AREsp 2559281 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para admitir parcialmente o recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou que não houve demonstração de preterição nem inconstitucionalidade do cadastro de reserva; além disso, o recorrente não demonstrou prequestionamento...
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- Parties
- Recorrente: WILLIAM GUSTAVO OURIVEIS MACIEL; Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO (MPU)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Julgamento Do Agravo E Do Recurso Especial
- Outcome
- conheço do agravo parcialmente e nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Nomeação Em Concurso Público, Cadastro De Reserva, Preterição, Prequestionamento Ficto, Dissídio Jurisprudencial, Honorários Sucumbenciais
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Parties
WILLIAM GUSTAVO OURIVEIS MACIEL
Recorrente
MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO (MPU)
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Julgamento Do Agravo E Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Direito subjetivo à nomeação de candidatos aprovados fora do número de vagas previstas no edital
- 2 requisitos para configuração de preterição arbitrária e imotivada
- 3 requisitos de prequestionamento para conhecimento do recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para admitir parcialmente o recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou que não houve demonstração de preterição nem inconstitucionalidade do cadastro de reserva; além disso, o recorrente não demonstrou prequestionamento quanto às normas invocadas nem procedeu ao cotejo analítico exigido para demonstrar dissídio jurisprudencial, tornando deficiente a fundamentação da insurgência quanto à Lei 12.321/2010.
Court Disposition
conheço do agravo parcialmente e nego provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego provimento ao recurso especial
- Majoro em 10% (dez por cento) o valor de honorários sucumbenciais em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, §11, do CPC
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto da decisão que não admitiu o recurso especial pelo qual WILLIAM GUSTAVO OURIVEIS MACIEL se insurgira, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal, contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO assim ementado (fls. 235/236): CONCURSO PÚBLICO. MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO (MPU). EDITAL N. 1/2010. APROVAÇÃO EM CADASTRO DE RESERVA. EXPECTATIVA DE DIREITO A NOMEAÇÃO. PRETERIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. 1. Apelação interposta pela parte autora contra sentença, de fls. 175-182, proferida em ação versando sobre nomeação de candidato aprovado em concurso público, na qual foi julgado improcedente pedido para "determinação de que a requerida nomeie o requerente no concurso no qual foi aprovado". 2. Na sentença, considerou-se: a) "possui direito à nomeação os candidatos aprovados dentro do número de vagas ofertadas no concurso, ficando a nomeação dos demais dentro da discricionariedade da Administração, que deve considerar não só a existência de cargos vagos e a necessidade do momento, mas fatores outros como a disponibilidade de recursos, ou mesmo se a necessidade do serviço público é transitória ou permanente"; b) "não verifico inconstitucionalidade na realização de concurso público para formação de cadastro de reserva, admitido pela jurisprudência pátria, por e constituir um banco de dados de candidatos aprovados para fins de futuras nomeações, no caso de surgimento de vagas ou preterição ilegal, como forma de dar concretude ao art. 37, IV, da CRFB"; c) "a parte autora possui apenas mera expectativa de direito de ser convocada, não tendo comprovado o surgimento de novas vagas no período de validade do concurso público, e nem a preterição na nomeação em face de novas nomeações, contratações ou prorrogações de contratos temporários". 3. No RE 837.311/PI, o Supremo Tribunal Federal decidiu, sob o regime de repercussão geral, que "o surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo, durante o prazo de validade do certame anterior, não gera automaticamente o direito à nomeação dos candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por parte da administração, caracterizadas por comportamento tácito ou expresso do Poder Público capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de validade do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. Assim, a discricionariedade da Administração quanto à convocação de aprovados em concurso público fica reduzida ao patamar zero (Ermessensreduzierung auf Null), fazendo exsurgir o direito subjetivo à nomeação, verbi gratia, nas seguintes hipóteses excepcionais: i) Quando a aprovação ocorrer dentro do número de vagas dentro do edital (RE 598.099); ii) Quando houver preterição na nomeação por não observância da ordem de classificação (Súmula 15 do STF); iii) Quando surgirem novas vagas, ou for aberto novo concurso durante a validade do certame anterior, e ocorrer a preterição de candidatos aprovados fora das vagas de forma arbitrária e imotivada por parte da administração nos termos acima" (Ministro Luiz Fux, Pleno, DJe de 18/04/2016). 4. Não ficou demonstrada preterição na ordem de convocação dos candidatos aprovados no certame, nem há inconstitucionalidade na previsão de cadastro de reserva, porquanto o edital de abertura trouxe quadro de vagas com previsão de provimento de cargos distribuídos por todo o país. O fato de não haver previsão de vaga para a especialidade do apelante, na localidade específica para a qual concorreu, situa-se dentro da margem de discricionariedade da Administração. 5. Revestida de juridicidade a conduta da Administração, não há falar em indenização por danos morais. 6. Negado provimento à apelação. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 266/276). Nas razões de seu recurso especial, a parte recorrente alega que houve violação ao art. 489, § 1º, IV, do Código de Processo Civil (CPC), ao art. 2º da Lei 9.784/1999 e à Lei 12.321/2010. Afirma ter direito subjetivo à nomeação para o cargo de Analista de Informática (especialidade Banco de Dados) do Ministério Público da União, uma vez que foram criadas vagas pela Lei 12.321/2010 durante o prazo de validade do concurso, mas não houve convocação dos aprovados (fls. 284/285). Alega que o acórdão recorrido não enfrentou todos os argumentos apresentados, especialmente o fato de ter sido aprovado em segundo lugar, a existência de vagas criadas e a dotação orçamentária, violando o dever de fundamentação (fls. 290/291). Pontua que (fl. 291): .. além de desrespeitar a finalidade do concurso público, um dos princípios basilares dos atos administrativos, conforme - previsto no art. 2º da Lei 9.784/99, houve inobservância e afronta à Lei 12.321/2010, que criou vagas que deveriam ser preenchidas pelos candidatos que estavam aprovados no cadastro de reservas, inclusive pelo Recorrente. Requer que seja dado provimento ao recurso. A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 309/319). O recurso não foi admitido, razão pela qual foi interposto o agravo em recurso especial ora em análise. É o relatório. A decisão de admissibilidade foi devidamente refutada na petição de agravo e, por isso, passo ao exame do recurso especial. Inexiste a alegada violação do art. 489 do Código de Processo Civil, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia. Conforme é possível observar do excerto que será aqui reproduzido, a Corte distrital, com fundamento na orientação do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da nomeação de candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital do certame, expressamente reconheceu que não houvera demonstração de preterição na ordem de convocação. Também afastou a alegada inconstitucionalidade da previsão de cadastro de reserva, pois o edital de abertura trouxera quadro de vagas com previsão de provimento de cargos distribuídos por todo o país. Assim, o Tribunal de origem concluiu que o fato de não ter havido previsão de vaga para a especialidade da parte ora recorrente na localidade específica para a qual concorrera estaria dentro da margem de discricionariedade da administração pública - não ensejando a indenização por danos morais pretendida. A seguir segue o excerto do acórdão (fls. 233/235): No tocante aos candidatos aprovados fora do número de vagas divulgadas no edital de concurso público, a orientação do Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, é: .. Para candidatos aprovados fora do número de vagas previstas no edital, exsurge direito subjetivo à nomeação apenas quando houver arbitrária preterição ou a Administração nomear candidatos de concurso público posterior realizado na vigência de outro com cadastro de reserva. A parte apelante alega ter sido preterida quanto à nomeação e posse no cargo público para o qual fora aprovada em concurso, em face da existência de cargos vagos e disponibilidade orçamentária. Sustenta inconstitucionalidade do edital, que previu apenas a formação de cadastro de reserva para o cargo a que concorreu. Não ficou demonstrada preterição na ordem de convocação dos candidatos aprovados no certame, nem há inconstitucionalidade na previsão de cadastro de reserva, porquanto o edital de abertura trouxe quadro de vagas com previsão de provimento de cargos distribuídos por todo o país (fls. 59-76). O fato de não haver previsão de vaga para a especialidade do apelante, na localidade específica para a qual concorreu, situa-se dentro da margem de discricionariedade da Administração. As conclusões da sentença estão de acordo com a jurisprudência desta Corte e dos Tribunais Superiores. Revestida de juridicidade a conduta da Administração, não há falar em indenização por danos morais. É importante ressaltar que julgamento diverso do pretendido, como no presente caso, não implica ofensa ao dispositivo de lei invocado. Em seu recurso, a parte recorrente apontou como violado o art. 2º da Lei 9.784/1999. O acórdão recorrido, entretanto, não decidiu a causa por meio da aplicação do dispositivo legal tido por violado. Essa circunstância revela a ausência de prequestionamento, a impedir o conhecimento do recurso especial nos termos da Súmula 282 do Supremo Tribunal Federal (STF), aplicada por analogia. Conforme o entendimento desta Corte Superior, a aplicação do prequestionamento ficto previsto no art. 1.025 do Código de Processo Civil (CPC) exige, concomitantemente, a oposição dos embargos de declaração na Corte de origem, a indicação, no recurso especial, da ofensa ao art. 1.022 do CPC, especificamente quanto à questão que se pretende ver analisada e o reconhecimento do vício (omissão, contradição, erro de fato ou obscuridade) por este Tribunal Superior. Constato não ser esse o caso dos autos, pois não foi alegada violação do art. 1.022 do CPC nas razões recursais. A Primeira Turma deste Tribunal já decidiu o seguinte: "Nos termos da orientação consolidada neste Superior Tribunal, para a configuração do prequestionamento ficto, previsto no art. 1.025 do CPC/2015, impõe-se que se alegue, nas razões do recurso especial, violação ao art. 1.022, II, do mesmo estatuto processual, apontando-se, de forma clara, objetiva e devidamente fundamentada, a omissão acerca da matéria impugnada, o que não ocorreu" (AgInt no REsp n. 2.054.046/SC, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 16/8/2023). Ainda no mesmo sentido, cito estes outros julgados da Primeira Turma: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DESMORONAMENTO DE IMÓVEL VIZINHO. RISCO DE DESABAMENTO. ART. 70 DA LEI 8.666/93. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DANOS MORAIS. REVISÃO DO VALOR INDENIZATÓRIO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. O Tribunal de origem não examinou a tese recursal sob o enfoque pretendido, apesar de instado a fazê-lo por meio dos competentes embargos de declaração. Assim, caberia à parte recorrente, nas razões do apelo especial, indicar ofensa ao art. 1.022 do CPC, alegando a existência de possível omissão, providência da qual não se desincumbiu. Incide, pois, o óbice da Súmula 211/STJ ("Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo"). 2. Este Superior Tribunal firmou a compreensão de que "a admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada violação ao art. 1.022 do CPC/15, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei" (REsp 1639314/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 4/4/2017, DJe 10/4/2017). .. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.072.402/BA, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 5/12/2022, DJe de 7/12/2022.) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VÍCIO DE INTEGRAÇÃO. INDICAÇÃO PORMENORIZADA. AUSÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO FICTO. INOCORRÊNCIA. FATO NOVO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. .. 2. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de embargos declaratórios, impede seu conhecimento, de acordo com a Súmula 211 do STJ. 3. Segundo o entendimento desta Corte de Justiça, para que seja reconhecido o prequestionamento ficto de que trata o art. 1.025 do CPC/2015, na via do especial, impõe-se a indicação e o reconhecimento pelo STJ de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 especificamente quanto à questão que se pretende ver analisada, o que não se constata no caso. .. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.074.550/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 3/10/2022.) Quanto à alegada violação à Lei 12.321/2010, o recurso especial encontra-se deficientemente fundamentado uma vez que não foi indicado expressamente qual dispositivo de lei federal teria sido contrariado no acórdão recorrido, ou seria objeto de dissídio interpretativo. Incide no presente caso, por analogia, a Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF): "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. MORTE DENTRO DA PRISÃO. CARÊNCIA DE PROVA DOS RENDIMENTOS DO FALECIDO OU DE SEUS GASTOS PARA COM OS FILHOS. MONTANTE DOS ALIMENTOS REDUZIDO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS ARTIGOS VIOLADOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. REDUÇÃO DO VALOR DA PENSÃO ALIMENTÍCIA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É inadmissível o recurso especial que deixa de apontar o dispositivo de lei federal que o Tribunal de origem teria violado, incidindo a Súmula 284 do STF. .. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.803.437/MS, relator Ministro Manoel Erhardt - Desembargador Convocado do TRF5, Primeira Turma, julgado em 27/9/2021, DJe de 29/9/2021, sem destaques no original.) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIÇO DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA RECORRENTE E ATIVA DO AUTOR. SUPOSTA VIOLAÇÃO ÀS LEIS Nº 7.347/85, 8.078/90 E 11.445/2007. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO ESPECÍFICA DOS DISPOSITIVOS SUPOSTAMENTE VIOLADOS PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 284/STF. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. DANOS MORAIS. LAUDO PERICIAL. ACÓRDÃO BASEADO NO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. ACÓRDÃO FUNDAMENTADO EM MATÉRIA CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE DE ANÁLISE EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não havendo a indicação precisa e específica dos dispositivos legais supostamente violados, é inadmissível o inconformismo por deficiência na sua fundamentação. Aplicação da Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal. .. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.859.333/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 14/9/2021, DJe de 16/9/2021, sem destaques no original.) Para o Superior Tribunal de Justiça, a parte recorrente deve proceder ao cotejo analítico entre os julgados comparados e transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio jurisprudencial, sendo insuficiente, para tanto, a mera transcrição de ementa, pois a demonstração da divergência jurisprudencial deve ser manifestada de forma escorreita, com a necessária demonstração de similitude fática entre os acórdãos confrontados; a inobservância do art. 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO PARA IMPUGNAR DECISÃO QUE DEFERIU LIMINAR EM PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA. NÃO CABIMENTO. ART. 382, § 4º, DO CPC/2015. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. .. 3. Não se conhece do recurso especial interposto com base na alínea "c" do permissivo constitucional quando a divergência não é demonstrada nos termos em que exigido pela legislação processual de regência (1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ). Na espécie, o dissídio não foi comprovado, tendo em vista que não foi realizado o devido cotejo analítico, com a demonstração clara do dissídio entre os casos confrontados, identificando os trechos que os assemelhem, não se oferecendo, como bastante, a simples transcrição de ementas ou votos. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.893.155/PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 28/4/2021, sem destaque no original.) ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. ABONO PERMANÊNCIA. PRESCRIÇÃO. ALEGAÇÃO DE RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. INCABÍVEL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. ACÓRDÃO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 83. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. .. VII - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. VIII - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.656.796/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 29/4/2021, sem destaque no original.) No caso dos autos, a parte recorrente não procedeu ao devido cotejo analítico dos julgados confrontados, apenas transcreveu suas ementas. Ademais, é pacífico o entendimento desta Corte Superior de que os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c; em razão disso fica prejudicada a apreciação do dissídio jurisprudencial referente ao mesmo dispositivo de lei federal apontado como violado ou à tese jurídica. A propósito, confiram-se as decisões proferidas nestes processos: (1) Aglnt no REsp 1.878.337/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 16/12/2020, DJe de 18/12/2020; e (2) Aglnt no REsp 1.503.880/PE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 27/2/2018, DJe de 8/3/2018. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, a ele negar provimento. Majoro em 10% (dez por cento), em desfavor da parte recorrente, o valor de honorários sucumbenciais já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos no § 2º desse dispositivo, bem como os termos do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA