REsp 2177904 - DECISAO
A matéria foi afetada à Primeira Seção do STJ pelo rito do art. 1.036 do CPC (Tema 1.364/STJ), sendo conveniente, em observância ao princípio da economia processual, determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido no recurso representativo da...
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- Parties
- Agravante/recorrente: Maria Schu Hansen & Cia Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Sobre Recurso Especial / Juízo De Retratação; Recurso Prejudicado; Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Sobrestamento
- Outcome
- Decisão de fls. 327/329 reconsiderada; análise do recurso prejudicada; devolução dos autos ao Tribunal de origem e sobrestamento até publicação do acórdão representativo (Tema 1.364/STJ).
- Legal Topics
- Não Cumulatividade, Pis/cofins, ICMS, Afetação De Tema (recursos Repetitivos), Juízo De Retratação, MP 1.159/23, Lei 14.592/23
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Parties
Maria Schu Hansen & Cia Ltda.
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno Sobre Recurso Especial / Juízo De Retratação; Recurso Prejudicado; Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Sobrestamento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de apuração de créditos de PIS/COFINS em regime não cumulativo sobre o ICMS incidente nas aquisições
- 2 Efeito da MP 1.159/23 e da Lei 14.592/23 na exclusão do ICMS da base de crédito do PIS/COFINS
- 3 Procedimental: afetação do tema ao rito dos recursos repetitivos e devolução dos autos ao Tribunal de origem (Tema 1.364/STJ)
Ratio Decidendi
A matéria foi afetada à Primeira Seção do STJ pelo rito do art. 1.036 do CPC (Tema 1.364/STJ), sendo conveniente, em observância ao princípio da economia processual, determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido no recurso representativo da controvérsia; por isso, reconsiderou-se a decisão anterior e julgou-se prejudicada a análise do recurso, com devolução dos autos à instância de origem para juízo de conformação ou manutenção do acórdão local conforme o decidido no recurso representativo.
Court Disposition
Decisão de fls. 327/329 reconsiderada; análise do recurso prejudicada; devolução dos autos ao Tribunal de origem e sobrestamento até publicação do acórdão representativo (Tema 1.364/STJ).
Orders
- Reconsiderar a decisão de fls. 327/329
- Julgada prejudicada a análise do recurso especial
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interno manejado por Maria Schu Hansen & Cia Ltda. desafiando decisão que, reconsiderando anterior decisum, negou provimento ao recurso especial, sob o fundamento de que o acórdão recorrido estampou entendimento conforme o posicionamento da Primeira Turma no sentido de que "incabível a pretensão de que, na apuração do montante devido a título das Contribuição para o PIS e da COFINS, o contribuinte se credite com base no valor do ICMS nas suas aquisições, mas nas suas vendas exclua o tributo estadual, pois significa compreender que a exclusão em tela somente se opera sobre suas receitas, e não sobre a de todos os integrantes da cadeia, com evidente repercussão negativa sobre o regime não cumulativo" (AgInt no REsp n. 2.169.939/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJEN de 22/4/2025). A parte agravante, em suas razões, sustenta que, "tendo a não cumulatividade previsão constitucional, introduzida por emenda constitucional, não poderia a sistemática ser alterada por meio da Medida Provisória nº 1.159/23 e muito menos por meio da Lei Ordinária nº 14.592/2023, sendo necessária uma nova Emenda Constitucional para que ocorra qualquer alteração no regime" (fl. 333), sendo certo que "a conclusão a que se chega da análise da MP 1.159/23 e da introdução ao ordenamento jurídico realizado pela a Lei nº 14.592/23, ao determinarem a exclusão do ICMS da base de crédito do PIS/COFINS, pela inclusão do inciso III, no §2º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, é a violação da sistemática da não cumulatividade das contribuições, na medida que o imposto incidente na operação de aquisição compõe o custo do bem/mercadoria e não pode ser segregado" (fl. 334). Transcorreu in albis o prazo para resposta (fl. 353). É o relatório. Melhor compulsando os autos, exercendo o juízo de retratação facultado pelos arts. 1.021, § 2º, do CPC e 259, § 3º, do RISTJ, reconsidero a decisão agravada, tornando-a sem efeito, passando novamente à análise do recurso: Trata-se de recurso especial manejado por Maria Schú Hansen & Cia Ltda. com base no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 190): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REGIME NÃO-CUMULATIVO. TESE TEMA 69/STF. DIREITO À ASSUNÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS COM A INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE COMO CUSTO DE AQUISIÇÃO. MP 1.159/23. LEI 14.592/23. PREVISÃO LEGAL NO SENTIDO RESTRITIVO. AUSÊNCIA DO DIREITO. INEXISTENTE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, NÃO-CUMULATIVIDADE E ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. 1. Com a edição da MP 1.159/23 e a alteração do disposto no art. 03º, § 2º, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, explicitamente excluiu-se os valores de ICMS de operações de aquisição da base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS (inciso III), respeitada a anterioridade nonagesimal quanto à produção de seus efeitos (art. 03º). A norma se manteve com a superveniência da Lei 14.592/23. 2. De acordo com a norma legal, os contribuintes que apuram as contribuições sob a sistemática não cumulativa não terão direito a crédito de PIS e Cofins sobre o valor do ICMS que tenha incidido sobre a operação de aquisição. 3. Os valores de ICMS destacados nas notas fiscais de compra não são aptos ao creditamento em PIS e COFINS não-cumulativo, frente à expressa previsão do art. 3º, §2º, III, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, incluído pela Lei 14.592/23, cuja legalidade e constitucionalidade é reconhecida dado o entendimento firmado pelo Tema 756/STF (TRF4, Segunda Turma, AC 5020061- 76.2023.4.04.7100, Relator Eduardo Vandré Oliveira Lema Garcia, juntado aos autos em 26/09/2023). 4. Em sua materialidade, a medida não importa em qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade, atentando-se para a ordem constitucional no sentido de que os valores destacados do ICMS não se sujeitam à tributação do PIS/COFINS, expurgando em simetria os valores também no regime de crédito pela via não cumulativa. Inexistente desproporcionalidade, ante o quanto disposto no RE 574.706 e em sendo possível ao legislador delimitar o que se entende por custo de aquisição para fins de creditamento (TRF 3ª Região, 6ª Turma, AC nª 5002374- 28.2023.4.03.6126, Rel. Desembargador Federal Luís Antonio Johonsom di Salvo, julgado em 12/11/2023). A parte recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação aos arts. 3º, III, § 2º das Leis 10.637/02 e 10.833/03; e 6º e 7º da Lei 14.592/23. Sustenta, em resumo, o direito de apurar os créditos de PIS e COFINS sobre o ICMS incidente nas operações de aquisição. Parecer do Ministério Público Federal às fls. 294/301. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Cinge-se a presente controvérsia a definir a possibilidade de apuração de créditos de PIS/COFINS em regime não-cumulativo sobre o valor do ICMS incidente sobre a operação de aquisição, à luz do disposto no art. 3º, § 2º, III, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, incluído pela Lei 14.592/2023. Ocorre que a matéria foi afetada à Primeira Seção do STJ pelo rito do artigo 1.036 do CPC (Tema 1.364/STJ - REsp 2.150.894/SC, REsp 2.150.097/CE, REsp 2.150.848/RS e REsp 2.151.146/RS, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, DJe 24/6/25), mostrando-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do Código de Processo Civil, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos do recurso representativo da controvérsia. Confira-se, a propósito, esclarecedor precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TEMA 1.190/STJ AFETADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. A presente controvérsia envolve a discussão de tema afetado ao rito dos Recursos Especiais Repetitivos: "Possibilidade de fixação de honorários advocatícios sucumbenciais em cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública, independentemente de existência de impugnação à pretensão executória, quando o crédito estiver sujeito ao regime da Requisição de Pequeno Valor - RPV" (ProAfR no REsp 2.031.118/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 27.4.2023). 2. Em tal circunstância, deve ser prestigiado o escopo perseguido na legislação processual, isto é, a criação de mecanismo que oportunize às instâncias de origem o juízo de retratação na forma dos arts. 1.040 e seguintes do CPC/2015, conforme o caso. 3. "Mostra-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do CPC/2015, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos dos recursos representativos da controvérsia. (..) Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para tornar sem efeito as decisões anteriores, com a restituição dos autos ao Tribunal de origem, para que lá se observe o iter delineado nos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015." (EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp 1.666.390/RS, Rel. Min. Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 8.4.2021) 4. Embargos de Declaração acolhidos para tornar sem efeito as decisões anteriores e determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa, para que lá se observem as regras dos arts. 1.040 e seguintes do Código Processual Civil de 2015 após a publicação do acórdão do respectivo recurso excepcional representativo da controvérsia. (EDcl no AgInt no REsp n. 2.055.294/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/9/2023.) Ressalte-se que, nos termos do art. 256-L, I, do RISTJ: "Publicada a decisão de afetação, os demais recursos especiais em tramitação no STJ fundados em idêntica questão de direito: I - se já distribuídos, serão devolvidos ao Tribunal de origem, para nele permanecerem suspensos, por meio de decisão fundamentada do relator". Observa-se, ainda, que, de acordo com o artigo 1.041, § 2º, do referido diploma legal, "quando ocorrer a hipótese do inciso II do caput do art. 1.040 e o recurso versar sobre outras questões, caberá ao presidente ou ao vice-presidente do Tribunal recorrido, depois do reexame pelo órgão de origem e independentemente de ratificação do recurso, sendo positivo o juízo de admissibilidade, determinar a remessa do recurso ao tribunal superior para julgamento das demais questões", cuja diretriz metodológica, por certo, deve alcançar também aqueles feitos que já tenham ascendido a este STJ. ANTE O EXPOSTO, (i) reconsidero a decisão de fls. 327/329; e (ii) julgo prejudicada a análise do recurso e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao que vier a ser decidido por este Superior Tribunal de Justiça sobre o tema recursal, na sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1.364/STJ). Publique-se. EMENTA