HC 950771 - DECISAO
A impetrante não demonstrou, por prova pré-constituída, constrangimento ilegal ou abuso na aplicação das medidas; o Tribunal de origem constatou esgotamento dos meios típicos de execução, existência de indícios de patrimônio incompatível com a negativa de bens e necessidade/razoabilidade das medidas atípicas para...
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- Parties
- Impetrante/paciente: FLÁVIA MARIA PELLICIARI SALUM; Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido: Tribunal de Justiça de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória No STJ (ordem Denegada)
- Outcome
- ordem denegada
- Legal Topics
- Medidas Coercitivas Atípicas, Suspensão Da CNH, Constrição/apreensão De Passaporte, Habeas Corpus, Cumprimento De Sentença/executório
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Parties
FLÁVIA MARIA PELLICIARI SALUM
Impetrante/paciente
Tribunal de Justiça de São Paulo
Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória No STJ (ordem Denegada)
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus contra suspensão da CNH
- 2 licitude da constrição/apreensão de passaporte como medida executiva atípica
- 3 necessidade de esgotamento dos meios típicos de execução
Ratio Decidendi
A impetrante não demonstrou, por prova pré-constituída, constrangimento ilegal ou abuso na aplicação das medidas; o Tribunal de origem constatou esgotamento dos meios típicos de execução, existência de indícios de patrimônio incompatível com a negativa de bens e necessidade/razoabilidade das medidas atípicas para assegurar a efetividade do crédito; a jurisprudência do STJ admite a constrição do passaporte quando presentes tais requisitos, e a suspensão da CNH não é matéria adequada para habeas corpus, de modo que a ordem foi denegada.
Court Disposition
ordem denegada
Orders
- Denego a ordem.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar interposto por FLÁVIA MARIA PELLICIARI SALUM contra acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (Agravo de Instrumento n. 2051004-42.2023.8.26.0000), que determinou a suspensão da CNH e a constrição do passaporte dos executados, em decisão assim ementada (fl. 19): AGRAVO DE INSTRUMENTO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA INDEFERIMENTO DE MEDIDAS COERCITIVAS SUSPENSÃO DA CNH E PASSAPORTE APLICAÇÃO CASO EXCEPCIONAL PRINCIPIO DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE DEFERIMENTO I Insurgência contra r. decisão que indeferiu o pedido de suspensão da CNH e passaporte dos executados. Medida coercitiva excepcional deferida: II Ação de origem que tem mais de trinta anos, cujo cumprimento de sentença iniciou-se em 2005. Exaurimento de medidas para obtenção do crédito (sistemas judiciários SISBAJUD, RENAJUD). Evidenciando-se a tentativa de escusar-se de quitar o débito exequendo, o que justifica, diante dos elementos coligidos aos autos, o excepcional deferimento das medidas coercitivas atípicas, posto que razoáveis e proporcionais diante das peculiaridades do caso. Precedentes. RECURSO PROVIDO. Alega a impetrante que a suspensão da carteira nacional de habilitação e a constrição do passaporte são medidas coercitivas ilegais e implicam constrangimento ilegal no direito de ir e vir da paciente. Argumenta que "a adoção de medidas de incursão na esfera de direitos do executado, notadamente direitos fundamentais, carecerá de legitimidade e configurar-se-á coação reprovável, sempre que vazia de respaldo constitucional ou previsão legal e na medida em que não se justificar em defesa de outro direito fundamental. É que objetivos pragmáticos, por mais legítimos que sejam, tal qual a busca pela efetividade, não podem atropelar o devido processo constitucional e, menos ainda, desconsiderados direitos e liberdades previstos na Carta Maior" (fl. 9). Afirma que, "na situação concreta, não há qualquer comprovação, muito menos indícios de ocultação de patrimônio em todos esses anos em que corre a ação executiva" (fl. 12). Aduz que "as medidas atípicas foram tomadas apenas pela demora em se penhorar algum bem que satisfaça minimamente o débito, sem que ficasse provada em nenhum momento a ocultação patrimonial, requisito fundamental para a adoção das restrições impostas" (fl. 13). Requer o deferimento de medida liminar para que se determine a imediata devolução do passaporte da paciente. No mérito, requer a concessão da ordem para que as medidas executivas sejam revogadas. É o relatório. Decido. Verifica-se que as medidas restritivas impugnadas foram aplicadas em cumprimento de sentença de crédito cuja execução se iniciou em 2005. De acordo com o que se registrou no acórdão proferido pelo TJSP, diferentemente do que alega a impetrante, já foram esgotados todos os meios executivos típicos para a satisfação da dívida. Confira-se (fls. 24-25, destaquei): Restou demonstrado que a medida pretendida é uma exceção. Em tese, só se justifica quando há a demonstração de ausência de bens penhoráveis (esta verificada pelas pesquisas disponíveis no judiciário), aliando-se a indícios de que a parte executada usufrui de padrão de vida incompatível com a ausência de bens demonstrada nessas pesquisas. Como já exposto, o exequente comprovou a exaustiva pesquisa nos sistemas disponíveis, obtendo a penhora no rosto dos autos em uma ação cível na 32ª Vara do Foro João Mendes, nesta Capital e a existência de um imóvel de copropriedade dos agravados e terceiros (Matrícula M-38906 CRI de Araçatuba). O débito, em fevereiro de 2023, corresponde a R$ 23.277.638,90 e a penhora no rosto dos autos corresponde a apenas 40% do valor exequendo (R$ 9.247.914,83), sem data para o recebimento e sequer há condições de, neste momento, saber se o valor do crédito dos agravados está destinado também a outros credores. Assim, inegável que satisfeito está o requisito de ausência de bens penhoráveis e, portanto, verificado o exaurimento de medidas menos gravosas ao executado. Ademais, intimados para indicar bens (CPC, art. 774, V), os agravados negaram a existência de bens. Posteriormente, mediante pesquisas por parte do agravante, identificou-se a existência de um imóvel (já citado) em copropriedade dos agravados e terceiros. Nos processos judiciais em que estão envolvidos, os agravados contratam e pagam advogados de renome para a defesa dos seus interesses e todos eles vivem em imóveis de alto padrão. Em pesquisa na internet, um dos endereços dos executados, bairro da Vila Bandeirantes, há imóveis avaliados em R$ 400.000,00 a R$ 1.000.000,00. No presente caso, evidencia-se a tentativa de escusar-se de quitar o débito exequendo, o que justifica, diante dos elementos coligidos aos autos, o excepcional deferimento das medidas coercitivas atípicas, posto que razoáveis e proporcionais diante das peculiaridades do caso. Como sabido, para a satisfação de seu crédito, pode o credor se valer de meios executórios diretos ou indiretos, típicos ou atípicos. O novo diploma processual civil, à luz do princípio da efetividade e diante do alto índice de execuções frustradas, ampliou as hipóteses de medidas coercitivas que pretendem forçar o devedor a adimplir com suas obrigações, conferindo ao juiz amplos poderes para determinar medidas que assegurem satisfação do crédito e o consequente cumprimento de ordem judicial. A questão dos autos refere-se à aplicação das medidas executivas atípicas citadas no inciso IV do artigo 139 do Código de Processo Civil, as quais, diante das especificidades do caso, foram consideradas necessárias à tentativa de cumprimento da condenação. Confira-se a redação do referido dispositivo: Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: IV - determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou subrogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária; Em relação à suspensão da CNH, não se pode conhecer do habeas corpus, uma vez que o STJ já decidiu que "a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação não configura ameaça ao direito de ir e vir do titular, sendo, assim, inadequada a utilização do habeas corpus, impedindo seu conhecimento. É fato que a retenção desse documento tem potencial para causar embaraços consideráveis a qualquer pessoa e, a alguns determinados grupos, ainda de forma mais drástica, caso de profissionais, que tem na condução de veículos, a fonte de sustento. É fato também que, se detectada esta condição particular, no entanto, a possibilidade de impugnação da decisão é certa, todavia por via diversa do habeas corpus, porque sua razão não será a coação ilegal ou arbitrária ao direito de locomoção, mas inadequação de outra natureza" (RHC n. 97.876/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 5/6/2018, DJe de 9/8/2018). No tocante à constrição do passaporte, verifica-se que "a jurisprudência desta Corte Superior reputa, em tese, lícita e possível a adoção de medidas executivas indiretas, inclusive a apreensão de passaporte, desde que exauridos previamente os meios típicos de satisfação do crédito exequendo, bem como que a medida se afigure adequada, necessária e razoável para efetivar a tutela do direito do credor em face de devedor que, demonstrando possuir patrimônio apto a saldar o débito em cobrança, intente frustrar injustificadamente o processo executivo. Na hipótese, a conclusão do acórdão recorrido, no sentido de denegar a ordem, se coaduna com o referido entendimento" (AgInt no RHC 128.327/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 12/4/2021, DJe de 15/4/2021). No caso em tela, o Tribunal de origem concluiu terem sido exauridas as medidas executivas menos gravosas, conforme se depreende da leitura do acórdão de fls. 18-26, tendo lançado mão de via atípica como ultima ratio, a qual, diante das circunstâncias, se mostra razoável e proporcional. Registre-se que tais medidas executivas atípicas foram previstas com o intuito de promover, de forma eficaz, direitos e garantias fundamentais pertencentes ao credor, sob pena de beneficiar devedor recalcitrante e gerar verdadeira inversão de valores, com proteção insuficiente dos bens tutelados pelo Estado-Juiz. A propósito: AGRAVO INTERNO. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. MEDIDAS COERCITIVAS ATÍPICAS. CPC/2015. SUSPENSÃO DA CNH. OFENSA DIRETA E IMEDIATA À LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO DO PACIENTE. NÃO OCORRÊNCIA. IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS. NÃO CABIMENTO. APREENSÃO DE PASSAPORTE. ADOÇÃO DE MEDIDAS ATÍPICAS, SEGUNDO REQUISITOS DELINEADOS PELO STJ (ESGOTAMENTO DOS MEIOS TRADICIONAIS PARA SATISFAÇÃO DO CRÉDITO, DEVIDO PROCESSO LEGAL, DECISÃO FUNDAMENTADA, NÃO INDICAÇÃO DE BENS À PENHORA E INDÍCIOS DE OCULTAÇÃO DE PATRIMÔNIO). VERIFICAÇÃO. RECURSO ORDINÁRIO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO. MANUTENÇÃO. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Na linha da jurisprudência formada no âmbito das Turmas de Direito Privado do STJ, a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação, da qual decorre a restrição do direito de dirigir veículo automotivo, não configura, em si, ofensa direta e imediata à liberdade de locomoção do paciente, razão pela qual a correlata decisão não pode ser impugnada por habeas corpus, mas sim pelas vias recursais ordinárias. 2. Esta Terceira Turma, por ocasião do julgamento do REsp n. 1.782.418/RJ, em que se discutia justamente a possibilidade, e mesmo a licitude da medida indutiva consistente na apreensão de passaporte, perfilhou o posicionamento de que "a adoção de meios executivos atípicos é cabível desde que, verificando-se a existência de indícios de que o devedor possua patrimônio expropriável, tais medidas sejam adotadas de modo subsidiário, por meio de decisão que contenha fundamentação adequada às especificidades da hipótese concreta, com observância do contraditório substancial e do postulado da proporcionalidade". 2.1 Na hipótese, saliente-se, porque relevante, que tais circunstâncias afetas ao esgotamento das medidas típicas executivas na origem; à efetivação do contraditório; à existência de elementos idôneos que indicam a existência de patrimônio mais do que suficiente para o executado fazer frente ao débito exequendo; e à postura absolutamente injustificada do paciente de dar cumprimento à obrigação , encontram-se expressamente consignadas no acórdão ora impugnado. 3. Agravo interno improvido. (AgInt no RHC n. 138.315/RJ, relator Ministro Marco Aurelio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 9/8/2021, DJe de 13/8/2021.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. DETERMINAÇÃO DE BLOQUEIO DE PASSAPORTE, COMO MEDIDA INDUTIVA AO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE ADIMPLIR O DÉBITO EXEQUENDO. INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE MANIFESTA. ESGOTAMENTO DAS MEDIDAS TÍPICAS EXECUTIVAS NA ORIGEM. EFETIVAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA AO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. RESSONÂNCIA, EM TESE, NA JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PRIVADO DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior reputa, em tese, lícita e possível a adoção de medidas executivas indiretas, inclusive a apreensão de passaporte, desde que, exauridos previamente os meios típicos de satisfação do crédito exequendo, bem como que a medida se afigure adequada, necessária e razoável para efetivar a tutela do direito do credor em face de devedor que, demonstrando possuir patrimônio apto a saldar o débito em cobrança, intente frustrar injustificadamente o processo executivo. Na hipótese, a conclusão do acórdão recorrido, no sentido de denegar a ordem, se coaduna com o referido entendimento. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no RHC n. 128.327/SP, relator Ministro Marco Aurelio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 12/4/2021, DJe de 15/4/2021.) RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. MEDIDAS COERCITIVAS ATÍPICAS. CPC/2015. INTERPRETAÇÃO CONSENTÂNEA COM O ORDENAMENTO CONSTITUCIONAL. SUBSIDIARIEDADE, NECESSIDADE, ADEQUAÇÃO E PROPORCIONALIDADE. RETENÇÃO DE PASSAPORTE. COAÇÃO ILEGAL. CONCESSÃO DA ORDEM. SUSPENSÃO DA CNH. NÃO CONHECIMENTO. 1. O habeas corpus é instrumento de previsão constitucional vocacionado à tutela da liberdade de locomoção, de utilização excepcional, orientado para o enfrentamento das hipóteses em que se vislumbra manifesta ilegalidade ou abuso nas decisões judiciais. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, o acautelamento de passaporte é medida que limita a liberdade de locomoção, que pode, no caso concreto, significar constrangimento ilegal e arbitrário, sendo o habeas corpus via processual adequada para essa análise. 3. O CPC de 2015, em homenagem ao princípio do resultado na execução, inovou o ordenamento jurídico com a previsão, em seu art. 139, IV, de medidas executivas atípicas, tendentes à satisfação da obrigação exequenda, inclusive as de pagar quantia certa. 4. As modernas regras de processo, no entanto, ainda respaldadas pela busca da efetividade jurisdicional, em nenhuma circunstância, poderão se distanciar dos ditames constitucionais, apenas sendo possível a implementação de comandos não discricionários ou que restrinjam direitos individuais de forma razoável. 5. Assim, no caso concreto, após esgotados todos os meios típicos de satisfação da dívida, para assegurar o cumprimento de ordem judicial, deve o magistrado eleger medida que seja necessária, lógica e proporcional. Não sendo adequada e necessária, ainda que sob o escudo da busca pela efetivação das decisões judiciais, será contrária à ordem jurídica. 6. Nesse sentido, para que o julgador se utilize de meios executivos atípicos, a decisão deve ser fundamentada e sujeita ao contraditório, demonstrando-se a excepcionalidade da medida adotada em razão da ineficácia dos meios executivos típicos, sob pena de configurar-se como sanção processual. 7. A adoção de medidas de incursão na esfera de direitos do executado, notadamente direitos fundamentais, carecerá de legitimidade e configurar-se-á coação reprovável, sempre que vazia de respaldo constitucional ou previsão legal e à medida em que não se justificar em defesa de outro direito fundamental. 8. A liberdade de locomoção é a primeira de todas as liberdades, sendo condição de quase todas as demais. Consiste em poder o indivíduo deslocar-se de um lugar para outro, ou permanecer cá ou lá, segundo lhe convenha ou bem lhe pareça, compreendendo todas as possíveis manifestações da liberdade de ir e vir. 9. Revela-se ilegal e arbitrária a medida coercitiva de suspensão do passaporte proferida no bojo de execução por título extrajudicial (duplicata de prestação de serviço), por restringir direito fundamental de ir e vir de forma desproporcional e não razoável. Não tendo sido demonstrado o esgotamento dos meios tradicionais de satisfação, a medida não se comprova necessária. 10. O reconhecimento da ilegalidade da medida consistente na apreensão do passaporte do paciente, na hipótese em apreço, não tem qualquer pretensão em afirmar a impossibilidade dessa providência coercitiva em outros casos e de maneira genérica. A medida poderá eventualmente ser utilizada, desde que obedecido o contraditório e fundamentada e adequada a decisão, verificada também a proporcionalidade da providência. 11. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação não configura ameaça ao direito de ir e vir do titular, sendo, assim, inadequada a utilização do habeas corpus, impedindo seu conhecimento. É fato que a retenção desse documento tem potencial para causar embaraços consideráveis a qualquer pessoa e, a alguns determinados grupos, ainda de forma mais drástica, caso de profissionais, que tem na condução de veículos, a fonte de sustento. É fato também que, se detectada esta condição particular, no entanto, a possibilidade de impugnação da decisão é certa, todavia por via diversa do habeas corpus, porque sua razão não será a coação ilegal ou arbitrária ao direito de locomoção, mas inadequação de outra natureza. 12. Recurso ordinário parcialmente conhecido. (RHC n. 97.876/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 5/6/2018, DJe de 9/8/2018.) Assim, observa-se que a impetrante não logrou êxito em demonstrar, por intermédio de prova pré-constituída, suas alegações, prevalecendo a conc lusão acerca da legalidade das medidas, não se encontrando presentes, portanto, os requisitos previstos no art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal. Ante o exposto, denego a ordem . Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA