AREsp 2583358 - ACORDAO
Por unanimidade, negou-se provimento ao agravo interno, concluindo-se que, tendo transitado em julgado o mandado de segurança originário, resta reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança relativa a períodos anteriores à impetração do mandado, em respeito aos princípios da economia processual e...
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- Parties
- Agravante: SÃO PAULO PREVIDÊNCIA - SPPREV; Recorridos: ADELIA RIZZO MANZANI e OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual Da Segunda Turma, 20/03/2025 a 26/03/2025)
- Outcome
- Agravo interno improvido (negado provimento ao agravo interno)
- Legal Topics
- Mandado De Segurança Coletivo, Trânsito Em Julgado, Ação De Cobrança, Princípio Da Economia Processual, Inafastabilidade Da Jurisdição, Prescrição
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Parties
SÃO PAULO PREVIDÊNCIA - SPPREV
Agravante
ADELIA RIZZO MANZANI e OUTROS
Recorridos
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual Da Segunda Turma, 20/03/2025 a 26/03/2025)
Legal Issues
- 1 Se, sobrevind o trânsito em julgado do mandado de segurança originário, é admissível o ajuizamento de ação de cobrança referente a períodos anteriores à impetração do mandado de segurança
- 2 Questão sobre prescrição parcelar versus prescrição do fundo de direito (mencionada como não apreciada por inovação recursal)
Ratio Decidendi
Por unanimidade, negou-se provimento ao agravo interno, concluindo-se que, tendo transitado em julgado o mandado de segurança originário, resta reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança relativa a períodos anteriores à impetração do mandado, em respeito aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição, superando a hipótese de ausência de título executivo enquanto não houver o trânsito em julgado.
Court Disposition
Agravo interno improvido (negado provimento ao agravo interno)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/03/2025 a 26/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TRÂNSITO EM JULGADO SUPERVENIENTE. DEVE SER RECONHECIDA A ADMISSIBILIDADE DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO DE COBRANÇA DE PERÍODOS PRETÉRITOS À AÇÃO MANDAMENTAL. PRINCÍPIOS DA ECONOMIA PROCESSUAL E DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. "Sobrevindo o trânsito em julgado do mandado de segurança originário, deve ser reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança de períodos anteriores à impetração do mandado de segurança, sob pena de desrespeito aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição". (AgInt no REsp n. 1.842.679/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 26/4/2024). 2. Agravo interno im provido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto por SÃO PAULO PREVIDÊNCIA - SPPREV contra a decisão que conheceu do agravo em recurso especial, para dar provimento ao recurso especial interposto por ADELIA RIZZO MANZANI e OUTROS, determinando o retorno dos autos à origem para regular processamento da ação de cobrança, ante o trânsito em julgado do mandado de segurança originário. A parte agravante argumenta que a decisão agravada invoca entendimento jurisprudencial isolado (REsp 1.842.679/SP), concluindo que a superveniência do trânsito em julgado do mandado de segurança coletivo convalida ação de cobrança ajuizada antes do trânsito em julgado. Sendo assim, justifica que: "além de não guardar aderência à jurisprudência pacífica desta E. Corte, foi superado pelo retromencionado e mais recente precedente da mesma E. 1º Turma (REsp n. 1.764.459/SP, de setembro/2024)" (fl. 475). Dessarte, pugna pela reconsideração da decisão agravada ou pela submissão da questão ao Colegiado. Como certificado nos autos, transcorreu in albis o prazo para impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TRÂNSITO EM JULGADO SUPERVENIENTE. DEVE SER RECONHECIDA A ADMISSIBILIDADE DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO DE COBRANÇA DE PERÍODOS PRETÉRITOS À AÇÃO MANDAMENTAL. PRINCÍPIOS DA ECONOMIA PROCESSUAL E DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. "Sobrevindo o trânsito em julgado do mandado de segurança originário, deve ser reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança de períodos anteriores à impetração do mandado de segurança, sob pena de desrespeito aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição". (AgInt no REsp n. 1.842.679/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 26/4/2024). 2. Agravo interno im provido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O agravo interno não merece prosperar. O Tribunal de origem extinguiu a ação, sem resolução de mérito, concluindo pela ausência de título executivo hábil, sob a seguinte fundamentação (fls. 198-199): De outra parte, contudo, este Relator adota o entendimento perfilhado pelo C. Superior Tribunal de Justiça de que o ajuizamento da ação de cobrança oriundo de sentença concessiva em sede de mandado de segurança coletivo pressupõe o trânsito em julgado da referida decisão, o que ainda não ocorreu no caso em tela. .. Assim, e considerando que a decisão proferida na apelação cível nº 994.08.178766-0 (0178766-03.2008.8.26.0000) não se encontra acobertada pela imutabilidade da coisa julgada, o pagamento das verbas devidas dentro do quinquênio que antecedeu o writ é, por enquanto, inviável ante a ausência de titulo executivo judicial hábil. Contudo, conforme noticiado nos autos, o Mandado de Segurança 0600594-25.2008.8.26.0053 transitou em julgado em 28/10/2021, reunindo, portanto, os pressupostos processuais necessários ao conhecimento de mérito da presente Ação de Cobrança, em observância aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição, nos termos do recente entendimento desta Corte, segundo o qual, "Sobrevindo o trânsito em julgado do mandado de segurança originário, deve ser reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança de períodos anteriores à impetração do mandado de segurança, sob pena de desrespeito aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição." Confira-se: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. POLÍCIA MILITAR. AÇÃO DE COBRANÇA. PERÍODOS PRETÉRITOS À AÇÃO MANDAMENTAL. PRESCRIÇÃO. DISTINGUISHING ENTRE PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO E PRESCRIÇÃO DE PARCELAS DO CRÉDITO EXIGIDO. INOVAÇÃO RECURSAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TRÂNSITO EM JULGADO SUPERVENIENTE. PRINCÍPIOS DA ECONOMIA PROCESSUAL E DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO. PROVIMENTO NEGADO. 1. É inviável a apreciação de tese que não foi levada à apreciação das instâncias de origem, nem sequer suscitada nas razões do recurso especial, referente ao reconhecimento da prescrição parcelar - distinguindo-a da prescrição do fundo de direito - dada a preclusão consumativa. 2. Sobrevindo o trânsito em julgado do mandado de segurança originário, deve ser reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança de períodos anteriores à impetração do mandado de segurança, sob pena de desrespeito aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição. 3. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp n. 1.842.679/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 26/4/2024). No mesmo sentido, as seguintes decisões monocráticas de minha lavra: AgInt no REsp n. 1.851.454, Ministro Afrânio Vilela, DJEN de DJe 10/09/2024; AREsp n. 1.809.890, Ministro Afrânio Vilela, DJEN de DJe 08/11/2024; AREsp n. 2.583.722, Ministro Afrânio Vilela, DJEN de DJe 08/11/2024. Isso posto, nego provimento ao agravo interno.