HC 789717 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque, nos termos do art. 563 do CPP e do princípio pas de nullité sans grief, não foi demonstrado prejuízo concreto decorrente da atuação de advogado com inscrição suspensa; além disso, a agravante contratou o referido patrono, não podendo alegar agora nulidade que lhe é...
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- Parties
- Agravante: ADRIANA APARECIDA FRIZZI; Manifestante: Ministério Público Federal; Intimado: Ministério Público do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Pela Quinta Turma (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo regimental desprovido
- Legal Topics
- Nulidade Processual, Deficiência Da Defesa Técnica, Pas De Nullité Sans Grief, Art. 563 Do CPP
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Parties
ADRIANA APARECIDA FRIZZI
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Ministério Público do Estado de São Paulo
Intimado
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Pela Quinta Turma (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Exigência de demonstração de prejuízo para declaração de nulidade (art. 563 do CPP)
- 2 Atuação de advogado com inscrição suspensa e sua repercussão sobre a validade da ação penal
- 3 Impossibilidade de a agravante suscitar nulidade cuja causa lhe é atribuída
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque, nos termos do art. 563 do CPP e do princípio pas de nullité sans grief, não foi demonstrado prejuízo concreto decorrente da atuação de advogado com inscrição suspensa; além disso, a agravante contratou o referido patrono, não podendo alegar agora nulidade que lhe é atribuível.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão agravada por seus próprios e jurídicos fundamentos
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 25/06/2024 a 01/07/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. DEFICIÊNCIA DA DEFESA TÉCNICA. COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO. NECESSIDADE. ART. 563 DO CPP. PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO DESPROVIDO. I - Nos termos do artigo 563 do Código de Processo Penal, a declaração de nulidade do ato condiciona-se a dele resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa, comprovadamente. Por seu turno, a comprovação do prejuízo é ônus processual que a impetrante deve cumprir. Necessário, pois, indicar, de modo concreto e preciso, como e em que medida o ato inquinado de nulo foi ou é efetivamente prejudicial à agravante. II - Não por acaso, a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, há muito, firmou-se no sentido de que a declaração de nulidade exige a comprovação de prejuízo, em consonância com o princípio pas de nullité sans grief, consagrado no artigo 563 do Código de Processo Penal. Precedentes. III - Na hipótese, conforme consignado na decisão agravada, não se vislumbra qualquer nulidade passível da concessão da ordem, uma vez que a autuação de advogado com inscrição suspensa, a par de configurar infração disciplinar passível de sanção perante a OAB, não tem o condão de tornar nula a ação penal onde o mesmo atuou, notadamente porque não se demonstrou prejuízo concreto na atuação do causídico. Ademais, considerando que o referido patrono foi contratado pela própria agravante para que exercesse sua defesa, não pode esta agora suscitar nulidade a que deu causa. IV - Neste agravo regimental não foram apresentados argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, devendo ser mantida a decisão impugnada por seus próprios e jurídicos fundamentos. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por ADRIANA APARECIDA FRIZZI contra decisão de minha lavra, acostada às fls. 138-144, na qual deneguei a ordem no presente habeas corpus. Neste regimental, a Defesa reitera os argumentos sustentados na exordial da impetração, ou seja, de deficiência da defesa técnica porquanto o causídico que a defendeu no decorrer da instrução criminal estava com sua inscrição suspensa junto à Ordem dos Advogados do Brasil - OAB. Requer, assim, seja submetido o agravo ao Colegiado para julgamento e provimento, nos moldes pugnados nas razões recursais. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do agravo, conforme parecer de fls. 159-167. Intimado a apresentar contrarrazões, o Ministério Público do Estado de São Paulo deixou transcorrer in albis o prazo concedido (fl. 173). Por manter a decisão agravada por seus próprios e jurídicos fundamentos, submeto o feito à apreciação da Quinta Turma. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. DEFICIÊNCIA DA DEFESA TÉCNICA. COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO. NECESSIDADE. ART. 563 DO CPP. PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO DESPROVIDO. I - Nos termos do artigo 563 do Código de Processo Penal, a declaração de nulidade do ato condiciona-se a dele resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa, comprovadamente. Por seu turno, a comprovação do prejuízo é ônus processual que a impetrante deve cumprir. Necessário, pois, indicar, de modo concreto e preciso, como e em que medida o ato inquinado de nulo foi ou é efetivamente prejudicial à agravante. II - Não por acaso, a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, há muito, firmou-se no sentido de que a declaração de nulidade exige a comprovação de prejuízo, em consonância com o princípio pas de nullité sans grief, consagrado no artigo 563 do Código de Processo Penal. Precedentes. III - Na hipótese, conforme consignado na decisão agravada, não se vislumbra qualquer nulidade passível da concessão da ordem, uma vez que a autuação de advogado com inscrição suspensa, a par de configurar infração disciplinar passível de sanção perante a OAB, não tem o condão de tornar nula a ação penal onde o mesmo atuou, notadamente porque não se demonstrou prejuízo concreto na atuação do causídico. Ademais, considerando que o referido patrono foi contratado pela própria agravante para que exercesse sua defesa, não pode esta agora suscitar nulidade a que deu causa. IV - Neste agravo regimental não foram apresentados argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, devendo ser mantida a decisão impugnada por seus próprios e jurídicos fundamentos. Agravo regimental desprovido. VOTO Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do agravo regimental. Conforme relatado, pretende a Defesa o acolhimento e provimento do regimental, reformando-se a decisão agravada a fim de que seja concedida a ordem no presente habeas corpus para determinar a anulação do processo de origem desde a audiência de instrução onde o causídico suspenso atuou. A decisão impugnada, entretanto, analisou todos os pontos apresentados de forma devidamente fundamentada e merece ser mantida. De fato, no presente caso, não se vislumbra qualquer nulidade passível da concessão da ordem uma vez que a autuação de advogado com inscrição suspensa, a par de configurar infração disciplinar passível de sanção perante a OAB, não tem o condão de tornar nula a ação penal onde o mesmo atuou, notadamente porque não se demonstrou prejuízo concreto na atuação do causídico. Ademais, considerando que o referido patrono foi contratado pela própria agravante para que exercesse sua defesa, não pode esta agora, por óbvio, suscitar nulidade a que deu causa. Ressalte-se que, conforme os termos do artigo 563 do Código de Processo Penal, a declaração de nulidade do ato condiciona-se a dele resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. A comprovação do prejuízo, por seu turno, é ônus processual que a Defesa deve cumprir. Necessário, pois, indicar, de modo concreto e preciso, como e em que medida o ato inquinado de nulo foi ou é efetivamente prejudicial à agravante. Nesse sentido é o entendimento do Supremo Tribunal Federal, nos termos consolidados no enunciado n. 523 de sua Súmula, in verbis: "No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu". Igualmente, a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, há muito, firmou-se no sentido de que a declaração de nulidade exige a comprovação de prejuízo, em consonância com o princípio pas de nullité sans grief, consagrado no artigo 563 do Código de Processo Penal. Vejamos: "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ABORDAGEM. BUSCA PESSOAL. DIREITO AO SILÊNCIO. INVASÃO DE DOMICÍILIO. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. VIA ELEITA INADEQUADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O reconhecimento de nulidade processual, ainda que absoluta, depende da demonstração do efetivo prejuízo, por aplicação do princípio pas de nullité sans grief. .. 4. Agravo regimental desprovido" (AgRg no HC n. 846.487/RO, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 6/3/2024). "PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ART. 50, CAPUT, DA LEI N. 9.605/1998. OFENSA AO § 4º DO ART. 600 DO CPP. DETERMINAÇÃO DE APRESENTAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS AINDA EM PRIMEIRO GRAU DE JURISDIÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 1. Nos termos do art. 563 do Código de Processo Penal, consubstanciado pela máxima do pas de nullité sans grief, não há que ser declarado um ato como nulo se da nulidade não resultar prejuízo. .. 4. "O princípio do pas de nullité sans grief exige, em regra, a demonstração de prejuízo concreto à parte que suscita o vício, podendo ser ela tanto a nulidade absoluta quanto a relativa, pois não se decreta nulidade processual por mera presunção" (HC 132.149-AgR, Rel. Min. Luiz Fux)" (HC n. 184.709 AgR, relator Ministro Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 16/6/2020, Processo Eletrônico, DJe-177, divulgado em 14/7/2020, publicado em 15/7/2020). 5. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça vem se posicionando no sentido de que o postulado "pas de nullité sans grief impõe a manutenção do ato impugnado que, embora praticado em desacordo com a formalidade legal, atinge a sua finalidade, restando à parte demonstrar a ocorrência de efetivo prejuízo" (RHC n. 71.626/CE, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 28/11/2017, DJe 1º/12/2017), o que não ficou evidenciado na espécie. 6. Agravo regimental desprovido" (AgRg no HC n. 728.774/MT, Sexta Turma, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, DJe de 7/12/2023). Por fim, considerando que no presente agravo regimental não se aduziu qualquer argumento apto a ensejar a alteração da decisão ora agravada, deve haver a manutenção do ato judicial por seus próprios fundamentos. Acerca do tema: AgRg no HC n. 804.533/PE, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 17/3/2023; e AgRg no HC n. 659.003/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 30/3/2023. Ante todo o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.