HC 981568 - DECISAO
Concedeu-se parcialmente a ordem, in limine, para ordenar a realização de nova perícia médica oficial no prazo de 30 dias, porque o paciente manifestou concordância em submeter-se ao exame e há indicação, em outro processo, de ausência de periculosidade, sendo necessária perícia atualizada para decidir sobre a...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: CARLOS ANTONIO JUNIO SANTOS; Órgão Coator: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Concessão Parcial Liminar
- Outcome
- Ordem concedida parcialmente para determinar nova perícia médica oficial em 30 dias
- Legal Topics
- Medida De Segurança, Internação Psiquiátrica, Tratamento Ambulatorial, Periculosidade, Perícia Médica, Habeas Corpus
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CARLOS ANTONIO JUNIO SANTOS
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Concessão Parcial Liminar
Legal Issues
- 1 necessidade de manutenção ou substituição da medida de segurança de internação
- 2 necessidade de perícia médica oficial atualizada para comprovar cessação da periculosidade
- 3 provimento de ordem em habeas corpus para determinação de nova perícia
Ratio Decidendi
Concedeu-se parcialmente a ordem, in limine, para ordenar a realização de nova perícia médica oficial no prazo de 30 dias, porque o paciente manifestou concordância em submeter-se ao exame e há indicação, em outro processo, de ausência de periculosidade, sendo necessária perícia atualizada para decidir sobre a continuidade da internação ou a possibilidade de tratamento ambulatorial.
Court Disposition
Ordem concedida parcialmente para determinar nova perícia médica oficial em 30 dias
Orders
- Determinar seja o paciente submetido, dentro de 30 dias, à nova perícia médica oficial que justifique a continuidade da internação psiquiátrica ou a possibilidade de tratamento ambulatorial do sentenciado.
- Comunique-se, com urgência.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO CARLOS ANTONIO JUNIO SANTOS alega sofrer coação ilegal pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Revisão Criminal n. 2345920-50.2024.8.26.0000). Nesta Corte, sustenta a defesa que não há necessidade de manutenção da medida de segurança mais gravosa em desfavor do réu, diante da suposta cessação da sua periculosidade. Assevera que o paciente concorda em ser submetido à nova perícia médica, como propôs o acórdão impugnado. Requer, liminarmente e no mérito, a substituição da internação para o tratamento ambulatorial. Decido. Expõem os autos que, em 14/2/2023, na Ação Penal n. 0027252-92.2021.8.26.0114, à vista da apreensão de 492 porções de crack e R$ 594,00 em poder do acusado, o Magistrado de primeiro grau, proferiu sentença absolutória imprópria, nos termos do art. 386, V, do CPP, e lhe impôs "medida de segurança, consistente em internação por prazo indeterminado, pelo mínimo de dois anos" (fl. 19). A apelação defensiva não foi provida (fls. 45-48), e o processo transitou em julgado em 10/6/2024 (fl. 10). Na sessão de 7/1/2025, o 4º Grupo de Direito Criminal do Tribunal de Justiça indeferiu o pedido revisional, sob estes fundamentos (fls. 12-13, grifei): A substituição por tratamento ambulatorial é uma exceção, condicionada à demonstração inequívoca, por meio de perícia médica oficial, da cessação da periculosidade do indivíduo. Outrossim, muito embora o peticionário tenha sustentado evolução do tratamento junto ao CAPS e declarações de familiares, esses documentos não possuem o peso técnico necessário para comprovar a ausência de periculosidade. A jurisprudência predominante é categórica ao exigir laudo médico pericial atualizado que ateste de forma conclusiva a cessação do risco à sociedade, o que inexiste no caso em análise. .. A exigência de um laudo pormenorizado é crucial, pois este exame deve detalhar as razões que justificam a internação psiquiátrica ou a possibilidade de tratamento ambulatorial. Portanto, não há fundamento jurídico ou probatório que autorize a substituição da medida de segurança de internação por tratamento ambulatorial, pelo menos por ora. Na inicial do habeas corpus, esclarece a impetrante que "o Paciente concorda em ser submetido a nova perícia médica, onde ficará constatada a cessação de sua periculosidade com a possibilidade de tratamento ambulatorial" (fl. 5, destaquei). Depreende-se do writ que, em 3/2/2025, no Processo n. 0000128-47.2015.8.26.0502, o Juízo singular sublinhou, conforme relatório médico, que "o executado obteve alta médica oriunda do CAPS, por ausência de periculosidade, mantendo-se, tão somente, a retirada dos medicamentos junto ao Centro de Saúde" e extinguiu a medida de segurança imposta ao sentenciado (fl. 20, grifei). À vista do exposto, diante do teor do acórdão impugnado e da recente orientação, em outra demanda judicial, pela ausência de periculosidade do réu, concedo parcialmente a ordem, in limine, a fim de determinar seja o paciente submetido, dentro de 30 dias, à nova perícia médica oficial, que justifique a continuidade da internação psiquiátrica ou a possibilidade de tratamento ambulatorial do sentenciado. Comunique-se, com urgência. Publique-se e intimem-se. EMENTA