AREsp 2708754 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque o recorrente não impugnou de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido e não demonstrou dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico; além disso, o acórdão considerou que a autuação em flagrante pela recusa ao bafômetro e a...
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- Parties
- Agravante: REGINALDO MARGARIDO RAMOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo (em Face De Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial) / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Notificação De Infração, Recusa Ao Teste Do Etilômetro (bafômetro), Dupla Notificação, Admissibilidade De Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 284 STF, Súmula 312 STJ
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Parties
REGINALDO MARGARIDO RAMOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo (em Face De Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial) / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 validação/invalidade do auto de infração por ausência de menção ao prazo para defesa (art. 281-A CTB)
- 2 obrigatoriedade da dupla notificação ao condutor/proprietário (arts. 281, 281-A e 282 do CTB)
- 3 se a notificação ao proprietário em autuação em flagrante supre a necessidade de notificação ao condutor
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque o recorrente não impugnou de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido e não demonstrou dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico; além disso, o acórdão considerou que a autuação em flagrante pela recusa ao bafômetro e a notificação ao proprietário tornam desnecessária a dupla notificação ao condutor nas circunstâncias dos autos.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por REGINALDO MARGARIDO RAMOS à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: APELAÇÃO - MANDADO DE SEGURANÇA - RECUSA AO TESTE DE ETILÔMETRO - FLAGRANTE RECUSA À ASSINATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - NECESSIDADE DE DUPLA NOTIFICAÇÃO - INVALIDAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE - NOTIFICAÇÃO ENVIADA AO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO - PRECEDENTE DO E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega afronta e interpretação jurisprudencial divergente dos arts. 281, § 1º, II, 281-A e 282 do CTB, no que concerne à invalidade da notificação de infração tendo em vista que não foi realizada de acordo com os procedimentos previstos na lei, trazendo a seguinte argumentação: Os Doutos Desembargadores componentes da 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por meio do v. acórdão de fls. 79/84, negaram provimento à apelação do recorrente, mantendo a r. sentença de fls. 41/46, ainda que por outros fundamentos, que não aplicou corretamente a legislação e a jurisprudência invocadas pelo recorrente, desde a petição inicial de fls. 1/6, ou seja, foi ignorado que não houve a menção, no auto de infração de trânsito, do prazo para apresentação da defesa, nos termos do que determina o art. 281-A, do CTB, bem como que não foi expedida a notificação para o recorrente apresentar defesa (notificação da autuação), tampouco recurso à JARI (notificação da imposição da penalidade), o que viola o quanto disposto na Súmula nº 312, deste C. STJ. Para manter a r. sentença, em apelação do recorrente, constou no v. acórdão de fls. 79/84, que o recorrido teria notificado o recorrente, no momento da lavratura do auto de infração, MESMO SEM CONTER A ASSINATURA DO INFRATOR E O NÃO RECEBIMENTO DA SEGUNDA VIA DA INFRAÇÃO. Ocorre que, está sendo flagrantemente ignorado o fato de que no auto de infração de trânsito nº C355347174 (fl. 12), não consta o prazo para apresentação de defesa, conforme determina o art. 281-A, do Código de Trânsito Brasileiro - CTB, que assim dispõe: .. Apenas por tal fato, o auto de infração já deve ser considerado nulo, por desrespeito e negativa de vigência a dispositivo de lei (art. 281-A, do CTB), que impõe que conste o prazo para apresentação de defesa prévia, o que não foi feito pelo recorrido. Não sendo posto o prazo para a defesa prévia, nos termos do art. 281-A, do CTB, deveria o recorrido expedir, para o endereço da recorrente, a notificação para a defesa prévia, constando, inclusive, o prazo para a apresentação da referida defesa, o que não aconteceu. Não consta qualquer expedição de notificação para o endereço do recorrente, já que o recorrido sequer apresentou as informações, o que denota que sequer expediu as notificações. Conforme se nota, a dupla notificação para o recorrente não foi expedida. O v. acórdão recorrido, assim dispõe para manter a equivocada sentença proferida em primeiro grau, no sentido de que é desnecessária a dupla notificação ao condutor, podendo ser apenas ao proprietário, contrariando o quanto determina a Súmula 312 deste C. STJ e a jurisprudência recente desta mesma Corte Cidadã: .. Mais uma vez, pelos trechos acima colacionados, nota-se que foi, realmente, maltratado os artigos 281-A, 281, § 1º, inciso II e 282, do CTB. A comprovação inequívoca da falta da dupla notificação está no fato de o recorrido não juntar qualquer documento ao menos demonstrando a expedição da notificação. O entendimento esposado no v. acórdão recorrido diverge totalmente do entendimento firmado por este egrégio Superior Tribunal de Justiça (RECURSO ESPECIAL Nº 1875132 - RS (2020/0117201-9), que, confirmou a Apelação Cível nº 70077522209, que, por sua vez, improveu o recurso do Detran/RS contra a sentença proferida na Ação Coletiva 001/1.16.0117078-6, promovida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul), ainda mais quando sequer foi comprovada o envio das notificações para o condutor se defender e recorrer, conforme se pode observar abaixo: .. Nesse sentido é a construção jurisprudencial pacífica deste egrégio Superior Tribunal de Justiça - STJ, conforme segue a ementa "in verbis": .. O acórdão referente ao trecho extraído e da ementa acima colacionada, segue em anexo e na íntegra, para melhor instruir o presente recurso. Do mesmo modo é o entendimento majoritário do próprio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, apenas para título de ilustração e argumentação da forte tese recursal: .. Diante disso, restou demonstrado que não foi observado no v. acórdão recorrido a aplicabilidade do art. 281-A, bem como dos artigos 281, § 1º, inciso II e art. 282, § 3º, todos do CTB, sem contar da já pacificada jurisprudência desta Corte Cidadã. Como o recorrente foi devidamente identificado, tais notificações deveriam ter sido encaminhadas ao endereço cadastrado no prontuário de condutor do recorrente junto às autoridades de trânsito. É o que dispõe o artigo 282, caput, do Código de Trânsito Brasileiro (grifos próprios): .. A expressão disjuntiva "ao proprietário do veículo ou ao infrator" deve ser interpretada como referente ao responsável pela infração, sujeito à imposição das respectivas penalidades, sendo este o proprietário, mas apenas quando nele se confundir a figura do infrator ou nos demais casos previstos no CTB. Não havendo confusão entre proprietário e infrator, e tendo o autor se identificado tempestivamente, deve a notificação ser expedida ao condutor infrator. Ocorre que, como acima apontado, as notificações não foram emitidas e enviadas, e que assim não pode exercer o seu direito de contraditório e defesa na esfera administrativa. Daí porque de rigor a anulação do auto de infração, por ausência de envio da dupla notificação, conforme obrigação legalmente imposta às autoridades de trânsito. (fls. 91-97 ). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Segundo consta dos autos, o AI nº C355348174 foi lavrado em 07.06.2020 contra o impetrante em razão de recusa a se submeter ao teste do bafômetro, recusando-se, ainda, a assinar e receber a segunda via do auto de infração. .. Como é cediço, a recusa ao teste do bafômetro, por si só, configura infração autônoma e, a autuação em flagrante dispensa nova notificação para o início do prazo de defesa, já que o infrator é cientificado pessoalmente. Na hipótese, conquanto tenha o condutor recusado à assinatura do auto de infração em flagrante lavrado em seu desfavor, houve a notificação do proprietário do veículo (fls. 29/32), a quem compete indicar o real infrator, não havendo, portanto, violação ao contraditório e à ampla defesa, consoante orientação do Superior Tribunal de Justiça: .. (fls. 81-83). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24.8.2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19.11.2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27.8.2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2.5.2018. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Por fim, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pela ausência de impugnação específica dos fundamentos do acórdão recorrido. Assim, quando remanesce incólume fundamento capaz por si só de manter o acórdão recorrido, impõe-se o reconhecimento da inexistência de identidade jurídica entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA