AREsp 2824856 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque não se vislumbraram, ao menos nesta instância, razões suficientes para contrariar as conclusões de fato e de prova do Tribunal de origem que mantiveram as medidas protetivas diante de elementos de perseguição e da presença de periculum in mora e...
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- Parties
- Agravante: PAULO OCTÁVIO CLOSS MENDES; Tribunal De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de Goiás; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Face De Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Conhecendo Do Agravo E Não Conhecendo Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Medidas Protetivas De Urgência, Prorrogação De Medidas Protetivas, Súmula 7 Do STJ, Inadmissão De Recurso Especial, Periculum in Mora, Fumus Boni Iuris
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Parties
PAULO OCTÁVIO CLOSS MENDES
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
Tribunal De Origem
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Face De Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Conhecendo Do Agravo E Não Conhecendo Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 manutenção e prorrogação de medidas protetivas de urgência
- 2 inadmissibilidade de reexame de matéria fático-probatória pelo STJ
- 3 incidência da Súmula n. 7 do STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque não se vislumbraram, ao menos nesta instância, razões suficientes para contrariar as conclusões de fato e de prova do Tribunal de origem que mantiveram as medidas protetivas diante de elementos de perseguição e da presença de periculum in mora e fumus boni iuris, além de se observar a vedação ao reexame fático-probatório pelo STJ; aplicou-se o art. 932, III, do CPC c/c art. 253, parágrafo único, II, 'a', do RISTJ para não conhecer do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO PAULO OCTÁVIO CLOSS MENDES agrava de decisão que inadmitiu seu recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (Apelação n. 5051164-97.2023.8.09.0029). A defesa pleiteou a revogação das medidas protetivas de urgência, ao argumento de que "não há contemporaneidade dos fatos narrados pela suposta vítima em janeiro de 2023, tendo em vista que as partes foram somente namorados e não possuem qualquer vínculo e sequer amigos em comum" (fl. 257). O reclamo foi inadmitido na origem, o que ensejou o agravo de fls. 296-308, no qual a parte impugna a incidência da Súmula n. 7 do STJ. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do agravo (fls. 336-339). Decido. O Juízo de primeiro grau, em 5/4/2024, prorrogou as medidas protetivas de urgência, o que foi mantido pelo Tribunal de origem nos termos a seguir (fls. 249-250, grifei): Na insurreição exercitada, a defesa revela descontentamento com a decisão proferida, sob a alegação de que " não há contemporaneidade dos fatos narrados pela suposta vítima em janeiro de 2023, tendo em vista que as partes foram somente namorados e não possuem qualquer vínculo e sequer amigos em comum, sendo necessária a revogação das medidas protetivas deferidas." De início, cumpre esclarecer que as medidas protetivas previstas na Lei nº 11.340/03 visam resguardar a integridade física e psíquica da ofendida, o que prescinde da existência de ação judicial. .. No caso em análise, diferentemente do que alega a defesa, não vislumbro prejuízo ao direito de ir e vir do apelante, porquanto, as medidas protetivas impostas se limitaram na determinação de sua permanência a uma distância mínima de 500 (quinhentos) metros da ofendida e de seus familiares, não podendo com eles tentar qualquer tipo de aproximação, inclusive por telefone ou outro meio de comunicação; e não frequentar os lugares que a vítima normalmente frequenta, notadamente nas proximidades de sua residência e seu trabalho, além de outros comumente frequentados por ela. Conforme relatado, existem nos autos elementos convincentes e harmônicos, aptos à manutenção das medidas protetivas, pois infere-se que o Apelante, não conformado com o término do relacionamento, adotou condutas de perseguição, efetuando ligações telefônicas de maneira insistente, proferindo palavras grosseiras e de baixo calão "puta, piranha, vagabunda, interesseira" , bem como criando perfis falsos nas redes sociais, com o intuito de acompanhar a rotina da ofendida. Com essas informações, aliadas ao fato de a vítima ter espontaneamente buscado a prorrogação das medidas protetivas, o pedido de revogação não comporta acolhimento. É esta a situação versada nos presentes autos, portanto, demonstrada a necessidade das medidas protetivas de urgência em questão, diante da presença dos requisitos do periculum in mora e do fumus boni iuris, inviável a sua revogação. Segundo a jurisprudência deste Tribunal Superior, "As medidas protetivas previstas na Lei n. 11.340/2006, por visarem resguardar a integridade física e psíquica da ofendida, possuem conteúdo satisfativo, feição de tutela inibitória e reintegratória e não se vinculam, necessariamente, a um procedimento principal" (AgRg no AREsp n. 2.482.056/MG, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 11/4/2024). Não observo, na espécie, ao menos por ora, razões suficientes para contrapor as conclusões da Corte estadual, que assentou a legalidade da decisão que prorrogou as medidas protetivas de urgência, uma vez que "o Apelante, não conformado com o término do relacionamento, adotou condutas de perseguição, efetuando ligações telefônicas de maneira insistente, proferindo palavras grosseiras e de baixo calão "puta, piranha, vagabunda, interesseira" , bem como criando perfis falsos nas redes sociais, com o intuito de acompanhar a rotina da ofendida" (fl. 250). Ainda, como bem exposto pelo Parquet (fls. 337): .. o veredito profligado não se reveste de eiva alguma ao entender ausência de prejuízo ao direito de ir e vir do ora agravante haja vista que as medidas protetivas impostas se limitam a permanência de distanciamento da vítima e seus familiares e não frequentar os lugares que a vítima normalmente frequenta, notadamente nas proximidades da sua residência e trabalho, bem como para resguardar a integridade física e psíquica da ofendida pois o agravante não conformado com o término do relacionamento adotou condutas de perseguição contra sua ex-namorada. Por fim, "Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça - STJ aferir a necessidade e adequação das medidas protetivas à luz da subsistência do risco concreto à vítima, o que exigiria profundo revolvimento fático-probatório" (AgRg no HC n. 813.923/MG, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, 5ª T., DJe 16/8/2023). À vista do exposto, conheço do agravo para, com fundamento no art. 932, III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ, não conhecer do recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA