REsp 1898270 - DECISAO
O Relator entendeu que o tribunal de origem enfrentou de forma suficiente as questões levantadas, comprovando que a ANBEP havia incluído a parte autora no processo administrativo impeditivo da prescrição, não havendo omissão a ser suprida; ademais, a matéria relativa ao art. 27 da Lei 9.868/99 não foi prequestionada...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO RIO DE JANEIRO; Associação: ANBEP (Associação Nacional dos Beneficiários da PREVI/BANERJ); Autor: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática De Relator (conhecimento Parcial E Não Provimento)
- Outcome
- CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO.
- Legal Topics
- Omissão E Embargos De Declaração, Prequestionamento, Legitimidade De Associações Para Representação, Prescrição, Modulação De Efeitos, Jurisprudência Sobre Repetitivos/súmulas
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Parties
ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Recorrente
ANBEP (Associação Nacional dos Beneficiários da PREVI/BANERJ)
Associação
parte autora
Autor
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática De Relator (conhecimento Parcial E Não Provimento)
Legal Issues
- 1 Omissão no acórdão quanto ao alcance do processo administrativo n.º E-14/300577/03 e se a parte autora foi abrangida
- 2 Legitimidade da ANBEP para representar associados em pleito administrativo e necessidade de autorização expressa
- 3 Prequestionamento do art. 27 da Lei 9.868/99 e eventual modulação de efeitos do STF
Ratio Decidendi
O Relator entendeu que o tribunal de origem enfrentou de forma suficiente as questões levantadas, comprovando que a ANBEP havia incluído a parte autora no processo administrativo impeditivo da prescrição, não havendo omissão a ser suprida; ademais, a matéria relativa ao art. 27 da Lei 9.868/99 não foi prequestionada pelo tribunal a quo, impedindo seu exame no recurso especial; assim, conhece-se em parte do recurso e nega-se-lhe provimento.
Court Disposition
CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO.
Orders
- CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO.
- Publique-se e intimem-se.
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DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo ESTADO DO RIO DE JANEIROcontra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro no julgamento de apelação, assim ementado (fls. 1241e): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. PREVI BANERJ. RENDA MENSAL INCENTIVADA. CORREÇÃO MONETÁRIA SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS COM ATRASO. LEI ESTADUAL2.997/98. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA, ACOLHENDO A PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO. INCIDÊNCIA DO ART. 4º DA LEI ESTADUAL Nº 2.910/32. PROCESSO ADMINISTRATIVO AINDA EM TRAMITAÇÃO, FATO QUE SUSPENDE A PRESCRIÇÃO. PARTE AUTORA QUE COMPROVOU FAZER PARTE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. QUANDO SE INICIOU PROCESSO ADMINISTRATIVO PROPOSTO PELA ANBEP O ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL ERA DE QUE ASASSOCIAÇÕES POSSUIAM LEGITIMIDADE PARA REPRESENTAR TODA A CLASSE. SENTENÇA ANULADA. PROVIMENTO DO RECURSO. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 1297/1302e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República,aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: i) Arts. 489, §1º, IV, e1.022, II, do Código de Processo Civil- embora provocado o tribunal de origem não se manifestou sobre: 1) o pedido do Processo Administrativo n.º E-14/300577/03, feitoem 13 de maio de 2003e que era referente a beneficiários da PREVI-BANERJ que já haviam recebido todos os valores atrasados àquela data, não abarcou a parte autora, visto que somente após o término dos pagamentos efetuados à parte autora, em julho de 2003, é que se poderia aferir se teria havidoou nãoalguma diferença entre o valor devido e o valor efetivamente pago; 2) "a limitação do objeto do Processo Administrativo n.º E-14/300577/03 apenas aos beneficiários que receberam os atrasados em março de 2002 é reconhecida pela própria ANBEP" (fl. 1354e); 3) "ofato de o nome da parte autora constar de documento juntado ao processo administrativo não implica que, automaticamente, ela seja abarcada pela discussão do processo administrativo" (fl. 1354e); 4) "odocumento no qual consta o nome da parte autora não constitui uma autorização para que a ANBEP a represente" (fl. 1354e); 5) "alegitimidade para que uma entidade associativa represente seus filiados em pleitos administrativos depende de autorização expressa" (fl. 1354e); e ii) Art. 27 da Lei 9.868/99 - "alegitimidade para que uma entidade associativa represente seus filiados em pleitos administrativos depende de autorização expressa (art. 5º, inciso XXI, da Constituição Federal)" (fl. 1345e). "não houve modulação de efeitos no que concerne ao entendimento do e. STF quanto aos requisitos para a aplicação do art. 5º, inciso XXI, da CF, de modo que o Tribunal a quo não pode restringir os efeitos ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado" (fl. 1349e). Com contrarrazões (fls. 1390/1392e), o recurso foi inadmitido (fl. 1398/1404e), tendo sido interposto Agravo, posteriormente convertido em Recurso Especial (fls. 1497). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida, bem como a negar provimento a recurso ou a pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. O Recorrente sustenta a existência de omissão no acórdão recorrido, não sanada no julgamento dos embargos de declaração, porquanto o Recorrido não fez parte do Processo Administrativo n.º E-14/300577/03 enão há documento que autorizea ANBEP a representá-lo haja vista a necessidade de autorização expressa. Ao prolatar o acórdão recorrido, o tribunal de origem enfrentou a controvérsia no sentido de que (fls. 1240/1251e): Após detida análise do caso concreto verifica-se que a ANBEP(Associação Nacional dos Beneficiários da PREVI/BANERJ, ingressou como processo administrativo coletivo E-01/300577/03(fls.365/858), em 19/05/2003,requerendo o pagamento da diferença da verba complementar, resultante da aplicação parcial dos índices de atualização monetária sobre os valores devidos, do qual o autor fez parte, constando seu nome expresso e identificado como número 1207070, como se depreende de fls. 389, devendo ser rechaçado o argumento do Estado de que tais procedimentos administrativos não beneficiavam o autor. (..) Noutro giro, o fato do autor não ter assinado termo de adesão individual até março de 2002, não elide a interrupção do prazo prescricional pelo ajuizamento do procedimento administrativo nº E-01/300577/03, não merecendo acolhimento a tese do Estado de que a associação não tinha legitimidade para representar todos os associados, uma vez que na época do ajuizamento do processo administrativo as associações possuíam legitimidade para representar toda a classe. No caso, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da controvérsia e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, o precedente da Primeira Seção desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). E depreende-se da leitura do acórdão integrativo que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável ao caso. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgRg nos EREsp 1.431.157/PB, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe de 29.06.2016; 1ª Turma, EDcl no AgRg no AgRg no REsp 1.104.181/PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe de 29.06.2016; e 2ª Turma, EDcl nos EDcl no REsp 1.334.203/PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 24.06.2016). Ademais, no que se refere à ocorrência ou não da modulação de efeitos em decisão do Supremo Tribunal Federal, observo que a insurgência carece de prequestionamento, uma vez que não foi analisada pelo tribunal de origem. Com efeito, o prequestionamento significa o prévio debate da questão no tribunal a quo, à luz da legislação federal indicada, com emissão de juízo de valor acerca dos dispositivos legais apontados como violados. No caso, o tribunal de origem não analisou, ainda que implicitamente, a aplicação do suscitado art. 27 da Lei 9.868/99. É entendimento pacífico desta Corte que a ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo tribunal a quo impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula 282 do Colendo Supremo Tribunal Federal: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". Nesse sentido: ADMINISTRATIVO, PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ENSINO SUPERIOR. PRETENSÃO DE DEVOLUÇÃO DAS TAXAS DE DIPLOMA. PRAZO PRESCRICIONAL. FATO DO SERVIÇO. ARTIGO 2º DA LEI N. 9.870/1999. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282 DO STF. 1. No caso, não há se falar em violação do art. 26, inciso II, do Código de Defesa do Consumidor, porquanto inaplicável o prazo decadencial a que alude este artigo, uma vez que não se trata de responsabilidade do fornecedor por vícios aparentes ou de fácil constatação existentes em produto ou serviço, mas de danos causados por fato do serviço, consubstanciado pela cobrança indevida da taxa de diploma, razão pela qual incide o prazo qüinqüenal previsto no art. 27 do CDC. 2. O artigo 2º da Lei n. 9.870/1999 não foi apreciado pelo Tribunal de origem, carecendo o recurso especial do requisito do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 282 do STF. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.327.122/PE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/04/2014, DJe 15/04/2014 - destaques meus). ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. ENQUADRAMENTO. LICENÇA-PRÊMIO NÃO GOZADA. CÔMPUTO COMO TEMPO EFETIVO DE EXERCÍCIO. LEI 11.091/05. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83 DO STJ. FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADO. SÚMULA 182 DO STJ. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. 1. A orientação do STJ é de que, se a licença-prêmio não gozada foi computada como tempo efetivo de serviço, para fins de aposentadoria, conforme autorização legal, não pode ser desconsiderada para fins do enquadramento previsto na Lei 11.091/05. 2. É inviável o agravo que deixa de atacar os fundamentos da decisão agravada. Incide a Súmula 182 do STJ. 3. Fundamentada a decisão agravada no sentido de que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ, deveria a recorrente demonstrar que outra é a positivação do direito na jurisprudência do STJ. 4. A tese jurídica debatida no Recurso Especial deve ter sido objeto de discussão no acórdão atacado. Inexistindo esta circunstância, desmerece ser conhecida por ausência de prequestionamento. Súmula 282 do STF. 5. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1.374.369/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/2013, DJe 26/06/2013 - destaques meus). Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do RISTJ, CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial, e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Publique-se e intimem-se.