REsp 1865455 - DECISAO
Houve omissão no acórdão do Tribunal de origem ao deixar de apreciar tese relevante suscitada nos embargos de declaração e na apelação relativa à observância do contraditório e da ampla defesa quanto à prova testemunhal; tal deficiência de fundamentação configura negativa de prestação jurisdicional e impede o...
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- Parties
- Agravante: JAIME LINO DA CRUZ e OUTROS (CLÁUDIO JOSÉ LEMES SANTOS e IRACEMA NEVES); Recorrente Prejudicado: ODAIR SANTIAGO MACIEL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão (reconsideração)
- Outcome
- Decisão agravada reconsiderada; dado provimento ao recurso especial de JAIME LINO DA CRUZ e OUTROS (CLÁUDIO JOSÉ LEMES SANTOS e IRACEMA NEVES); anulado o acórdão prolatado em sede de embargos declaratórios; autos remetidos ao Tribunal a quo para apreciação da questão omitida; recurso especial de ODAIR SANTIAGO...
- Legal Topics
- Omissão (art. 1.022 Cpc/2015), Negativa De Prestação Jurisdicional, Fundamentação (art. 489, § 1º, IV, Cpc/2015), Retorno Dos Autos Ao Tribunal De Origem, Prequestionamento (súmula 211 Do Stj)
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Parties
JAIME LINO DA CRUZ e OUTROS (CLÁUDIO JOSÉ LEMES SANTOS e IRACEMA NEVES)
Agravante
ODAIR SANTIAGO MACIEL
Recorrente Prejudicado
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão (reconsideração)
Legal Issues
- 1 Omissão do Tribunal de origem quanto a tese sobre observância do contraditório e ampla defesa relativa à prova testemunhal que embasou a condenação
- 2 Alegação de ofensa ao art. 1.022, II, do CPC/2015
- 3 Deficiência de fundamentação configuradora de negativa de prestação jurisdicional
Ratio Decidendi
Houve omissão no acórdão do Tribunal de origem ao deixar de apreciar tese relevante suscitada nos embargos de declaração e na apelação relativa à observância do contraditório e da ampla defesa quanto à prova testemunhal; tal deficiência de fundamentação configura negativa de prestação jurisdicional e impede o prequestionamento, autorizando a anulação do acórdão dos embargos declaratórios e o retorno dos autos ao Tribunal a quo para análise da questão omitida, conforme art. 1.022 do CPC/2015 e Súmula 211 do STJ, sendo a decisão agravada reconsiderada com fundamento no caput do art. 259 e art. 255, § 4º, III, do RISTJ.
Court Disposition
Decisão agravada reconsiderada; dado provimento ao recurso especial de JAIME LINO DA CRUZ e OUTROS (CLÁUDIO JOSÉ LEMES SANTOS e IRACEMA NEVES); anulado o acórdão prolatado em sede de embargos declaratórios; autos remetidos ao Tribunal a quo para apreciação da questão omitida; recurso especial de ODAIR SANTIAGO...
Orders
- Reconsiderar a decisão agravada (e-STJ fls. 1644/1649)
- Dar provimento ao recurso especial de JAIME LINO DA CRUZ e OUTROS (CLÁUDIO JOSÉ LEMES SANTOS e IRACEMA NEVES)
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por JAIME LINO DA CRUZ eOUTROS (CLÁUDIO JOSÉ LEMES SANTOS e IRACEMA NEVES)contra decisão (às e-STJ fls. 1.644/1.649),em que conheci parcialmente do recurso especial, negando-lhe provimento na parte conhecida, ao fundamento de que: a) não houve violação do art. 1.022 do CPC/2015; e b) o reexame de provas não é cabível em recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. A parte agravante sustenta a existência de ofensa ao art. 1.022, II, do CPC/2015, por entender que não foram sanados vícios de omissão relativamente à alegação de que os depoimentos nos quais se apoiou o decreto condenatório foram colhidos unicamente em sede inquisitorial, não tendo sido confirmados em juízo; e o acórdão recorrido parte dapresunção de que dois licitantes não compareceriam ao certame. Sem impugnação. Passo a decidir. Ao analisar o agravo interno, entendo que a decisão agravada merece ser reconsiderada. De fato, o TJ/MG, a despeito de provocado via embargos de declaração, manteve-se silente quanto à tese sustentada pelos ora agravantes desde o recurso de apelação, alusiva à observância aocontraditório e à ampla defesa da prova testemunhal que embasou a condenação. Acerca da hipótese: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. OCORRÊNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM PARA APRECIAR NOVAMENTE OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, SANANDO O VÍCIO DETECTADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Ocorre a negativa de prestação jurisdicional, consubstanciada em deficiência na fundamentação da decisão recorrida, quando o Julgador, instado a se manifestar, deixa de manifestar-se a respeito das questões suficientes a amparar a tese alegada pelas partes. No caso, constata-se haver deficiência na fundamentação do acórdão recorrido - violando, por conseguinte, os arts. 1.022, I, parágrafo único, e 489, § 1º, IV, do CPC/2015 -, quanto à necessidade de a ANATEL fiscalizar a correta implementação dos setores de relacionamento pela prestadora OI, a despeito de requerimento expresso nesse sentido na Apelação do MPF; e sobre a condenação da empresa em danos morais coletivos, nos termos de precedentes da própria Corte Regional. 2. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1831395/PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/05/2020, DJe 02/06/2020) PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. IMPUGNAÇÃO ACOLHIDA. APELAÇÃO. QUESTÕES PERTINENTES E RELEVANTES NÃO APRECIADAS. AGRAVO INTERNO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. ACÓRDÃO NÃO FUNDAMENTADO. VIOLAÇÃO DO ART. 489, § 1º, IV, DO CPC/15. 1. Impugnação à gratuidade de justiça oferecida em 20/10/2014. Recurso especial interposto em 02/06/2016, concluso ao gabinete em 30/09/2016. 2. Aplicação do CPC/15, a teor do enunciado administrativo nº 3/STJ. 3. Cinge-se a controvérsia a decidir sobre a invalidade do julgamento proferido, por ausência de fundamentação, a caracterizar violação do art. 489, § 1º, IV, do CPC/2015. 4. Conquanto o julgador não esteja obrigado a rebater, com minúcias, cada um dos argumentos deduzidos pelas partes, o novo Código de Processo Civil, exaltando os princípios da cooperação e do contraditório, lhe impõe o dever, dentre outros, de enfrentar todas as questões pertinentes e relevantes, capazes de, por si sós e em tese, infirmar a sua conclusão sobre os pedidos formulados, sob pena de se reputar não fundamentada a decisão proferida. 5. Na hipótese, mostra-se deficiente a fundamentação do acórdão, no qual é confirmado o indeferimento da gratuidade de justiça, sem a apreciação das questões suscitadas no recurso, as quais indicam que a recorrente - diferentemente dos recorridos, que foram agraciados com o benefício - não possui recursos suficientes para arcar com as despesas do processo e honorários advocatícios. 6. É vedado ao relator limitar-se a reproduzir a decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno. 7. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 1622386/MT, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/10/2016, DJe 25/10/2016) Assim, a ocorrência de vício de integração justifica a nulidade do acórdão recorrido, por violação do art. 1.022 do CPC/2015, para que as questões levantadas pela recorrente sejam apreciadas pelo Tribunal de origem, à luz do caso concreto, até mesmo para fins de efetivo prequestionamento, sob pena de inviabilizar o acesso à instância especial, nos termos da Súmula 211 do STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO NO ACÓRDÃO CONFIGURADA. ANÁLISE DE QUESTÕES EMINENTEMENTE FÁTICAS EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE RETORNO DOS AUTOS À CORTE DE ORIGEM. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Reconhecida a existência de omissão no acórdão recorrido e referindo-se o vício a questões eminentemente fáticas, impõe-se o retorno dos autos à Corte de origem para novo julgamento, tendo em vista a impossibilidade de esta Corte Superior adentrar a análise do acervo fático-probatório dos autos. 2. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1149082/DF, Relator Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), QUARTA TURMA, DJe 14/12/2017). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. QUESTÃO RELEVANTE SUSCITADA EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. RETORNO DOS AUTOS À CORTE DE ORIGEM. 1. Incide em violação ao art. 1.022 do CPC/2015 o órgão julgador que, instado a se pronunciar sobre questão relevante para o deslinde da controvérsia, permanece silente a seu respeito, causando prejuízo à parte embargante. 2. Deve-se reconhecer a existência de omissão no acórdão impugnado; daí a necessidade de que seja proferido novo julgamento dos Embargos, analisando-se, desta vez, o ponto apresentado pela parte recorrente: "por força da previsão no edital e expresso entendimento do ilustre Magistrado da 4ª Vara Especializada de Execuções Fiscais, os Arrematantes/Embargados, no caso concreto, são responsáveis pelo pagamento dos tributos com fatos geradores anteriores à arrematação". 3. Recurso Especial provido, determinando-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se manifeste sobre o ponto suscitado nos aclaratórios. (REsp 1695486 / SP, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 19/12/2017). Ante o exposto, com fundamento no caput do art. 259 do RISTJ, RECONSIDERO a decisão agravada (e-STJ fls. 1644/1649), para, com base no art. 255, § 4º, III,do RISTJ, DAR PROVIMENTO ao recurso especial de JAIME LINO DA CRUZ eOUTROS (CLÁUDIO JOSÉ LEMES SANTOS e IRACEMA NEVES), a fim de anular o acórdão prolatado em sede de embargos declaratórios e determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo, para que sejaanalisadaaquestãoomitidamencionadaacima. Recurso especial de ODAIR SANTIAGO MACIEL prejudicado. Publique-se. Intimem-se.