AREsp 2763310 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não impugnou especificamente os fundamentos do acórdão recorrido (aplicando-se a Súmula 284/STF) e a admissão do recurso exigiria reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ). Ademais, não foi demonstrado dissídio jurisprudencial...
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- Parties
- Agravante: JAIRO MARIANO DE ÁVILA; Recorrida: Alfenas; Recorrida: Segunda Recorrida
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
- Legal Topics
- Nulidade De Negócio Jurídico, Alienação Fiduciária, Registro Imobiliário, Valor Da Causa, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade Do Recurso Especial, Súmula 284 STF, Súmula 7 STJ
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Parties
JAIRO MARIANO DE ÁVILA
Agravante
Alfenas
Recorrida
Segunda Recorrida
Recorrida
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 cabimento de alienação fiduciária sobre bens previamente vendidos sem registro
- 2 efeito erga omnes do contrato de compra e venda não registrado
- 3 admissibilidade do recurso especial pelas alíneas a e c do art. 105 da CF/88
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não impugnou especificamente os fundamentos do acórdão recorrido (aplicando-se a Súmula 284/STF) e a admissão do recurso exigiria reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ). Ademais, não foi demonstrado dissídio jurisprudencial por ausência de cotejo analítico entre acórdãos, e remanesce fundamento idôneo a sustentar o aresto recorrido, impedindo o conhecimento do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por JAIRO MARIANO DE ÁVILA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO - CONTRATO DE EMPRÉSTIMO COM CLÁUSULA DE GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA - BENS IMÓVEIS ANTERIORMENTE VENDIDOS - AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA- EFEITOS ERGA OMNES - IMPOSSIBILIDADE - VALOR DA CAUSA - PRETENSÃO ECONÔMICA. - Conforme bem dispõe o art. 1.227 do Código Civil, "os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos." Ademais, o art. 1245, e seu parágrafo § 1º, é claro ao expor que "transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis", e que "enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel." - Para determinação do valor da causa, deve-se atentar ao disposto no art. 292, do CPC/2015, sem, contudo, esquecer de se verificar a pretensão econômica objetivada na ação. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega dissídio jurisprudencial e violação aos arts. 166, VI, e 167, II e III, do CC, no que concerne à nulidade do negócio jurídico firmado entre as partes, tendo em vista o não cabimento de oferecimento de bens como garantia de alienação fiduciária quando esses bens já foram vendidos a terceiro, trazendo a seguinte argumentação: 3.3. Como mencionado no recurso de apelação o artigo. 166, inciso VI do CC que dispõe "é nulo o negócio jurídico quando tiver por objetivo fraudar lei imperativa". E no caso concreto, a nulidade absoluta é clarividente, pois a Recorrida Alfenas quando firmou contrato de empréstimo com a segunda recorrida e ofereceu os imóveis em garantia, sabia que não podia fazê-lo, pois havia firmado contrato de compra e venda dos mencionados lotes meses antes. A violação ao artigo 166, VI do Código Civil é explícita. 3.4. Cero é que a Primeira Recorrida, ao alienar os imóveis ao Recorrente, não poderia oferece- los posteriormente, à Segunda Recorrida em garantia de empréstimo, por meio de alienação fiduciária e, por conseguinte, o acórdão recorrido ao negar provimento aos recursos do ora Recorrente violou expressamente os 166, VI e 167, II e III, do "CC", tornando o negócio realizado entre as Recorridas nulo. 3.5. Ademais, a Primeira Recorrida protelou a outorga das escrituras dos referidos bens aos Recorrentes. No presente caso está caracterizada a nulidade absoluta do negócio jurídico realizado entre as partes recorridas. A nulidade do oferecimento dos bens como garantia de alienação fiduciária é patente, pois os lotes não pertenciam mais à Primeira Recorrida. A fraude cometida pela Recorrida é indiscutível, razão pela qual o presente apelo especial deve ser provido (fls. 443). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: No caso dos autos, no que tange à alegação de que não houve análise da nulidade do negócio jurídico, verifica-se que o voto foi elaborado analisando, detalhadamente, todo o conjunto probatório contido nos autos, não se manifestando a respeito do pedido nulidade do negócio jurídico por entender que o contrato de compra e venda, anterior ao de alienação fiduciária, não levado a registro, não possui o efeito erga omnes, e, portanto, não possui publicidade perante terceiros (fls. 431). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24.8.2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19.11.2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27.8.2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2.5.2018. Ademais, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7.3.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.9.2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16.10.2020. Quanto à controvérsia pela alínea "c", não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5.4.2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, Rel. Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.8.2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13.8.2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3.6.2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.5.2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28.4.2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 5.5.2021. Além disso, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pela ausência de impugnação específica dos fundamentos do acórdão recorrido. Assim, quando remanesce incólume fundamento capaz por si só de manter o acórdão recorrido, impõe-se o reconhecimento da inexistência de identidade jurídica entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA