AREsp 2589880 - DECISAO
Havendo trânsito em julgado superveniente do mandado de segurança coletivo, deve ser reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança relativa a períodos anteriores à impetração do mandado de segurança, em observância aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição; assim,...
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- Parties
- Agravante: MARLENE NUNES JANUARIO E OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Decisão Monocrática (juízo De Retratação)
- Outcome
- Recurso especial provido; anulada a decisão de fls. 535-540; determinado o prosseguimento da ação de cobrança.
- Legal Topics
- Mandado De Segurança Coletivo, Ação De Cobrança, Trânsito Em Julgado, Prescrição, Princípio Da Economia Processual, Princípio Da Inafastabilidade Da Jurisdição
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Parties
MARLENE NUNES JANUARIO E OUTROS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Decisão Monocrática (juízo De Retratação)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança de períodos anteriores à impetração de mandado de segurança coletivo após trânsito em julgado superveniente
- 2 Necessidade do trânsito em julgado do mandado de segurança coletivo para processamento da ação de cobrança
Ratio Decidendi
Havendo trânsito em julgado superveniente do mandado de segurança coletivo, deve ser reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança relativa a períodos anteriores à impetração do mandado de segurança, em observância aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição; assim, anulou-se a decisão de instância inferior e deu-se provimento ao recurso especial para determinar o prosseguimento da ação de cobrança.
Court Disposition
Recurso especial provido; anulada a decisão de fls. 535-540; determinado o prosseguimento da ação de cobrança.
Orders
- Anulo a decisão de fls. 535-540
- Dou provimento ao recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo interno interposto por MARLENE NUNES JANUARIO E OUTROS contra a decisão que conheceu do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento. A parte agravante sustenta: a) ocorrência superveniente do trânsito em julgado do MS n. 0600594-55.2008.8.26.0053, a reunir nesta demanda os pressupostos processuais necessários ao conhecimento de mérito; e b) "a extinção deste feito para reiniciar a relação processual da estaca zero, não é medida que prestigia o princípio da primazia do julgamento de mérito e aproveitamento dos atos processuais, pois, o fato impeditivo que reclama a instância inferior foi modificado, extinto" (fl. 565). Por fim, pugna pela reconsideração da decisão agravada ou submissão da questão ao Colegiado. Impugnação às fl. 565. É o relatório. Exercendo o juízo de retratação facultado pelo art. 1.021, § 2º, do CPC e 259 do RISTJ e considerando os argumentos trazidos pela parte agravante, reconsidero a decisão agravada e passo a novo exame da questão trazida no recurso especial. Com fundamento na orientação contida na Súmula 568/STJ, estou em proceder ao julgamento monocrático do presente recurso, tendo em vista a existência de precedentes acerca da questão ora discutida e a necessidade de desbastarem-se as pautas já bastante numerosas da Colenda SegundaTurma. No caso, os recorrentes defendem o afastamento da exigência do trânsito em julgado do mandado de segurança coletivo para o processamento da ação de cobrança referente a períodos anteriores à impetração. A irresignação merece acolhida. O Tribunal de origem decidiu a lide nos seguintes termos: Contudo, este Relator adota o entendimento perfilhado pelo C. Superior Tribunal de Justiça de que o ajuizamento da ação de cobrança oriundo de sentença concessiva em sede de mandado de segurança coletivo pressupõe o trânsito em julgado da referida decisão, o que ainda não ocorreu no caso em tela. Pode-se observar que os Autores pretendem se beneficiar da decisão proferida no mandado de segurança coletivo nº 994.08.178766-0 (0600594-25.2008.8.26.0053), em que o eminente Desembargador Sérgio Gomes, então membro desta C. 9ª Câmara de Direito Público, deu provimento ao recurso da Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da Policia Militar de São Paulo para julgar procedente o mandamus, reconhecendo o direito ao recálculo do quinquênio e da sexta-parte sobre os vencimentos/proventos integrais. O V. Acórdão, todavia, foi objeto de recurso às instancias superiores, e embora tenha sido certificado o decurso de prazo para interposição de agravo de instrumento em recurso extraordinário, fato é que o Recurso Especial interposto pela SPPREV está suspenso até que haja manifestação do C. STJ a respeito dos consectários legais aplicáveis à espécie, conforme decidido pelo Desembargador Presidente da Seção de Direito Público, Ricardo Dip, em 05. 08. 2016. Tal suspensão impede que seja certificado o trânsito em julgado definitivo no processo, requisito indispensável à propositura da ação de cobrança, que deve guardar sintonia com o título formado na ação coletiva. Desse modo, a circunstância dos autos não autoriza a cobrança por meio desta ação, proposta em 02.12.2016, sem que houvesse o decreto do trânsito em julgado da r. sentença proferida no Mandado de Segurança Coletivo (fls. 298-299). Ocorre que, conforme noticiado nos autos, o Mandado de Segurança n. 0600594-25.2008.8.26.0053 transitou em julgado em 28/10/2021, reunindo, portanto, os pressupostos processuais necessários ao conhecimento de mérito da presente Ação de Cobrança. Assim, aplica-se o recente entendimento do STJ, segundo o qual, "Sobrevindo o trânsito em julgado do mandado de segurança originário, deve ser reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança de períodos anteriores à impetração do mandado de segurança, sob pena de desrespeito aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição." Confira-se: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. POLÍCIA MILITAR. AÇÃO DE COBRANÇA. PERÍODOS PRETÉRITOS À AÇÃO MANDAMENTAL. PRESCRIÇÃO. DISTINGUISHING ENTRE PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO E PRESCRIÇÃO DE PARCELAS DO CRÉDITO EXIGIDO. INOVAÇÃO RECURSAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TRÂNSITO EM JULGADO SUPERVENIENTE. PRINCÍPIOS DA ECONOMIA PROCESSUAL E DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO. PROVIMENTO NEGADO. 1. É inviável a apreciação de tese que não foi levada à apreciação das instâncias de origem, nem sequer suscitada nas razões do recurso especial, referente ao reconhecimento da prescrição parcelar - distinguindo-a da prescrição do fundo de direito - dada a preclusão consumativa. 2. Sobrevindo o trânsito em julgado do mandado de segurança originário, deve ser reconhecida a admissibilidade do ajuizamento de ação de cobrança de períodos anteriores à impetração do mandado de segurança, sob pena de desrespeito aos princípios da economia processual e da inafastabilidade da jurisdição. 3. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp n. 1.842.679/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 26/4/2024). Portanto, deve ser provido o recurso especial, com fundamento na orientação contida na Súmula 568/STJ: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema." Isso posto, anulo a decisão de fls. 535-540, e, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou provimento ao recurso especial para determinar o prosseguimento da ação de cobrança. Intimem-se. EMENTA