REsp 2113109 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o recorrente apresentou alegações genéricas e insuficientemente fundamentadas quanto às supostas violações de dispositivos federais, atraindo o óbice da Súmula 284/STF e implicando necessidade de reexame de prova vedado pela Súmula 7/STJ; assim, manteve-se o entendimento...
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- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL; Apelado: Município de Eusébio-CE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 February 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Nulidade De Autos De Infração, Natureza Remuneratória De Benefícios Sociais, Contribuições Previdenciárias, Intimação Administrativa, Prequestionamento, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
Município de Eusébio-CE
Apelado
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Se os benefícios do Programa Renda Mínima têm natureza remuneratória sujeitando-se a contribuições previdenciárias
- 2 Regularidade da intimação administrativa por carta com AR
- 3 Admissibilidade do recurso especial diante de alegações genéricas, omissão ou contradição (art. 535 CPC/73)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o recorrente apresentou alegações genéricas e insuficientemente fundamentadas quanto às supostas violações de dispositivos federais, atraindo o óbice da Súmula 284/STF e implicando necessidade de reexame de prova vedado pela Súmula 7/STJ; assim, manteve-se o entendimento do Tribunal de origem quanto à ausência de natureza remuneratória dos benefícios do Programa Renda Mínima e à consequente nulidade parcial dos autos de infração, sem que fosse possível o conhecimento do recurso para rediscutir fatos e provas.
Court Disposition
não conheço do recurso especial
Orders
- Não conheço do recurso especial
- Caso exista prévia fixação de honorários advocatícios, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por FAZENDA NACIONAL, com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal, contra acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. NULIDADE DE AUTOS DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE NATUREZAREMUNERATÓRIA DOS BENEFÍCIOS DO PROGRAMA DE RENDA MÍNIMA DO MUNICÍPIODE EUSÉBIO-CE. APELAÇÃO IMPROVIDA. 1. Apelação em face de sentença que julgou parcialmente procedente os pedidos, reconhecendo a nulidade parcial dos autos de infração constantes dos PA"s nº"s 10380.729.771/2018-46 e 10380.729.770/2018-00,relativamente aos créditos tributários lançados de ofício, juros e multas respectivos, que tiveram como fatos geradores o pagamento de benefícios do Programa Renda Mínima, constantes das folhas de pagamentos avulsas emitidas entre 01/01/2015 e 31/12/2015, em razão da inexistência de relação jurídico-tributária concernente à obrigação de recolhimento dos débitos fiscais lançados em desfavor do Município autor/apelado. 2. Em seu recurso, a União Federal (Fazendo Nacional) alega, em síntese, em sede de preliminar, ter sido regular a intimação administrativa do Município, sendo intempestiva a impugnação do apelado. 3. E, no mérito, defende regularidade dos processos administrativos, que apuraram o cometimento de diversas infrações pelo apelado. 4. Conforme dito na sentença, não há que se falar em ilegalidade da notificação, pois o art. 23 do Decreto70.235/72 requer que haja apenas a comprovação da entrega no domicílio tributário do contribuinte por meio de carta com aviso de recebimento, independentemente de quem venha a assinar o recibo. Deste modo, comprovada a entrega da carta com AR, incabível falar em nulidade, não cabendo, portanto,maiores comentários acerca de tal argumentação feita na apelação, pois se mantém o entendimento do Juízo no sentido de que não houve ilegalidade. a quo. 5. Sobre o mérito das autuações, o autor/apelado se opôs às infrações que tiveram seus valores apurados tomando como base de cálculo o montante de folhas de pagamentos avulsas, emitidas entre 01/01/2015 e31/12/2015, que se referem a despesas com pagamento de beneficiários do Programa Renda Mínima,aduzindo, em síntese que estes não possuem vínculo empregatício com o recorrido, sendo de natureza assistencial o benefício pago a eles. 6. Consoante o art. 22, incisos I e II, da Lei 8.212/91 e art. 195, inciso I, alínea "a", da CF/88, a base de cálculo da contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica é a remuneração paga durante o mês aos empregados e aos trabalhadores avulsos. 7. O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, em sede de repercussão geral, ao apreciar RE 565.160/SC, já se posicionou no sentido de que: "A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, a qualquer título, quer anteriores, quer posteriores à Emenda Constitucional nº20/1998 - inteligência dos artigos 195, inciso I, e 201, parágrafo 11, da Constituição Federal". Precedente:STF, RE 565.160/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe 23/08/2017." 8. O Programa Renda Mínima, instituído pelo Município, não traz, como requisito para recebimento dos valores, que os beneficiários prestem contraprestação de serviços, não possuindo, portanto, natureza remuneratória. 9. Aderindo ao acertado entendimento do Juízo , menciona-se que: "(..) o benefício da renda a quo mínima não é um benefício previdenciário nem exclusivamente assistencial. Sua natureza jurídica assemelha-se àquela do Bolsa Família/Auxílio Brasil e Auxílio Emergencial, pois visa proporcionar maior dignidade de subsistência e ofertar capacitação para o mercado de trabalho para os menos favorecidos, além de consubstanciar a implementação de política pública de redução de desigualdades sociais e de manutenção de renda, uma vez que está incluído dentro do conjunto de ações do Poder Público destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde e à assistência social, não necessitando o beneficiário de inscrição no Sistema de Previdência, razão pela qual se pode concluir que as verbas repassadas aos cidadãos com essas finalidades não têm natureza remuneratória." 10. Deste modo, considerando a ausência de natureza remuneratória, é acertada a decisão que julgou parcialmente procedente o pedido, reconhecendo a nulidade parcial dos autos de infração constantes dos PA"s nº"s 10380.729.771/2018-46 e 10380.729.770/2018-00, relativamente aos créditos tributários lançados de ofício, juros e multas respectivos, que tiveram como fatos geradores o pagamento de benefícios do Programa Renda Mínima, constantes das folhas de pagamentos avulsas emitidas entre01/01/2015 e 31/12/2015. 11. Apelação improvida. 12. Em razão da sucumbência recursal, majoram-se os honorários advocatícios recursais em 2% (dois por cento), nos termos do art. 85, § 11, do CPC. No presente recurso especial, o recorrente apontou violação de dispositivos de lei federal. É o relatório. Decido. Em relação à alegada omissão, contrariedade ou contradição suscitada no presente recurso especial, o recorrente limitou-se a afirmar, em linhas gerais, que o acórdão recorrido incorreu em nulidade ao deixar de se pronunciar adequadamente acerca das questões apresentadas nos embargos de declaração, fazendo-o de forma genérica, sem desenvolver argumentos para demonstrar especificamente a suposta mácula. Nesse panorama, a arguição genérica de nulidade pelo recorrente atrai o comando do Enunciado Sumular n. 284/STF, inviabilizando o conhecimento dessa parcela recursal. Sobre o assunto, confiram-se: ADMINISTRATIVO. REDIRECIONAMENTO DE EXECUÇÃO FISCAL DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR NÃO COMPROVADA. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA N. 284/STF. I - Não se conhece do recurso especial com alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil de 1973. Incidência do enunciado n. 284 da Súmula do STF. Necessidade de reexame de fatos e provas para modificar o entendimento do Tribunal de origem quanto à regularidade da dissolução da sociedade empresária. Incidência do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. II - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 962.465/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 19/4/2017.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CSLL. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. 1. A genérica alegação de ofensa ao art. 535 do CPC, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro, atrai o óbice da Súmula 284 do STF. 2. É vedada a análise das questões que não foram objeto de efetivo debate pela Corte de origem, estando ausente o requisito do prequestionamento. Incidência da Súmula 211/STJ. 3. Quanto à elevação da alíquota da CSLL, o aresto recorrido está em conformidade com a jurisprudência deste Tribunal Superior, que considera que a Instrução Normativa n. 81/99 não desbordou dos limites da MP 1.807/99. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 446.627/RJ, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 17/4/2017.) Por outro lado, a competência do Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Nesse contexto, impõe-se não apenas a correta indicação dos dispositivos legais federais supostamente contrariados pelo Tribunal a quo, mas também a delimitação clara da violação da matéria insculpida nos regramentos indicados, para que, assim, seja viabilizando o necessário confronto interpretativo e, consequentemente, o cumprimento da incumbência constitucional revelada com a uniformização do direito infraconstitucional sob exame. Dessa forma, verificado que o recorrente não logrou êxito em fundamentar adequadamente a ocorrência de suposta incorreção da interpretação jurídica realizada pelo Tribunal de origem acerca do comando normativo dos dispositivos legais indicados como violados, apresenta-se evidente a deficiência do pleito recursal, atraindo o teor da Súmula n. 284 do STF. Acerca do assunto, destaco os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO TIDO POR VIOLADO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA 284/STF. ALEGAÇÃO DE JULGAMENTO EXTRA PETITA. NECESSIDADE DE REEXAME DOS FATOS E DAS PROVAS. INCIDÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. "A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo inquinado como violado, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar o seu exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais tidos como violados caracteriza deficiência de fundamentação, em conformidade com o Enunciado Sumular nº 284 do STF". (AgRg no REsp n. 919.239/RJ; Rel. Min. Francisco Falcão; Primeira Turma; DJ de 3/9/2007.) 2. O Tribunal de origem concluiu: "No mérito, trata-se de ação de obrigação de fazer cumulada com pleito indenizatório, através da qual objetivou a autora obstar cobrança pela ré em relação à tarifa de esgoto, serviço não prestado pela concessionária, bem como a repetição, em dobro, dos valores já pagos" (fl. 167, e-STJ). 3. A agravante sustenta não haver na demanda pedido que objetive o cumprimento de obrigação de fazer/não fazer. Decidir de forma contrária ao que ficou expressamente consignado no v. acórdão recorrido, com o objetivo de rever o objeto do pedido deduzido na petição inicial, implica revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 983.543/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 5/5/2017.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. SUPOSTO ERRO MATERIAL. NÃO INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS VIOLADOS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284/STF. SERVIDOR PÚBLICO. GDAR. TRANSFORMAÇÃO EM VPNI. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. I - Pretende o agravante o reconhecimento de que a gratificação GDAR, transformada em VPNI, não foi retirada do ordenamento jurídico pela Lei n. 11.784/08 e que sua supressão vai de encontro ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à irredutibilidade de vencimentos. II - Considera-se deficiente a fundamentação do recurso que deixa de estabelecer, com a precisão necessária, quais os dispositivos de lei federal que considera violados, para sustentar sua irresignação pela alínea a do permissivo constitucional, o que atrai a incidência do enunciado n. 284 da Súmula STF. III - O Tribunal de origem não analisou o erro material mencionado nas razões recursais, não debateu a suposta afronta ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à irredutibilidade de vencimentos, tampouco examinou a matéria recursal à luz do art. 29 da Lei n. 11.094/05. IV - Descumprido o necessário e indispensável exame dos dispositivos de lei invocados pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, de maneira a atrair a incidência dos enunciados n. 282 e n. 356 da Súmula do STF, sobretudo ante a ausência de oposição dos cabíveis embargos declaratórios a fim de suprir os supostos erro material e a contradição do julgado. V - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.597.355/CE, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJe 10/3/2017.) O Tribunal de origem, ao analisar o conteúdo probatório colacionado aos autos, consignou expressamente que a insurgência defendida pelo recorrente é contrária às evidências fáticas sobre as quais se fundamentou o julgador a quo para solucionar a controvérsia apresentada na presente demanda judicial. Dessa forma, verifica-se que a irresignação do recorrente vai de encontro às convicções do julgador a quo, que tiveram como lastro o conjunto fático-probatório constante dos autos. Nesse diapasão, para rever tal posição seria necessário o reexame desses mesmos elementos fático-probatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese a Súmula n. 7/STJ. Ademais, o reexame do acórdão recorrido, em confronto com as razões do recurso especial, revela que os fundamentos apresentados naquele julgado, e que fundamentaram a construção da sólida ratio decidendi alcançada pelo Tribunal de origem, foram utilizados de forma suficiente para manter a decisão proferida no Tribunal a quo e não foram suficientemente rebatidos no apelo nobre, fator capaz de atrair a aplicação dos óbices das Súmulas n. 283 e 284, ambas do STF. In verbis: Súmula n. 283. É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Súmula n. 284 É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Por fim, mediante a simples leitura das razões recursais, percebe-se que parcela da insurgência apresentada pelo recorrente não foi suficientemente debatida no âmbito do Tribunal de origem, sendo que a mera citação ou menção superficial de dispositivos de lei federal não é condição capaz de preencher o fundamental requisito de prequestionamento da matéria ora controvertida, deficiência recursal que atrai a aplicação das Súmulas n. 211/STJ e 282 e 356 do STF. Confiram-se: Súmula 282/STF. É inadmissível o Recurso Extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada. Súmula 356/STF. O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento. Súmula 211/STJ. Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Publique-se. Intimem-se. EMENTA