AREsp 2593514 - DECISAO
Diante do entendimento consolidado no STJ e da disposição do art. 30 da Lei nº 9.656/98, a vedação prevista no regulamento de plano de autogestão não impede a permanência dos dependentes após o óbito da titular, desde que assumam as obrigações contratuais; por aplicação da Súmula 83/STJ, o recurso especial não pode...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Manutenção De Dependente Em Plano De Saúde Após Falecimento Da Titular, Admissibilidade De Recurso Especial, Honorários Advocatícios
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Possibilidade de permanência de dependente em plano de saúde coletivo de autogestão após o falecimento da titular
- 2 Alegada violação do art. 422 do Código Civil
- 3 Admissibilidade de recurso especial diante da Súmula 83/STJ
Ratio Decidendi
Diante do entendimento consolidado no STJ e da disposição do art. 30 da Lei nº 9.656/98, a vedação prevista no regulamento de plano de autogestão não impede a permanência dos dependentes após o óbito da titular, desde que assumam as obrigações contratuais; por aplicação da Súmula 83/STJ, o recurso especial não pode ser conhecido, razão pela qual se nega provimento ao agravo.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão que não admitiu recurso especial apresentado em face de acórdão assim ementado (e-STJ, fl. 150): "APELAÇÃO. PLANO DE SAÚDE COLETIVO FORNECIDO POR ENTIDADE DE AUTOGESTÃO. Ação de obrigação de fazer. Pretensão de beneficiário dependente de manutenção na condição de segurado do plano de saúde após o falecimento de sua esposa, beneficiária titular. Sentença de procedência. Inconformismo da ré. Afastamento de incidência do Código de Defesa do Consumidor com relação aos planos de saúde fornecidos por entidade de autogestão que não afasta sua obrigação ao cumprimento das demais leis e normas aplicáveis à relação jurídica em questão. Necessidade de observância da Súmula Normativa nº13 da ANS e §3º do art. 30 da Lei nº 9.656/98, Precedentes do STJ e deste Tribunal nesse sentido, inclusive com relação a planos coletivos fornecidos por entidades de autogestão. Falecimento da titular do plano que não encerra a relação obrigacional, podendo seu dependente permanecer no plano com as mesmas cláusulas e condições vigentes. Sentença confirmada. Sucumbência recursal da apelante. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO". (v. 42816). Nas razões do especial, aponta a recorrente violação do artigo 422 do Código Civil, além do dissídio jurisprudencial. Argumenta, em síntese, que seria vedada a manutenção dos dependentes de falecido em plano de saúde na modalidade de autogestão, em observância à expressa proibição prevista no regulado do plano. Contra-arrazoado (fls. 195/209), o recurso especial não foi admitido na origem (fls. 210/212); contra o que se manifesta a parte agravante na presente via. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. De início, em relação à alegada violação do artigo 422 do Código Civil, observo que o Tribunal de origem consignou que a vedação no regulamento quanto ao ingresso dos dependentes, em razão da morte da titular, não se sobreporia à norma permissiva extraída do artigo 30 da Lei nº 9.656/98 (fls. 154/155). A orientação adotada não destoa da jurisprudência desta Corte, segundo a qual, diante do óbito do beneficiário titular, os dependentes possuem o direito de permanecer no plano de saúde, mantidas as condições anteriormente contratadas, desde que assumam as obrigações dele decorrentes. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE COLETIVO. 1. ÓBITO DO BENEFICIÁRIO TITULAR. MANUTENÇÃO DO DEPENDENTE. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 2. MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. NÃO INCIDÊNCIA, NA ESPÉCIE. 3. HONORÁRIOS RECURSAIS. AGRAVO INTERNO. NÃO CABIMENTO. 4. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ante o falecimento do titular, os seus dependentes dispõem do direito de continuar no plano de saúde, preservadas as condições anteriormente contratadas, desde que assumindo as obrigações dele decorrentes .. (AgInt no AgInt no AREsp 1839311/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/10/2021, DJe 06/10/2021) .. 1. "(..) Com a morte do titular, permitida a permanência de seus dependentes no plano de saúde com a manutenção das mesmas condições, desde que assumam as obrigações dele decorrentes" (AgInt no REsp n. 1.765.995/SP, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 8/6/2020, DJe 12/6/2020). Súmula n. 83 do STJ. .. 4. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp 1931064/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 23 /08/2021, DJe 26/08/2021) Inviável, portanto, o conhecimento do recurso especial (Súmula 83/STJ). Em face do exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo. Intimem-se. EMENTA