AREsp 2611794 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, por entender que o acórdão do Tribunal de Justiça da Paraíba havia enfrentado de forma clara e fundamentada as questões relevantes, decidiu-se negar provimento ao recurso especial na parte conhecida, por entender que a bolsa de desempenho profissional possui caráter eventual e transitório,...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrentes: ALDENORA FERREIRA DA SILVA e OUTRAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Em Agravo
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Negativa De Prestação Jurisdicional, Prequestionamento, Incorporação De Vantagem Remuneratória, Bolsa De Desempenho Profissional, Súmula 280/stf, Súmula 211/stj
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Parties
ALDENORA FERREIRA DA SILVA e OUTRAS
Recorrentes
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Em Agravo
Legal Issues
- 1 alegação de negativa de prestação jurisdicional em embargos de declaração (art. 1.022 CPC)
- 2 prequestionamento para admissibilidade do recurso especial
- 3 natureza jurídica da "bolsa de desempenho profissional" (eventual/transitória vs permanente)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, por entender que o acórdão do Tribunal de Justiça da Paraíba havia enfrentado de forma clara e fundamentada as questões relevantes, decidiu-se negar provimento ao recurso especial na parte conhecida, por entender que a bolsa de desempenho profissional possui caráter eventual e transitório, vinculada ao exercício das atribuições docentes e, portanto, não passível de incorporação aos proventos de inativos e pensionistas; ademais, a matéria está fundada em norma estadual, o que restringe o exame na instância especial (Súmula 280/STF), e não houve omissão que caracterizasse negativa de prestação jurisdicional passível de correção.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Conhecer do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015, majoro os honorários em R$ 300,00, ressalvado o benefício da assistência judiciária gratuita.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que não admitiu o recurso especial interposto por ALDENORA FERREIRA DA SILVA e OUTRAS, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, desafiando acórdão do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba assim ementado (e-STJ, fl . 269): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. BOLSA DESEMPENHO AO GRUPO DO MAGISTÉRIO. PROFESSORAS. INATIVIDADE. IMPLANTAÇÃO COM FUNDAMENTO NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. VERBA REGULAMENTADA PELO DECRETO Nº 32.160, DE 26 DE MAIO 2011. RUBRICA EVENTUAL E TRANSITÓRIA NÃO INCORPORADA À REMUNERAÇÃO. DESPROVIMENTO. A Bolsa de Desempenho Profissional, instituída pela Lei nº 9.383/2011, e regulamentada pelo Decreto nº 32.160/2011 possui um caráter nitidamente eventual e transitório, não se enquadrando na categoria de vantagem permanente peremptoriamente exigida à incorporação de rubricas por força da paridade entre vencimentos/proventos. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 320-328). Nas razões do apelo especial (e-STJ, fls. 332-353), as recorrentes apontaram ofensa aos arts. 1.022, II, e 1.035 do Código de Processo Civil de 2015; 2º, III, da Lei Estadual n. 9.383/2011; e 2º, § 2º, da Lei n. 11.738/2008. Sustentaram, em síntese, que houve negativa de prestação jurisdicional, aduzindo que o Tribunal de origem não apreciou os questionamentos deduzidos nos embargos de declaração, notadamente sobre a "possibilidade de extensão a servidores inativos de gratificação atribuída a professores em efetivo exercício da docência na rede pública estadual de ensino, por ser ela dotada de caráter geral" (e-STJ, fl. 338), além da tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 596.962/MT. Argumentaram que o Governador do Estado, através do Decreto n. 32.160/2011, concedeu a "bolsa desempenho profissional" de forma genérica a todos os servidores do grupo ocupacional magistério. Ponderaram que não foi regulamentado o ciclo de desempenho, não havendo regulamentação específica que caracterize a referida gratificação como propter laborem ou pro labore faciendo. Defenderam, assim, a extensão da gratificação a todos os servidores inativos e pensionistas do magiste"rio com direito a paridade e integralidade. Ressaltaram que "a Bolsa Desempenho do Magistério foi criada com animus de ser uma gratificação genérica, uma vez inexistente qualquer critério para seu recebimento, a não ser exercer as atividades de magistério" (e-STJ, fl. 343). Contrarrazões apresentadas às fls. 388-391 e 393-396 (e-STJ). O processamento do apelo extremo não foi admitido pela Corte de origem (e-STJ, fls. 407-410), levando a parte insurgente a interpor o presente agravo às fls. 417-439 (e-STJ). Contraminuta às fls. 462-463 (e-STJ). Brevemente relatado, decido. Verifica-se que o acórdão estadual resolveu satisfatoriamente as questões deduzidas no processo, sem incorrer nos vícios de obscuridade, contradição ou omissão com relação a ponto controvertido relevante, cujo exame pudesse levar a um diferente resultado na prestação de tutela jurisdicional. Assim, tendo o Tribunal de origem decidido de modo claro e fundamentado, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese, inexistem vícios suscetíveis de correção por meios dos embargos de declaração apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão das recorrentes. Conforme assente na jurisprudência, o órgão julgador não é obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa das teses apresentadas. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução, o que foi feito no caso. Nesse contexto, esta Corte já se manifestou no sentido de que não há que se confundir decisão contrária aos interesses da parte e negativa de prestação jurisdicional, nem fundamentação sucinta com ausência de fundamentação. Veja-se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULA 284/STF. ILEGALIDADE NO DÉBITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. INVERSÃO DO JULGADO. INVIABILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. PROVIMENTO NEGADO. 1. Inexiste a alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, consoante se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de erro, omissão, contradição ou obscuridade. Ressalta-se que julgamento diverso do pretendido, como neste caso, não implica ofensa aos dispositivos de lei invocados. 2. Para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ausência de enfrentamento pelo Tribunal de origem da matéria impugnada, objeto do recurso, não obstante a oposição de embargos de declaração, impede o acesso à instância especial, porque não foi preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Aplicação da Súmula 211/STJ. 3. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil (CPC) e a ausência de prequestionamento, incidindo, no presente caso, a Súmula 211/STJ quanto às teses invocadas pela parte recorrente, as quais não são debatidas pelo Tribunal de origem por entender a Corte a quo serem suficientes para a solução da controvérsia outros fundamentos utilizados no acórdão recorrido. Precedentes. 4. O dispositivo apontado como violado (art. 142 do Código Tributário Nacional) não contém comando capaz de infirmar os fundamentos do acórdão recorrido e é incapaz de amparar as teses recursais. Aplicação, por analogia, da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF). 5. O Tribunal de origem concluiu que não existira ilegalidade no débito tributário em questão, uma vez que ele não havia decorrido de mera presunção, pois, além da confissão da dívida, o cálculo do tributo tinha sido pautado em planilhas extraídas do Livro de Registro de Entrada, com anotação da própria parte recorrente. 6. Entendimento diverso implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e das provas. Incidência da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no presente caso. 7. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.996.201/GO, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 7/10/2024, DJe de 14/10/2024.) Portanto, não há falar em negativa de prestação jurisdicional, tendo o acórdão julgado a causa sob a ótica do direito que entendeu pertinente à hipótese. O TJPB, ao analisar a alegada necessidade de incorporação aos proventos da vantagem denominada "bolsa de desempenho profissional", foi enfático nas razões de decidir (e-STJ, fl. 272, sem grifos no original): O contexto das normas que regulamentam o adimplemento do "bolsa desempenho profissional" não possui caráter permanente e genérico, mas, meramente eventual e transitório, considerando que se restringem a determinados servidores que se encontrem em efetivo exercício. A vantagem requerida, portanto, somente é devida ao servidor que estiver exercendo suas atribuições de docente, cessando quando do afastamento ou da aposentadoria. Outrossim, o conteúdo do dispositivo legal reforça o caráter propter laborem, o que impede o pagamento da prestação aos aposentados e pensionistas. .. Como o pagamento da bolsa de desempenho profissional está vinculado à atuação do professor, resta caracterizada a natureza transitória da verba, não podendo ser incorporada aos proventos dos inativos. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO AO APELO, mantendo incólume a sentença recorrida. Como visto, o acórdão estadual consignou que a vantagem postulada possui caráter eventual e transitório, sendo devida somente ao servidor que estiver exercendo suas atribuições de magistério. A questão em debate envolve, ademais, análise de legislação local (Lei Estadual n. 9.383/2011), acerca do direito pleiteado, o que encontra óbice na Súmula 280 do Supremo Tribunal Federal ("Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário"). A título exemplificativo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIÇOS DE SUPORTE TÉCNICO E PROCESSAMENTO DE DADOS. ISS. ANÁLISE DE CONTRATOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. LEI COMPLEMENTAR MUNICIPAL 14.107/2005. LEGISLAÇÃO LOCAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME. SÚMULA 280 DO STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. PROVIMENTO NEGADO. 1. O Tribunal de origem decidiu, após a análise de provas e do contrato, que os serviços contratados e prestados não estariam restritos à mera prestação de serviços de suporte técnico. Entendimento diverso implicaria o reexame de contratos e do contexto fático-probatório dos autos, circunstâncias que redundariam na formação de novo juízo acerca dos fatos e das provas. Incidência das Súmulas 5 e 7 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no presente caso. 2. Na hipótese de a reforma do acórdão recorrido demandar a interpretação de normas locais, o recurso especial é inviável. Aplicação, por analogia, da Súmula 280 do Supremo Tribunal Federal (STF). 3. É pacífico o entendimento desta Corte Superior de que os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c, ficando prejudicada a apreciação do dissídio jurisprudencial referente ao mesmo dispositivo de lei federal apontado como violado ou à tese jurídica. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.139.382/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 28/10/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE COBRANÇA. RESSARCIMENTO DE VALORES PAGOS EM SEDE DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. EXTINTA "NOSSA CAIXA". ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, §1º, IV E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. REVISÃO DE PROVAS E DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. LEI N. 13.286/2008. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 280 DO STF. ART. 85, §2º, DO CPC/2015. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. DIVERGÊNCIA JURISPUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O acórdão recorrido não possui as omissões suscitadas pela parte recorrente, mas apresentou, concretamente, os fundamentos que justificaram a sua conclusão. Como é cediço, o Julgador não está obrigado a rebater, individualmente, todos os argumentos suscitados pelas partes, sendo suficiente que demonstre, fundamentadamente, as razões do seu convencimento. 2. Considerando a fundamentação do acórdão objeto do recurso especial, os argumentos utilizados pela parte recorrente somente poderiam ter sua procedência verificada mediante o necessário reexame de matéria fática e de cláusulas contratuais, não cabendo a esta Corte, a fim de alcançar conclusão diversa, reavaliar o conjunto probatório dos autos, em conformidade com as Súmulas 5 e 7 do STJ. 3. O acórdão recorrido decidiu a matéria a partir da interpretação de dispositivos de legislação estadual, o que interdita o exame do recurso especial. Com efeito, nos termos da Súmula n. 280 do STF, aplicável ao caso por analogia: " p or ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário." 4. O Tribunal de origem não apreciou a tese de afronta ao art. 85, §2º, do CPC/2015 e essa questão não foi suscitada nos embargos de declaração opostos na origem. Ausência de prequestionamento. Incidência das Súmulas n. 282 e 356, ambas do STF. 5. No tocante ao alegado dissenso jurisprudencial, o cotejo analítico nos moldes exigidos no art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e no art. 255, § 1º, do RISTJ, ou seja, com a transcrição de trechos dos acórdão recorrido e paradigma, demonstrando a similitude fática e o dissenso na interpretação do dispositivo de lei federal, sendo que a simples transcrição das ementas não satisfaz esse requisito recursal. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.931.742/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 10/6/2024, DJe de 13/6/2024.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro os honorários em R$ 300,00 (trezentos reais), ressalvado o benefício da assistência judiciária gratuita. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. SUFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. BOLSA DESEMPENHO AO GRUPO DO MAGISTÉRIO. INATIVIDADE. CONTROVÉRSIA DIRIMIDA COM SUPORTE EM LEI LOCAL. SÚMULA 280/STF. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO.