HC 808212 - DECISAO
Não se conhece do habeas corpus porque a impetração funciona como substitutivo de revisão criminal relativamente a condenação com trânsito em julgado, matéria que exige reexame do conjunto fático-probatório para afastar a conclusão do Tribunal a quo; o STJ é incompetente para processar revisão criminal fora das...
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- Parties
- Paciente: ADRIANO TORRES DE OLIVEIRA; Fiscal: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Nulidade Por Cerceamento De Defesa, Dosimetria Da Pena, Competência Do STJ, Reexame De Provas, Trânsito Em Julgado
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Parties
ADRIANO TORRES DE OLIVEIRA
Paciente
Ministério Público Federal
Fiscal
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 alegação de coação ilegal e nulidade por cerceamento do direito de defesa em razão da retirada do paciente da sala de audiência
- 2 alegação de ilegalidade na dosimetria da pena por falta de fundamentação para aplicação da causa de aumento do art. 40, IV e VI, da Lei n. 11.343/2006
- 3 competência do STJ para processar e julgar revisão criminal limitada às hipóteses de seus próprios julgados
Ratio Decidendi
Não se conhece do habeas corpus porque a impetração funciona como substitutivo de revisão criminal relativamente a condenação com trânsito em julgado, matéria que exige reexame do conjunto fático-probatório para afastar a conclusão do Tribunal a quo; o STJ é incompetente para processar revisão criminal fora das hipóteses de seus próprios julgados e a via estreita do habeas corpus não admite revolver provas, não havendo flagrante ilegalidade que justifique o conhecimento.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO ADRIANO TORRES DE OLIVEIRA alega sofrer coação ilegal em virtude de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina na Apelação n. 0005196-88.2017.8.24.0008. Nas razões da impetração, a defesa sustenta o constrangimento ilegal, sob a tese de nulidade do processo por cerceamento do direito de defesa, em razão da retirada do paciente da sala de audiência no momento da oitiva das testemunhas policiais. Aponta ilegalidade na dosimetria da pena, pela falta de fundamentação no patamar aplicado para a causa de aumento do art. 40, IV e VI, da Lei n. 11.343/2006. O Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem (fls. 272-275). Decido. Consta dos autos que o paciente foi condenado a 14 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão, em regime fechado, por infração dos arts. 33, caput, e 35 da Lei n. 11.343/2006 e 2º, §§ 2º e 4º, I, da Lei n. 12.850/2013. Em pesquisa no sistema eletrônico da Corte de origem, constatou-se que a condenação transitou em julgado em 21/7/2020 . Este writ é, portanto, substitutivo de revisão criminal perante o Tribunal a quo. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo acusado, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. Ademais, não identifico flagrante ilegalidade, apta a superar tal impedimento, uma vez que, para desconstituir a conclusão alcançada pelo Tribunal a quo - como pretende a defesa -, seria necessário, nesta oportunidade, realizar revolvimento de todo o conjunto fático-probatório, providência incabível na via estreita do habeas corpus. As duas turmas que compõem a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça entendem não ser cabível, em habeas corpus, o reexame aprofundado de fatos e provas. Nesse sentido, cito o seguinte julgado: .. 2. A via estreita do habeas corpus não se presta ao revolvimento da matéria fática, como ocorre quando a decisão é atacada sob alegações de má apreciação das provas e de desclassificação da conduta, devendo a coação ser manifestamente ilegal. 3. Estabelecida a pena definitiva em 5 anos e 10 meses de reclusão, sendo primário o agente e favoráveis as circunstâncias judiciais, o regime semiaberto é o adequado à prevenção e à reparação do delito, nos termos do art. 33 do Código Penal. 4. Habeas corpus não conhecido, mas ordem concedida de ofício para fixar o regime inicialmente semiaberto para o cumprimento da pena reclusiva. (HC n. 270.011/SP, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, 6ª T., DJe 22/4/2016) À vista do exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA