REsp 1923709 - DECISAO
Não conhecer do recurso especial por ausência de demonstração precisa e fundada de ofensa a dispositivo de lei federal (aplicação da Súmula 284/STF); além disso, o tribunal de origem constatou a validade da renovação da citação mediante mandado e certificação do Oficial de Justiça, o que afasta a nulidade...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: GESSO ALPHA MINERAÇÃO, CALCINAÇÃO E PREMOLDADOS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Nulidade Da Citação, Renovação Do Ato Citatório, Honorários Advocatícios, Inadmissibilidade Por Fundamentação Genérica (súmula 284/stf), Impossibilidade De Reexame De Matéria Fática (súmula 7/stj), Divergência Jurisprudencial Não Demonstrada (alínea C)
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Parties
GESSO ALPHA MINERAÇÃO, CALCINAÇÃO E PREMOLDADOS LTDA.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 nulidade da citação em razão de AR devolvido como RECUSADO
- 2 validade da renovação do ato por mandado de citação e por Oficial de Justiça
- 3 inadequação do recurso especial por fundamentação genérica e deficiência na demonstração de violação de dispositivo de lei federal (Súmula 284/STF)
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial por ausência de demonstração precisa e fundada de ofensa a dispositivo de lei federal (aplicação da Súmula 284/STF); além disso, o tribunal de origem constatou a validade da renovação da citação mediante mandado e certificação do Oficial de Justiça, o que afasta a nulidade pretendida, e eventual reexame do conjunto fático-probatório é vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ); igualmente não houve demonstração da divergência jurisprudencial exigida pela alínea c do art. 105, III, da CF/88.
Court Disposition
Não conheço do Recurso Especial.
Orders
- Não conheço do Recurso Especial.
- Publique-se e intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por GESSO ALPHA MINERAÇÃO, CALCINAÇÃO E PREMOLDADOS LTDA., contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assim ementado (fl. 44e): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DA CITAÇÃO. INOCORRÊNCIA. RENOVAÇÃO DO ATO VÁLIDA. 1. Agravo de instrumento interposto por GESSO ALPHA MINERAÇÃO E CALCINAÇÃO LTDA em face de decisão que, em sede de execução fiscal, rejeitou a exceção de pré-executividade ofertada, afastando a tese de nulidade da citação. 2. Sustenta a agravante, em síntese, a nulidade da citação, tendo em vista que a correspondência AR juntado aos autos consta como recusado, razão pela qual é nula, bem como todos os atos posteriormente praticados. Argumenta que, para ser válida a citação, devem-se obedecer a todas as formalidades previstas na lei processual, sob pena de renovação do ato. 3. Em que pese o Aviso de Recebimento da citação postal tenha retornado com o aviso de RECUSADO em 04/07/2011, compulsando os autos, verifica-se que o ato citatório foi renovado validamente, através de mandado de citação (juntado no dia 15/09/2011), no qual o Oficial de Justiça certificou que, "no dia 23/08/2011, procedeu à citação da empresa executada na pessoa de seu representante legal, o sr. Dante Carlos dos Reis Arruda, que recebeu a contrafé oferecida, assinou no anverso e ficou ciente do inteiro teor do ato". 4. Dessa forma, tem-se que a renovação do ato, através de Oficial de Justiça, se deu de forma válida, não havendo que se falar em nulidade da citação, sendo certo que o contraditório foi devidamente garantido, mormente quando se observa que a parte executada protocolou exceção de pré-executividade em 29/08/2011. 5. Agravo de instrumento desprovido. Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, aRecorrente apontaofensa adispositivos legais alegando, em síntese, a nulidade da citação. Sem contrarrazões, o recurso foi admitido. Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, IV e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, b e c, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a: i) não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; ii) negar provimento a recurso ou pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ; e iii) dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: "O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Inicialmente, verifico a ausência de demonstração precisa de como a alegada violação aos dispositivos de lei federalteria ocorrido, o que impede o conhecimento do recurso especial. Em consonância com o entendimento desta Corte, nos casos em que a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se ao recurso especial, por analogia, o entendimento da Súmula 284, do Colendo Supremo Tribunal Federal, in verbis: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Nesse sentido, os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENERGIA ELÉTRICA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE VIOLAÇÃO AOS DISPOSITIVOS LEGAIS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. AÇÃO DE COBRANÇA. DÉBITO DE TERCEIRO. OBRIGAÇÃO DE NATUREZA PESSOAL. RESPONSABILIDADE DO CONSUMIDOR QUE EFETIVAMENTE UTILIZOU O SERVIÇO. 1. O recurso especial não pode ser conhecido no tocante à alegada ofensa à Resolução ANEEL 456/00. Isso porque o referido ato normativo não se enquadra no conceito de "tratado ou lei federal" de que cuida o art. 105, III, a, da CF. 2. A mera indicação dos dispositivos legais tidos por violados, sem que haja demonstração clara e objetiva de como o acórdão recorrido teria malferido a legislação federal, não enseja a abertura da via especial, devendo a parte recorrente demonstrar os motivos de sua insurgência, o que não ocorreu no caso em exame. Hipótese em que incide a Súmula 284/STF, por deficiência na fundamentação. (..) 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 401.883/PE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/02/2014, DJe 18/02/2014). PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ACÓRDÃO ASSENTADO EM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL E INFRACONSTITUCIONAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE FOI INTERPOSTO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. (..) 3. No que tange à apontada violação do art. 292 do Código de Processo Civil, a insurgente restringe-se a alegar genericamente ofensa à citada norma sem, contudo, demonstrar de forma clara e fundamentada como o aresto recorrido teria violado a legislação federal apontada. 4. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 441.462/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/02/2014, DJe 07/03/2014). Ademais, o tribunal de origem, após minucioso exame dos elementos fáticos e probatórios contidos nos autos, afirmou a regularidade da citação, consoantesegue (fl. 43e): A matéria devolvida para análise deste Tribunal diz respeito à nulidade da citação efetuada à agravante. Em que pese o Aviso de Recebimento da citação postal tenha retornado com o aviso de RECUSADO em 04/07/2011, compulsando os autos, verifica-se que o ato citatório foi renovado validamente, através de mandado de citação (juntado no dia 15/09/2011), no qual o Oficial de Justiça certificou que, "no dia 23/08/2011, procedeu a citação da empresa executada na pessoa de seu representante legal, o sr. Dante Carlos dos Reis Arruda, que recebeu a contrafé oferecida, assinou no anverso e ficou ciente do inteiro teor do ato". Dessa forma, tem-se que a renovação do ato, através de Oficial de Justiça, se deu de forma válida, não havendo que se falar em nulidade da citação, sendo certo que o contraditório foi devidamente garantido, mormente quando se observa que a parte executada protocolou exceção de pré-executividade em 29/08/2011. Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO. Rever o entendimento do tribunal de origem acerca, com o objetivo de acolher a pretensão recursal de reconhecer a nulidade do ato citatório, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 07 desta Corte, assim enunciada: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Noutro plano, anoto que o Recurso Especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c, do permissivo constitucional, pois a parte recorrente deixou de proceder ao cotejo analítico entre os arestos confrontados, com o escopo de demonstrar que partiram de situações fático-jurídicas idênticas e adotaram conclusões discrepantes. Cumpre ressaltar, ainda, que o Recorrente deve transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio, mencionando as circunstâncias dos casos confrontados, sendo insuficiente, para tanto, a mera transcrição de ementas. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL EM VIRTUDE DE PROPOSITURA DE DEMANDA JUDICIAL PELO DEVEDOR NA QUAL O DÉBITO É IMPUGNADO. ALEGADA AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. RECURSO ANCORADO NA ALÍNEA C DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL SOBRE O QUAL SUPOSTAMENTE RECAI A CONTROVÉRSIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (..) 3. Além do que, para se comprovar a divergência, não basta a mera transcrição de ementas, é indispensável o cotejo analítico entre os julgados, de modo que ressaia a identidade ou similitude fática entre os acórdãos paradigma e recorrido, bem como teses jurídicas contrastantes, a demonstrar a alegada interpretação oposta. 4. Agravo Regimental do IRGA desprovido. (AgRg no REsp 1.355.908/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2014, DJe 15/08/2014). PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE. DECADÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DEVOLUÇÃO DE VALORES E PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE LEI SUPOSTAMENTE VIOLADOS. SÚMULA 284/STF. CONDIÇÃO DE DEPENDENTE. FILHO MAIOR INVÁLIDO. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. (..) 4. O conhecimento de recurso especial fundado na alínea "c" do art. 105, III, da CF/1988 requisita, em qualquer caso, a demonstração analítica da divergência jurisprudencial invocada, por intermédio da transcrição dos trechos dos acórdãos que configuram o dissídio e da indicação das circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, não sendo bastante a simples transcrição de ementas ou votos (artigos 541, parágrafo único, do Código de Processo Civil e 255, § 2º, do RISTJ). A não observância a esses requisitos legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do recurso especial. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.420.639/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/03/2014, DJe 02/04/2014). No que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos enunciados administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos, quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais, em favor do patrono da parte recorrida, está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou improvimento do recurso. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/15), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Posto isso, com fundamento no art. 932, III, IV, do Código de Processo Civil e art. 34, XVIII, a e b, do Regimento Interno desta Corte, NÃO CONHEÇO doRecurso Especial. Publique-se e intimem-se.