AREsp 2506810 - DECISAO
Conheceu-se do agravo em parte e negou-se provimento porque o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, tendo apreciado o interesse de agir e a urgência; os fatos demonstram negativa inicial e atraso na autorização do tratamento quimioterápico, caracterizando dano moral, e a majoração do quantum decorre...
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- Parties
- Recorrente: UNIMED DE SANTA BÁRBARA D'OESTE AMERICANA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO; Autora: autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do STJ (conhecimento Em Parte E Negar Provimento)
- Outcome
- Agravo conhecido em parte e negado provimento
- Legal Topics
- Negativa De Cobertura, Indenização Por Danos Morais, Interesse De Agir, Teoria Da Asserção, Reexame Do Fato E Do Direito (súmulas 5 E 7/stj), Honorários Sucumbenciais
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Parties
UNIMED DE SANTA BÁRBARA D'OESTE AMERICANA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
Recorrente
autora
Autora
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do STJ (conhecimento Em Parte E Negar Provimento)
Legal Issues
- 1 interesse de agir quanto ao pedido de tratamento e indenização
- 2 alegada omissão/negativa de prestação jurisdicional
- 3 configuração de dano moral pela recusa/atraso na autorização de tratamento quimioterápico
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo em parte e negou-se provimento porque o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, tendo apreciado o interesse de agir e a urgência; os fatos demonstram negativa inicial e atraso na autorização do tratamento quimioterápico, caracterizando dano moral, e a majoração do quantum decorre da análise do conjunto probatório, cuja revisão demandaria reexame fático-probatório vedado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido em parte e negado provimento
Orders
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial de UNIMED DE SANTA BÁRBARA D"OESTE AMERICANA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "Apelação. Plano de Saúde. Ação de obrigação de fazer c. c. indenização por danos morais julgada parcialmente procedente. Inconformismo das partes. Neoplasia maligna. Interrupção do tratamento quimioterápico e demora para nova autorização de forma injustificada. Abusividade reconhecida. Súmula 95 do TJSP. Dano moral configurado. Situação que ultrapassou o limite do mero aborrecimento, causando angústia e incerteza sobre a possibilidade de continuidade do tratamento de doença grave. Indenização majorada de R$5.000,00 para R$20.000,00. Sentença reformada nesse ponto. Recurso da ré improvido e da autora provido. " (e-STJ fl. 344). Em suas razões, a recorrente aponta a violação dos seguintes dispositivos legais com as respectivas teses: (i) artigo 1.022, III, do CPC por defender a análise quanto à análise da falta de interesse de agir e erro de premissa fática; (ii) art. 17 do CPC por ausência de interesse de agir por ausência de necessidade e adequação porque o tratamento teria sido concedido na data do ajuizamento da ação e antes da apreciação da tutela antecipada; (iii) arts. 186, 927 e 944 do Código Civil por defender que não houve qualquer ilicitude e que o Tribunal de origem, ao fixar a indenização, não levou em conta que o tratamento teria sido concedido, requerendo a redução do valor. Contrarrazões às fls. 395/413. É o relatório. DECIDO. A irresignação não merece prosperar. No tocante à negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. No caso, o Tribunal de Justiça manifestou-se expressamente quanto ao interesse de agir e a situação de urgência, conforme se verifica do seguinte trecho do acórdão: "A ré alega que falta interesse de agir à autora uma vez que o novo ciclo do tratamento foi liberado pela operadora extrajudicialmente, em 28/09/2022, na mesma data de ingresso da ação e antes da apreciação e concessão do pedido de tutela antecipada. Sem razão, contudo. (..) Ora, a própria ré reconhece que primeiro negou autorização, interrompendo o ciclo de quimioterapia no meio do tratamento, e, mesmo ciente da gravidade da doença, procrastinou para autorizar a sua continuidade mesmo após ter recebido o relatório com pedido de urgência (como se a urgência já não estivesse implícita no primeiro relatório médico)" (fls. 345/346). Não há falar, portanto, em existência de omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. A esse respeito, os seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE CUSTEIO DE MEDICAMENTO (THIOTEPA). 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. 3. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência desta Corte no sentido de que, "embora se trate de fármaco importado ainda não registrado pela ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência Nacional, sendo, pois, de cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde" (REsp 1.923.107/SP, relatora ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 16/8/2021). 3. Atentando-se aos argumentos trazidos pela recorrente e aos fundamentos adotados pela Corte estadual de que a ANVISA admite a importação do fármaco, verifica-se que estes não foram objeto de impugnação nas razões do recurso especial, e a subsistência de argumento que, por si só, mantém o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do apelo especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. A ausência de debate acerca do conteúdo normativo dos arts. 66 da Lei n. 6.360/1976 e 10, V, da Lei n. 6.437/1976, apesar da oposição de embargos de declaração, atrai os óbices das Súmulas 282/STF e 211/STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE REGRESSO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem com relação à responsabilidade pelo ressarcimento dos valores pagos em reclamação trabalhista demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providencias que encontram óbice no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no AREsp 2.135.800/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se). No que se refere ao interesse de agir, aplica-se a teoria da asserção, que, no caso, analisou-se não apenas o tratamento como o pedido de indenização. Assim, o aresto combatido encontra-se alinhado à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos seguintes termos: "AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. CONTRATO DE CESSÃO DE DIREITOS FEDERATIVOS. JOGADOR DE FUTEBOL. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. INTERESSE DE AGIR. TEORIA DA ASSERÇÃO. BOA-FÉ OBJETIVA. SUPRESSIO. MULTA COMINATÓRIA. REEXAME DE ACERVO FÁTICO PROBATÓRIO. REINTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ está consolidada no sentido da aplicação da teoria da asserção, segundo a qual o interesse de agir deve ser avaliado in status assertionis, quer dizer, tal como apresentado na petição inicial. 2. Como é cediço na jurisprudência do STJ, o instituto da supressio indica a possibilidade de redução do conteúdo obrigacional pela inércia qualificada de uma das partes, ao longo da execução do contrato, em exercer direito ou faculdade, criando para a outra a legítima expectativa de ter havido a renúncia àquela prerrogativa. 3. A partir da leitura do acórdão recorrido, percebe-se a insuficiência da prova da ocorrência da supressio, ocorrendo apenas uma maior demora para a exigência do cumprimento da cláusula, mas que é incapaz de gerar sua derrogação com fundamento na boa-fé objetiva. Assim, alterar esse entendimento exigiria inexoravelmente o reexame de matéria fático-probatória, bem como reinterpretar cláusulas do contrato celebrado entre as partes, o que é obstado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ. 4. A revisão dos valores da multa cominatória enseja o remanejo do acervo probatório, o que vedado na via estreita do recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 5. Agravo interno não provido" (AgInt no REsp n. 1.841.683/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 21/9/2020, DJe de 24/9/2020, grifou-se). Logo, não merece reparos o acórdão recorrido, incidindo na espécie o enunciado da Súmula nº 568/STJ. No que diz respeito à indenização, as conclusões do tribunal de origem decorreram inquestionavelmente da análise da interpretação de cláusulas contratuais e do conjunto fático-probatório carreado aos autos, o que se pode aferir da leitura dos fundamentos do julgado atacado, ora colacionados na parte que interessa: "Dessa forma, havendo indicação médica, não é razoável que o paciente sofra limitações de cobertura no tratamento de patologia coberta pelo plano de saúde, assegurando-se a proteção do direito à vida, previsto no artigo 5º da Constituição Federal. Quanto ao pedido de indenização, entendo, em regra, descaber danos morais quando a negativa de cobertura do tratamento tem suporte em interpretação de cláusula contratual. Todavia, a questão é de ser analisada caso a caso, e, na espécie, o conjunto probatório aponta no sentido da caracterização do dano moral, na medida em que a recusa ultrapassou o mero dissabor, causando à autora, já fragilizada pela gravíssima enfermidade, angústia e transtornos. (..) Levando-se em consideração os critérios mencionados, respeitado o entendimento do MM. Juízo a quo, entendo razoável majorar o valor dos danos morais para R$20.000,00 (vinte mil reais), com incidência de juros moratórios a contar da citação (art. 405, do CC) e correção monetária a partir do arbitramento (Súmula 362 do STJ), montante que se mostra apto a reparar o dano causado, sem ensejar o enriquecimento indevido da parte" (e-STJ fls. 346/349). Nesse contexto, não há como afastar a incidência das Súmulas nºs 5 e 7/STJ, visto que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusula contratual, procedimentos inviáveis ante a natureza excepcional da via eleita. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação, não cabendo a majoração prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil por já estar no limite máximo estabelecido no § 2º do mesmo dispositivo legal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA