HC 979296 - DECISAO
O pedido de habeas corpus foi indeferido liminarmente porque a manutenção das medidas protetivas é justificável diante do especial valor conferido à palavra da vítima em casos de violência doméstica, da exigência de oitiva prévia da vítima antes da revogação das medidas e da previsão da Lei Maria da Penha de...
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- Parties
- Paciente: EMERSON MORAES DE OLIVEIRA; Paciente: EMERSON MORAES DE OLIVEIRA JÚNIOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida no habeas corpus
- Legal Topics
- Medidas Protetivas De Urgência, Lei Nº 11.340/2006, Oitiva Da Vítima, Valor Probatório Da Declaração Da Vítima, Julgamento Com Perspectiva De Gênero
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Parties
EMERSON MORAES DE OLIVEIRA
Paciente
EMERSON MORAES DE OLIVEIRA JÚNIOR
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 possibilidade de revogação de medidas protetivas sem indícios de perigo
- 2 valoração da palavra da vítima em crimes de violência doméstica
- 3 exigência de oitiva prévia da vítima para revogação de medidas protetivas
Ratio Decidendi
O pedido de habeas corpus foi indeferido liminarmente porque a manutenção das medidas protetivas é justificável diante do especial valor conferido à palavra da vítima em casos de violência doméstica, da exigência de oitiva prévia da vítima antes da revogação das medidas e da previsão da Lei Maria da Penha de imposição de medidas independentemente da instauração de ação penal ou conclusão do inquérito.
Court Disposition
liminar indeferida no habeas corpus
Orders
- Indefiro liminarmente o habeas corpus.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO EMERSON MORAES DE OLIVEIRA e EMERSON MORAES DE OLIVEIRA JÚNIOR alegam sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo na Apelação n. 0519576-91.2024.8.04.0001, em que foram mantidas as medidas protetivas de urgência concedidas em favor da vítima. Depreende-se dos autos que "a vítima solicitou Medidas Protetivas de Urgência contra os apelantes, por suposta prática dos crimes de lesão corporal, ameaça, injúria e perseguição, em contexto de violência doméstica contra mulher. A proteção foi concedida pelo prazo de 10 (dez) meses, conforme decisão de mov. 1.6, sendo confirmada, posteriormente, por sentença" (fl. 276). Asseriu a defesa, perante a Corte de origem, "em síntese, que as medidas protetivas devem ser revogadas, por não haver indícios de que a suposta vítima esteja em situação de perigo, aduzindo que as acusações são falsas" (fl. 276). Todavia, consoante salientou o Tribunal a quo, " é essencial mencionar que nos crimes de violência doméstica, segundo reiterado entendimento doutrinário e jurisprudencial, a palavra da vítima assume especial valor. Seguindo essa linha cognitiva, o Conselho Nacional de Justiça entende que a alta valoração das declarações da mulher vítima de violência doméstica faz parte do julgamento com perspectiva de gênero, não ensejando desequilíbrio processual" (fl. 279, grifei). A esse respeito, urge consignar que, " n os termos do Parecer Jurídico emanado pelo Consórcio Lei Maria da Penha, a revogação de medidas protetivas de urgência exige a prévia oitiva da vítima para avaliação da cessação efetiva da situação de risco à sua integridade física, moral, psicológica, sexual e patrimonial. Tanto mais que assinala o Protocolo para o Julgamento com Perspectiva de Gênero, "as peculiares características das dinâmicas violentas, que, em regra, ocorrem no seio do lar ou na clandestinidade, determinam a concessão de especial valor à palavra da vítima" (CNJ, 2021, p. 85). .. , enquanto existir risco ao direito da mulher de viver sem violência, as restrições à liberdade de locomoção do apontado agente são justificadas e legítimas. O direito de alguém de não sofrer violência não é menos valioso do que o direito de alguém de ter liberdade de contato ou aproximação. Na ponderação dos valores não pode ser aniquilado o direito à segurança e à proteção da vítima (fls. 337/338)" (AgRg no REsp n. 1.775.341/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, DJe de 14/4/2023, destaquei.) Aliás, " a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) autoriza a imposição de medidas protetivas de urgência independentemente da instauração de ação penal ou conclusão de inquérito, com base no risco à segurança da vítima. .. A palavra da vítima tem especial relevância em casos de violência doméstica, sobretudo em contextos de violência psicológica, sendo desnecessária a produção de provas adicionais para a manutenção das medidas protetivas" (AgRg no RHC n. 201.171/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe de 30/10/2024, sublinhei.) À vista do exposto, com fundamento no art. 210 do RISTJ, indefiro liminarmente o habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA