HC 1027590 - DECISAO
Indeferiu-se liminarmente o habeas corpus porque, em princípio, o writ não pode ser utilizado como substitutivo de recurso ordinário e porque as nulidades alegadas não foram apreciadas pelo Tribunal de origem, o que impediria a análise direta por esta Corte por configurar supressão de instância; além disso, o...
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- Parties
- Paciente: OSMANO VIEIRA DA CRUZ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Ordinário / Liminar Indeferida
- Outcome
- Liminar indeferida
- Legal Topics
- Medida Cautelar De Monitoramento Eletrônico, Sistema Acusatório, Nulidade Processual, Cabimento Do Habeas Corpus Como Substitutivo De Recurso, Supressão De Instância
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Parties
OSMANO VIEIRA DA CRUZ
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Ordinário / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Manutenção de medida cautelar de monitoramento eletrônico sem manifestação prévia do Ministério Público
- 2 Cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso ordinário
- 3 Possibilidade de apreciação monocrática liminar antes da oitiva do Parquet em casos de jurisprudência pacífica
Ratio Decidendi
Indeferiu-se liminarmente o habeas corpus porque, em princípio, o writ não pode ser utilizado como substitutivo de recurso ordinário e porque as nulidades alegadas não foram apreciadas pelo Tribunal de origem, o que impediria a análise direta por esta Corte por configurar supressão de instância; além disso, o Tribunal a quo manteve a medida cautelar visando proteger a integridade da vítima diante das ameaças.
Court Disposition
Liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente este habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso ordinário, impetrado em favor de OSMANO VIEIRA DA CRUZ, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, no julgamento do HC n. 1022637-71.2025.8.11.0000. O paciente foi condenado a 5 anos de reclusão, 25 dias-multa e 6 meses de detenção, em razão da prática dos crimes de ameaça, descumprimento de medidas protetivas e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Após a prolação da sentença, a defesa impetrou habeas corpus aduzindo constrangimento ilegal caracterizado pela manutenção da medida cautelar de monitoramento eletrônico sem manifestação do Ministério Público sobre o tema. O Tribunal de origem denegou a ordem (e-STJ, fls. 119-124), ensejando a impetração deste habeas corpus. Nas razões deste writ, alega-se que houve violação ao sistema acusatório, pois a defesa pleiteou a revogação do monitoramento eletrônico na audiência de instrução e julgamento e não houve oposição por parte da acusação. Desse modo, a manutenção da medida cautelar, de ofício, ofende postulado processual essencial, qual seja, o sistema acusatório. Diante do exposto, requer, liminarmente, a substituição da cautelar por medida menos gravosa. No mérito, que seja declarada a nulidade da manutenção da medida imposta de ofício. É o relatório. Decido. Diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, o Superior Tribunal de Justiça passou a acompanhar a orientação do Supremo Tribunal Federal, no sentido de ser inadmissível o emprego do writ como sucedâneo de recurso ou revisão criminal, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento objetivou preservar a utilidade e a eficácia do mandamus , garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. Assim, em princípio, incabível o presente habeas corpus substitutivo do recurso próprio. Todavia, em homenagem ao princípio da ampla defesa, tem se admitido o exame da insurgência, para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal passível de ser sanado pela concessão da ordem, de ofício. Registro, no mais, que as disposições previstas no art. 64, inciso III, e no art. 202, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, bem como no art. 1º do Decreto-Lei n. 552/1969, não impedem o relator de decidir liminarmente o mérito do habeas corpus e do recurso em habeas corpus, nas hipóteses em que a pretensão se conformar com súmula ou com jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores ou a contrariar. De fato, a ciência posterior do Parquet, longe de suplantar sua prerrogativa institucional, homenageia o princípio da celeridade processual e inviabiliza a tramitação de ações cujo desfecho, em princípio, já é conhecido (EDcl no AgRg no HC n. 324.401/SP, Relator Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma, julgado em 2/2/2016, DJe 23/2/2016). Assim, para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica (AgRg no HC n. 514.048/RS, Relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 6/8/2019, DJe 13/8/2019). Conforme mencionado, busca-se, por meio deste habeas corpus, provimento judicial que reconheça a ocorrência de vícios processuais relativos ao chamamento do paciente ao feito, bem como a comunicação acerca do teor da sentença condenatória. O Tribunal de origem, ao examinar o habeas corpus, não apreciou as alegações defensivas nos moldes delineados pela defesa neste writ, limitando-se a afirmar que medida cautelar de monitoramento eletrônico é necessária para preservar a integridade física e psicológica da vítima, diante das ameaças de morte proferidas pelo paciente. Com efeito, "é vedada a apreciação per saltum da pretensão defensiva, sob pena de supressão de instância, uma vez que compete ao Superior Tribunal de Justiça, na via processual do habeas corpus, apreciar ato de um dos Tribunais Regionais Federais ou dos Tribunais de Justiça estaduais (art. 105, inciso II, alínea a, da Constituição da República)" (EDcl no HC n. 609.741/MG, Relatora Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, julgado em 15/9/2020, DJe 29/9/2020). No mesmo sentido: PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. NULIDADES. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. PROLAÇÃO DE SENTENÇA CONDENATÓRIA QUE PREJUDICA A APRECIAÇÃO DO TEMA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS TESES DEFENSIVAS PELA SENTENÇA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. EXCESSO DE PRAZO PARA O TÉRMINO DA INSTRUÇÃO. ENUNCIADO N. 52, DA SÚMULA DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. As alegadas nulidades decorrentes da sentença condenatória não foram examinadas pelo Tribunal de origem, de modo que inviável a análise inaugural por esta Corte, sob pena de indevida supressão de instância. Outrossim, prolatada a sentença condenatória, fica obstada a análise de eventuais nulidades decorrentes do recebimento da denúncia. 2. No que se refere ao alegado excesso de prazo para o encerramento da instrução, incide o Enunciado n. 52, da Súmula do STJ, que afirma que "Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento ilegal por excesso de prazo". Nesse contexto, prolatada a sentença condenatória, inviável o reconhecimento do excesso de prazo. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 837.966/MG, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 27/10/2023.) Não se pode descurar, por fim, que admitir a análise direta por esta Corte de eventual ilegalidade não submetida ao crivo do Tribunal de origem denotaria patente desprestígio às instâncias ordinárias e inequívoco intento de desvirtuamento do ordenamento recursal ordinário, o que efetivamente tem se buscado coibir. Diante do exposto, nos termos do art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente este habeas corpus. Publique-se. EMENTA