AREsp 2726652 - DECISAO
O Tribunal entendeu que o Tribunal a quo analisou adequadamente os fatos e provas, concluindo que não se pode reconhecer a impenhorabilidade dos bens da Fundação Santo André com base na alegada natureza pública; como a revisão demandaria reexame fático-probatório, veda-se o conhecimento do recurso especial (Súmula...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravada: FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento Execução Fiscal / Recurso Especial Interposto Ao Stj; Recurso Especial Não Conhecido Pelo STJ
- Outcome
- Recurso especial não conhecido pelo Superior Tribunal de Justiça
- Legal Topics
- Natureza Jurídica De Fundação, Impenhorabilidade De Bens, Prequestionamento, Vedação Ao Reexame Fático Probatório (súmula 7)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
Agravada
Procedural Posture
Agravo De Instrumento Execução Fiscal / Recurso Especial Interposto Ao Stj; Recurso Especial Não Conhecido Pelo STJ
Legal Issues
- 1 reconhecimento da natureza jurídica pública da Fundação Santo André
- 2 impenhorabilidade dos bens da Fundação
- 3 possibilidade de conhecimento do recurso especial diante da necessidade de reexame de fatos e provas
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que o Tribunal a quo analisou adequadamente os fatos e provas, concluindo que não se pode reconhecer a impenhorabilidade dos bens da Fundação Santo André com base na alegada natureza pública; como a revisão demandaria reexame fático-probatório, veda-se o conhecimento do recurso especial (Súmula 7), e ainda houve ausência de prequestionamento de outras matérias apontadas, impedindo o conhecimento do recurso; ademais, a decisão do tribunal local estava em conformidade com a jurisprudência desta Corte (Súmula 83).
Court Disposition
Recurso especial não conhecido pelo Superior Tribunal de Justiça
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de agravo de instrumento em sede de execução fiscal. Na decisão, acolheu-se parcialmente a exceção de pré-executividade. No Tribunal a quo, a decisão foi reformada. O valor da causa foi fixado em R$ 4.405.173,81 (quatro milhões, quatrocentos e cinco mil, cento e setenta e três reais e oitenta e um centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL.FUNDAÇÃO CONSTITUÍDA POR LEI MUNICIPAL. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. PENHORA DE BENS. POSSIBILIDADE. 1. A QUESTÃO POSTA NOS AUTOS SE REFERE AO RECONHECIMENTO DA NATUREZA JURÍDICA PÚBLICA DA AGRAVADA E, CONSEQUENTEMENTE, A IMPENHORABILIDADE DE SEUS BENS 2. NOS TERMOS DO DISPOSTO NO ART. 1O DO ESTATUTO SOCIAL, A FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ, ORA EXECUTADA, FOI CRIADA PELA LEI MUNICIPAL 1.840/1962 COMO PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO, SEM FINS LUCRATIVOS. TEM POR OBJETIVO, MANTER O CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ, O COLÉGIO DA FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ INSTITUIR E E MANTER OUTROS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO E, POR FIM; APLICAR INTEGRALMENTE SUAS RENDAS, RECURSOS E EVENTUAL RESULTADO OPERACIONAL NA MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DOS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS NO TERRITÓRIO NACIONAL. 3. O ART. 18 DO REFERIDO ESTATUTO SOCIAL DISPÕE SOBRE AS FONTES OS RECURSOS PARA MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES DA FUNDAÇÃO, NOS SEGUINTES TERMOS: ARTIGO 18 - OS RECURSOS PARA MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO CENTRO DO UNIVERSITÁRIO E DO COLÉGIO ADVIRÃO DAS SEGUINTES FONTES:! - MENSALIDADES. ANUIDADES, TAXAS E OUTRAS CONTRIBUIÇÕES PAGAS PELOS A/UNOS POR SERVIÇOS PRESTADOS; II - SUBVENÇÃO ANUAL DA PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTO ANDRÉ, CONFORME ESTABELECIDO EM LEI MUNICIPAL; III - SUBVENÇÕES. AUXÍLIOS, CONTRIBUIÇÕES E VERBAS PROVENIENTES DE PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS. PÚBLICAS OU PRIVADAS. NACIONAIS OU ESTRANGEIRAS; IV - CONTRIBUIÇÕES E FINANCIAMENTOS ORIUNDOS DE CONVÊNIOS. ACORDOS E CONTRATOS; V - RENDA DE APLICAÇÃO DE BENS E VALORES PATRIMONIAIS; VI - RECEITAS DECORRENTES DE EXPLORAÇÃO SEUS BENS DE OU DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS; VII - RECEITAS PROVENIENTES DE VENDA DE PRODUTOS PRODUZIDOS OU COMERCIALIZADOS PELA INSTITUIÇÃO; VIII - RENDAS EVENTUAIS DE QUALQUER NATUREZA. PARÁGRAFO ÚNICO - OS RECURSOS PROVENIENTES DA SUBVENÇÃO DE QUE TRATA O INCISO II SERÃO UTILIZADOS EXCLUSIVAMENTE EM INFRAESTRUTURA E NA AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS E MATERIAL PERMANENTE PARA AS INSTITUIÇÕES MANTIDAS. 4. A PREVISÃO ESTATUTÁRIA DE VÁRIAS FONTES DE RECEITA PARA A MANUTENÇÃO DA AGRAVADA INDICA QUE ESTA NÃO DEPENDE APENAS OU MAJORITARIAMENTE DO REPASSE DE VERBAS DO MUNICÍPIO PARA A CONSECUÇÃO DO OBJETIVO PREVISTO NO ESTATUTO SOCIAL; NESSE SENTIDO, VALE DESTACAR QUE A FUNDAÇÃO COBRA PELOS SERVIÇOS PRESTADOS, RESTANDO EVIDENCIADO QUE PARTE DO PATRIMÔNIO É ORIUNDO DE FONTE DE RECURSO PARTICULAR E NÃO APENAS PÚBLICO. 5. ADEMAIS, A SUBVENÇÃO ANUAL DA PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ SE DESTINA EXCLUSIVAMENTE PARA UTILIZAÇÃO EM INFRAESTRUTURA E AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS E MATERIAL PERMANENTE PARA AS INSTITUIÇÕES MANTIDAS, CONFORME DESTACADO NO ART. 18; PARÁGRAFO ÚNICO DO ESTATUTO. 6. DESSA FORMA, NÃO HÁ COMO SE CONCLUIR QUE OS BENS DA FUNDAÇÃO, ORA AGRAVADA, SE REVESTEM DAS PRERROGATIVAS INERENTES AOS BENS PÚBLICOS, TAL COMO A IMPENHORABILIDADE. A PRÓPRIA AGRAVADA RECONHECE QUE É PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO; DE OUTRA PARTE, O FATO DE POSSUIR FINALIDADE PÚBLICA E FILANTROPIA NÃO DE INDUZ À CONCLUSÃO SE TRATAR DE DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. 7. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Assiste razão à agravante. A questão posta nos autos se refere ao reconhecimento da natureza jurídica pública da agravada e, consequentemente, a impenhorabilidade de seus bens. (..) não há como se concluir que os bens da Fundação, ora agravada, se revestem das prerrogativas inerentes aos bens públicos, tal como a impenhorabilidade. Vale ainda ressaltar que a própria agravada reconhece que é pessoa jurídica de direito privado; o fato de possuir finalidade pública e de filantropia não induz à conclusão de se tratar de pessoa jurídica de direito público. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (artigos 832, 833, do CPC; 98, 99 e 100; do CC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA