EREsp 1455125 - DECISAO
Indeferiram-se liminarmente os embargos de divergência porque os arestos apontados não apresentam similitude fático-jurídica suficiente com o acórdão embargado e porque não houve prejuízo concreto pela ausência de intimação do BACEN para contrarrazões (tema foi impugnado por parte adversa), de modo que não se impõe...
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- Parties
- Embargante: BANCO CENTRAL DO BRASIL; Recorrente: UNIÃO; Parte Adversa: BANCO ITAÚ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 November 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência / Liminarmente Indeferidos
- Outcome
- Embargos de divergência liminarmente indeferidos
- Legal Topics
- Nulidade Processual, Intimação Para Contrarrazões, Nulidade De Algibeira, Contraditório, Embargos De Divergência
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Parties
BANCO CENTRAL DO BRASIL
Embargante
UNIÃO
Recorrente
BANCO ITAÚ
Parte Adversa
Procedural Posture
Embargos De Divergência / Liminarmente Indeferidos
Legal Issues
- 1 prejuízo como requisito para declaração de nulidade
- 2 intimação do litisconsorte para apresentação de contrarrazões
- 3 suscitação tardia da nulidade (nulidade de algibeira)
Ratio Decidendi
Indeferiram-se liminarmente os embargos de divergência porque os arestos apontados não apresentam similitude fático-jurídica suficiente com o acórdão embargado e porque não houve prejuízo concreto pela ausência de intimação do BACEN para contrarrazões (tema foi impugnado por parte adversa), de modo que não se impõe nulidade; aplica-se a máxima de que não se decreta nulidade sem prejuízo e repudia-se a chamada nulidade de algibeira.
Court Disposition
Embargos de divergência liminarmente indeferidos
Orders
- Indefiro liminarmente os embargos de divergência.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de divergência apresentados pelo BANCO CENTRAL DO BRASIL contra acórdão da colenda Primeira Turma assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INTIMAÇÃO DO CORRÉU PARA CONTRARRAZÕES. AUSÊNCIA. PREJUÍZO. INEXISTÊNCIA. NULIDADE.SUSCITAÇÃO TARDIA. DESCABIMENTO. 1. Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). 2. O art. 542, caput, do CPC/1973 previa a intimação da parte recorrida para contrarrazoar o recurso interposto, encontrando-se o BANCO CENTRAL DO BRASIL na qualidade de litisconsorte passivo. 3. Sem embargo do fato de que referida instituição tinha legitimidade para apresentar contrarrazões ao apelo nobre da União - no qual ela suscitou a sua ilegitimidade passiva ad causam -, porque os interesses delas se contrapunham, o certo é que inexistiu prejuízo consubstanciado na ausência de contraditório a respeito da aludida prefacial, porque o tema foi objeto da impugnação pelo Banco Itaú - parte adversa - quando ele contrarrazoou o recurso extremo, tendo sido a matéria renovada em seu agravo interno. Precedente jurisprudencial. 4. De acordo com entendimento consolidado no STJ, tratando-se de nulidade processual, há de se ter em mente a máxima pas de nullité sans grief, segundo a qual não se decreta nulidade sem prejuízo. 5. Esta "Corte de Justiça, em diversas oportunidades, tem exarado a compreensão de que a suscitação tardia da nulidade, somente após a ciência de resultado de mérito desfavorável e quando óbvia a ciência do referido vício muito anteriormente à arguição, configura a chamada nulidade de algibeira, manobra processual que não se coaduna com a boa-fé processual e que é rechaçada pelo Superior Tribunal de Justiça, inclusive nas hipóteses de nulidade absoluta." (REsp 1.714.163/SP, rel. Min. NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, DJe 26/9/2019). 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1455125/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/09/2020, DJe 30/09/2020) O ora embargante alega que o v. acórdão impugnado diverge dos seguintes julgados desta Corte de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL. RECLAMAÇÃO. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO STJ. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO DA CORTE DE ORIGEM QUE RECONHECEU NULIDADE ABSOLUTA APÓS PROVOCAÇÃO DA PARTE PREJUDICADA. POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO A QUALQUER TEMPO E GRAU DE JURISDIÇÃO. PRECEDENTES. 1. As razões do agravo regimental não são capazes de reformar os fundamentos adotados da decisão agravada, motivo pelo qual devem ser confirmados. 2. Não ocorrendo a intimação pessoal do procurador federal (AGU) nos termos da Lei n. 10.910/2004, o que configura nulidade absoluta, passível de reconhecimento a qualquer tempo, bem como havendo provocação da UFBA em que demonstrou a ocorrência de prejuízo processual em virtude da referida nulidade, a decisão da Corte de origem - que anulou o juízo de admissibilidade proferido e determinou a intimação pessoal do representante da Universidade - não usurpou a competência do Superior Tribunal de Justiça. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg na Rcl 2.393/BA, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 09/05/2012, DJe 22/05/2012) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO EXTRAJUDICIAL. CÉDULA RURAL PIGNORATÍCIA E HIPOTECÁRIA. RECURSOS DO FNE. INTERVENÇÃO DA UNIÃO. NECESSIDADE DE INTERESSE JURÍDICO. INTERVENÇÃO ANÔMALA. ART. 5º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 9.469/97. PROCESSO NA FASE DE EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INTERVENÇÃOANÔMALA. PRECEDENTES. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA DE MÉRITO. NULIDADE DE ALGIBEIRA. PERDA DE OBJETO. NÃO OCORRÊNCIA. PRECEDENTES. 1. No caso dos autos, a União afirma que foi proferida sentença em 3/8/2016, todavia, apesar de ter tomado conhecimento desse fato naquela data, porquanto até então integrou o processo por força do acórdão objeto do presente recurso especial, permaneceu silente a esse respeito por aproximadamente quatro anos, tendo aguardado, portanto, pronunciamento desfavorável nesta Corte Superior para só então, agora, invocar a suposta perda de objeto do recurso e a nulidade do julgamento do recurso especial, o que demonstra a utilização inequívoca da chamada nulidade de algibeira. 2. "A jurisprudência do STJ, atenta à efetividade e à razoabilidade, tem repudiado o uso do processo como instrumento difusor de estratégias, vedando, assim, a utilização da chamada "nulidade de algibeira ou de bolso"" (EDcl no REsp 1424304/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/08/2014, DJe 26/08/2014). 3. Segundo o entendimento manifestado pela Segunda Seção desta Corte Superior, a prolação de sentença de mérito pelo juízo considerado incompetente não acarreta perda de objeto do recurso especial em que se discute a questão da competência (REsp 1138522/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, DJe 13/03/2017). 4. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no REsp 1.484.008/CE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 30/11/2020, DJe 02/12/2020) Argumenta, em suma, que, "verificada a identidade entre os arestos em análise e a divergência de cunho processual entre as soluções dadas entre a Primeira Turma e a Terceira Seção quanto à nulidade por ausência de intimação pessoal; e entre a Primeira Turma e a Quarta Turma no que tange à configuração da nulidade de algibeira, requer o Banco Central do Brasil o conhecimento e provimento destes Embargos de Divergência, para uniformizar oentendimento jurisprudencial, a fim de que essa Corte Especial prestigie o entendimento firmado pela Terceira Seção e Quarta Turma, respectivamente". É o relatório. Passo a decidir. Os arestos apontados como paradigmas não encerram hipótese semelhante à dos presentes autos. No acórdão ora embargado, a colenda Primeira Turma concluiu que não haveria razão para se decretar a nulidade, pois não se verificou prejuízo na ausência de intimação do BACEN para contrarrazoar o recurso. Eis os fundamentos do referido aresto: Inicialmente, cumpre consignar que, nos termos do art. 542, caput, do CPC/1973, "recebida a petição pela secretaria do tribunal, será intimado o recorrido, abrindo-se-lhe vista, para apresentar contra-razões". O BACEN, em relação ao apelo nobre apresentado pela UNIÃO, não se encontrava na posição de recorrido, eis que ambos os entes eram litisconsortes passivos, inexistindo, portanto, previsão legal para a intimação dele (BACEN), mas é fato que o aludido Banco tinha interesse contraposto ao do seu litisconsorte passivo (em face da alegada ilegitimidade passiva), e isso o legitimava a ser intimado para contraditar o apelo excepcional interposto. Ocorre que, se não por ele, o tema foi contraditado, uma vez que foi objeto das contrarrazões apresentadas pelo BANCO ITAÚ (e-STJ fls. 337/355), e tal matéria foi novamente agitada no agravo interno deste Banco (e-STJ fls. 481/486). Assim, tenho que a falta da intimação do BANCO CENTRAL DO BRASIL (para contrarrazoar o recurso extremo da União) não gerou prejuízo consubstanciado na ausência de contraditório a respeito da prefacial (de ilegitimidade passiva) levantada pela União. Uma manifestação a mais não alteraria a conclusão a que chegou esta Corte, uma vez que o julgado seguiu a jurisprudência aqui consolidada no sentido da ilegitimidade passiva apenas da União em ação que objetiva o resgate dos Bônus do Tesouro Nacional. Somente o silêncio quanto ao tema justificaria a nulidade suscitada, o que, repito, não se verificou. (..) Cumpre considerar que, em se tratando de nulidade processual, há de se ter em mente a máxima pas de nullité sans grief, segundo a qual não se decreta nulidade sem prejuízo. (..) Por fim, impende destacar que esta "Corte de Justiça, em diversas oportunidades, tem exarado a compreensão de que a suscitação tardia da nulidade, somente após a ciência de resultado de mérito desfavorável e quando óbvia a ciência do referido vício muito anteriormente à arguição, configura a chamada nulidade de algibeira, manobra processual que não se coaduna com a boa-fé processual e que é rechaçada pelo Superior Tribunal de Justiça, inclusive nas hipóteses de nulidade absoluta." (REsp 1.714.163/SP, rel. Min. NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, DJe 26/9/2019). No caso presente, não se concebe que o BANCO CENTRAL DO BRASIL, com a sua estrutura jurídica, de reconhecida competência, mesmo não havendo recorrido do acórdão do TRF-3ª, tenha tirado do seu "radar" uma demanda envolvendo mais de R$ 29.000.000,00 (vinte e nove milhões de reais), em valores de julho de 1994 (e-STJ fl. 158), contexto que permite que se cogite ter ele "guardado" essa suposta nulidade para lançar mão no momento que lhe fosse conveniente. De se notar que maior prejuízo adviria do reconhecimento da referida nulidade, com a anulação de parte do procedimento judicial realizado com observância do devido processo legal (já que houve apresentação de contrarrazões pela parte adversa). Diante desse quadro, partindo da premissa de que o processo judicial deve ser o meio para a resolução das lides, e não o fim em si mesmo, bem como em observância aos princípios da instrumentalidade das formas, da economia e celeridade processuais, e, ainda, da segurança jurídica - em detrimento da não realização de formalidade processual - entendo que não deve ser declarada a nulidade ora pretendida. Por sua vez, noparadigma proferido pela colenda Terceira Seção (AgRg na Rcl 2.393/ BA),tratava-se de reclamação, na qual foi afastada a alegada usurpação de competência do Superior Tribunal de Justiça, de maneira que a questão a nulidade foi proferida no julgado ali impugnado e não no exame do mérito da própria reclamação. Ademais,entendeu-se que, no caso concreto,houve a configuração de prejuízo na ausência deintimação pessoal do procurador federal (AGU) -Lei 10.910/2004, ao contrário do que se deu no aresto ora embargado. No paradigma da eg. Quarta Turma (AgInt nos EDcl no REsp 1.484.008/CE), entendeu-se configuradanulidade de algibeira, na medida em que "a União afirma que foi proferida sentença em 3/8/2016, todavia, apesar de ter tomado conhecimento desse fato naquela data, porquanto até então integrou o processo por força do acórdão objeto do presente recurso especial, permaneceu silente a esse respeito por aproximadamente quatro anos, tendo aguardado, portanto, pronunciamento desfavorável nesta Corte Superior para só então, agora, invocar a suposta perda de objeto do recurso e a nulidade do julgamento do recurso especial". Como se vê, as questões jurídicas trazidas nos acórdãos embargado e paradigmas são diversas, não havendo o indispensável dissenso a respeito da solução da questão processual controvertida. Assim, os paradigmas apresentados não são passíveis de caracterizar a divergência jurisprudencial suscitada pela parte embargante. A jurisprudência deste Tribunal Superior já pacificou entendimento de que somente "são cabíveis os Embargos de Divergência quando os arestos trazidos à colação firmaram posição antagônica sobre os mesmos fatos e questões jurídicas deduzidos no acórdão embargado. Ao contrário, devem ser indeferidos os embargos quando, considerando as peculiaridades de cada caso concreto, foram dadas soluções diferentes para as hipóteses confrontadas" (EREsp 443.095/SC, Segunda Seção, Rel. Min. CASTRO FILHO, DJ de 2/2/2004). Em reforço, confiram-se: PROCESSO CIVIL. DIREITO CIVIL. OBRIGAÇÕES. ESPÉCIES DE CONTRATOS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. SIMILITUDE FÁTICA. IDENTIDADE ENTRE ACÓRDÃOS EM CONFRONTO. NÃO DEMONSTRADOS. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 1.043 DO CPC/15 E 266 DO RISTJ. INCIDÊNCIA DO ART. 1.040 DO CPC/15. RESOLUÇÃO N. 8/2008 DO STJ. RETORNO DO FEITO. SOBRESTAMENTO. DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA. SUSPENSÃO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. CONTROVÉRSIA. DIVERGÊNCIA NÃO EVIDENCIADA. I - Os embargos de divergência têm por finalidade uniformizar a jurisprudência do próprio Superior Tribunal de Justiça, quando se verificarem idênticas situações fáticas nos julgados, mas tenha se dado diferente interpretação na legislação aplicável ao caso, não se prestando para avaliar possível justiça ou injustiça do decisum ou corrigir regra técnica de conhecimento. II - Para a configuração do dissídio jurisprudencial, é imprescindível que se demonstrem a similitude fática e a identidade entre os acórdãos em confronto, nos termos dos arts. 1.043 do CPC/2015 e 266, § 4º, do RISTJ. III - Na hipótese, o acórdão embargado, com base nos termos do art. 1.040 do CPC/15 e invocando a Resolução n. 8/2008 do STJ, determinou o retorno do feito à origem em razão da controvérsia delineada nos autos estar sob análise de recurso sob o rito repetitivo - Tema 907. IV - O acórdão paradigma, a seu turno, cujo entendimento foi proferido em 2016, considerou que a " .. devolução dos autos à Corte de origem é uma possível consequência da determinação de sobrestamento do recurso especial neste Superior Tribunal de Justiça .. ". V - Não se verifica a divergência para os fins consignados pela embargante, com o intuito de driblar o sobrestamento do feito, objetivando o julgamento da matéria de mérito, cuja controvérsia encontra-se sob análise em feito de âmbito repetitivo. VI - Veja-se que a real pretensão da embargante é que os autos não sejam suspensos, reformando-se o acórdão embargado para que prevaleça a atual jurisprudência desta Corte em relação ao tema de mérito, a despeito da existência do representativo da controvérsia ainda não julgado. VII - Ora, a única eventual controvérsia entre o acórdão embargado e o apontado como paradigma está no fato da devolução ou não dos autos à origem. Enquanto o primeiro decidiu pela devolução, o segundo considerou que apenas o sobrestamento do recurso especial no STJ seria suficiente, e que a devolução dos autos à origem seria " .. uma possível consequência da determinação de sobrestamento do recurso especial .. ". VIII - Não evidenciada a divergência apontada, a hipótese se amolda ao seguintes precedente: EREsp n. 1.415.390/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Corte EspeciaL, julgado em 21/6/2017, DJe 29/6/2017. IX - Agravo interno improvido. (AgInt nos EREsp 1703788/SE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 20/03/2019, DJe 26/03/2019) EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PROCESSO CIVIL. CORTE ESPECIAL. RECURSO INTERPOSTO ANTES DO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO ALTERAÇÃO DA DECISÃO EMBARGADA. DESNECESSIDADE DE RATIFICAÇÃO. INSTRUMENTALISMO PROCESSUAL. CONHECIMENTO DO RECURSO. INTERPRETAÇÃO DA SÚMULA 418 DO STJ QUE PRIVILEGIA O MÉRITO DO RECURSO E O AMPLO ACESSO À JUSTIÇA. 1. Segundo dispõe a Súmula 418 do STJ "é inadmissível o recurso especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem posterior ratificação". 2. A Corte Especial do STJ, no julgamento da Questão de Ordem no REsp n. 1.129.215/DF, rel. Min. Luis Felipe Salomão, firmou o entendimento de que "a única interpretação cabível para o enunciado da Súmula 418 do STJ é aquela que prevê o ônus da ratificação do recurso interposto na pendência de embargos declaratórios apenas quando houver alteração na conclusão do julgamento anterior". 3. "O cabimento dos embargos de divergência pressupõe a existência de discrepância de entendimentos entre Turmas do STJ a respeito da mesma questão de direito federal. Tratando-se de divergência a propósito de regra de direito processual não se exige haja identidade de questões de direito material decididas nos acórdãos em confronto. O que interessa para ensejar o cabimento dos embargos de divergência em matéria processual é que a mesma questão processual, em conjuntura semelhante, tenha recebido tratamento divergente". (EREsp 1080694/RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, julgado em 08/05/2013, DJe 27/06/2013). 4. Na hipótese, em se tratando de embargos de divergência sobre regra de direito processual (interpretação a ser conferida ao art. 508 do CPC), bem como em se reconhecendo não ter havido alteração do acórdão dos embargos de declaração na apelação, deve haver o processamento normal do recurso (principal), que não poderá mais ser alterado. 5. Agravo regimental provido para dar provimento aos embargos de divergência. (AgRg nos EAREsp 300.967/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 16/09/2015, DJe 20/11/2015) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. REAJUSTE DE 28,86%. LIMITAÇÃO TEMPORAL. LEI 10.355/2001. POSSIBILIDADE DE ALEGAÇÃO EM SEDE DE EMBARGOS À EXECUÇÃO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICA ENTRE OS JULGADOS CONFRONTADOS. NECESSIDADE. PRECEDENTES DA CORTE ESPECIAL DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não se conhece da divergência interna corpus quando os julgados confrontados não guardam similitude fático-jurídica, o que é indispensável para o seu exame, já que os embargos de divergência constituem recurso que tem por finalidade exclusiva a uniformização da jurisprudência interna, cabível nos casos em que, embora a situação fática dos julgados seja a mesma, há dissídio jurídico entre as Turmas que compõem o Superior Tribunal de Justiça acerca da interpretação de uma mesma norma federal, o que não ocorre no presente casu. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EAREsp 242.938/RS, CORTE ESPECIAL, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 29/9/2014) Diante do exposto, com base no art. 266-C do RISTJ, indefiro liminarmente os embargos de divergência. Publique-se.