AREsp 2596208 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal a quo corretamente concluiu que o término do vínculo do titular não extingue o contrato coletivo, assegurando aos dependentes já inscritos o direito de manter o plano nas mesmas condições e assumir a titularidade mediante pagamento...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO SAÚDE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Julgamento/decisão
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Manutenção De Plano De Saúde Por Dependente Após Falecimento Do Titular, Aplicação Do Art. 30 Da Lei 9.656/1998, Abusividade De Cláusula De Exclusão Após Período De Remissão, Honorários Sucumbenciais
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Parties
SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO SAÚDE
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Julgamento/decisão
Legal Issues
- 1 Se, em caso de falecimento do titular de plano coletivo, dependente já inscrito tem direito à manutenção do plano e à assunção da titularidade mediante pagamento integral
- 2 Aplicabilidade, por analogia, do art. 30 (e art. 31) da Lei 9.656/1998 aos contratos coletivos por adesão
- 3 Caracterização como abusiva da cláusula que exclui dependente ao fim do período de remissão, nos termos do art. 51, IV, do CDC
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal a quo corretamente concluiu que o término do vínculo do titular não extingue o contrato coletivo, assegurando aos dependentes já inscritos o direito de manter o plano nas mesmas condições e assumir a titularidade mediante pagamento integral; a cláusula que exclui a dependente ao findar o período de remissão é abusiva nos termos do art. 51, IV do CDC; o entendimento está em harmonia com a jurisprudência desta Corte e normas da ANS.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO SAÚDE contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "APELAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER CC. DANOS MORAIS. PLANO DE SAÚDE. MANUTENÇÃO CONTRATUAL. MORTE DOTITULAR. Inconformismo da operadora do plano de saúde contra sentença que julgou procedente o pedido, para obrigá-la a restabelecer o contrato. Aplicação do CDC. Súmula/STJ 608 e Súmula/TJ 100. Operadora do plano que, findo o período de remissão, excluiu a dependente do contrato coletivo. Abusividade. Art. 51, IV, do CDC. Término do período de remissão que não extingue a relação contratual, assumindo a dependente a titularidade do plano e o pagamento integral da contraprestação. Súmula/ANS 13 e Resolução/ANS 195. Art. 30,"caput" e §3º, da Lei 9.656/98. Precedentes deste E. Tribunal e desta C. Câmara. Recurso não provido." (e-STJ fl. 368). No recurso especial, a recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, violação do art. 30 da Lei 9.656/1998. Sustenta que, "(..) conceder por decisão judicial o direito da recorrida à manutenção do plano de saúde em caráter individual, em decorrência de benefício usufruído por força do artigo 30 da Lei, sem que fossem de fato preenchidos os requisitos legais, além de violar os artigos do Código Civil que disciplinam quanto à validade do contrato e o dever do recorrente em cumprir os termos do contrato que livremente optou por aderir, viola também o que dispõe o artigo 30 da lei 9656/98."(e-STJ fl. 384). Com as contrarrazões, o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. No caso, o Tribunal estadual, ao julgar a apelação mantendo a decisão de primeira instância, consignou que a extinção do vínculo do titular do plano familiar não extingue o contrato, sendo assegurado aos dependentes já inscritos o direito à manutenção das mesmas condições contratuais, com a assunção das obrigações decorrentes. Transcreve-se, por oportuno, o seguinte excerto do julgado de origem: "(..) Apura-se que, ao tempo do óbito do marido da segurada, sua empregadora, Chance 10 Comércio de Livros e Serviços Ltda, mantinha contrato com a apelante e, encerrado o período de remissão, em 29.12.2022, a operadora do plano de saúde recusou a manutenção da apólice. Nesse aspecto, a cláusula de exclusão contratual finda a remissão é abusiva e merece afastamento, nos moldes do artigo 51, IV, do Código Consumerista, não havendo que se aventar de ausência de elegibilidade da segurada. Diante do óbito do titular, a apelada, dele dependente, tem direito à manutenção do plano de saúde, nas mesmas condições, e assume a titularidade do contrato, consoante Súmula 13 e Resolução 195, ambas da Agência Nacional de Saúde, e artigo 30, "caput" e §3º, da Lei 9.656/98, aplicáveis por analogia" (e-STJ fls. 370/371). Nesse contexto, não há reparo a fazer ao entendimento exarado na origem, porquanto está em harmonia com a orientação jurisprudencial desta Corte. A saber: "RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL. CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE COLETIVO. FALECIMENTO DA TITULAR. BENEFICIÁRIA AGREGADA. PRETENSÃO DE MANUTENÇÃO DO BENEFÍCIO. ART. 30 DA LEI 9.656/1998. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DOS DISPOSITIVOS E PRECEITOS LEGAIS. JULGAMENTO: CPC/15. 1. Ação de obrigação de fazer c/c compensação por dano moral ajuizada em 22/05/2018, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 30/07/2019 e atribuído ao gabinete em 01/07/2020. Julgamento: CPC/15. 2. O propósito recursal consiste em decidir sobre a manutenção de membro pertencente a grupo familiar (beneficiário agregado) em plano de saúde coletivo, após o falecimento do beneficiário titular. 3. A Terceira Turma decidiu que, na hipótese de falecimento do titular do plano de saúde coletivo, seja este empresarial ou por adesão, nasce para os dependentes já inscritos o direito de pleitear a sucessão da titularidade, nos termos dos arts. 30 ou 31 da Lei 9.656/1998, a depender da hipótese, desde que assumam o seu pagamento integral (REsp 1.871.326/RS, julgado em 01/09/2020, DJe 09/09/2020). 4. Apesar de o § 3º do art. 30, que trata da hipótese de permanência em caso de morte do beneficiário titular, fazer uso da expressão "dependentes", o § 2º assegura a proteção conferida pelo referido art. 30, de manutenção do plano de saúde nas hipóteses de rompimento do contrato de trabalho do titular, obrigatoriamente, a todo o grupo familiar, sem fazer nenhuma distinção quanto aos agregados. 5. De acordo com o art. 2º, I, "b" da Resolução ANS 295/2012, beneficiário dependente é o beneficiário de plano privado de assistência à saúde cujo vínculo contratual com a operadora depende da existência de relação de dependência ou de agregado a um beneficiário titular. 6. No caso de morte do titular, os membros do grupo familiar - dependentes e agregados - podem permanecer como beneficiários no plano de saúde, desde que assumam o pagamento integral, na forma da lei. 7. O direito do beneficiário dependente de permanecer no plano de saúde após o falecimento do beneficiário titular tem prazo certo, este previsto na Lei 9.656/1998 e, no particular, no contrato do convênio e no regulamento do plano, sem prejuízo do exercício do direito à portabilidade de carências, nos termos dos arts. 6º e 8º, I e § 1º, da Resolução ANS 438/2018. 8. Recurso especial conhecido e desprovido." (REsp n. 1.841.285/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 23/3/2021, DJe de 30/3/2021) "RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. CONTRATO COLETIVO POR ADESÃO. FALECIMENTO DO TITULAR. DEPENDENTE IDOSA. PRETENSÃO DE MANUTENÇÃO DO BENEFÍCIO. SÚMULA NORMATIVA 13/ANS. NÃO INCIDÊNCIA. ARTS. 30 E 31 DA LEI 9.656/1998. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DOS PRECEITOS LEGAIS. CONDIÇÃO DE CONSUMIDOR HIPERVULNERÁVEL. JULGAMENTO: CPC/15. 1. Ação de obrigação de fazer ajuizada em 27/11/2017, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 24/09/2019 e atribuído ao gabinete em 17/04/2020. 2. O propósito recursal consiste em decidir sobre a manutenção de dependente em plano de saúde coletivo por adesão, após o falecimento do titular. 3. Há de ser considerado, à luz do disposto na Resolução ANS 195/2009, que, diferentemente dos planos privados de assistência à saúde individual ou familiar, que são de "livre adesão de beneficiários, pessoas naturais, com ou sem grupo familiar" (art. 3º), os planos de saúde coletivos são prestados à população delimitada, vinculada à pessoa jurídica, seja esse vínculo "por relação empregatícia ou estatutária" (art. 5º), como nos contratos empresariais, seja por relação "de caráter profissional, classista ou setorial" (art. 9º), como nos contratos por adesão. 4. É certo e relevante o fato de que a morte do titular do plano de saúde coletivo implica o rompimento do vínculo havido com a pessoa jurídica, vínculo esse cuja existência o ordenamento impõe como condição para a sua contratação, e essa circunstância, que não se verifica nos contratos familiares, impede a interpretação extensiva da súmula normativa 13/ANS para aplicá-la aos contratos coletivos. 5. Em se tratando de contratos coletivos por adesão, não há qualquer norma - legal ou administrativa - que regulamente a situação dos dependentes na hipótese de falecimento do titular; no entanto, seguindo as regras de hermenêutica jurídica, aplicam-se-lhes as regras dos arts. 30 e 31 da Lei 9.656/1998, relativos aos contratos coletivos empresariais. 6. Na trilha dessa interpretação extensiva dos preceitos legais, conclui-se que, falecendo o titular do plano de saúde coletivo, seja este empresarial ou por adesão, nasce para os dependentes já inscritos o direito de pleitear a sucessão da titularidade, nos termos dos arts. 30 ou 31 da Lei 9.656/1998, a depender da hipótese, desde que assumam o seu pagamento integral. 7. E, em se tratando de dependente idoso, a interpretação das referidas normas há de ser feita sob as luzes do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03) e sempre considerando a sua peculiar situação de consumidor hipervulnerável. 8. Recurso especial conhecido e desprovido, com majoração de honorários." (REsp n. 1.871.326/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 1/9/2020, DJe de 9/9/2020) Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 20% (vinte por cento) sobre o valor da causa, não cabendo a majoração prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil por já estar no limite máximo estabelecido no § 2º do mesmo dispositivo legal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA