HC 957818 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido e a liminar indeferida porque a impetração se dirige contra acórdão com trânsito em julgado, configurando sucedâneo de revisão criminal para a qual o STJ não tem competência originária; ademais houve preclusão temporal/eficácia da coisa julgada pelo decurso de mais de quatorze anos...
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- Parties
- Paciente: ALEXANDRE DA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Impetração Contra Acórdão Com Trânsito Em Julgado
- Outcome
- liminar indeferida; habeas corpus não conhecido por inadequação (sucedâneo de revisão criminal) e preclusão temporal
- Legal Topics
- Nulidade De Reconhecimento Fotográfico, Coisa Julgada, Preclusão Temporal, Supressão De Instância, Competência Do STJ, Trânsito Em Julgado
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Parties
ALEXANDRE DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Impetração Contra Acórdão Com Trânsito Em Julgado
Legal Issues
- 1 competência originária do STJ para revisão criminal e impossibilidade de conhecer writ sucedâneo de revisão
- 2 preclusão em razão da coisa julgada e do princípio da segurança jurídica em face do decurso de mais de quatorze anos
- 3 inovação de matéria não suscitada nas instâncias ordinárias e supressão de instância
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido e a liminar indeferida porque a impetração se dirige contra acórdão com trânsito em julgado, configurando sucedâneo de revisão criminal para a qual o STJ não tem competência originária; ademais houve preclusão temporal/eficácia da coisa julgada pelo decurso de mais de quatorze anos e a matéria objeto do pedido (nulidade do reconhecimento fotográfico) não foi suscitada nas instâncias ordinárias, caracterizando supressão de instância; não se constatou flagrante ilegalidade que justificasse a ordem.
Court Disposition
liminar indeferida; habeas corpus não conhecido por inadequação (sucedâneo de revisão criminal) e preclusão temporal
Orders
- Indeferido liminarmente o habeas corpus, com fundamento no artigo 210 do RISTJ.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de ALEXANDRE DA SILVA, apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, em razão do julgamento da apelação criminal n. 993.07.118703-8. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 9 anos e 11 (onze) meses de reclusão em regime inicial fechado e 24 (vinte e quatro) dias multa como incurso no artigo 157, parágrafo 2º, incisos I, II e V, do Código Penal (fl. 5). Interposta apelação defensiva, não foi provida, em julgamento ocorrido em 05/11/2009 (fls. 17-37). Na presente impetração, busca-se a concessão da ordem para declaração da nulidade do reconhecimento fotográfico e subsequente absolvição do paciente. É o relatório. DECIDO. O presente habeas corpus foi impetrado contra acórdão com trânsito em julgado. Diante disso, não deve ser conhecido, pois foi utilizado como substituto de uma revisão criminal, em uma situação na qual não se configurou a competência originária desta Corte. Conforme o artigo 105, inciso I, alínea "e", da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça, originariamente, "as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados". Nessa linha: .. 1. Na hipótese, a condenação transitou em julgado em 31/5/2023. Dessa forma, o presente writ seria sucedâneo de revisão criminal, sendo esta Corte incompetente para o processamento do pleito revisional. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 861.867/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 6/9/2024.) Além disso, verifico que entre o trânsito em julgado e a presente impetração transcorreram mais de 14 (quatorze) anos, devendo ser reconhecida a preclusão em razão da coisa julgada e do princípio da segurança jurídica. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que mesmo as nulidades absolutas devem ser arguidas no momento oportuno, sob pena de preclusão. A esse respeito: .. "Na hipótese, a sentença condenatória foi proferida em 1º de fevereiro de 2016. O Tribunal de origem, por sua vez, julgou a apelação em exame no dia 28 de abril de 2017, sendo que somente no dia 15 de dezembro de 2021 foi impetrado o presente habeas corpus. Desse modo, o mandamus não pode ser conhecido em decorrência da preclusão da matéria, uma vez que transcorridos mais de quatro anos desde o trânsito em julgado da condenação, devendo ser observada a coisa julgada e o princípio da segurança jurídica. Precedentes." .. (AgRg no HC: 713708/SP Relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Julgamento: 29/03/2022, QUINTA TURMA, DJ-e de 04/04/2023) .. "Em respeito à segurança jurídica e a lealdade processual, mesmo as nulidades denominadas absolutas também devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal." .. (AgRg no HC n. 813269-SC Relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Data de Julgamento: 27/04/2023, QUINTA TURMA, DJ-e de 03/05/2023) Outrossim, no caso, a nulidade do reconhecimento fotográfico sequer foi arguida no curso da ação penal, como se verifica do inteiro teor do acórdão da apelação juntado às fls. 17-37. Vale dizer, a nulidade foi trazida a exame diretamente perante o Superior Tribunal de Justiça, em supressão de instância. Considerando que a pretensão deduzida no presente habeas corpus caracteriza inovação não apreciada previamente pela Corte local, o Superior Tribunal de Justiça fica impedido de se debruçar sobre a matéria, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. APROPRIAÇÃO E DESVIO DE VERBAS PÚBLICAS. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. QUESTÃO NÃO PLEITEADA NA ORIGEM. NECESSIDADE DE AFERIÇÃO DOS MARCOS TEMPORAIS PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. WRIT NÃO CONHECIDO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Conforme reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o prévio exame das alegações pelas instâncias ordinárias constitui requisito indispensável para sua apreciação nesta instância, ainda quando se cuide de questão de ordem pública. Precedentes. 2. Ademais, consoante orientação jurisprudencial desta Corte, "é inadequada a pretensão de concessão de habeas corpus de ofício com intuito de superar, por via transversa, óbice(s) reconhecido(s) na admissibilidade do recurso interposto" (AgRg no AgRg no AREsp n. 1.965.559/SC, Quinta Turma, Rel. Min. Jesuíno Rissato - Desembargador Convocado do TJDFT, DJe de 16/12/2021). 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 828.844/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023.) O artigo 210 do RISTJ autoriza o relator a indeferir liminarmente o habeas corpus nas hipóteses de manifesta incompetência do Superior Tribunal de Justiça, o que se verifica no presente caso. De toda sorte, não identifico a existência de flagrante ilegalidade que justifique a concessão da ordem, nos termos do artigo 654, § 2º, do Código de Processo Penal. Ante o exposto, indefiro liminarmente o habeas corpus, com fundamento no artigo 210 do RISTJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA