AREsp 1839711 - DECISAO
Constatada omissão no acórdão recorrido quanto à aplicação do art. 43, §5º da Lei 8.666/1993, e diante da impossibilidade de o Superior Tribunal de Justiça reexaminar questões eminentemente fáticas (Súmula 7), o acórdão dos embargos de declaração foi anulado e os autos foram remetidos ao Tribunal a quo para que...
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- Parties
- Agravante: PARAIBUNA TRANSPORTES S.A.; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento, anulando o acórdão prolatado em sede de embargos declaratórios e determinando o retorno dos autos ao Tribunal a quo para análise da questão omissa.
- Legal Topics
- Omissão (art. 1.022 Cpc/2015), Prequestionamento (art. 1.025 Cpc/2015), Admissibilidade De Recurso Especial, Controle Jurisdicional Do Mérito Administrativo, Habilitação E Julgamento Em Licitação, Súmula 7 Do STJ, Súmula 211 Do STJ
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Parties
PARAIBUNA TRANSPORTES S.A.
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 existência de omissão no acórdão quanto à aplicação do art. 43, §5º da Lei 8.666/1993
- 2 possibilidade de reexame de matérias fático-probatórias em recurso especial (Súmula 7)
- 3 alcance do prequestionamento e do prequestionamento ficto (art. 1.025 CPC/2015)
Ratio Decidendi
Constatada omissão no acórdão recorrido quanto à aplicação do art. 43, §5º da Lei 8.666/1993, e diante da impossibilidade de o Superior Tribunal de Justiça reexaminar questões eminentemente fáticas (Súmula 7), o acórdão dos embargos de declaração foi anulado e os autos foram remetidos ao Tribunal a quo para que analise a questão omissa, garantindo o prequestionamento e respectiva admissibilidade do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento, anulando o acórdão prolatado em sede de embargos declaratórios e determinando o retorno dos autos ao Tribunal a quo para análise da questão omissa.
Orders
- Anular o acórdão prolatado em sede de embargos declaratórios
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo para que seja analisada a questão omissa
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelaPARAIBUNA TRANSPORTES S.A. contra decisão doTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, o qual não admitiu recurso especial fundado na alínea "a"do permissivo constitucional e desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl.475): EMENTA: APELAÇÃO. AÇÃO ORDINÁRIA. ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO. LICITAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO APRESENTADO NA VIA ADMINISTRATIVA. EDITAL. ATO CONVOCATÓRIO. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIAS EDITALÍCIAS.DISCRICIONARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONTROLE DO MÉRITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. - O edital é o instrumento convocatório no qual são definidos os critérios e as normas que regerão todo o procedimento licitatório, bem como as que serão aplicadas ao final para se formalizar a contratação do objeto licitado. - Prevendo o edital a interposição de recurso contra a habilitação e o julgamento das propostas, recorrível tanto a decisão de reconsideração e classificação da empresa licitante quanto a decisão de habilitação da proposta apresentada pela indigitada empresa. - Advindo a desclassificação da empresa do descumprimento de exigência editalicia, tal como apontado pelo ente público, livre para estabelecer as bases da licitação e os critérios de julgamento, o que se insere dentro da discricionariedade administrativa, vedado ao Judiciário exercer o controle do mérito do ato administrativo. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 530/539). No recurso especial obstaculizado, a parte apontou violação do art.1.022 do CPC/2015, por negativa de prestação jurisdicional, e, no mérito, do art. 43, §5º, da Lei n. 8.666/1993, argumentando que, ultrapassada a fase de habilitação, descabe a desclassificação do licitante por motivo relacionado à habilitação, salvo se superveniente. Afirma também que, na hipótese dos autos, "não poderia o acórdão recorrido admitir rediscussão de temas atinentes à habilitação em recurso da fase de julgamento das propostas técnicas."(e-STJ fl. 554). Contrarrazõesàs e-STJ fls. 569/575. O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, tendo sido os fundamentos da decisão atacados no presente recurso. Passo a decidir. O art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 prevê que os embargos de declaração serão cabíveis quando houver, no acórdão ou na sentença, omissão contradição, obscuridade ou erro material, in verbis: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I- esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II- suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III- corrigir erro material. Para a admissão do recurso especial com base no referido dispositivo, a omissão/contradição/obscuridade/erro material tem que ser manifesta, ou seja, imprescindível para o enfrentamento da quaestio. No presente caso, assiste razão àora recorrente, tendo em vista que, muito embora o tema tenha surgido no julgamento da apelação e tenha sido suscitado oportunamente no recurso integrativo,a Corte local não exprimiu juízo de valor acerca daaplicação do art. 43, §5º, da Lei de Licitações ao caso concreto. Nada obstante o art. 1.025 do Código de Processo Civil de 2015 tenha consagrado o "prequestionamento ficto", à luz no novel regramento processual, as questões trazidas à instância excepcional podem ser examinadas e decididas à luz dos dispositivos tidos por violados, desde que versem acerca de questão exclusivamente de direito e, por óbvio, não imponham a esta Corte a análise ou reexame de elementos fáticos-probatórios dos autos. A exegese do art. 1.025 do CPC/2015 "é aquela compatível com a missão constitucional atribuída ao Superior Tribunal de Justiça, isto é, a de uniformizar a interpretação das leis federais em grau recursal nas causas efetivamente decididas pelos Tribunais da República (CR, art. 105, III), não podendo, portanto, sofrer modificação por legislação infraconstitucional" (REsp 1.670.149/PE, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, Primeira Turma, julgado em 13/03/2018, DJe 22/03/2018). In casu, o acolhimento das razões do especial com o fito de constatar que a Administração não poderia rever o decidido anteriormente na fase de habilitação do certamedemanda reexame do acervo fático dos autos, o que é vedado na via do apelo especial, ante o óbice da Súmula 7 do STJ. Assim, a ocorrência de vício de integração justifica a nulidade do acórdão recorrido, por violação do art. 1.022 do CPC/2015, para que as questões levantadas pela recorrente sejam apreciadas pelo Tribunal de origem, à luz do caso concreto, até mesmo para fins de efetivo prequestionamento, sob pena de inviabilizar o acesso à instância especial, nos termos da Súmula 211 do STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO NO ACÓRDÃO CONFIGURADA. ANÁLISE DE QUESTÕES EMINENTEMENTE FÁTICAS EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE RETORNO DOS AUTOS À CORTE DE ORIGEM. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Reconhecida a existência de omissão no acórdão recorrido e referindo-se o vício a questões eminentemente fáticas, impõe-se o retorno dos autos à Corte de origem para novo julgamento, tendo em vista a impossibilidade de esta Corte Superior adentrar a análise do acervo fático-probatório dos autos. 2. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1.149.082/DF, Relator Ministro LÁZARO GUIMARÃES, DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO, QUARTA TURMA, DJe 14/12/2017). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. QUESTÃO RELEVANTE SUSCITADA EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. RETORNO DOS AUTOS À CORTE DE ORIGEM. 1. Incide em violação ao art. 1.022 do CPC/2015 o órgão julgador que, instado a se pronunciar sobre questão relevante para o deslinde da controvérsia, permanece silente a seu respeito, causando prejuízo à parte embargante. 2. Deve-se reconhecer a existência de omissão no acórdão impugnado; daí a necessidade de que seja proferido novo julgamento dos Embargos, analisando-se, desta vez, o ponto apresentado pela parte recorrente: "por força da previsão no edital e expresso entendimento do ilustre Magistrado da 4ª Vara Especializada de Execuções Fiscais, os Arrematantes/Embargados, no caso concreto, são responsáveis pelo pagamento dos tributos com fatos geradores anteriores à arrematação". 3. Recurso Especial provido, determinando-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se manifeste sobre o ponto suscitado nos aclaratórios. (REsp 1.695.486 SP, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 19/12/2017). Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, II, "c", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para DAR PROVIMENTO ao recurso e, anulando o acórdão prolatado em sede de embargos declaratórios, determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo, a fim de que seja analisada a questão omissa. Publique-se. Intimem-se.