EREsp 1886008 - DECISAO
Os embargos de divergência foram admitidos porque a embargante realizou o cotejo analítico entre decisões e demonstrou, em princípio, a existência de divergência jurisprudencial sobre a natureza do rol da ANS, atendendo aos requisitos do art. 266, caput e §4º, do RISTJ.
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência / Admitidos; Vista À Embargada Para Impugnação Por 15 Dias E, Após, Ao Ministério Público Federal
- Outcome
- Embargos de divergência admitidos; vista à embargada para impugnação por 15 (quinze) dias; após, vista ao Ministério Público Federal; publicar e intimar.
- Legal Topics
- Natureza Do Rol Da ANS (taxativo Vs Exemplificativo), Cobertura Contratual De Plano De Saúde, Excludente De Responsabilidade — Exercício Regular De Direito, Interpretação Do Código De Defesa Do Consumidor
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Procedural Posture
Embargos De Divergência / Admitidos; Vista À Embargada Para Impugnação Por 15 Dias E, Após, Ao Ministério Público Federal
Legal Issues
- 1 Natureza taxativa ou exemplificativa do rol de procedimentos da ANS
- 2 Abusividade da negativa de cobertura por plano de saúde diante de tratamento considerado adequado
- 3 Aplicação da excludente de responsabilidade do exercício regular de direito (art. 188, I, CC)
Ratio Decidendi
Os embargos de divergência foram admitidos porque a embargante realizou o cotejo analítico entre decisões e demonstrou, em princípio, a existência de divergência jurisprudencial sobre a natureza do rol da ANS, atendendo aos requisitos do art. 266, caput e §4º, do RISTJ.
Court Disposition
Embargos de divergência admitidos; vista à embargada para impugnação por 15 (quinze) dias; após, vista ao Ministério Público Federal; publicar e intimar.
Orders
- Admitir os embargos de divergência
- Dar vista à embargada para impugnação, no prazo de 15 (quinze) dias (art. 267 do RISTJ)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de divergência interpostos contra acórdão da Terceira Turma deste Tribunal Superiorassim ementado (e-STJ fl. 639): AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PLANO DE SAÚDE.COBERTURA CONTRATUAL. MEDICAMENTO. RECUSA. ROL DA ANS.EXEMPLIFICATIVO. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência doCódigo de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e3/STJ). 2. O rol de procedimentos da ANS tem caráter meramente exemplificativo,sendo abusiva a negativa da cobertura pelo plano de saúde do tratamentoconsiderado apropriado para resguardar a saúde e a vida do paciente.Precedentes. 3. Agravo interno não provido. Defende a embargante a existência de dissenso jurisprudencial entre o aresto embargado e o entendimento firmado pela Quarta Turma do STJ quando do julgamento do REsp n.1.733.013/PR, a respeito da natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS. Eis o julgado apresentado para fins de comprovação do suscitado dissenso: PLANOS E SEGUROS DE SAÚDE. RECURSO ESPECIAL. ROL DE PROCEDIMENTOS E EVENTOS EM SAÚDE ELABORADO PELA ANS. ATRIBUIÇÃO DA AUTARQUIA, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL E NECESSIDADE DE HARMONIZAÇÃO DOS INTERESSES DAS PARTES DA RELAÇÃO CONTRATUAL. CARACTERIZAÇÃO COMO RELAÇÃO EXEMPLIFICATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO ENTENDIMENTO DO COLEGIADO (OVERRULING). CDC. APLICAÇÃO, SEMPRE VISANDO HARMONIZAR OS INTERESSES DAS PARTES DA RELAÇÃO CONTRATUAL. EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO E ATUARIAL E SEGURANÇA JURÍDICA. PRESERVAÇÃO. NECESSIDADE. RECUSA DE COBERTURA DE PROCEDIMENTO NÃO ABRANGIDO NO ROL EDITADO PELA AUTARQUIA OU POR DISPOSIÇÃO CONTRATUAL. OFERECIMENTO DE PROCEDIMENTO ADEQUADO, CONSTANTE DA RELAÇÃO ESTABELECIDA PELA AGÊNCIA. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS. INVIABILIDADE. 1. A Lei n. 9.961/2000 criou a Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, que tem por finalidade institucional promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde. O art. 4º, III e XXXVII, atribui competência à Agência para elaborar o rol de procedimentos e eventos em saúde que constituirão referência básica para os fins do disposto na Lei n. 9.656/1998, além de suas excepcionalidades, zelando pela qualidade dos serviços prestados no âmbito da saúde suplementar. 2. Com efeito, por clara opção do legislador, é que se extrai do art. 10, § 4º, da Lei n. 9.656/1998 c/c o art. 4º, III, da Lei n. 9.961/2000, a atribuição dessa Autarquia de elaborar a lista de procedimentos e eventos em saúde que constituirão referência básica para os fins do disposto na Lei dos Planos e Seguros de Saúde. Em vista dessa incumbência legal, o art. 2º da Resolução Normativa n. 439/2018 da ANS, que atualmente regulamenta o processo de elaboração do rol, em harmonia com o determinado pelo caput do art. 10 da Lei n. 9.656/1998, esclarece que o rol garante a prevenção, o diagnóstico, o tratamento, a recuperação e a reabilitação de todas as enfermidades que compõem a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde - CID da Organização Mundial da Saúde. 3. A elaboração do rol, em linha com o que se deduz do Direito Comparado, apresenta diretrizes técnicas relevantes, de inegável e peculiar complexidade, como: utilização dos princípios da Avaliação de Tecnologias em Saúde - ATS; observância aos preceitos da Saúde Baseada em Evidências - SBE; e resguardo da manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do setor. 4. O rol mínimo e obrigatório de procedimentos e eventos em saúde constitui relevante garantia do consumidor para propiciar direito à saúde, com preços acessíveis, contemplando a camada mais ampla e vulnerável da população. Por conseguinte, em revisitação ao exame detido e aprofundado do tema, conclui-se que é inviável o entendimento de que o rol é meramente exemplificativo e de que a cobertura mínima, paradoxalmente, não tem limitações definidas. Esse raciocínio tem o condão de encarecer e efetivamente padronizar os planos de saúde, obrigando-lhes, tacitamente, a fornecer qualquer tratamento prescrito, restringindo a livre concorrência e negando vigência aos dispositivos legais que estabelecem o plano-referência de assistência à saúde (plano básico) e a possibilidade de definição contratual de outras coberturas. 5. Quanto à invocação do diploma consumerista pela autora desde a exordial, é de se observar que as técnicas de interpretação do Código de Defesa do Consumidor devem reverência ao princípio da especialidade e ao disposto no art. 4º daquele diploma, que orienta, por imposição do próprio Código, que todas as suas disposições estejam voltadas teleologicamente e finalisticamente para a consecução da harmonia e do equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores. 6. O rol da ANS é solução concebida pelo legislador para harmonização da relação contratual, elaborado de acordo com aferição de segurança, efetividade e impacto econômico. A uníssona doutrina especializada alerta para a necessidade de não se inviabilizar a saúde suplementar. A disciplina contratual exige uma adequada divisão de ônus e benefícios dos sujeitos como parte de uma mesma comunidade de interesses, objetivos e padrões. Isso tem de ser observado tanto em relação à transferência e distribuição adequada dos riscos quanto à identificação de deveres específicos do fornecedor para assegurar a sustentabilidade, gerindo custos de forma racional e prudente. 7. No caso, a operadora do plano de saúde está amparada pela excludente de responsabilidade civil do exercício regular de direito, consoante disposto no art. 188, I, do CC. É incontroverso, constante da própria causa de pedir, que a ré ofereceu prontamente o procedimento de vertebroplastia, inserido do rol da ANS, não havendo falar em condenação por danos morais. 8. Recurso especial não provido. (REsp 1733013/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 10/12/2019, DJe 20/02/2020.) É o relatório. Decido. Os presentes embargos são tempestivos e indicam divergência entre acórdão da Terceira Turma e julgado da Quarta Turma desta Corte Superior. A recorrenterealizou o necessário cotejo analítico entre as decisões, de maneira que, aparentemente, constata-se divergência em relação à natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS de procedimentos a serem cobertos por plano de saúde. Vale registrar, ainda, que, tanto no acórdão embargado quanto no paradigma, foi apreciadaquestão suscitada nestesembargos de divergência. Desse modo, considerando que, em princípio, foram observados os requisitos do art. 266,capute § 4º, do RISTJ, ADMITO os embargos de divergência. Dê-se vista à embargada para impugnação, no prazo de 15 (quinze) dias (art. 267 do RISTJ). Após, ao Ministério Público Federal (art. 266, § 4º, do RISTJ). Publique-se e intimem-se.