AREsp 2653479 - DECISAO
Verificada omissão do Tribunal de origem por não examinar questões essenciais sobre autonomia das pessoas jurídicas e formalização da penhora, o STJ conheceu do agravo e deu provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos ao TJDFT para que analise as omissões apontadas e profira nova decisão sobre...
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- Parties
- Agravante/recorrente: GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA.; Administradora/locadora (preposta): Construções e Empreendimentos Santa Fé LTDA - ME
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça Conhecendo Do Agravo E Dando Provimento Ao Recurso Especial, Com Retorno Dos Autos Ao TJDFT
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido e provido; autos retornem ao Tribunal de origem (TJDFT) para análise das omissões apontadas.
- Legal Topics
- Omissão De Fundamentação, Autonomia Das Pessoas Jurídicas, Penhora De Aluguéis, Levantamento De Quantia, Preclusão
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Parties
GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA.
Agravante/recorrente
Construções e Empreendimentos Santa Fé LTDA - ME
Administradora/locadora (preposta)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça Conhecendo Do Agravo E Dando Provimento Ao Recurso Especial, Com Retorno Dos Autos Ao TJDFT
Legal Issues
- 1 omissão do Tribunal de origem quanto à análise da autonomia das pessoas jurídicas e à formalização da penhora
- 2 responsabilidade pelo depósito de quantias levantadas por administradora/locadora após penhora
Ratio Decidendi
Verificada omissão do Tribunal de origem por não examinar questões essenciais sobre autonomia das pessoas jurídicas e formalização da penhora, o STJ conheceu do agravo e deu provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos ao TJDFT para que analise as omissões apontadas e profira nova decisão sobre tais temas.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido e provido; autos retornem ao Tribunal de origem (TJDFT) para análise das omissões apontadas.
Orders
- Dar provimento ao recurso especial
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios para que analise as omissões relativas à autonomia das pessoas jurídicas e à formalização da penhora
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA. (GRUPO OK) pretendendo a reforma da decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre manejado, por sua vez, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), assim ementado: PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ALUGUÉIS PENHORADO. LEVANTAMENTO DE VALOR POR EMPRESA QUE ADMINISTRA OS IMÓVEIS DO AGRAVANTE. LEVANTAMENTO INDEVIDO. DECISÃO MANTIDA. 1. Agravo de instrumento que tem como objeto decisão interlocutória proferida em sede de cumprimento de sentença pela qual determinado ao agravante, no prazo de cinco dias, depositar, em conta judicial vinculada, o valor levantado pela preposta do agravante relativo aos aluguéis já penhorados nos autos. 2. A discussão quanto à penhora dos aluguéis é matéria preclusa, porquanto foi deferida a penhora e a executada apresentou impugnação. Contra a decisão que rejeitou a impugnação à penhora não houve interposição de recurso. Preclusão consumada (art. 507 do CPC/2015: "é vedado à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito operou-se a preclusão"). 3. Dada a preclusão da determinação da penhora dos aluguéis, o que se discute aqui é somente a determinação do Juízo no sentido de a "executada intimada a depositar, no prazo de 05(cinco) dias, em conta vinculada ao presente feito, o valor de R$ 120.000,00, levantado no processo retro mencionado, sob pena de ato atentatório à dignidade da justiça." 4. E, com relação à determinação do Juízo de depósito da quantia levantada, nenhuma incorreção se verifica. De acordo com os documentos dos autos, a Construções e Empreendimentos Santa Fé LTDA - ME figurou como locadora do bem (na condição de administradora do imóvel) e levantou a quantia depositada no bojo da ação revisional. Contudo, Construções e Empreendimentos Santa Fé LTDA - ME somente administrava o imóvel; portanto tal quantia era, na verdade, do contratante da administração do imóvel (GRUPO OK). Nesse contexto, ainda que tenha sido levantado o valor pela preposta/administradora do imóvel (Construções e Empreendimentos Santa Fé LTDA - ME), cabe ao executado depositar a quantia, na forma determinada pela decisão agravada, já que tinha pleno conhecimento de que os aluguéis estavam penhorados. 5. Recurso conhecido e desprovido. (e-STJ, fl. 88) Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 140/160). Irresignado, GRUPO OK interpôs recurso especial, com base no art. 105, III, alínea a, da CF, apontando violação dos arts. 489 e 1.022, II, do CPC, afirmando que (1) houve omissão em relação ao disposto nos arts. 49-A do CC; e 855 e 860 do CPC, sobretudo em relação às seguintes arguições: i) necessidade de respeito à autonomia das pessoas jurídicas; e (ii) não houve formalização da penhora e, portanto, não gerou qualquer responsabilidade de depositar valores levantados pela locadora (Santa Fé) (e-STJ, fl. 172). O recurso não foi admitido pelo Tribunal estadual. Foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial. (1) omissão Da atenta leitura do decidido observa-se que, embora tenham sido postas em debate as questões relativas à autonomia das pessoas jurídicas e à não formalização da penhora, o Tribunal de origem não tratou das matérias cujo julgamento é indispensável para o deslinde da causa. Ressalte-se que é condição sine qua non ao conhecimento do recurso especial que a questão de direito ventilada nas suas razões tenha sido analisada pelo acórdão objurgado, munido de todas as provas necessárias ao seu convencimento. Assim, recusando-se o Tribunal estadual a se manifestar sobre a questão federal, terminou por negar prestação jurisdicional. A propósito, cite-se o precedente abaixo: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXECUÇÃO. EMBARGOS DE TERCEIRO. CONTRATOS GARANTIDOS POR HIPOTECA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. CONFIGURADA. RECURSO PROVIDO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. NOVO JULGAMENTO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. 1. Ação de execução. Embargos de terceiro. 2. A existência de omissão e ausência de fundamentação relevantes à solução da controvérsia, não sanadas pelo acórdão recorrido, caracteriza violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015. 3 - Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1.932.995/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, j. em 14/02/2022, DJe 16/02/2022) É medida de rigor, portanto, o retorno dos autos à instância ordinária para que sane o referido vício. Nessas condições, prejudicada a análise dos demais pontos, CONHEÇO o agravo para DAR PROVIMENTO ao recurso especial, determinando o retorno dos autos ao TJDFT para que analise as referidas omissões, como entender de direito. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. CONFIGURAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. NECESSIDADE. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.