REsp 2208247 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial porque a Procuradoria do Município foi devidamente intimada pelo painel do PJe e a intimação eletrônica a procuradores cadastrados é considerada pessoal segundo a Lei 11.419/2006 e a jurisprudência do STJ; o Município teve ciência inequívoca da sentença e exerceu...
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- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE BELO JARDIM; Recorrida: PARTICULAR (AUTORA)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 May 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Final (negado Provimento)
- Outcome
- Recurso Especial negado provimento
- Legal Topics
- Nulidade Da Citação, Intimação Eletrônica Da Fazenda Pública (pje), Teto Remuneratório, Acumulação Lícita De Cargos, Descontos Em Vencimentos E Processo Administrativo Prévio
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Parties
MUNICÍPIO DE BELO JARDIM
Recorrente
PARTICULAR (AUTORA)
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Final (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 nulidade da citação por ausência de intimação pessoal da Fazenda Pública
- 2 validade da intimação eletrônica realizada pelo painel do PJe como intimação pessoal
- 3 aplicação do teto remuneratório (art. 37, XI, CF) em casos de acumulação lícita de cargos
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque a Procuradoria do Município foi devidamente intimada pelo painel do PJe e a intimação eletrônica a procuradores cadastrados é considerada pessoal segundo a Lei 11.419/2006 e a jurisprudência do STJ; o Município teve ciência inequívoca da sentença e exerceu tempestivamente o direito de recorrer, não havendo prejuízo que justificasse a nulidade dos atos processuais apontados com base nos dispositivos do CPC indicados.
Court Disposition
Recurso Especial negado provimento
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo MUNICÍPIO DE BELO JARDIM com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal. Na origem, a particular ajuizou ação ordinária tendo como objetivo a anulação de ato administrativo do ente municipal que determinou a devolução de parte dos vencimentos da autora que ultrapassassem o limite do teto constitucional aplicado ao município, com valor da causa atribuído em R$ 39.719,79 (trinta e nove mil, setecentos e dezenove reais e setenta e nove centavos), em outubro de 2022. Após sentença que julgou procedente o pedido, foi interposta apelação, a qual foi improvida pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO em acórdão assim ementado: DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA DE ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO. PRELIMINAR DE NULIDADE DA CITAÇÃO. MÉRITO. SERVIDOR PÚBLICO. ACUMULAÇÃO LÍCITA DE CARGOS. TETO REMUNERATÓRIO. RECURSO DESPROVIDO. 1 - A intimação da Fazenda Pública realizada por meio eletrônico no painel do PJE é considerada pessoal para todos os efeitos legais, nos termos do § 5º do art. 6º da Lei nº 11.419/06. 2 - Não há nulidade da citação quando o ente público demonstra ciência inequívoca do processo, apresentando defesa tempestiva. 3 - Nos casos de acumulação lícita de cargos, o teto remuneratório previsto no art. 37, XI da Constituição Federal deve ser considerado em relação a cada vínculo isoladamente, e não sobre o somatório das remunerações. 4 - É ilegal o ato administrativo que determina corte nos vencimentos de servidor público com base no somatório das remunerações de cargos licitamente acumulados. 5 - A ausência de regular processo administrativo prévio à efetivação de descontos nos vencimentos do servidor público macula o ato impugnado. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. No presente recurso especial, o ente municipal aponta violação dos arts. 242, caput e § 3º; 246, § 1º e § lº-A; 247, III; 280, 281 e 75, III, do CPC. Sustenta, em síntese, nulidade em decorrência da ausência de citação pessoal da Fazenda Pública. Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. Sobre a citação eletrônica da Fazenda Pública, o acórdão recorrido assim consignou à fl. 281: No caso em tela, consoante se verifica dos autos, a Procuradoria do Munícipio foi devidamente intimada pelo painel do PJE, assim, nos termos do § 5º do art. 6º da Lei n.º 11.419/06, as intimações feitas por meio eletrônico, inclusive da Fazenda Pública, são consideradas pessoais para todos os efeitos legais, de modo que não há que se falar em nulidade no caso. Ademais, o próprio Município reconheceu em suas razões recursais que teve ciência da sentença em 22/01/2024, tendo inclusive interposto tempestivamente o presente recurso de apelação. Não se vislumbra, portanto, qualquer prejuízo à defesa do ente público que justifique a anulação dos atos processuais. O entendimento adotado no acórdão recorrido encontra-se em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que de acordo com o § 6º do art. 5º da Lei 11.419/2006, as intimações feitas por meio eletrônico, em portal próprio, aos que se cadastrarem na forma do art. 2º desta Lei, inclusive a Fazenda Pública, serão consideradas pessoais, para todos os efeitos legais. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE COMBATE A FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS DO ACÓRDÃO. APLICAÇÃO DO ÓBICE DA SÚMULA N. 283/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DO PROCURADOR FEDERAL, POR VIA ELETRÔNICA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. INADEQUADA AO CASO CONCRETO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A falta de combate a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido justifica a aplicação, por analogia, da Súmula n. 283 do Supremo Tribunal Federal. III - É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual de acordo com o § 6º do art. 5º da Lei 11.419/2006, as intimações feitas por meio eletrônico, em portal próprio, aos que se cadastrarem na forma do art. 2º desta Lei, inclusive a Fazenda Pública, serão consideradas pessoais, para todos os efeitos legais IV - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.004.884/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 24/8/2022.) RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚM. 284/STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚM. 211/STJ. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚM. 283/STF. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. ART. 12 DO DECRETO-LEI 509/69. EQUIPARAÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. PRERROGATIVA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. INAPLICABILIDADE. INTIMAÇÃO NA PESSOA DO ADVOGADO CADASTRADO NO SISTEMA PJE. VALIDADE. JULGAMENTO: CPC/73. 1. Ação de cobrança ajuizada em 05/12/2013, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 04/09/2015 e atribuído ao gabinete em 25/08/2016. 2. O propósito recursal é dizer sobre a validade da intimação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, realizada na pessoa do advogado cadastrado no sistema PJe. 3. Os argumentos invocados pela recorrente não demonstram como o Tribunal de origem ofendeu os dispositivos legais indicados, o que importa na inviabilidade do recurso especial ante a incidência da Súmula 284/STF. 4. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados impede o conhecimento do recurso especial. 5. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado - quando suficiente para a manutenção de suas conclusões - impede a apreciação do recurso especial. Súm. 283/STF. 6. A mera referência aos dispositivos legais e ao princípio sobre os quais se alega incidir a omissão, sem demonstrar, concretamente, o ponto omitido, sobre o qual deveria ter se pronunciado o Tribunal de origem, e sem evidenciar a efetiva relevância da questão para a resolução da controvérsia, não é apta a anulação do acórdão por negativa de prestação jurisdicional. 7. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e suficientemente fundamentado o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há falar em violação do art. 535, II, do CPC/73. 8. O STF firmou o entendimento, a partir do julgamento do RE 220.907/RO (julgado em 12/06/2001, DJ de 31/08/2001), no sentido de que a ECT é empresa pública, prestadora de serviço público sob regime de monopólio, que integra o conceito de Fazenda Pública. 9. O art. 12 do Decreto-Lei 509/69 atribui à ECT os privilégios concedidos à Fazenda Pública no concernente, dentre outros, a foro, prazos e custas processuais, não fazendo qualquer referência à prerrogativa de intimação pessoal. 10. Em se tratando de processo eletrônico, prevê o § 6º do art. 5º da Lei 11.419/06 que as intimações feitas por meio eletrônico aos devida e previamente cadastrados, inclusive da Fazenda Pública, serão consideradas pessoais para todos os efeitos legais. 11. Se o advogado, no momento em que ajuizou a ação, fez o cadastro em nome próprio, não pode, posteriormente, alegar a nulidade da intimação realizada na sua pessoa, e não na da entidade que representa, para se eximir da responsabilidade de acompanhar o andamento do processo, a partir da consulta assídua ao sistema PJe. 12. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, desprovido. (REsp n. 1.574.008/SE, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 12/3/2019, DJe de 15/3/2019.) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, II, do RISTJ, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA