HC 955665 - DECISAO
Indefere-se a liminar porque a imposição de monitoramento eletrônico em regime aberto, com prisão domiciliar, por ausência de vaga em Casa de Albergado, está fundamentada no art. 115, I, da Lei de Execução Penal e é respaldada pela jurisprudência do STJ, não havendo flagrante ilegalidade que autorize a concessão do...
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- Parties
- Paciente: ALAN FRANCO MENDES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Monitoramento Eletrônico, Regime Aberto, Falta De Vaga Em Casa De Albergado, Prisão Domiciliar, Tornozeleira Eletrônica
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Parties
ALAN FRANCO MENDES
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 legalidade do monitoramento eletrônico em regime aberto por ausência de vaga em Casa de Albergado
- 2 cabimento de Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio
- 3 possibilidade de concessão de prisão domiciliar monitorada quando há ausência de vagas no regime
Ratio Decidendi
Indefere-se a liminar porque a imposição de monitoramento eletrônico em regime aberto, com prisão domiciliar, por ausência de vaga em Casa de Albergado, está fundamentada no art. 115, I, da Lei de Execução Penal e é respaldada pela jurisprudência do STJ, não havendo flagrante ilegalidade que autorize a concessão do habeas corpus de ofício.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ALAN FRANCO MENDES em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS assim ementado: DIREITO PENAL. EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO. MONITORAMENTO ELETRÔNICO. REGIME ABERTO. AUSÊNCIA DE VAGA EM CASA DE ALBERGADO. LEGALIDADE DA MEDIDA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. O caso versa sobre o agravo em execução penal interposto pelo condenado contra a decisão que manteve a imposição de monitoramento eletrônico, em regime prisional aberto, por falta de vaga em Casa de Albergado. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em analisar a legalidade do monitoramento eletrônico em regime aberto, considerando a falta de vaga em Casa de Albergado. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A imposição de monitoramento eletrônico em regime aberto, com prisão domiciliar, por ausência de vaga em Casa de Albergado, mostra- se fundamentada, em consonância com o art. 115, inciso I, da Lei de Execução Penal. 4. A Lei de Execução Penal autoriza a utilização de monitoramento eletrônico em regime aberto, quando a falta de vaga em estabelecimento prisional adequado impede o cumprimento da pena em liberdade. 5. A decisão do juízo da execução, ao manter o monitoramento eletrônico, considerando a falta de vaga em Casa de Albergado, demonstra a aplicação correta da lei, com justificativa adequada. IV. DISPOSITIVO E TESE 8. O recurso é desprovido, mantendo-se a decisão que manteve a imposição do monitoramento eletrônico. Tese de julgamento: "É legal a imposição de monitoramento eletrônico em regime aberto, quando a falta de vaga em Casa de Albergado, pois não impede o cumprimento da pena em liberdade". Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal devido à determinação do uso de tornozeleira eletrônica para o cumprimento do regime aberto sem fundamentação idônea que a justifique. Requer, em suma, o afastamento da determinação do uso de tornozeleira eletrônica. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto à controvérsia apresentada: Na hipótese dos autos do processo, devidamente justificada a imposição do monitoramento eletrônico ao condenado que cometeu delito de roubo majorado, tentado, condenado no regime prisional aberto, com monitoração eletrônica, ante a ausência de vaga na Casa do Albergado, ausente ilegalidade na imposição do monitoramento ao reeducando, ora agravante, o que deve ser mantido. A imposição de monitoramento eletrônico em regime aberto com prisão domiciliar por ausência de vaga na Casa do Albergado, mostra-se fundamentada, em consonância com o art. 115, inciso I, da Lei de Execução Penal, não podendo se falar em ilegalidade (fl. 17). Esse entendimento está de acordo com a jurisprudência firmada nesta Corte de que é razoável o uso de tornozeleira eletrônica quando a prisão domiciliar é concedida para o resgate da pena considerando a ausência de vaga em estabelecimento prisional compatível com o regime para o qual houve a progressão. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. CUMPRIMENTO DA PENA EM REGIME SEMIABERTO. AUSÊNCIA DE VAGAS. PRISÃO DOMICILIAR COM MONITORAÇÃO ELETRÔNICA. FLEXIBILIZAÇÃO DO EQUIPAMENTO ELETRÔNICO. NÃO CABIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior se consolidou no sentido de que, nas hipóteses em que o reeducando não puder cumprir a pena em estabelecimento adequado ao regime semiaberto, afigura-se razoável a concessão da prisão domiciliar monitorada, nos termos dos parâmetros fixados no RE 641.320/RS. 2. A inexistência de vagas em colônia agrícola, industrial ou similar na região é suficiente para imposição do regime domiciliar cumulado com o uso de tornozeleira eletrônica, sendo incabível a flexibilização do uso do equipamento eletrônico. 3. O cumprimento da pena em regime domiciliar monitorado está longe de se afigurar mais penoso do que aquele que seria usufruído no cumprimento do regime semiaberto em colônia agrícola, industrial ou similar, sendo mais favorável ao paciente. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 817.805/MT, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 31.8.2023.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. IMPUGNAÇÃO DEFENSIVA. INEXISTÊNCIA DE VAGA NO ABERTO. PRISÃO DOMICILIAR, MEDIANTE USO DE TORNOZELEIRA. PEDIDO DE RETIRADA DO EQUIPAMENTO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. INCOMPATIBILIDADE DO EQUIPAMENTO COM O USO DE MARCAPASSO. AUSÊNCIA DE CONTRAINDICAÇÃO MÉDICA. RECOMENDAÇÕES DE CUIDADO COM O USO. RECURSO IMPROVIDO. 1- É necessário o monitoramento eletrônico quando a prisão domiciliar para o resgate de pena é concedida, de forma excepcional, nos casos de ausência de vaga em estabelecimento prisional compatível com o regime para o qual houve a progressão. (HC n. 383.654/RS, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 3/10/2017, DJe 9/10/2017) .. (AgRg no HC n. 695.943/MA, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021.) 2- Assente nesta eg. Corte Superior que, sobre a aplicação da Súmula Vinculante n. 56, em relação à falta de vagas no regime aberto, "sendo certo que a prisão domiciliar monitorada, verificada no caso dos autos, não se afigura mais penosa do que aquela que o paciente vivenciaria no cumprimento da pena em regime aberto (AgRg no HC n. 691963/RS, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Junior, DJe de 22/10/2021). .. (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 23/11/2021, DJe de 26/11/2021.) 3- .. A defesa foi devidamente intimada a justificar os reiterados descumprimentos das condições do regime aberto. Ademais, não se constata prejuízo ao apenado no regular exercício de sua atividade laboral, haja vista o cumprimento da pena em modo mais brando, com prisão domiciliar noturna e monitoramento eletrônico. .. AgRg no RHC 124.395/RS, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 13/10/2020, DJe 21/10/2020) 4- No caso, o apenado teve a prisão domiciliar mediante o uso de tornozeleira eletrônica substituída em razão da falta de vagas no regime em que foi condenado, qual seja, o aberto. 5- Não ficou demonstrado o risco concreto de saúde em função do uso concomitante do marcapasso com a tornozeleira eletrônica, uma vez que, tomando-se os cuidados necessários, é possível a utilização dos dois aparelhos. 6- Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 750.926/RJ, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 8.8.2022.) Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA