REsp 1878534 - DECISAO
O Tribunal negou provimento ao recurso por entender que, na hipótese, as medidas pleiteadas (bloqueio de cartões, apreensão de passaporte e CNH) foram corretamente indeferidas pelo tribunal de origem ao reconhecerem finalidade de coerção/punição e não de garantia do débito, sendo inadmissível sua aplicação no caso...
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- Parties
- Recorrente: Recorrente; Recorrido: Recorrido
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 February 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- recurso especial desprovido (nego provimento)
- Legal Topics
- Medidas Executivas Atípicas, Suspensão De CNH, Bloqueio De Cartão De Crédito, Retenção De Passaporte, Artigo 139, IV, Cpc/15
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Parties
Recorrente
Recorrente
Recorrido
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de determinação de medidas executivas atípicas (suspensão de CNH, bloqueio de cartões de crédito, retenção de passaporte) para assegurar pagamento de débito nos termos do art. 139, IV, do CPC/15
Ratio Decidendi
O Tribunal negou provimento ao recurso por entender que, na hipótese, as medidas pleiteadas (bloqueio de cartões, apreensão de passaporte e CNH) foram corretamente indeferidas pelo tribunal de origem ao reconhecerem finalidade de coerção/punição e não de garantia do débito, sendo inadmissível sua aplicação no caso concreto.
Court Disposition
recurso especial desprovido (nego provimento)
Orders
- Nego provimento ao recurso.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa (fl. 31): Agravo de instrumento. Execução de título extrajudicial. Decisão que indeferiu o pedido de bloqueio de cartão de crédito, passaporte e Carteira Nacional de Habilitação do devedor. Medida que não tem a finalidade de garantia do débito, mas apenas de coerção e punição, que não pode ser admitida. Decisão mantida. Recurso desprovido. Nas razões do recurso especial, a parte recorrente aponta violação do art. 139, IV, do Código de Processo Civil; bem como divergência jurisprudencial. Sustenta que "o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento firme no sentido de autorizar a retenção do passaporte e a suspensão dos cartões de créditos e CNH, não havendo restrição da liberdade de ir e vir". Aduz que "a Recorrente já exauriu todos os meios para localizar o Recorrido e seu patrimônio, não havendo motivos para a r. Decisão, mantida pelo v. Acórdão, ter desconsiderado que a Recorrida persegue seus créditos a mais de sete anos". Não foram apresentadas contrarrazões. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Cinge-se a controvérsia a analisar a (im)possibilidade de determinação de medidas executivas atípicas - suspensão de Carteira Nacional de Habilitação (CNH), bloqueio de cartões de crédito e retenção de passaporte - para assegurar o pagamento de débito, nos termos do art. 139, IV, do CPC/15. A propósito, o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento da ADI n. 5.941/DF no dia 9/2/2023, considerou constitucional a adoção de medidas executivas atípicas para se buscar a satisfação de dívida, julgando improcedente o pedido "para declarar constitucionais, como possíveis medidas coercitivas, indutivas ou sub-rogatórias oriundas da aplicação daquele dispositivo, a apreensão de carteira nacional de habilitação e/ou suspensão do direito de dirigir, a apreensão de passaporte, a proibição de participação em concurso público e a proibição de participação em licitação pública" (ADI 5941, relator Ministro Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgado em 9/2/2023, DJe-s/n Divulgação 27-4-2023 Publicação 28-4-2023). Conforme destacado na ementa do referido julgado, "In casu, o argumento da eventual possibilidade teórica de restrição irrazoável da liberdade do cidadão, por meio da aplicação das medidas de apreensão de carteira nacional de habilitação e/ou suspensão do direito de dirigir, apreensão de passaporte, proibição de participação em concurso público e proibição de participação em licitação pública, é imprestável a sustentar, só por si, a inconstitucionalidade desses meios executivos, máxime porque a sua adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito apenas ficará clara à luz das peculiaridades e provas existentes nos autos" (ADI 5941, relator Ministro Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgado em 9/2/2023). Afastada a inconstitucionalidade em abstrato da aplicação de medidas executivas atípicas, tal como a discutida na hipótese, cabe aos Tribunais e Juízes o exame da pertinência de cada uma das possíveis medidas atípicas de acordo com as circunstâncias do caso concreto. No caso em julgamento, o Tribunal de origem, por maioria, negou as medidas atípicas pleiteadas sob fundamento de que "não tem a finalidade típica de, mediante o bloqueio de bens, garantir o pagamento do débito ou, ao menos, de parte dele" (e-STJ, fl. 32). Confira-se (e-STJ, fl. 32): O pedido de bloqueio do cartão de crédito, passaporte e CNH do executado não tem a finalidade típica de, mediante o bloqueio de bens, garantir o pagamento do débito ou, ao menos, de parte dele. A intenção do exequente, no caso, é de coerção para que o executado cumpra sua obrigação, e até mesmo de punição, o que não se pode admitir. Nesse sentido o entendimento desta Câmara: BLOQUEIO DE CARTÃO DE CRÉDITO, APREENSÃO DE PASSAPORTE E DA CARTEIRA DE MOTORISTA - Inadmissibilidade - Providências que não se prestam à obtenção de recursos ou bens para satisfazer a execução e implicam em violação dos princípios da dignidade humana e da liberdade de ir e vir - Verdadeira capitis diminutio não prevista no título ou no ordenamento jurídico - Pretensão não razoável, exagerada e desproporcional - Devedor que responde com seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações e não com a sua liberdade pessoal - Decisão mantida - Agravo de instrumento desprovido. Agravo de Instrumento 2216682-22.2017.8.26.0000, Rel. Des. Mendes Pereira, j. 01/02/2018. É o quanto basta para o desprovimento do recurso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (grifos acrescidos) No voto vencido, por sua vez, ficou consignado que (e-STJ, fls. 35/38): Ao que se vê, até o momento a agravada não obtive êxito no recebimento de seu crédito oriundo de título judicial, apesar das inúmeras tentativas perpetradas. Diante de tal quadro e considerando que a agravante tenta receber seus créditos desde 2.012, vale dizer, há 07 (sete) anos sem sucesso, se mostra razoável e proporcional o acolhimento do pleito de bloqueio de cartão de crédito e apreensão de passaporte do agravado, com fundamento no disposto no artigo 139, inciso IV, do Código de Processo Civil. Insta consignar que não se afasta de todo a possibilidade de retenção da CNH do agravado, em momento posterior, caso as medidas supra não sejam suficientes. É inaceitável que convivamos com situações esdrúxulas como esta, em que uma pessoa contrata serviços de educação prestados a seus filhos, e, mesmo assim, afrontando o princípio da boa fé, permaneça INADIMPLENTE com esta obrigação e LIVRE DE QUAISQUER RESTRIÇÕES, com base nos alegados direitos também constitucionais da "liberdade de ir e vir", o que, "data venha", no meu entender, expressa uma total inversão de valores. Quem é que, nesta relação está sendo prejudicado há sete anos É evidente que é a agravante. Dizer que a retenção do passaporte, dos cartões de crédito e da CNH (em oportunidade futura), fere o direito da "liberdade de ir e vir" do INADIMPLENTE, NÃO PAGADOR contumaz, da dívida decorrente de contrato inadimplido, é, como dito, uma inversão de valores. Ora, se o agravado, não possui dinheiro para pagar a dívida supra, porque pode viajar para o exterior Por que pode usar cartão de crédito (..) Por todos esses motivos entendo que, por ora, seria perfeitamente cabível a retenção do passaporte e a suspenção dos cartões de créditos do agravado inadimplente há sete anos, sem prejuízo de, persistindo a inadimplência, desde que provocado o Juízo competente, tenhamos também futura suspensão da sua CNH, para que, quem sabe, dessa forma resolva pagar o que deve há muitos anos. Assim, desnecessárias mais argumentações. Desta forma, pelo meu voto vencido, DOU PROVIMENTO EM PARTE ao presente agravo de instrumento, para determinar a retenção do passaporte e a suspensão dos cartões de crédito do agravado. (grifos acrescidos) Destaca-se que o fato de a execução por quantia certa se realizar pela expropriação de bens do executado, nos termos do artigo 824 do CPC/15, não impede a adoção de medidas indutivas, também denominadas de coercitivas/executivas indiretas, a fim de estimular o devedor a responder com todos os seus bens, a teor do previsto no artigo 789 do Código de Processo Civil. A propósito, este Superior Tribunal de Justiça vem construindo critérios para a análise da razoabilidade das medidas indutivas necessárias para assegurar o cumprimento de prestação pecuniária. Como requisito objetivo, encontra-se sedimentada a necessidade de esgotamento dos meios ordinários e típicos antes da adoção das medidas executivas indiretas, dada a subsidiariedade do instituto, sempre sob o crivo do contraditório e desde que o devedor possua indícios de ocultação de patrimônio, visto que o intuito é impedir a frustação voluntária do processo executivo e não a punição do devedor em decorrência da ausência de bens. Como requisito subjetivo, devem ser analisadas as circunstâncias e peculiaridades fáticas envolvendo as medidas específicas pleiteadas, os sujeitos envolvidos e o débito objeto de cobrança, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. No tocante à constrição do passaporte, assinalo que "a jurisprudência desta Corte Superior reputa, em tese, lícita e possível a adoção de medidas executivas indiretas, inclusive a apreensão de passaporte, desde que, exauridos previamente os meios típicos de satisfação do crédito exequendo, bem como que a medida se afigure adequada, necessária e razoável para efetivar a tutela do direito do credor em face de devedor que, demonstrando possuir patrimônio apto a saldar o débito em cobrança, intente frustrar injustificadamente o processo executivo" (AgInt no RHC 128.327/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 12/4/2021, DJe 15/4/2021). Com relação à suspensão/apreensão da Carteira Nacional de Habilitação, "é fato que a retenção desse documento tem potencial para causar embaraços consideráveis a qualquer pessoa e, a alguns determinados grupos, ainda de forma mais drástica, caso de profissionais, que tem na condução de veículos, a fonte de sustento" (RHC 97.876/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 5/6/2018, DJe 9/8/2018), mas tal medida não se mostra abusiva por si só ou ofensiva à liberdade de mobilidade do devedor em razão da existência de outros meios de locomoção. Quanto às medidas de restrição de crédito, como o cancelamento/bloqueio de cartões de crédito, entendo que, observados os requisitos estabelecidos por esta Corte, como o esgotamento dos meios típicos, bem como a externalização de sinais de riqueza, mostram-se possíveis, em abstrato, devendo ser aferida, à luz do caso concreto, a proporcionalidade ou não da medida. São essas medidas atípicas que, aliadas ao protesto da decisão judicial e à inclusão do nome do executado em cadastros de inadimplentes, nos termos dos artigos 517, caput, e 728, §§ 3º e 5º, do CPC/15, evitam que o devedor recalcitrante continue contraindo dívidas e empréstimos em provável prejuízo de terceiros, sem adimplir o débito originário. Nesse sentido, destaco recente julgado de minha relatoria: RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. MEDIDAS EXECUTIVAS ATÍPICAS. ART. 139, IV, DO CPC/15. CONSTITUCIONALIDADE. ADI N. 5.941/DF. NECESSIDADE DE ESGOTAMENTO DAS DILIGÊNCIAS ORDINÁRIAS, INDÍCIOS DE OCULTAÇÃO DE PATRIMÔNIO E ADEQUAÇÃO DA MEDIDA, À LUZ DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento da ADI nº 5.941/DF, considerou constitucional a adoção de medidas executivas atípicas para se buscar a satisfação do crédito. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça orienta-se no sentido de ser legítima a adoção de medidas executivas indiretas, com base no artigo 139, IV, do CPC/15, temporariamente, após o esgotamento dos meios ordinários e típicos, dada a subsidiariedade do instituto, sempre sob o crivo do contraditório e desde que o devedor possua indícios de ocultação de patrimônio, visto que o intuito é impedir a frustração voluntária do processo executivo e não a punição do devedor em decorrência da ausência de bens. 3. No caso em debate, em que pese a alegação de esgotamento dos meios executivos ordinários para tentar satisfazer o crédito e de suspeita de ocultação de renda, as instâncias de origem vedaram, em abstrato, a adoção de qualquer meio coercitivo indireto, de modo que deve ser determinado o retorno dos autos à origem para o Tribunal de origem proferir novo acórdão, analisando a possibilidade de adoção de medidas executivas atípicas à luz das circunstâncias de fato da causa e do entendimento do STF e desta Corte. 4. Recurso especial parcialmente provido. (REsp n. 1.830.416/RJ, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 5/9/2023, DJe de 27/10/2023.) Ainda sobre a possibilidade de adoção de medidas executivas atípicas para buscar a satisfação de crédito, confiram-se os seguintes julgados desta Corte: AGRAVO INTERNO EM HABEAS CORPUS. AÇÃO CONSTITUCIONAL UTILIZADA COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. EXECUÇÃO DE DÍVIDA. DECISÃO DO JUÍZO DE ORIGEM QUE DETERMINOU A APREENSÃO DO PASSAPORTE DO DEVEDOR COMO MEDIDA EXECUTIVA ATÍPICA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E OFENSA AO DIREITO DE IR E VIR. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Inexiste, na hipótese, constrangimento ilegal flagrante a justificar o conhecimento do writ utilizado como sucedâneo recursal, uma vez que, por ocasião do julgamento da ADIn n. 5.941/DF, o Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a adoção de medidas executivas atípicas para se buscar a satisfação de crédito, julgando improcedente o pedido deduzido com o escopo de "declarar inconstitucionais, como possíveis medidas coercitivas, indutivas ou sub-rogatórias oriundas da aplicação daquele dispositivo, a apreensão de carteira nacional de habilitação e/ou suspensão do direito de dirigir, a apreensão de passaporte, a proibição de participação em concurso público e a proibição de participação em licitação pública". 2. Medidas executivas atípicas que foram previstas justamente com o intuito de promover, de forma eficaz, direitos e garantias fundamentais pertencentes ao credor, sob pena de beneficiar devedor recalcitrante e gerar verdadeira inversão de valores, com proteção insuficiente dos bens tutelados pelo Estado-Juiz. Agravo interno improvido. (AgInt no HC n. 844.990/PE, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/10/2023.) RECURSO EM HABEAS CORPUS - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - MEDIDAS ATÍPICAS EXECUTIVAS - APREENSÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DE PASSAPORTE - PARCIAL CONHECIMENTO DO RECURSO PORQUANTO, NO TOCANTE À APREENSÃO DE CARTÕES DE CRÉDITOS, NÃO HÁ VIOLAÇÃO DE DIREITO DE LOCOMOÇÃO - DEVEDOR QUE OSTENTA PATRIMÔNIO E SE FURTA AO PAGAMENTO - MEDIDA SUBSIDIÁRIA - RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE VERIFICADAS NO CASO EM CONCRETO - LEGALIDADE - PRECEDENTES. 1. No que consiste à determinação judicial de cancelamento dos cartões de crédito, não merece ser conhecido, porquanto não há, para a viabilização do remédio constitucional, qualquer violação ao direito de locomoção do interessado, de modo que este tema deveria ter sido objeto de impugnação em recurso próprio e adequado. 2. A aplicação das medidas atípicas (art. 139, IV, do CPC) é uma consequência lógica e fática do poder geral de efetivação das decisões judiciais, exercido pelos juízes, diante das circunstâncias fáticas de cada caso, por não se tratar de um enunciado apriorístico, objetivando realizar a efetividade do processo, pois, não é possível olvidar que todo feito, incluídas as fases de conhecimento e executiva, deve chegar a um fim factível, atingindo a satisfatividade da tutela executiva pleiteada. 3. As diretrizes firmadas pelo Tribunal da Cidadania, que constituem freios à atuação discricionária do juiz, são, diante das peculiaridades da hipótese em concreto: a) a existência de indícios de que o recorrente possua patrimônio apto a cumprir com a obrigação a ele imposta; b) a decisão deve ser devidamente fundamentada com base nas especificidades constatadas; c) a medida atípica esteja sendo utilizada de forma subsidiária, dada a menção de que foram promovidas diligências à exaustão para a satisfação do crédito; e d) observou-se o contraditório e o postulado da proporcionalidade. Precedentes do STJ. 4. Diante dessa nova forma de compreender o sistema processual, não é mais correto afirmar que a atividade satisfativa, sobretudo a tutela executiva, somente poderá ser obtida mediante a aplicação de regras herméticas, pois o legislador notoriamente conferiu ao magistrado (arts. 1º e 4º do CPC/2015) um poder geral de efetivação, desde que, é claro, fundamente adequadamente sua decisão a partir de critérios de ponderação, de modo a conformar, concretamente, os valores incidentes ao caso em análise. 5. A decisão judicial restou fundamentada na existência de indícios patrimoniais e na conduta renitente do devedor de obstar a efetividade da prestação jurisdicional executiva. Nada impede que o juízo processante revise a efetividade do ato judicial com o decurso do tempo. 6. Recurso parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (RHC n. 153.042/RJ, relator Ministro Raul Araújo, relator para acórdão Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 14/6/2022, DJe de 1/8/2022.) RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. CHEQUES. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. DESCABIMENTO. MEDIDAS EXECUTIVAS ATÍPICAS. ART. 139, IV, DO CPC/15. CABIMENTO. DELINEAMENTO DE DIRETRIZES A SEREM OBSERVADAS PARA SUA APLICAÇÃO. (..) 7. A adoção de meios executivos atípicos é cabível desde que, verificando-se a existência de indícios de que o devedor possua patrimônio expropriável, tais medidas sejam adotadas de modo subsidiário, por meio de decisão que contenha fundamentação adequada às especificidades da hipótese concreta, com observância do contraditório substancial e do postulado da proporcionalidade. 8. Situação concreta em que o Tribunal a quo indeferiu o pedido do recorrente de adoção de medidas executivas atípicas sob o fundamento de que não há sinais de que o devedor esteja ocultando patrimônio, mas sim de que não possui, de fato, bens aptos a serem expropriados. 9. Como essa circunstância se coaduna com o entendimento propugnado neste julgamento, é de rigor - à vista da impossibilidade de esta Corte revolver o conteúdo fático-probatório dos autos - a manutenção do aresto combatido. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (REsp n. 1.788.950/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 23/4/2019, DJe de 26/4/2019.) Ressalto, ainda, que a aplicação das medidas coercitivas deve ser razoável e proporcional não somente quanto à sua adequação, mas também em relação ao aspecto temporal, não podendo persistir indefinidamente. No caso em debate, depreende-se da leitura do acórdão recorrido que a Corte local, em que pese a alegação de esgotamento dos meios executivos ordinários e de existência de indícios de ocultação de patrimônio, vedou, em abstrato, sem exame das circunstâncias fáticas envolvidas, a adoção das medidas coercitivas pleiteadas sob argumento de que "a intenção do exequente, no caso, é de coerção para que o executado cumpra sua obrigação, e até mesmo de punição, o que não se pode admitir". Desse modo, em razão da impossibilidade de reexame de fatos e provas em sede de recurso especial, e da necessidade de análise do substrato fático para o efetivo deslinde da questão, deve ser anulado o acórdão recorrido para que o Tribunal profira nova decisão. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos à origem para que o Tribunal de origem profira novo acordão, analisando a possibilidade de adoção de medidas executivas atípicas, a partir das circunstâncias de fato do caso concreto e das premissas estabelecidas pelo STF na ADI n. 5.941 e na jurisprudência do STJ acima sumariada. Intimem-se. EMENTA