AREsp 2508026 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o tribunal de origem fundamentou sua decisão em norma de seu regimento interno que atribuiu a competência às turmas de direito privado; norma regimental equipara-se a norma de direito local e, conforme a Súmula 280/STF, impede a admissibilidade do recurso especial.
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- Parties
- Agravante: CICERO ROMAO MACEDO AMORIM
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado
- Outcome
- Negado provimento ao agravo regimental.
- Legal Topics
- Medida Protetiva De Urgência, Lei Maria Da Penha (lei 11.340/2006), Competência Recursal, Regimento Interno, Súmula 280/stf
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Parties
CICERO ROMAO MACEDO AMORIM
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado
Legal Issues
- 1 Natureza jurídica das medidas protetivas de urgência previstas na Lei 11.340/2006
- 2 Competência para apreciação recursal (turma penal versus turmas de direito privado)
- 3 Incidência da Súmula 280/STF em razão de norma regimental equiparada a norma de direito local
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o tribunal de origem fundamentou sua decisão em norma de seu regimento interno que atribuiu a competência às turmas de direito privado; norma regimental equipara-se a norma de direito local e, conforme a Súmula 280/STF, impede a admissibilidade do recurso especial.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo regimental.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão agravada por seus próprios fundamentos.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Daniela Teixeira. EMENTA ROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA. LEI MARIA DA PENHA. NATUREZA JURÍDICA. ALEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA DE TURMA RECURSAL PENAL. INVIABILIDADE. REGIMENTO INTERNO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. SÚMULA 280/STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Ao deliberar sobre a matéria, o tribunal baseou-se em dispositivo de seu regimento interno para determinar que a competência para julgar o recurso de apelação caberia a uma de suas turmas cíveis. Por se tratar de uma norma regimental, esta se equipara a uma norma de direito local, o que, de acordo com a Súmula 280/STF, impede a admissibilidade do recurso excepcional. 2. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por CICERO ROMAO MACEDO AMORIM, contra decisão monocrática conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. A parte agravante argumenta, em síntese, que não se aplica a Súmula 280 do STF. Afirma, ainda, que as medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha possuem caráter eminentemente penal, devendo ser declarada a competência da turma penal para a apreciação da matéria. Pede, ao final, o provimento deste agravo regimental, para desprover o recurso especial. É o relatório. EMENTA ROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA. LEI MARIA DA PENHA. NATUREZA JURÍDICA. ALEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA DE TURMA RECURSAL PENAL. INVIABILIDADE. REGIMENTO INTERNO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. SÚMULA 280/STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Ao deliberar sobre a matéria, o tribunal baseou-se em dispositivo de seu regimento interno para determinar que a competência para julgar o recurso de apelação caberia a uma de suas turmas cíveis. Por se tratar de uma norma regimental, esta se equipara a uma norma de direito local, o que, de acordo com a Súmula 280/STF, impede a admissibilidade do recurso excepcional. 2. Agravo regimental desprovido. VOTO As alegações da parte agravante não são suficientes para alterar a decisão agravada, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Cinge-se a controvérsia acerca da competência recursal para determinar qual órgão do Tribunal de Justiça é competente para a apreciação derivada das decisões que concedem ou rejeitam as medidas protetivas de urgência previstas na Lei 11.340/2006. Na ocasião em questão, o tribunal de origem não admitiu o recurso de apelação apresentado pela defesa perante à sua turma criminal, fundamentando sua decisão na premissa de que a natureza das medidas protetivas em discussão nos autos originários possui caráter cível. Diante desse entendimento, concluiu-se que o recurso de apelação, não conhecido, deveria ser analisado por uma das turmas de direito privado da corte estadual. Nesse contexto, determinou-se a redistribuição do recurso, conforme evidenciado no trecho destacado do acórdão (e-STJ, fls. 98-100): "Com efeito, a jurisprudência é pacífica no sentido de que a natureza da jurisdição é dada de acordo com as características das medidas protetivas deferidas, e, no caso, não há dúvida que se trata de jurisdição civil. Vale ressaltar que o Pleno do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, em sessão realizada no dia 05/07/2017, apresentou CONSULTA na forma do art. 107 do Regimento Interno do TJE/PA, referente à competência para processar e julgar recursos de decisões proferidas com base na Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), decidindo, à unanimidade, que a competência será das Turmas de Direito Privado do TJPA. .. Assim, a matéria já foi devidamente abalizada no Regimento Interno deste E. Tribunal de Justiça, devendo ser os autos remetidos a uma das Turmas de Direito Privado deste Tribunal, consoante art. 31-A, inciso V, do RITJE/PA, assim disciplinado: Art. 31-A. As duas Turmas de Direito Privado são compostas, cada uma, por 03 (três) Desembargadores, no mínimo, e serão presididas por um de seus membros escolhidos anualmente e funcionarão nos recursos de sua competência, a saber: (Incluído pela E. R. n.º 05 de 16/12/2016) (..) V - os recursos interpostos contra decisões que deferem ou indeferem as medidas protetivas previstas na Lei n.º 11.340/2016. (Incluído pela E. R. n.º 09 de 06/12/2017) (GRIFEI) .. Inclusive, em recente Dúvida Não Manifestada Sob a Forma de Conflito (nº 0806694-53.2021.8.14.0000), suscitada pela Exma. Desa. Maria do Céo Maciel Coutinho em face desta relatora, relativa à mesma matéria, Acórdão 13531253, o Tribunal Pleno, à unanimidade, na sessão do Plenário Virtual ocorrida no período de 20 a 27 de julho de 2022, dirimiu a dúvida no sentido de declarar competente para julgamento a 1ª Turma de Direito Privado." Com efeito, ao deliberar sobre a matéria, o tribunal baseou-se no dispositivo de seu regimento interno para determinar que a competência para julgar o recurso de apelação caberia a uma de suas turmas cíveis. Por se tratar de uma norma regimental, esta se equipara a uma norma de direito local, o que, de acordo com a Súmula 280/STF, impede a admissibilidade do recurso excepcional. Esta é uma orientação também adotada esta Corte Superior, como se depreende das ementas dos julgados a seguir: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MILITAR. CORREIÇÃO PARCIAL. DECLARAÇÃO DE VOTO VENCIDO. FACULDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 540 E 500, IV, DO CPPM. PREQUESTIONAMENTO. NORMA DE DIREITO LOCAL. REGIMENTO INTERNO. SÚMULAS 282, 356, 280 DO STF E 211/STJ. 1. O Tribunal a quo não se manifestou expressamente acerca dos arts. 500, inc. IV, e 540, do CPPM, carecendo do requisito indispensável do prequestionamento a atrair a incidência das Súms. 282 e 356/STF e 211/STJ. 2. O inconformismo da defesa demanda a análise do Regimento Interno do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, que prevê a declaração de voto vencido como faculdade do magistrado que diverge do entendimento da maioria nos julgamentos colegiados. Sum. 280/STF. 3. Ademais, o conhecimento do teor do voto vencido somente interessa à parte quando possível a oposição de embargos infringentes, cabíveis na divergência nos julgados de apelações, recursos em sentido estrito e agravos de execução penal - Art. 121 do RITJM/SP. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 892.699/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 22/11/2016, DJe de 5/12/2016.) PROCESSO. EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO FUNDAMENTADA EM NORMA LOCAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 280 DO STF. 1. O Tribunal de origem manteve a decisão do Juízo da Execução, que concedeu o pedido de livramento condicional com base no art. 42 do Regimento Interno dos Estabelecimentos Prisionais do Distrito Federal, entendendo que devem ser considerados tão somente os 6 (seis) últimos meses da execução da pena para fins de avaliação do comportamento carcerário. 2. Rever o julgado pelo fundamento de suposta violação do art. 83, III, do Código Penal demandaria o confronto de legislação local com norma de direito federal, o que é defeso nesta via pela Súmula 280 do STF. Precedente. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp n. 1.318.889/DF, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 7/6/2016, DJe de 17/6/2016.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.