AREsp 2697677 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a parte não indicou comando normativo específico capaz de sustentar a tese recursal (incidência da Súmula 284/STF) e porque o provimento exigiria reexame de matéria fático-probatória (incidência da Súmula 7/STJ), nos termos do art. 21-E, V, do...
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- Parties
- Agravante: QUALICORP ADMINISTRADORA DE BENEFICIOS S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Multa Cominatória (astreintes), Cumprimento De Sentença, Admissibilidade De Recurso Especial, Incidência De Súmulas
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Parties
QUALICORP ADMINISTRADORA DE BENEFICIOS S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Excessividade do valor das astreintes
- 2 Alegada violação ao art. 944 do CC
- 3 Alegada violação ao art. 14, §3º, II do CDC
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a parte não indicou comando normativo específico capaz de sustentar a tese recursal (incidência da Súmula 284/STF) e porque o provimento exigiria reexame de matéria fático-probatória (incidência da Súmula 7/STJ), nos termos do art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por QUALICORP ADMINISTRADORA DE BENEFICIOS S.A. à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU QUE FIXOU O VALOR DA EXECUÇÃO EM R$91.454,38 (NOVENTA E UM MIL, QUATROCENTOS E CINQÜENTA E QUATRO REAIS E TRINTA E OITO CENTAVOS). AGRAVANTE ALEGA QUE O VALOR DAS ASTREINTES NÃO SERIA PROPORCIONAL NEM RAZOÁVEL E PODERIA ENSEJAR O ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DA AGRAVADA. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz violação ao art . 944 do CC e ao art. 14, § 3º, II, do CDC, no que concerne desproporcionalidade no valor da multa astreinte, tendo em vista o caráter excessivo da multa, trazendo a seguinte argumentação: Como já relatado pela recorrente, o r. acórdão vergastado manteve a condenação da ora recorrente ao pagamento de R$ 91.454,38 (noventa e um mil quatrocentos e cinquenta e quatro reais e trinta e oito centavos), em razão do descumprimento da obrigação de fazer. Contudo, entende a recorrente ter ocorrido clara violação ao artigo 14, §3º, II, do CPC. Desta forma, ainda que se entenda pelo cabimento o valor em execução, o valor fixado se mostra desarrazoado e desproporcional à conduta imputada à recorrente, que agiu investida na legalidade ao promover o cancelamento do plano. Destaca-se que, a finalidade das astreintes é conferir efetividade ao comando judicial, coibindo o comportamento desidioso da parte contra a qual foi imposta obrigação judicial. Seu escopo não é indenizar ou substituir o adimplemento da obrigação, tampouco servir ao enriquecimento imotivado da parte credora, devendo, pois, serem observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste sentido, a própria legislação prevê a possibilidade de imposição de multa cominatória que autoriza o magistrado, a requerimento da parte ou de ofício, alterar o seu valor e periodicidade, quando, em observância aos referidos princípios, entender ser esta insuficiente ou excessiva, nos termos do art. 461, § 6º, do CPC/1973 e, atualmente, do art. 537, § 1º, do CPC/2015. .. Assim, quando o quantum fixado à reparação é extremamente irrisório ou então exorbitante, ou seja, foge aos limites do razoável, entende-se que a questão deixa de ter cunho meramente fático e interpretativo, passando a revestir-se de caráter eminentemente jurídico e de direito. Dessarte, considerando a situação exposta, verifica-se que o valor fixado a título de descumprimento da obrigação de fazer pelo Juízo de piso e confirmada pelo Tribunal de origem, no importe de R$ 91.454,38 (noventa e um mil, quatrocentos e cinquenta e quatro reais e trinta e oito centavos), mostra-se em última análise, excessivo se considerado o fato que ensejou a condenação, que deve ser reduzido em observância à extensão do dano e aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Sendo assim, sopesadas as circunstâncias objetivas que permeiam o caso concreto, considerando-se as ofensas aos artigos 14, §3º, II do CDC e 944 do Código Civil, espera a recorrente que seja dado provimento ao recurso ora apresentado, a fim de reduzir o valor da verba fixada em primeira instância e confirmada pelo Egrégio Tribunal de Justiça Fluminense (fls. 80-83). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF devido à ausência de comando normativo do(s) dispositivo(s) apontado(s) como violado(s) para sustentar a tese recursal, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. EXECUÇÃO FISCAL. RFFSA E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. CURSO DA DEMANDA. SUCESSORA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. DESNECESSIDADE. 1. Os apontados arts. 130 e 131 do CTN não têm comando normativo para amparar a tese de imunidade do IPTU em favor da RFFSA, visto que tais dispositivos legais cuidam de tema diverso, referente à responsabilidade tributária por sucessão, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp n. 1.764.763/PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 27.11.2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BANCÁRIO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CERTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNÇÃO DESEMPENHADA PELO CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. VIOLAÇÃO À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. .. 4. No que tange à aduzida ofensa ao art. 12, § 1º, VI, da Lei n. 10.931/04, o presente recurso não merece prosperar, porquanto o referido dispositivo não confere sustentação aos argumentos engendrados. Incidência da Súmula 284/STF. 5. O mesmo óbice representado pelo enunciado da Súmula 284/STF incide no que diz respeito à alegada ofensa aos arts. 421 e 425 do Código Civil, que veiculam comandos normativos demasiadamente genéricos e que não infirmam as conclusões do Tribunal de origem. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.674.879/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.3.2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.798.903/RJ, Rel. para o acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 30.10.2019; AgInt no REsp n. 1.844.441/RN, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.524.220/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18.5.2020; AgRg no AREsp n. 1.280.513/RJ, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27.5.2019; AgRg no REsp n. 1.754.394/MT, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 17.9.2018; AgInt no REsp n. 1.503.675/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 27.3.2018; AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23.4.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.709.059/RJ, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 18.12.2020; e AgInt no REsp n. 1.790.501/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.3.2021. Ademais, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: O acórdão determinou que fosse mantida a multa única de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), porquanto a própria Agravante concordou com o estabelecimento da referida multa . Portanto, tem-se que o valor da execução fixado em R$ 91.454,38 (noventa e um mil quatrocentos e cinquenta e quatro reais e trinta e oito centavos) está correto, porquanto representa a soma dos valores consignados no acórdão de index 1633 dos autos originais corrigidos monetariamente. Assim, diferentemente do alegado pela Agravante, não há falar em valor excessivo da multa, porquanto houve conduta recalcitrante do devedor em descumprir o comando judicial, descabendo a redução das astreintes (fl. 42). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7.3.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.9.2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16.10.2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA