REsp 1960939 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a alegação de omissão prevista no art. 1.022 do CPC foi deduzida de forma genérica, sem demonstrar cumulativamente os requisitos exigidos pelo Tribunal para que a omissão fosse reputada relevante, incidindo a Súmula 284/STF; ademais, o acórdão regional fundamentou-se na...
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- Parties
- Recorrente: Luciano da Cruz Diniz; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins; Interessada: E. G.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Fundamentada No Art. 932, Iii, Cpc/2015)
- Outcome
- Não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Omissão (art. 1.022 Cpc), Súmula 284/stf, Liminar Que Esgota O Objeto (art. 1º, § 3º, Lei Nº 8.437/92), Servidor Público Em Cargo Comissionado, Ação Popular, Fraude Processual, Súmulas E Precedentes
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Parties
Luciano da Cruz Diniz
Recorrente
Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins
Recorrido
E. G.
Interessada
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Fundamentada No Art. 932, Iii, Cpc/2015)
Legal Issues
- 1 Violação do art. 1.022 do CPC (omissão)
- 2 Aplicação da Súmula 43 do STF
- 3 Alegação de fraude processual
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a alegação de omissão prevista no art. 1.022 do CPC foi deduzida de forma genérica, sem demonstrar cumulativamente os requisitos exigidos pelo Tribunal para que a omissão fosse reputada relevante, incidindo a Súmula 284/STF; ademais, o acórdão regional fundamentou-se na vedação de liminar que esgote o objeto da ação (art. 1º, § 3º, Lei nº 8.437/92) e na regulamentação estadual que permite servidor efetivo exercer cargo em comissão, razões suficientes para manter o julgado.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial
Orders
- Não conhecer do recurso especial com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto por Luciano da Cruz Diniz, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins assim ementado (e-STJ, fls. 576-577): AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO INTERNO.PROCESSO MADURO PARA JULGAMENTO. HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA CELERIDADE E ECONOMIA PROCESSUAL. AGRAVO INTERNO PREJUDICADO. 1. O processo já está maduro para julgamento, razão pela qual não se apreciou o Agravo Interno interposto no evento 05, passando-se ao julgamento de mérito do Agravo de Instrumento. Respeito ao princípio da celeridade e economia processual. Agravo interno prejudicado. AÇÃO POPULAR. RECURSO INTERPOSTO PELO AUTOR. LIMINAR QUE ESGOTA O OBJETO DA AÇÃO. VEDAÇÃO LEGAL.POSSIBILIDADE DE SERVIDOR PÚBLICO EFETIVO OCUPAR CARGO EM COMISSÃO. EQUÍVOCO. AGRAVO CONHECIDO E IMPROVIDO. 2. In casu, a probabilidade de direito encontra-se ausente diante da vedação legal disciplinada no art. 1º, § 3º, da Lei nº 8.437/92, que assim dispõe: "§ 3º - Não será cabível medida liminar que esgote, no todo ou em qualquer parte, o objeto da ação". 3. O próprio Estatuto dos Servidores Públicos Civis do Estado do Tocantins (Lei Estadual nº 1.818, de 23 de agosto de 2007) regulamenta a hipótese, facultando, inclusive, ao servidor efetivo designado para exercer cargo em comissão na Administração Estadual o direito de "optar entre a remuneração global atribuída ao cargo comissionado ou sua remuneração relativa cargo de provimento efetivo e a gratificação de representação atribuída ao cargo de provimento em comissão". 4. A servidora E. G. encontra-se regularmente inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil - TO, sendo indiscutível, pois, a sua habilitação técnica para exercer as atribuições típica do cargo de Assessor Jurídico - DAS3. 5. Agravo de Instrumento conhecido e improvido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 613-618). Nas razões doespecial, orecorrente alega violação do art. 1.022 do CPC, porquanto a Corte local não se manifestou sobre: i) aplicação da Súmula 43 do STF; e ii) fraude processual. Parecer do Ministério Público Federal pelo não conhecimento do recurso especial (e-STJ, fls. 687-692). É o relatório. Inicialmente, o provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 1.022 do CPC pressupõe que sejam demonstrados, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanar a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegação por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Com efeito, a parte insurgente limitou-se a indicar a necessidade de abordagem de alguns pontos pela Corte de origem, sem especificá-los, nem justificar, nas razões do apelo, a importância do enfrentamento do tema para a correta solução do litígio. A suscitada violação do art. 1022 do Código de Processo Civil foi deduzida de modo genérico, o que justifica a aplicação da Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". A esse respeito, destaco os seguintes precedentes: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DO PLANO GERAL DE CARGOS DO PODER EXECUTIVO - GDPGPE. EXTENSÃO AOS INATIVOS. POSSIBILIDADE. GRATIFICAÇÃO GENÉRICA. AUSÊNCIA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. 1. Inviável o apelo especial quanto à alegação de ofensa ao art. 535 do CPC se as razões expendidas no recurso forem genéricas, constituindo simples remissão aos embargos de declaração opostos na origem, sem particularizar os pontos em que o acórdão teria sido omisso, contraditório ou obscuro. Incidência da Súmula 284/STF. 2. O recurso esbarra no obstáculo da Súmula 283/STF, uma vez que a recorrente não impugnou os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem ao considerar o caráter genérico da vantagem pleiteada por não ter sido realizada avaliação de desempenho dos servidores da ativa. 3. Ainda que superado o referido óbice, o julgado reconheceu o direito dos autores baseado na necessidade de tratamento paritário entre ativos e inativos, garantido pela Constituição Federal, matéria insuscetível de ser examinada em recurso especial. 4. Ademais, esta Turma já se manifestou no sentido de que a Gratificação de Desempenho do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (GDPGPE) vem sendo paga de forma genérica aos servidores da ativa, devendo ser estendida aos aposentados e pensionistas no mesmo percentual. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 304.959/PE, relator MinistroSÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/9/2013, DJe de 27/9/2013). PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. INTERRUPÇÃO. DANOS MORAIS. OCORRÊNCIA. CONCLUSÃO OBTIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM MEDIANTE ANÁLISE DAS PROVAS DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Não se conhece da violação ao art. 535 do CPC, pois as alegações que fundamentaram a pretensa ofensa são genéricas, sem discriminação dos pontos efetivamente omissos, contraditórios ou obscuros. Incide, no caso, a Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia. 2. O Tribunal de origem, ao concluir pela responsabilidade da concessionária ao pagamento dos danos morais sofridos pelo autor, entendeu que o dano decorreu da demora no restabelecimento da energia. Assim, para alterar tal conclusão, necessário o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, o que é vedado nesta seara recursal, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp n. 1.370.724/RS, relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/9/2013, DJe de 2/10/2013). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.