3.º, do Regimento Interno desta Corte: "Além das hipóteses legais, o relator poderá negar seguimento a outros pleitos manifestamente improcedentes, iniciais ou não (..)". E a manifesta improcedência deste pedido é mais do que clara a não ser que se afirme o caráter de mero recurso do pedido de revisão, transformando-o em nova apelação e, indireta mas não menos danosamente, solapando a segurança jurídica" (e-STJ, fls. 66). Ante o exposto, não conheço o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA