REsp 1677069 - ACORDAO
Havendo omissão caracterizada no acórdão recorrido quanto a questões relevantes suscitadas e capazes de influir no resultado, impõe-se sanar tal omissão; contudo, no agravo interno os argumentos da União foram insuficientes para desconstituir a decisão que reconheceu a omissão, e não se demonstrou hipótese de...
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- Parties
- Agravante: União; Agravada/autora: Companhia Siderúrgica de Tubarão (sucedida por Arcelormittal Brasil S/A)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Acórdão Da Primeira Turma Julgamento Do Agravo Interno
- Outcome
- Negado provimento ao Agravo Interno
- Legal Topics
- Omissão (art. 535 Cpc/1973), Aplicabilidade Do Cpc/2015, Multa Recursal (art. 1.021, §4º Cpc/2015), Prescrição, Juros Moratórios, Liquidez Das Obrigações, Glosas De Duplicatas, Reembolso De Fretes
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Parties
União
Agravante
Companhia Siderúrgica de Tubarão (sucedida por Arcelormittal Brasil S/A)
Agravada/autora
Procedural Posture
Agravo Interno / Acórdão Da Primeira Turma Julgamento Do Agravo Interno
Legal Issues
- 1 Caracterização de omissão no acórdão (art. 535 CPC/1973)
- 2 Aplicabilidade do Código de Processo Civil de 2015 ao agravo interno
- 3 Possibilidade de imposição da multa prevista no art. 1.021, §4º do CPC/2015
Ratio Decidendi
Havendo omissão caracterizada no acórdão recorrido quanto a questões relevantes suscitadas e capazes de influir no resultado, impõe-se sanar tal omissão; contudo, no agravo interno os argumentos da União foram insuficientes para desconstituir a decisão que reconheceu a omissão, e não se demonstrou hipótese de manifesta inadmissibilidade ou improcedência que justificasse a aplicação da multa do art. 1.021, §4º do CPC/2015. Aplicou-se o CPC/2015 ao agravo interno por força da determinação do regime recursal.
Court Disposition
Negado provimento ao Agravo Interno
Orders
- Negado provimento ao Agravo Interno interposto pela União
- Não aplicada a multa prevista no art. 1.021, §4º do CPC/2015
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região) votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves.
RELATÓRIO Trata-se de Agravo Interno interposto pela União contra a decisão que deu provimento aos Recursos Especiais para determinar o retorno dos autos para que houvesse manifestação do tribunal de origem acerca dos seguintes pontos: (i) a União apontaomissão quanto a prescrição das faturas vencidas há mais de cinco anos anteriores à edição da Lei n. 8.029/1990; (ii) a empresa ora agravada aponta omissão quanto ao fato de as obrigações exigidas na ação de cobrança decorreriam de correção monetária e juros de duplicatas pagas em atraso, glosas de duplicatas e reembolso de fretes ferroviários não pagos, obrigações líquidas e expressas em documentos e (iii) omissão acerca da liquidez das obrigações exigidas sendo fixados os juros a partir dos vencimentos das obrigações e não da citação. Sustenta a Agravante, em síntese, que não se insurge quanto a existência de omissão acerca da prescrição, entendendo correta a decisão e insuscetível de reparos. Entretanto, aponta não subsistir omissão acerca dos pontos levantados pela ora agravada, quais sejam, (i) as obrigações líquidas os juros fluem a partir de seu vencimento e não da citação; (ii) pedido de pagamento das notas de débitos referentes aos reembolsos de fretes de ferroviários e glosas de duplicatas. Assinala que tais questões foram suficientemente enfrentadas pelo tribunal de origem, não sendo necessário o retorno dos autos para qualquer esclarecimento no tocante a esses tópicos. Por fim, requer o provimento do recurso, a fim de que seja reformada a decisão impugnada ou, alternativamente, sua submissão ao pronunciamento do colegiado. Impugnação às fls. 1.895/1.900e. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ORDENAMENTO ECONÔMICO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. OMISSÕES CARACTERIZADAS. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015 para o presente Agravo Interno, embora o Recurso Especial estivesse sujeito ao Código de Processo Civil de 1973. II - É omisso o acórdão que deixa de manifestar-se sobre questões relevantes, oportunamente suscitadas e que poderiam levar o julgamento a um resultado diverso do proclamado. Nessas condições, a não apreciação de tese, à luz de dispositivos constitucional e infraconstitucional indicados a tempo e modo, impede o acesso à instância extraordinária. III - Prejudicada a análise das demais questões suscitadas no Recurso Especial. IV - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. V- Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VI- Agravo Interno improvido. VOTO Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015 para o presente Agravo Interno, embora o Recurso Especial estivesse sujeito ao Código de Processo Civil de 1973. Trata-se de ação de de rito ordinário proposta pela Companhia Siderúrgica de Tubarão, sociedade de economia mista, sucedida pela ora Recorrente, Arcelormittal Brasil S/A em face da União, objetivando ressarcimento de valores devidos decorrentes da alteração na sistemática imposta pelo Conselho Nacional do Petróleo quanto ao faturamento do carvão bruto, decorrente do programa nacional de privatização. O Juízo de primeiro grau julgou parcialmente procedente o pedido para condenar a União ao pagamento da correção monetária dos valores apurados entre a data do vencimento e a do efetivo pagamento pela extinta CAEEB das duplicatas emitidas pela autora em razão do fornecimento de carvão mineral à CAEEB, entre 12.04.1985 a 23.03.1987 (fls. 1.224/1.251e) O Tribunal de origem negou provimento ao recurso da União e à remessa oficial e deu provimento parcial ao apelo da Autora, para afastar a prescrição e majorar o montante dos honorários advocatícios (fls 1.359/1.397e). Não assiste razão a Agravante, porquanto a empresaora agravada apontou omissão no acórdão recorrido, quanto "as obrigações exigidas na ação de cobrança, decorrem de correção monetária e juros de duplicatas pagas em atraso, glosas de duplicatas e reembolso de fretes ferroviários não pagos, todas elas obrigações liquidas, cujos montantes estão expressos em documentos" (fl. 1.445e). Alegou, ainda, que não foi observado "o caráter líquido das obrigações exigidas (arts. 960 do CC/1916 e 397 do CC/02) fixando-se a incidência de juros a partir dos vencimentos das obrigações e não da citação". O acórdão que apreciou os embargos de declaração assim enfrentou a questão (fls. 1.427/1.439e): É cediço que os pressupostos de admissibilidade dos embargos de declaração são a existência de obscuridade, contradição ou omissão na decisão recorrida, devendo ser ressaltado que esse rol determinado pelo artigo 535, do Código de Processo Civil, é taxativo, não permitindo, assim, interpretação extensiva. No caso em questão, inexiste omissão, contradição ou obscuridade, uma vez que, pela leitura do inteiro teor do acórdão embargado, depreende-se que este apreciou devidamente a matéria em debate, analisando de forma exaustiva, clara e objetiva as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. (..) Sobre a incidência dos juros moratórios: "A parte autora sustenta em sua apelação que o MM. Juiz teria excluído o valor referente aos juros de mora, uma vez que "ao se referir exclusivamente à coluna 6 (= correção monetária), omitindo a coluna 7 (= juros), o dispositivo da sentença indevidamente proferiu condenação parcial e menor do que os valores efetivos das notas de débito que, na própria motivação, reputou devidas (fls. 906/819). Ocorre que, da leitura do dispositivo da sentença na íntegra, observa-se que o MM. Juiz a quo não excluiu os juros de mora, mas apenas determinou, corretamente, que os mesmos deveriam incidir sobre os valores nominais corrigidos monetariamente pelo perito judicial (coluna sexta - "correção") a partir da citação da União, uma vez tratar-se de responsabilidade contratual, (..)" Acerca da questão pertinente aos fretes ferroviários e glosas de duplicatas: "No que tange aos débitos referentes a glosas de duplicatas e frete rodoviário, conforme bem observado pelo MM. Juiz a quo, "Com efeito, como visto, os questionados débitos da CAEEB perante as mineradoras referiam-se à correção monetária pelo pagamento em atraso de duplicatas. O que restou evidenciado foi o fato de que houve pagamento dos débitos originários da compra de carvão mineral pela extinta CAEEB, mas que estes foram feitos em atraso. Não há nos autos evidências de que a autora tivesse créditos a receber decorrentes de reembolso de frete ferroviário ou de duplicatas não adimplidas pela extinta CAEEB, conforme demonstra o relatório de auditagem da CST pela empresa contratada pelo BNDES antes de sua privatização. Os créditos apurados pela auditoria decorrem de encargos financeiros sobre duplicatas vencidas (fls. 395/586). Cumpre ressaltar que o deferimento do pleito autoral em relação à correção monetária do valores das duplicatas pagas em atraso decorreu não apenas das notas de débitos constantes dos autos, mas da conjugação de diversos elementos, tais como as cartas emitidas pela CAEEB reconhecendo o referido débito, as conclusões dos auditores independentes realizados na CST pela empresa contratada pelo BNDES antes de sua privatização e a notoriedade do caso diante dos precedentes judiciais, sendo que em relação glosas de duplicatas e frete rodoviário, os documentos constantes dos autos não se mostram suficientes para comprovar o direito da autora, não tendo a mesma se desincumbido do ônus previsto no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil." Verifico que o tribunal de origem não se manifestou sobre as questões e, portanto, há violação ao art. 535 do Código de Processo Civil de 1973. De fato, mesmo com a oposição dos subsequentes embargos de declaração, o tribunal de origem não debateu o ponto destacado. Observo tratar-se de questões relevantes, oportunamente suscitadas e que, se acolhida, poderiam levar o julgamento a um resultado diverso do proclamado. Ademais, a não apreciação das teses, à luz dos dispositivos constitucional e infraconstitucional indicados a tempo e modo, impede o acesso à instância extraordinária. Houve, portanto, inequívoca negativa de prestação jurisdicional, dada a ausência de enfrentamento de questões, em tese, passíveis de modificar o acórdão hostilizado. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. NULIDADE DE PORTARIA QUE FIXOU PREÇOS DE PRATICAGEM. OMISSÃO NO EXAME DE QUESTÕES RELEVANTES E SUSCITADAS OPORTUNAMENTE, APESAR DA OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973. 1. Trata-se de Recursos Especiais interpostos contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região que anulou a Portaria 66/2010, editada pela Diretoria dos Portos e Costas da Marinha do Brasil, para fixar novos preços dos serviços de praticagem a serem cobrados pela Paranaguá Pilots. 2. Não há qualquer fundamentação legal no tocante à necessidade do exercício do contraditório para edição da portaria anulada, tendo a controvérsia sido dirimida como se tal ato fosse negocial e não de império. Também não houve manifestação sobre as alegações de inutilidade da manifestação de outras empresas e da própria associação demandante e de dispensabilidade da produção de provas antes da decisão da Administração Pública, bem como de que a portaria apenas se limitou a atualizar os valores previamente acordados pelas partes. 3. Existência de omissão do acórdão, também, quanto a se pronunciar sobre a alegação de ausência de interesse institucional da CNTT para a propositura da demanda, em razão da dissociação com os objetivos estabelecidos no estatuto, e a inexistência de homogeneidade dos direitos dos associados da recorrida, uma vez que a recorrente Paranaguá Pilots é associada da autora da demanda. 4. Recurso Especial de Paranaguá Pilots parcialmente provido a fim de anular o aresto proferido nos Embargos de Declaração e determinar o retorno dos autos ao egrégio Tribunal de origem para que profira novo julgamento e aborde a matéria omitida. Fica prejudicado o Recurso Especial da União. (REsp 1541983/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/09/2016, DJe 02/02/2017). Portanto, caracterizadas as omissões, como o demonstram os seguintes arestos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. ART. 535 DO CPC. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO NÃO SANADA. VIOLAÇÃO OCORRIDA. ANULAÇÃO DO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 1. É omisso o julgado que deixa de analisar as questões essenciais ao julgamento da lide, suscitadas oportunamente pela parte, quando o seu acolhimento pode, em tese, levar a resultado diverso do proclamado. 2. Necessidade da análise de questão relacionada à decadência do direito de anulação do ato de demarcação das terras de marinha no Município de Joinville, por ter sido a ação ajuizada mais de cinco anos depois da homologação do procedimento administrativo que determinou a linha preamar média de 1831. 3. Recurso especial da UNIÃO provido. 4. Recurso especial de H CARLOS SCHNEIDER S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA prejudicado. (REsp 1.343.519/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/11/2013, DJe 20/11/2013). PROCESSUAL CIVIL. ART. 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. OMISSÃO. VIOLAÇÃO OCORRIDA. ANULAÇÃO DO ACÓRDÃO. 1. É omisso o julgado que deixa de analisar as questões essenciais ao julgamento da lide, suscitadas oportunamente pela parte, quando o seu acolhimento pode, em tese, levar a resultado diverso do proclamado. 2. Recurso especial provido. (REsp 1213515/RS, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/11/2012, DJe 23/11/2012). No mesmo sentido, as seguintes decisões monocráticas: REsp 1.529.187/RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe de 01.06.2015; REsp 1.444.331/ES, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 18.05.2015; REsp 1.502.033/MG, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 05.06.2015. Assim, em que pesem as alegações trazidas, os argumentos apresentados são insuficientes para desconstituir a decisão impugnada. No que se refere à aplicação do art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, a orientação desta Corte é de que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a imposição da multa, não se tratando de simples decorrência lógica do não provimento do recurso em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO EMBARGADO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃOS PARADIGMAS. JUÍZO DE MÉRITO. INADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. NEGADO SEGUIMENTO AOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. MULTA E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Trata-se de Agravo Regimental ou interno, interposto em 05/05/2016, contra decisão publicada em 13/04/2016. II. De acordo com o art. 546, I, do CPC/73, os Embargos de Divergência somente são admissíveis quando os acórdãos cotejados forem proferidos no mesmo grau de cognição, ou seja, ambos no juízo de admissibilidade ou no juízo de mérito, o que não ocorre, no caso. Incidência da Súmula 315/STJ. III. Nos termos da jurisprudência desta Corte, "se o acórdão embargado decidiu com base na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça, falta aos embargos de divergência o pressuposto básico para a sua admissibilidade, é dizer, discrepância entre julgados a respeito da mesma questão jurídica. Se o acórdão embargado andou mal, qualificando como questão de fato uma questão de direito, o equívoco só poderia ser corrigido no âmbito de embargos de declaração pelo próprio órgão que julgou o recurso especial" (STJ, AgRg nos EREsp 1.439.639/RS, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (Desembargador Convocado do TRF/1ª Região), PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 01/12/2015). Em igual sentido: STJ, AgRg nos EAREsp 556.927/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 18/11/2015; STJ, AgRg nos EREsp 1.430.103/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 15/12/2015; ERESP 737.331/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 09/11/2015. IV. O mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da multa, prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do colegiado. V. Agravo Regimental improvido. (AgInt nos EREsp 1.311.383/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/09/2016, DJe 27/09/2016 - destaque meu). AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO CONHECIDO APENAS NO CAPÍTULO IMPUGNADO DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 1.021, § 1º, DO CPC/2015. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA APRECIADOS À LUZ DO CPC/73. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ. PARADIGMAS QUE EXAMINARAM O MÉRITO DA DEMANDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. REQUERIMENTO DA PARTE AGRAVADA DE APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, merece ser conhecido o agravo interno tão somente em relação aos capítulos impugnados da decisão agravada. 2. Não fica caracterizada a divergência jurisprudencial entre acórdão que aplica regra técnica de conhecimento e outro que decide o mérito da controvérsia. 3. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do não provimento do agravo interno em votação unânime. A condenação do agravante ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não ocorreu na hipótese examinada. 4. Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa extensão, improvido. (AgInt nos EREsp 1.120.356/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/08/2016, DJe 29/08/2016 - destaque meu). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA. PRIMEIRO GRAU DE JURISDIÇÃO. DENEGAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO. DESPROVIMENTO. IMPUGNAÇÃO POR VIA DE RECURSO ORDINÁRIO. DESCABIMENTO MANIFESTO. HIPÓTESE INADEQUADA. RECORRIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. JURISPRUDÊNCIA SEDIMENTADA. AGRAVO INTERNO. CARÁTER DE MANIFESTA IMPROCEDÊNCIA. COMINAÇÃO DE MULTA. 1. A denegação do mandado de segurança mediante julgamento proferido originariamente por Tribunal de Justiça ou por Tribunal Regional Federal desafia recurso ordinário, na forma do art. 105, inciso II, alínea "b", da Constituição da República. 2. No entanto, quando impetrada a ação de mandado de segurança em primeiro grau de jurisdição e instada a competência do Tribunal local apenas por via de apelação, o acórdão respectivo desafia recurso especial, conforme o disposto no art. 105, inciso III, da Constituição da República. 3. Dessa forma, a interposição do recurso ordinário no lugar do recurso especial constitui erro grosseiro e descaracteriza a dúvida objetiva. Precedentes. 4. O agravo interno que se volta contra essa compreensão sedimentada na jurisprudência e que se esteia em pretensão deduzida contra texto expresso de lei enquadra-se como manifestamente improcedente, porque apresenta razões sem nenhuma chance de êxito. 5. A multa aludida no art. 1.021, §§ 4.º e 5.º, do CPC/2015, não se aplica em qualquer hipótese de inadmissibilidade ou de improcedência, mas apenas em situações que se revelam qualificadas como de manifesta inviabilidade de conhecimento do agravo interno ou de impossibilidade de acolhimento das razões recursais porque inexoravelmente infundadas. 6. Agravo interno não provido, com a condenação do agravante ao pagamento de multa de cinco por cento sobre o valor atualizado da causa, em razão do reconhecimento do caráter de manifesta improcedência, a interposição de qualquer outro recurso ficando condicionada ao depósito prévio do valor da multa. (AgInt no RMS 51.042/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe 03/04/2017 - destaque meu). No caso, apesar do improvimento do Agravo Interno, não se configura a manifesta inadmissibilidade, razão pela qual deixo de impor a apontada multa. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso.