AREsp 2522176 - DECISAO
Por serem as medidas protetivas previstas no art. 22, incisos I a III, da Lei 11.340/2006 de natureza penal e cautelar, a competência para apreciar os recursos contra decisões que as deferem é da Câmara ou Turma Criminal; assim, conheceu-se do agravo e deu-se provimento para determinar que a apelação n....
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- Parties
- Agravante: MANOEL SOUSA BRANCO; Órgão Recorrido De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Agravo conhecido e provido
- Legal Topics
- Medidas Protetivas De Urgência, Competência Jurisdicional, Lei 11.340/2006, Inadmissão De Recurso Especial
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Parties
MANOEL SOUSA BRANCO
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
Órgão Recorrido De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 natureza jurídica das medidas protetivas previstas no art. 22, incisos I, II e III, da Lei 11.340/2006
- 2 competência para julgamento de recursos contra decisões que deferem medidas protetivas
- 3 possibilidade de manutenção indefinida de medidas cautelares penais sem inquérito ou ação penal em curso
Ratio Decidendi
Por serem as medidas protetivas previstas no art. 22, incisos I a III, da Lei 11.340/2006 de natureza penal e cautelar, a competência para apreciar os recursos contra decisões que as deferem é da Câmara ou Turma Criminal; assim, conheceu-se do agravo e deu-se provimento para determinar que a apelação n. 0004124-26.2020.8.14.0045 seja julgada pelo órgão com competência criminal do TJPA.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido
Orders
- Conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial.
- Determinar que o julgamento da Apelação Criminal n. 0004124-26.2020.8.14.0045 seja feito pelo órgão com competência criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MANOEL SOUSA BRANCO contra decisão que inadmitiu o seu recurso especial manejado em face de acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ no julgamento da Apelação Criminal n. 0004124-26.2020.8.14.0045. Consta dos autos que o agravante teve sentença prolatada em seu desfavor, mantendo medidas protetivas já fixadas pelo juízo criminal de Redenção - PA. A 1ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Origem não conheceu do recurso e determinou sua distribuição a uma das das Turmas de Direito Privado, em acórdão assim ementado (e-STJ fls. 109-114): EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL. DEFERIMENTO DE MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA. LEI N.º 11.340/2006. PROCESSO EXTINTO COM JULGAMENTO DO MÉRITO NOS TERMOS DO ART. 487, INCISO I DO CPC. JURISDIÇÃO CIVIL. FALTA DE COMPETÊNCIA DA TURMA DE DIREITO PENAL. INTELIGÊNCIA DO A R T . 3 1 - A , I N C I S O V , D O R I T J P A . R E C U R S O N Ã O C O N H E C I D O . REDISTRIBUIÇÃO A UMA DAS TURMAS DE DIREITO PRIVADO. 1. A natureza das medidas protetivas tratadas nos autos originários é de natureza cível, de modo que o recurso a ser interposto deve ser analisado por uma das Turmas de Direito Privado deste Tribunal de Justiça. Precedentes. 2. RECURSO NÃO CONHECIDO, à unanimidade, nos termos do voto da Desembargadora Relatora. Interposto recurso especial, com fulcro no art. 105, III, a, da Constituição Federal, a defesa alegou violação aos artigos 13 e 22, incisos I, II e III, da Lei n. 11340/2006. Afirmou que as medidas protetivas deferidas em seu desfavor possuem natureza penal, não sendo de competência da Seção Cível de Direito Privado do TJ PA a apreciação do recurso interposto. O recurso especial foi inadmitido (e-STJ fl. 136-140). Daí o presente agravo em recurso especial, no qual se alega não incidirem os óbices elencados (e-STJ fls. 144-152). Requer o conhecimento do agravo para que seja provido o recurso especial. Contraminuta apresentada (e-STJ fls. 155-158). O Ministério Público Federal, em seu parecer, manifestou-se pelo conhecimento do agravo e provimento do recurso especial (e-STJ fls. 175-181). É o relatório. Decido. Ante a presença de impugnação dos fundamentos da decisão ora agravada, conheço do agravo e passo à análise do recurso especial. Pertinente os fundamentos apresentados pela parte recorrente, isso porque esta Corte superior já decidiu que "as medidas protetivas fixadas na forma do art. 22, incisos I, II e III, da Lei 11.340/2006 possuem caráter penal e, por essa razão, deve ser aplicado o procedimento previsto no Código de Processo Penal" (AgRg no REsp n. 1.441.022/MS, Quinta Turma, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 2/2/2015). Nesse sentido: PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LEI N. 11.340/06. MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE INQUÉRITO POLICIAL OU AÇÃO PENAL EM CURSO. MANUTENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA JURÍDICA PENAL. PARECER DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DESFAVORÁVEL. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. I - Dentre as medidas previstas no art. 22 da Lei 11.340/06, evidencia-se que as constantes dos incisos I, II e III têm natureza eminentemente penal, visto que objetivam, de um lado, conferir proteção à vida e à integridade física e psicológica da vítima e, de outro, impõem relevantes restrições à liberdade e ao direito de locomoção do agressor, bens jurídicos esses merecedores da maior proteção do direito penal. II - Ademais, as medidas protetivas possuem natureza apenas cautelar, restringindo-se a sua aplicação a casos de urgência, de forma preventiva e provisória. III - Esta Corte Superior de Justiça firmou entendimento de que "as medidas protetivas fixadas na forma do art. 22, incisos I, II e III, da Lei 11.340/2006 possuem caráter penal e, por essa razão, deve ser aplicado o procedimento previsto no Código de Processo Penal" (AgRg no REsp n. 1.441.022/MS, Quinta Turma, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 2/2/2015). IV - In casu, o eg. Tribunal de origem consignou que mantidas as medidas protetivas desde 23.02.2017, em razão de fatos ocorridos naquele ano, não consta, entretanto, tenha sido instaurada ação penal referente à infração criminal. V - Com efeito, as medidas protetivas impostas, em que pese tenham força apenas cautelar, têm limitado a liberdade e o direito de ir e vir do agravado, conquanto não exista ação penal em curso nem se tenha perspectiva de deflagração do jus persecutionis. A imposição das restrições de liberdade ao recorrido, por medida de caráter cautelar, de modo indefinido e desatrelado de inquérito policial ou processo penal em andamento, resulta em constrangimento ilegal. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.761.375/MG, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 9/3/2021, DJe de 22/3/2021, grifei.) PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. LEI N. 11.340/06. MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE INQUÉRITO POLICIAL OU AÇÃO PENAL EM CURSO. MANUTENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA JURÍDICA PENAL. ORDEM CONCEDIDA. I - Dentre as medidas previstas no art. 22 da Lei 11.340/06, evidencia-se que as constantes dos incisos I, II e III têm natureza eminentemente penal, visto que objetivam, de um lado, conferir proteção à vida e à integridade física e psicológica da vítima e, de outro, impõem relevantes restrições à liberdade e ao direito de locomoção do agressor, bens jurídicos esses merecedores da maior proteção do direito penal. II - Ademais, as medidas protetivas possuem natureza apenas cautelar, restringindo-se a sua aplicação a casos de urgência, de forma preventiva e provisória. III - Esta Corte Superior de Justiça firmou entendimento de que "as medidas protetivas fixadas na forma do art. 22, incisos I, II e III, da Lei 11.340/2006 possuem caráter penal e, por essa razão, deve ser aplicado o procedimento previsto no Código de Processo Penal" (AgRg no REsp n. 1.441.022/MS, Quinta Turma, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 2/2/2015). IV - In casu, o e. Desembargador Relator do eg. Tribunal de origem impôs contra o paciente as medidas protetivas elencadas no art. 22, III, da Lei n. 11.340/06 (proibição de aproximação, devendo manter, no mínimo 50 metros de distância, e de contato com a ofendida e familiares), ante a notícia de suposta prática da contravenção penal de perturbação da tranquilidade da vítima. V - Mantidas as medidas protetivas há mais de 5 (cinco) meses, não consta, entretanto, tenha sido instaurada ação penal, sendo certo que o procedimento foi arquivado. VI - A imposição das restrições de liberdade ao paciente, por medida de caráter cautelar, de modo indefinido e desatrelado de inquérito policial ou processo penal em andamento, significa, na prática, infligir-lhe verdadeira pena sem o devido processo legal, resultando em constrangimento ilegal. Habeas Corpus concedido para cassar a r. decisão recorrida e revogar as medidas protetivas de urgência impostas em desfavor do paciente. (HC n. 505.964/RS, relator Ministro Leopoldo de Arruda Raposo, Desembargador Convocado do TJPE, Quinta Turma, julgado em 1º/10/2019, DJe de 11/10/2019, grifei.) Dessa forma, a competência para apreciar os recursos advindos de decisões que deferem medidas protetivas de urgência, quando ostentem a natureza jurídica de cautelar penal, como no presente caso, deve ser da Câmara ou Turma Criminal do respectivo Tribunal. Ante o exposto, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial para determinar que o julgamento da apelação n. 0004124-26.2020.8.14.0045 seja feito pelo órgão com competência criminal do TJ PA. Publique-se. Intimem-se. EMENTA