REsp 2153337 - ACORDAO
O agravo regimental foi desprovido porque o agravante não trouxe elementos suficientes para infirmar a decisão agravada; a manutenção do monitoramento eletrônico está em consonância com a jurisprudência do STJ que exige monitoração quando a prisão domiciliar decorre da inexistência de vaga, a alegação de falta de...
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- Parties
- Agravante: RONALDO MAIA DELUQUI; Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Recurso Especial / Decisão Colegiada Julgamento Da Turma (negado Provimento)
- Outcome
- Negou provimento ao agravo regimental.
- Legal Topics
- Monitoramento Eletrônico, Tornozeleira Eletrônica, Prisão Domiciliar, Inexistência De Vaga, Progressão De Regime, Semiaberto Harmonizado, Regressão De Regime, Ressocialização
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Parties
RONALDO MAIA DELUQUI
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Regimental No Recurso Especial / Decisão Colegiada Julgamento Da Turma (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de retirada da tornozeleira eletrônica por ausência de sinal na residência rural
- 2 Necessidade de monitoramento eletrônico quando prisão domiciliar é concedida por inexistência de vaga em estabelecimento prisional compatível
- 3 Se o alegado descompromisso com o uso da tornozeleira justifica regressão de regime para fechado
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi desprovido porque o agravante não trouxe elementos suficientes para infirmar a decisão agravada; a manutenção do monitoramento eletrônico está em consonância com a jurisprudência do STJ que exige monitoração quando a prisão domiciliar decorre da inexistência de vaga, a alegação de falta de sinal não afasta a necessidade do equipamento, e o juízo de origem constatou indícios de defeito técnico e inclinação do reeducando à ressocialização, tornando injustificável a retirada da tornozeleira.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo regimental.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por RONALDO MAIA DELUQUI (e-STJ fls. 1590/1596) contra decisão monocrática de e-STJ fls. 1580/1584, que deu provimento ao recurso especial do MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO, para determinar o monitoramento eletrônico do recorrido. A parte agravante alega que o reeducando reside na estrada comunidade união S/N do alambrado - CEP 762000-000, situado próximo ao seu local de trabalho, localizados na área rural, local de difícil acesso de sinal telefônico, não possui sinais de GNSS e GPRS, fato este, que já havia sido alertado o juízo da execução, visto que o local de sua residência e moradia, se trata de área rural, não havendo sequer sinal de telefone móvel. Nesse sentido, como transcrito acima, o cerne trata-se da impossibilidade de monitoramento eletrônico diante das circunstâncias do local que o reeducando reside e trabalha e não sobre a imposição do monitoramento eletrônico por tornozeleira eletrônica (e-STJ fls. 1594). Requer, assim, a reconsideração da decisão agravada. É o relatório. EMENTA PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VAGA. SEMIABERTO HARMONIZADO. PROGRAMA DE MONITORAMENTO ELETRÔNICO, MEDIANTE USO DE TORNOZELEIRA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte é no sentido de que é necessário o monitoramento eletrônico quando a prisão domiciliar para o resgate de pena é concedida, de forma excepcional, nos casos de ausência de vaga em estabelecimento prisional compatível com o regime para o qual houve a progressão (HC n. 383.654/RS, Relator Ministro NEFI CORDEIRO, Sexta Turma, julgado em 3/10/2017, DJe 9/10/2017). 2. Agravo regimental não provido. VOTO O agravo regimental não merece acolhida. Com efeito, dessume-se das razões recursais que a parte agravante não trouxe elementos suficientes para infirmar a decisão agravada que, de fato, apresentou a solução que melhor espelha a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria. Portanto, nenhuma censura merece o decisório ora recorrido, que deve ser mantido pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. O Tribunal de Justiça, ao indeferir o estabelecimento da monitoração eletrônica , consignou (e-STJ fls. 1531/1533): Como visto, não obstante a irresignação ministerial, existe a peculiaridade de que a própria central de monitoramento não especificou se houve danificação ou mau uso da tornozeleira, pelo reeducando, ou se o equipamento apresentou defeito técnico, como bem destacado nas decisões acima transcritas. Ademais, mesmo sendo constatado que a tornozeleira estava desativada, ela permaneceu indicando a "luz verde" fotografias nos autos , o que indica defeito técnico. .. Nesse quadro, não há como coadunar com a assertiva do Ministério Público de "descompromisso como uso da tornozeleira eletrônica" se essa hipótese não ficou devidamente esclarecida, ou seja, "não há certeza quanto à causa da ausência dos sinais do monitoramento", conforme ressaltado pelo Juízo da Execução. De mais a mais, ainda que hipoteticamente estivesse comprovado "o descomprometimento do agravado com as normas da monitoração eletrônica", essa circunstância não poderia ser considerada isoladamente para justificar o retrocesso do regime ainda mais para o fechado , notadamente quando confrontada com a evidente inclinação dele à ressocialização, consubstanciada no cumprimento das demais medidas estabelecidas manutenção de endereço atualizado; comparecimento mensal em Juízo; comprovação de vínculo empregatício . A medida extrema de regressão para o regime fechado desvirtuaria os objetivos insculpidos na CF e na LEP acerca da ressocialização do apenado, uma vez que sua recondução ao cárcere, inserindo-o em ambiente extremamente lotado e hostil, certamente dificultaria a sua reinserção à sociedade. .. Nessa ordem de ideias, a deliberação almejada pelo órgão ministerial regressão de regime não atenderia à função ressocializadora da pena, tampouco às diretrizes estipuladas pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Por fim, pelas mesmas razões acima expostas inclinação do agravado à ressocialização , mostra-se injustificável a recolocação da tornozeleira eletrônica. Não ignoro o posicionamento segundo o qual é possível, excepcionalmente, a monitoração para fiscalização das condições estabelecidas pelo Juízo da Execução Penal. Entretanto, consoante já decidiu esta Câmara Criminal, "a imposição da medida de monitoramento eletrônico exige fundamentação concreta, eis que a simples menção de que a monitoração eletrônica é medida necessária para fiscalizar o cumprimento da pena em regime semiaberto, por inexistir estabelecimento penal adequado, não subsiste como fundamento para reforma da decisão do magistrado a quo, sendo imperiosa a demonstração da efetiva necessidade do uso do equipamento" 4 . Ora, tal conclusão está em dissonância com a jurisprudência desta Corte, no sentido de que é necessário o monitoramento eletrônico quando a prisão domiciliar para o resgate de pena é concedida, de forma excepcional, nos casos de ausência de vaga em estabelecimento prisional compatível com o regime para o qual houve a progressão (HC n. 383.654/RS, Relator Ministro NEFI CORDEIRO, Sexta Turma, julgado em 3/10/2017, DJe 9/10/2017). Abaixo, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VAGA. SEMIABERTO HARMONIZADO. PROGRAMA DE MONITORAMENTO ELETRÔNICO, MEDIANTE USO DE TORNOZELEIRA. PEDIDO DE RETIRADA DO EQUIPAMENTO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1- "É necessário o monitoramento eletrônico quando a prisão domiciliar para o resgate de pena é concedida, de forma excepcional, nos casos de ausência de vaga em estabelecimento prisional compatível com o regime para o qual houve a progressão." (HC n. 383.654/RS, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 3/10/2017, DJe 9/10/2017). 2. .. O monitoramento eletrônico não se constata prejuízo ao apenado no regular exercício de sua atividade laboral, haja vista o cumprimento da pena em modo mais brando, com prisão domiciliar noturna e monitoramento eletrônico . .. AgRg no RHC 124.395/RS, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 13/10/2020, DJe 21/10/2020) 3. No caso, como bem destacou a Corte de origem "o uso de tornozeleira eletrônica não configura constrangimento ilegal. O fato de trabalhar o agravante em determinado estabelecimento não justifica a exclusão do monitoramento, pois o exercício de atividades laborais lícita é também uma das condições impostas para o cumprimento da pena em regime semiaberto." 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 910.334/MT, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/6/2024, DJe de 21/6/2024). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 146-B, II E IV, E 146-D, I, DA LEP. CUMPRIMENTO DA PENA EM REGIME SEMIABERTO. AUSÊNCIA DE VAGAS. PRISÃO DOMICILIAR COM MONITORAÇÃO ELETRÔNICA. FLEXIBILIZAÇÃO DO EQUIPAMENTO ELETRÔNICO. NÃO CABIMENTO. OBSERVÂNCIA DA SÚMULA VINCULANTE 56. 1. A Terceira Seção desta Corte Superior, em atenção ao preceito da Súmula Vinculante 56/STF, firmou entendimento, no julgamento do REsp n. 1.710.674/MG, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 993), no sentido de que a colocação do apenado em regime de prisão domiciliar, em razão da ausência de vagas em local adequado para o cumprimento da pena, exige que sejam observadas as providências estabelecidas no julgamento do RE n. 641.320/RS, entre elas, a liberdade eletronicamente monitorada. Dessa forma, não cabe a flexibilização da mínima fiscalização do cumprimento da pena de reeducando que sequer deveria estar em prisão domiciliar. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.103.114/MT, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 18/4/2024). AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. CUMPRIMENTO DA PENA EM REGIME SEMIABERTO. AUSÊNCIA DE VAGAS. PRISÃO DOMICILIAR COM MONITORAÇÃO ELETRÔNICA. FLEXIBILIZAÇÃO DO EQUIPAMENTO ELETRÔNICO. NÃO CABIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior se consolidou no sentido de que, nas hipóteses em que o reeducando não puder cumprir a pena em estabelecimento adequado ao regime semiaberto, afigura-se razoável a concessão da prisão domiciliar monitorada, nos termos dos parâmetros fixados no RE 641.320/RS. 2. A inexistência de vagas em colônia agrícola, industrial ou similar na região é suficiente para imposição do regime domiciliar cumulado com o uso de tornozeleira eletrônica, sendo incabível a flexibilização do uso do equipamento eletrônico. 3. O cumprimento da pena em regime domiciliar monitorado está longe de se afigurar mais penoso do que aquele que seria usufruído no cumprimento do regime semiaberto em colônia agrícola, industrial ou similar, sendo mais favorável ao paciente. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 817.805/MT, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 31/8/2023). AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REGIME ABERTO. PRISÃO DOMICILIAR COM MONITORAMENTO ELETRÔNICO. POSSIBILIDADE. FALTA DE VAGAS EM ESTABELECIMENTO PRISIONAL COMPATÍVEL. RECURSO DESPROVIDO. 1. Na hipótese em que o sentenciado foi progredido ao regime aberto e, ante a ausência de vagas em estabelecimento penal compatível, foi-lhe deferido a prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, esta Corte Superior se orienta no sentido de que não há ilegalidade, uma vez que a tornozeleira eletrônica constitui apenas o meio de fiscalização do cumprimento de pena. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 737.045/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 10/5/2022, DJe de 16/5/2022). AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME. INEXISTÊNCIA DE VAGA NO ABERTO. PRISÃO DOMICILIAR, MEDIANTE USO DE TORNOZELEIRA. PEDIDO DE RETIRADA DO EQUIPAMENTO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. 1. "III. Inexistindo vaga disponível no regime semiaberto, cabe ao Juízo da Execução determinar o cumprimento da pena em regime aberto ou até mesmo em prisão domiciliar, ambas com monitoramento eletrônico. IV. O monitoramento eletrônico é necessário quando concedida, de forma excepcional, a prisão domiciliar para o resgate da reprimenda, nos casos de ausência de vaga em estabelecimento prisional compatível com o regime para o qual houve a progressão. (HC 357.239/MG, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 11/10/2016, DJe 21/10/2016.) 2. É admissível, portanto, o monitoramento eletrônico quando a prisão domiciliar para o resgate de pena é concedida, de forma excepcional, nos casos de ausência de vaga em estabelecimento prisional compatível com o regime para o qual houve a progressão. 3. As limitações impostas pelo uso do monitoramento eletrônico (no caso) não se qualificam como mais graves do que aquelas que o reeducando estaria submetido no regime aberto, caso o sistema prisional apresentasse as adequadas condições. A medida não implica supressão de direito do apenado e garante a necessária vigilância estatal. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 683.805/RJ, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 7/12/2021, DJe de 13/12/2021). Ademais, a alegação de não haver sinal para o monitoramento eletrônico não afasta sua necessidade, uma vez que tal medida serve para indicar a localização do envolvido, que, em algum momento, pode estar em um local que haja o devido sinal. Sendo assim, o inconformismo não merece prosperar. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.