REsp 1933741 - DECISAO
O Tribunal assentou que, embora o art. 139, IV, do CPC autorize medidas executivas atípicas para assegurar o cumprimento de ordens judiciais, a adoção dessas medidas é subsidiária e condicionada à demonstração de indícios de ocultação patrimonial e à observância dos requisitos de necessidade, adequação e...
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- Parties
- Recorrente: COMPANIA SUD AMERICANA DE VAPORES S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado
- Outcome
- recurso especial provido
- Legal Topics
- Medidas Executivas Atípicas, Art. 139, IV, Cpc/2015, Suspensão Da CNH, Proporcionalidade, Razoabilidade, Contraditório, Cumprimento De Sentença
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Parties
COMPANIA SUD AMERICANA DE VAPORES S/A
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado
Legal Issues
- 1 viabilidade da adoção de medidas executivas atípicas (suspensão da CNH) na execução por quantia certa
- 2 requisitos para adoção de medidas atípicas: necessidade, adequação, proporcionalidade, subsidiariedade e fundamentação
- 3 compatibilização da busca de efetividade processual com direitos e garantias constitucionais, inclusive dignidade da pessoa humana e direito de ir e vir
Ratio Decidendi
O Tribunal assentou que, embora o art. 139, IV, do CPC autorize medidas executivas atípicas para assegurar o cumprimento de ordens judiciais, a adoção dessas medidas é subsidiária e condicionada à demonstração de indícios de ocultação patrimonial e à observância dos requisitos de necessidade, adequação e proporcionalidade, bem como da fundamentação e do contraditório; constatado que o Tribunal de origem indeferiu o pedido com fundamento incompatível com a orientação desta Corte, determinou-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo exame à luz das diretrizes fixadas pelo STJ.
Court Disposition
recurso especial provido
Orders
- Determina o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que reexamine o agravo de instrumento à luz das diretrizes delineadas por esta Corte
- Dou provimento ao recurso especial
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto por COMPANIA SUD AMERICANA DE VAPORES S/A, com fundamento na alínea "a" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (e-STJ fl. 48): EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL Medidas coercitivas/restritivas (art.139, V, NCPC) Suspensão da Carteira Nacional de Habilitação dos Executados Impossibilidade A medida não se afigura razoável e proporcional e viola garantias constitucionais Precedentes deste Egrégio Tribunal Decisão mantida Recurso não provido. Nas razões de seu recurso especial, além de divergência jurisprudencial, a parte recorrente sustenta vulneração aos arts. 8º e 139, IV, do CPC, uma vez que o acórdão entendeu que as medidas excepcionais do art. 139, IV, do CPC não admitem interferência em direitos individuais e desbordam dos limites da dignidade do devedor. Assevera equivocada a Corte Estadual, pois são medidas autorizadas pelo ordenamento jurídico sendo apenas aparente a violação a pretensos direitos de personalidade. Aduz que, observada a razoabilidade e a proporcionalidade, as medidas excepcionais são autorizadas e necessárias em casos em que as ordinárias e típicas restem frustradas. Defende que, no caso, a suspensão da CNH dos recorridosgarante a efetividade da norma e do instrumento legal do crédito sem proteger a esperteza e a má fé. Deixou-se de abrir vista para contrarrazões à parte recorrida, por não possuir procurador constituído nos autos. (e-STJ fl. 91). O recurso foi admitido na origem. É o relatório. Passo a decidir. O recurso especial merece provimento. A controvérsia do recurso especial está em definir a viabilidade da adoção de medidas executivas atípicas, indeferidas pelo Tribunal de origem, consistentes na suspensão da CNH. A orientação que vem predominando nas Turmas de Direito Privado do STJ é a de que o juiz pode se valer de medidas executivas atípicas para assegurar o cumprimento de ordem judicial, nas ações que têm por objeto o pagamento de quantia, conforme disposto no art. 139, IV, do CPC. Por possuírem caráter subsidiário, a adoção destas providências atípicas deve observar os requisitos da necessidade, da adequação e da proporcionalidade, vale dizer, apenas estarão autorizadas quando constatada, no caso concreto, a falta de efetividade da medida típica e a presença de indícios de que o devedor vem ocultando o seu patrimônio para frustrar a execução. A propósito, confiram-se as ementas dos seguintes julgados: RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL E REPARAÇÃO POR DANO MATERIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. QUANTIA CERTA. MEDIDAS EXECUTIVAS ATÍPICAS. ART. 139, IV, DO CPC/15. CABIMENTO. DELINEAMENTO DE DIRETRIZES A SEREM OBSERVADAS PARA SUA APLICAÇÃO. 1. Ação distribuída em 10/6/2011. Recurso especial interposto em 25/5/2018. Autos conclusos à Relatora em 3/12/2018. 2. O propósito recursal é definir se, na fase de cumprimento de sentença, a suspensão da carteira nacional de habilitação e a retenção do passaporte do devedor de obrigação de pagar quantia são medidas viáveis de serem adotadas pelo juiz condutor do processo. 3. O Código de Processo Civil de 2015, a fim de garantir maior celeridade e efetividade ao processo, positivou regra segundo a qual incumbe ao juiz determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou subrogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária (art. 139, IV). 4. A interpretação sistemática do ordenamento jurídico revela, todavia, que tal previsão legal não autoriza a adoção indiscriminada de qualquer medida executiva, independentemente de balizas ou meios de controle efetivos. 5. De acordo com o entendimento do STJ, as modernas regras de processo, ainda respaldadas pela busca da efetividade jurisdicional, em nenhuma circunstância poderão se distanciar dos ditames constitucionais, apenas sendo possível a implementação de comandos não discricionários ou que restrinjam direitos individuais de forma razoável. Precedente específico. 6. A adoção de meios executivos atípicos é cabível desde que, verificando-se a existência de indícios de que o devedor possua patrimônio expropriável, tais medidas sejam adotadas de modo subsidiário, por meio de decisão que contenha fundamentação adequada às especificidades da hipótese concreta, com observância do contraditório substancial e do postulado da proporcionalidade. 7. Situação concreta em que o Tribunal a quo indeferiu o pedido do exequente de adoção de medidas executivas atípicas sob o singelo fundamento de que a responsabilidade do devedor por suas dívidas diz respeito apenas ao aspecto patrimonial, e não pessoal. 8. Como essa circunstância não se coaduna com o entendimento propugnado neste julgamento, é de rigor - à vista da impossibilidade de esta Corte revolver o conteúdo fático-probatório dos autos - o retorno dos autos para que se proceda a novo exame da questão. 9. De se consignar, por derradeiro, que o STJ tem reconhecido que tanto a medida de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação quanto a de apreensão do passaporte do devedor recalcitrante não estão, em abstrato e de modo geral, obstadas de serem adotadas pelo juiz condutor do processo executivo, devendo, contudo, observar-se o preenchimento dos pressupostos ora assentados. Precedentes. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.(REsp 1782418/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/04/2019, DJe 26/04/2019) RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE DESPEJO E COBRANÇA DE ALUGUEIS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. MEDIDAS EXECUTIVAS ATÍPICAS. ART. 139, IV, DO CPC/15. CABIMENTO, EM TESE. DELINEAMENTO DE DIRETRIZES A SEREM OBSERVADAS PARA SUA APLICAÇÃO. 1. Ação ajuizada em 17/4/2002. Recurso especial interposto em 10/6/2019. Autos conclusos à Relatora em 18/12/2019. 2. O propósito recursal é definir se a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação do devedor de obrigação de pagar quantia é medida viável de ser adotadas pelo juiz condutor do processo executivo. 3. O Código de Processo Civil de 2015, a fim de garantir maior celeridade e efetividade ao processo, positivou regra segundo a qual incumbe ao juiz determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou subrogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária (art. 139, IV). 4. A interpretação sistemática do ordenamento jurídico revela, todavia, que tal previsão legal não autoriza a adoção indiscriminada de qualquer medida executiva, independentemente de balizas ou meios de controle efetivos. 5. De acordo com o entendimento do STJ, as modernas regras de processo, ainda respaldadas pela busca da efetividade jurisdicional, em nenhuma circunstância poderão se distanciar dos ditames constitucionais, apenas sendo possível a implementação de comandos não discricionários ou que restrinjam direitos individuais de forma razoável. Precedente específico. 6. A adoção de meios executivos atípicos é cabível desde que, verificando-se a existência de indícios de que o devedor possua patrimônio expropriável, tais medidas sejam adotadas de modo subsidiário, por meio de decisão que contenha fundamentação adequada às especificidades da hipótese concreta, com observância do contraditório substancial e do postulado da proporcionalidade. 7. Situação concreta em que o Tribunal a quo indeferiu o pedido do recorrente sob o fundamento de que a medida postulada não se vinculava diretamente com a tentativa de satisfação do crédito, além de se revelar incompatível com o bem jurídico protegido. 8. Como essas circunstâncias, isoladamente, não se coadunam com o entendimento propugnado neste julgamento, é de rigor à vista da impossibilidade de esta Corte revolver o conteúdo fático-probatório dos autos o retorno dos autos ao juízo de primeiro grau para que se proceda a novo exame da questão. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.(REsp 1854289/PB, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/02/2020, DJe 26/02/2020) RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. MEDIDAS COERCITIVAS ATÍPICAS. CPC/2015. INTERPRETAÇÃO CONSENTÂNEA COM O ORDENAMENTO CONSTITUCIONAL. SUBSIDIARIEDADE, NECESSIDADE, ADEQUAÇÃO E PROPORCIONALIDADE. RETENÇÃO DE PASSAPORTE. COAÇÃO ILEGAL. CONCESSÃO DA ORDEM. SUSPENSÃO DA CNH. NÃO CONHECIMENTO. 1. O habeas corpus é instrumento de previsão constitucional vocacionado à tutela da liberdade de locomoção, de utilização excepcional, orientado para o enfrentamento das hipóteses em que se vislumbra manifesta ilegalidade ou abuso nas decisões judiciais. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, o acautelamento de passaporte é medida que limita a liberdade de locomoção, que pode, no caso concreto, significar constrangimento ilegal e arbitrário, sendo o habeas corpus via processual adequada para essa análise. 3. O CPC de 2015, em homenagem ao princípio do resultado na execução, inovou o ordenamento jurídico com a previsão, em seu art. 139, IV, de medidas executivas atípicas, tendentes à satisfação da obrigação exequenda, inclusive as de pagar quantia certa. 4. As modernas regras de processo, no entanto, ainda respaldadas pela busca da efetividade jurisdicional, em nenhuma circunstância, poderão se distanciar dos ditames constitucionais, apenas sendo possível a implementação de comandos não discricionários ou que restrinjam direitos individuais de forma razoável. 5. Assim, no caso concreto, após esgotados todos os meios típicos de satisfação da dívida, para assegurar o cumprimento de ordem judicial, deve o magistrado eleger medida que seja necessária, lógica e proporcional. Não sendo adequada e necessária, ainda que sob o escudo da busca pela efetivação das decisões judiciais, será contrária à ordem jurídica. 6. Nesse sentido, para que o julgador se utilize de meios executivos atípicos, a decisão deve ser fundamentada e sujeita ao contraditório, demonstrando-se a excepcionalidade da medida adotada em razão da ineficácia dos meios executivos típicos, sob pena de configurar-se como sanção processual. 7. A adoção de medidas de incursão na esfera de direitos do executado, notadamente direitos fundamentais, carecerá de legitimidade e configurar-se-á coação reprovável, sempre que vazia de respaldo constitucional ou previsão legal e à medida em que não se justificar em defesa de outro direito fundamental. 8. A liberdade de locomoção é a primeira de todas as liberdades, sendo condição de quase todas as demais. Consiste em poder o indivíduo deslocar-se de um lugar para outro, ou permanecer cá ou lá, segundo lhe convenha ou bem lhe pareça, compreendendo todas as possíveis manifestações da liberdade de ir e vir. 9. Revela-se ilegal e arbitrária a medida coercitiva de suspensão do passaporte proferida no bojo de execução por título extrajudicial (duplicata de prestação de serviço), por restringir direito fundamental de ir e vir de forma desproporcional e não razoável. Não tendo sido demonstrado o esgotamento dos meios tradicionais de satisfação, a medida não se comprova necessária. 10. O reconhecimento da ilegalidade da medida consistente na apreensão do passaporte do paciente, na hipótese em apreço, não tem qualquer pretensão em afirmar a impossibilidade dessa providência coercitiva em outros casos e de maneira genérica. A medida poderá eventualmente ser utilizada, desde que obedecido o contraditório e fundamentada e adequada a decisão, verificada também a proporcionalidade da providência. 11. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação não configura ameaça ao direito de ir e vir do titular, sendo, assim, inadequada a utilização do habeas corpus, impedindo seu conhecimento. É fato que a retenção desse documento tem potencial para causar embaraços consideráveis a qualquer pessoa e, a alguns determinados grupos, ainda de forma mais drástica, caso de profissionais, que tem na condução de veículos, a fonte de sustento. É fato também que, se detectada esta condição particular, no entanto, a possibilidade de impugnação da decisão é certa, todavia por via diversa do habeas corpus, porque sua razão não será a coação ilegal ou arbitrária ao direito de locomoção, mas inadequação de outra natureza. 12. Recurso ordinário parcialmente conhecido.(RHC 97.876/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/06/2018, DJe 09/08/2018) Tem-se, assim, na linha do entendimento firmado, que diante da existência de indícios de que o devedor possua patrimônio expropriável, ou que vem adotando subterfúgios para não quitar a dívida, ao magistrado é autorizada a adoção subsidiária de medidas executivas atípicas, desde que justifique, fundamentadamente, a sua adequação para a satisfação do direito do credor, considerando os princípios da proporcionalidade e razoabilidade e observado o contraditório prévio. No caso dos autos, o Tribunal de origem indeferiu os pedidos de adoção de medidas executivas atípicas sob os seguintes fundamentos (e-STJ fls. 48-49): O recurso não comporta provimento. Dispõe o art. 139, IV, do Código de Processo Civil em vigor: "Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: (..) IV - determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária;" Contudo, a norma deve ser equacionada conforme regras do próprio Estatuto Processual em vigor. Confira-se: "Art. 1º O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código." "Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." "Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado." Em complemento, a regra geral do sistema processual às execuções relativas a prestações pecuniárias, é a responsabilidade patrimonial do devedor: "Art. 824. A execução por quantia certa realiza-se pela expropriação de bens do executado, ressalvadas as execuções especiais." Portanto, o princípio da efetividade do processo, proclamado com vigor pelo legislador processual, deve ser equilibrado com a observância de outros dois valiosos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, os quais, por sua vez, devem ser empregados sem perder de vista a necessária sintonia com o benefício que a medida irá produzir à satisfação do direito do credor ou à continuidade do processo. Inquestionavelmente, no caso, não se divisa na proibição de dirigir qualquer benefício ao processo, ao contrário, deixa à margem o patrimônio do devedor, razão principal à satisfação da obrigação, para atingir unicamente a pessoa do Executado, com violação do princípio superior da dignidade da pessoa humana e direitos sociais inerentes. Ora, não se pode perder de vista que o nosso ordenamento jurídico tem como base estrutural a Carta Constitucional, a qual, em seu artigo 5º, XV, preconiza o direito de ir e vir. Em suma, a hipótese ocorrente revela que a pretensão da Exequente, ora Agravante, não se afigura razoável ou mesmo proporcional ao fim colimado, daí porque era de rigor o indeferimento. O acórdão recorrido não merece subsistir. Com efeito, o fundamento central utilizado pelas instâncias ordinárias para indeferir o pedido do exequente - ausência de razoabilidade e proporcionalidade das medidas -, não se coaduna com o entendimento firmado nos precedentes citados. Assim, diante da impossibilidade de esta Corte revolver o conteúdo fático-probatório dos autos, é necessário determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que reexamine o agravo de instrumento à luz das diretrizes delineadas por esta Corte. Ante do exposto, dou provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação. Advirto que a apresentação de incidentes protelatórios poderá dar azo à aplicação de multa. Intime-se. EMENTA RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CPC/15. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. MEDIDAS EXECUTIVAS ATÍPICAS. ART. 139, IV, DO CPC. PEDIDO INDEFERIDO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, SOB O FUNDAMENTO DE AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE DA MEDIDA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DAS DIRETRIZES FIXADAS PELAS TURMAS DE DIREITO PRIVADO DESTA CORTE, ESPECIALMENTE NO TOCANTE À ALEGAÇÃO DO EXEQUENTE DE QUE HÁ INDÍCIOS DE OCULTAÇÃO PATRIMONIAL.DETERMINAÇÃO DE RETORNO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.