RHC 191043 - ACORDAO
O agravo regimental não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara e específica todos os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reiterar teses já apreciadas; ademais, a manutenção das medidas cautelares foi fundamentada em elementos concretos e precedentes que exigem prévia oitiva da...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Herbert Moreira Dias
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Embargos De Declaração Em Recurso Em Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Não Conhecimento Do Agravo Regimental
- Outcome
- Agravo regimental não conhecido
- Legal Topics
- Medidas Cautelares Diversas Da Prisão, Medidas Protetivas (lei Maria Da Penha), Colegialidade, Súmula 182/stj, Reexame Fático Probatório, Prisão Preventiva
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Parties
Herbert Moreira Dias
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Embargos De Declaração Em Recurso Em Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Não Conhecimento Do Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Conhecimento do agravo regimental por insuficiência de ataque específico aos fundamentos da decisão agravada
- 2 Validade da fundamentação para manutenção de medidas cautelares diversas da prisão em contexto de violência de gênero
- 3 Inviabilidade de reexame fático-probatório em habeas corpus
Ratio Decidendi
O agravo regimental não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara e específica todos os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reiterar teses já apreciadas; ademais, a manutenção das medidas cautelares foi fundamentada em elementos concretos e precedentes que exigem prévia oitiva da vítima e impedem o reexame fático-probatório na via do habeas corpus, aplicando-se a Súmula 182/STJ.
Court Disposition
Agravo regimental não conhecido
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
- Agravo regimental não conhecido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 25/06/2024 a 01/07/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro, Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT) e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EM HABEAS CORPUS IMPROVIDO. LESÃO CORPORAL, AMEAÇA E DANO EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. RAZÕES QUE NÃO INFIRMARAM TODOS OS FUNDAMENTOS DO DECISUM ATACADO. INCIDÊNCIA DO ENTENDIMENTO DA SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por Herbert Moreira Dias contra a decisão de minha lavra, às fls. 921/923, assim ementada: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EM HABEAS CORPUS IMPROVIDO. DECISÃO MONOCRÁTICA AMPARADA EM PERMISSIVOS LEGAIS E REGIMENTAIS. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INEXISTÊNCIA DE AFRONTA. FALTA DE INDICAÇÃO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NA DECISÃO OBJURGADA. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DO JULGADO. INADEQUAÇÃO. INOVAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Embargos de declaração rejeitados. Nesta via, o agravante repete as alegações dos recursos interpostos anteriormente, sustentando a ausência dos requisitos necessários para a manutenção das medidas cautelares impostas. Argumenta, ainda, violação do princípio da colegialidade. Requer a retratação da decisão hostilizada e, caso não seja possível, seja o presente regimental provido nos termos da inicial do recurso ordinário em habeas corpus. Não abri prazo para o agravado apresentar contrarrazões ao agravo regimental. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EM HABEAS CORPUS IMPROVIDO. LESÃO CORPORAL, AMEAÇA E DANO EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. RAZÕES QUE NÃO INFIRMARAM TODOS OS FUNDAMENTOS DO DECISUM ATACADO. INCIDÊNCIA DO ENTENDIMENTO DA SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido. VOTO Inicialmente, como dito na decisão vergastada, a prolação de decisão monocrática está autorizada tanto pelo RISTJ quanto pelo Código de Processo Civil. Além disso, temas decididos monocraticamente sempre poderão ser levados ao Colegiado por meio do controle recursal, o qual, no caso dos autos, foi efetivamente utilizado com a interposição do presente agravo regimental. Sobre o ponto, por todos, estes precedentes: AgRg no HC n. 736.367/PR, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 18/11/2022; e AgRg no HC n. 631.226/SC, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 17/12/2020. Quanto ao mais, não obstante os argumentos expendidos pelo agravante, esses não têm o condão de infirmar os fundamentos insertos na decisão agravada. No caso, o agravante não se desincumbiu do ônus de demonstrar o desacerto da decisão agravada, mediante impugnação clara e específica de todos os fundamentos do decisum combatido; limitou-se a repetir a tese já refutada no recurso em habeas corpus interposto em seu favor. Veja-se que as alegações do agravante foram devidamente decididas de acordo com os precedentes desta Corte Superior, como se observa deste trecho do decisum (fls. 901/904 - grifo nosso): .. O recurso não comporta provimento. É que, conforme bem destacado pelo parecer do Subprocurador-Geral da República Roberto Luis Oppermann Thome, o qual adoto como razão de decidir, não se verifica flagrante ilegalidade ou constrangimento manifesto que exija a intervenção desta Corte Superior. Vejamos (fls. 894/895 - grifo nosso): .. Este recurso ordinário não merece provimento pois não há eiva alguma a tisnar o aresto profligado, o que se depreende ictu oculi de informações requisitadas e prestadas neste feito imaterial, por persistirem as circunstâncias fático-jurídicas que fundamentaram as medidas cautelares adotadas por juízo(s) competente(s) por presente necessidade de garantia da ordem pública e em especial da integridade física e psíquica das vítimas, segundo se depreende deste excerto do voto condutor (e-STJ, fl. 480): "Destarte, não se verifica a alegada ausência de fundamentação da decisão que indeferiu o pleito do paciente, pois constatada a existência do risco de reiteração delitiva do acusado a justificar a imposição e a manutenção das medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP, para a garantia da ordem pública e preservação da integridade física das vítimas. Nesse mesmo sentido se posicionou a douta Procuradoria de Justiça, vejamos: "..O §2º do art. 312 do CPP exige contemporaneidade entre a prisão preventiva e os fatos que a fundamentam, isso quer dizer que quando os fundamentos da prisão não forem mais válidos, a prisão preventiva deverá ser revogada. Podemos fazer analogia para a aplicabilidade desse princípio nas medidas cautelares diversas da prisão. Assim, a insistência constante de permanecer com comportamentos intimidatórios com a vítima, inclusive passando em sua rua, quando existem outros caminhos a serem tomados, demonstra o iminente risco de reiteração delitiva. ( ) considerando que existem nos autos os indícios de materialidade e autoria delitiva, bem como fundamentação idônea na decretação das medidas cautelares diversas da prisão, não observamos existência de fundamento que justifique o relaxamento das medidas impostas ao paciente. Ante todo o exposto, consubstanciando-se nos argumentos acima expendidos, manifesta-se esta PROCURADORIA DE JUSTIÇA CRIMINAL pelo CONHECIMENTO do presente Habeas Corpus e, para, no mérito, DENEGAR À ORDEM, vez que não restou configurado o propagado constrangimento ilegal.." .. Observa-se que em 20/09/2023 o juízo singular de piso competente manteve as cautelares com esta fundamentação (e-STJ, fl. 429/430): "Portanto, de uma análise minuciosa dos autos, é possível observar que as medidas cautelares requeridas em favor das vítimas e deferidas por este juízo se sustentam em fatos recentes, mesmo que o fato criminoso seja datado de 05/06/2021. Desta feita, ante os indícios de que persistem atos de desdobramento da cadeia delitiva inicial ou a repetição de atos em reiteração do comportamento intimidatório para com as vítimas, demonstrada a subsistência da situação de risco à ordem pública e à preservação da própria integridade física e psíquica das vítimas, as medidas cautelares se mostram suficientes e adequadas para acautelar o meio social e impedir a reprodução de fatos de igual natureza e gravidade. Inteligência do art. 282, incisos I e II, do CPP. Acrescente-se que as cautelares impostas se encontram devidamente fundamentadas em dados concretos extraídos dos autos, evidenciando a inconteste necessidade de sua aplicação para a garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal, ressaltando, ainda, que o crime foi praticado com violência e grave ameaça à pessoa, com indícios de motivação discriminatória e preconceituosa em razão da orientação sexual, revelando, pois, a partir do modus operandi, a gravidade concreta da conduta, o que justifica a aplicação das medidas cautelares, tornando inalterados os motivos e fundamentos já expostos na decisão que as deferiu (ID 395202445), aos quais me reporto de forma integral." De fato, da atenta leitura dos autos observa-se que o acórdão impugnado não diverge da orientação jurisprudencial do STJ, no sentido que a revogação de medidas protetivas de urgência exige a prévia oitiva da vítima para avaliação da cessação efetiva da situação de risco à sua integridade física, moral, psicológica, sexual e patrimonial (AgRg no REsp n. 1.775.341/SP, da minha relatoria, Terceira Seção, julgado em 12/4/2023, DJe 14/4/2023). Desse modo, tendo as vítimas demonstrado interesse na manutenção das medidas cautelares, para evitar qualquer aproximação com o agressor, impõe-se a sua manutenção. Nesse sentido: REsp n. 2.036.072/MG, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 22/8/2023, DJe 30/8/2023; e o HC n. 605.113/SC, Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe 11/11/2022). Por outro lado, rever as conclusões da origem, no sentido da necessidade de manutenção ou não das medidas protetivas, seria indispensável o reexame fático-probatório dos autos, providência inviável na via eleita. Nesse sentido: PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. LEI MARIA DA PENHA. FIXAÇÃO DE MEDIDAS PROTETIVAS. PROIBIÇÃO DE APROXIMAR-SE E DE MANTER CONTATO COM A VÍTIMA. AMEAÇAS. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. QUESTÕES FÁTICAS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE NO ÂMBITO DO HABEAS CORPUS. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. RECURSO DESPROVIDO, COM RECOMENDAÇÃO DE CELERIDADE E PRIORIDADE. 1. O eventual descumprimento de medidas protetivas arroladas na Lei Maria da Penha pode gerar a decretação de prisão preventiva (art. 313, III, do Código de Processo Penal). Ademais, a lei adjetiva penal prevê: Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar. Precedentes. 2. Não há falar em inconstitucionalidade da Lei Maria da Penha, que foi criada para dar efetividade ao princípio constitucional da isonomia, coibir a violência cometida contra as mulheres, no âmbito doméstico e familiar, em observância ao que determina a Constituição da República, em seu art. 226, § 8º. A afirmação de que todos são iguais perante a Lei não veda a previsão de tratamento diferenciado para pessoas em situações diversas. 3. Verifica-se que as instâncias de origem fundamentaram adequada e suficientemente a necessidade de manutenção da medida protetiva imposta em desfavor do recorrente, já tendo sido revogada aquela que pareceu desnecessária, não estando impedido de ingressar no imóvel que disputam, desde que seja respeitada a restrição de não manter contato com a ofendida. 4. A análise da suposta desnecessidade das medidas protetivas - tal como posta no recurso - demandaria reexame aprofundado do conjunto probatório, inviável na via estreita do habeas corpus. Precedentes. 5. Diante da informação de que não há sentença proferida nos processos criminais em trâmite contra o recorrente, e considerando a sua idade avançada, determino ao Juízo que dê prioridade e celeridade na apreciação dos feitos. 6. Recurso ordinário desprovido, com recomendação. (RHC n. 62.267/RS, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 3/8/2017, DJe 16/8/2017 - grifo nosso). Afora isso, como dito, a contemporaneidade das medidas cautelares não está, a priori, necessariamente ligada à data da prática dos supostos crimes, mas, sim, à subsistência da situação de risco que justifica a medida cautelar, como na espécie. Nesse sentido, do Supremo Tribunal Federal: HC n. 206.116-AgR, Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, DJe 18/10/2021. Ante o exposto, com base nos precedentes e no parecer ministerial, nego provimento ao recurso em habeas corpus. Sabemos que não basta a impugnação genérica dos fundamentos da decisão agravada, é necessário que a contestação seja específica e suficientemente demonstrada. O agravante nem sequer deduziu, por exemplo, argumentos concretos no sentido de demonstrar a desnecessidade de reexame de provas para análise da tese deduzida no recurso ordinário. Assim, à falta de contrariedade, permanecem incólumes os motivos expendidos pela decisão recorrida. É inviável, portanto, o agravo regimental ou interno que deixa de atacar os fundamentos da decisão agravada, de acordo com os arts. 932, III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil - CPC de 2015 e a Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes (AgRg no AREsp n. 936.228/SP, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 25/5/2017). Diante da incidência da Súmula 182/STJ, não conheço do agravo regimental.