AREsp 2896973 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo e do recurso especial, mas negou-se provimento porque o Tribunal de origem decidiu de forma fundamentada sobre a controvérsia, a instituição financeira comprovou a regularidade da contratação por meio de documentos (contrato com biometria facial, TED, geolocalização e documento pessoal),...
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- Parties
- Recorrente: NEIDE APARECIDA PACHECO; Recorrido: BANCO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (em Face De Acórdão No Processo De Ação Declaratória De Inexistência De Débito C/c Danos Materiais E Morais) / Acórdão Colegiado Proferido Pela Terceira Turma (julgamento Virtual)
- Outcome
- Agravo conhecido; Recurso especial conhecido e não provido.
- Legal Topics
- Omissão E Falta De Fundamentação (arts. 489 E 1.022 Do Cpc), Ônus Da Prova Em Relação Contratual Contestada Pelo Consumidor, Contratação Eletrônica (biometria Facial, TED, Geolocalização), Responsabilidade Civil Por Cobrança Indevida, Súmula 7/stj Vedação Ao Reexame Do Conjunto Fático Probatório
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Parties
NEIDE APARECIDA PACHECO
Recorrente
BANCO
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (em Face De Acórdão No Processo De Ação Declaratória De Inexistência De Débito C/c Danos Materiais E Morais) / Acórdão Colegiado Proferido Pela Terceira Turma (julgamento Virtual)
Legal Issues
- 1 Se houve omissão ou negativa de prestação jurisdicional no acórdão do Tribunal de origem (arts. 489 e 1.022 do CPC)
- 2 Se a instituição financeira cumpriu o ônus probatório para demonstrar a regularidade da contratação
- 3 Se é possível o reexame de matéria fático-probatória no recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e do recurso especial, mas negou-se provimento porque o Tribunal de origem decidiu de forma fundamentada sobre a controvérsia, a instituição financeira comprovou a regularidade da contratação por meio de documentos (contrato com biometria facial, TED, geolocalização e documento pessoal), eximindo-se elementos que declarassem nulidade contratual, e a revisão exigiria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ; majorou-se os honorários em 5%, dentro do limite de 20%, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Agravo conhecido; Recurso especial conhecido e não provido.
Orders
- Agravo conhecido
- Recurso especial conhecido
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/05/2025 a 26/05/2025, por unanimidade, conhecer do recurso mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CUMULADA COM DANOS MATERIAIS E MORAIS. ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. JULGADO FUNDAMENTADO. PRETENSÃO DE NOVO JULGAMENTO DA CAUSA. INVIABILIDADE. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Não há falar em omissão, falta de fundamentação e/ou negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o Tribunal Estadual decidiu, fundamentadamente, a questão que lhe foi submetida, apreciando a controvérsia posta nos autos. 2. Agravo conhecido para conhecer do recurso especial, mas negar-lhe provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por NEIDE APARECIDA PACHECO (NEIDE) contra decisão que não admitiu seu apelo nobre manejado com fundamento no art. 105, III, alínea a, da CF contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, assim ementado: AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C DANOS MATERIAIS E MORAIS - EMPRÉSTIMO CONSIGNADO - RELAÇÃO JURÍDICA COMPROVADA - CONSENTIMENTO DA AUTORA MANIFESTADO POR MEIO DE BIOMETRIA FACIAL - AUSÊNCIA DE VÍCIO DE CONSENTIMENTO - COBRANÇA DEVIDA - EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA - SENTENÇA REFORMADA - RECURSO PROVIDO. Havendo negativa de contratação do produto e/ou serviço pelo consumidor, cabe ao fornecedor comprovar a existência de relação jurídica por qualquer meio admitido em direito. Conjunto probatório apresentado pelo demandado que demonstra a regularidade da contratação (e-STJ, fls. 453/454). Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 568/57). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CUMULADA COM DANOS MATERIAIS E MORAIS. ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. JULGADO FUNDAMENTADO. PRETENSÃO DE NOVO JULGAMENTO DA CAUSA. INVIABILIDADE. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Não há falar em omissão, falta de fundamentação e/ou negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o Tribunal Estadual decidiu, fundamentadamente, a questão que lhe foi submetida, apreciando a controvérsia posta nos autos. 2. Agravo conhecido para conhecer do recurso especial, mas negar-lhe provimento. VOTO O inconformismo não merece prosperar. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, do agravo e passo ao exame do recurso especial. Nas razões do seu apelo nobre, NEIDE alegou ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022, II, do CPC. Sustentou que o aresto recorrido foi omisso acerca das impugnações das teses recursais apresentadas pelo BANCO, desconsiderando os elementos robustos dos autos que comprovam que o empréstimo foi contratado mediante fraude, quais sejam (i) erros cadastrais no contrato; (ii) a incompatibilidade nas assinaturas que supostamente seriam da recorrente; e (iii) a ausência de assinatura de testemunhas. Pois bem! Sobre o tema, a Corte local consignou: Constata-se que a demandada, ao contestar o feito, trouxe contrato com biometria facial e cópia de documento pessoal, como prova de sua relação contratual com a parte autora. Além disso, a instituição financeira apresentou a cópia da Transferência Eletrônica de Valor (TED) realizada para conta bancária de titularidade da consumidora, bem como print da geolocalização do dispositivo utilizado no ato da contratação indica proximidade ao endereço apontado pela parte autora na petição inicial, cujas informações e dados não foram impugnados especificamente pela recorrente. .. Partindo dessa premissa, cumpre esclarecer que a instituição bancária apelante cumpriu com seu ônus probatório, eis que apresentou documentos capazes de comprovar os fatos constitutivos de seu direito, eis que juntou o contrato eletrônico devidamente assinado pelas partes. Portanto, forçoso reconhecer a inexistência de elementos para declarar a nulidade do contrato e, por conseguinte, ausentes os requisitos necessários à configuração da responsabilidade civil do banco apelante. Ademais, os documentos anexados à contestação pela instituição financeira ora recorrente provam de forma incontestável a regularidade da contratação do empréstimo aqui discutido. Assim, entendo que a ré apelante desincumbiu-se do ônus probatório que lhe competia ao apresentar documentos a fim de atestar a utilização dos serviços pela autora ora apelada e a regularidade da contratação. Desse modo, diante do reconhecimento da regularidade da contratação, autorizo desde já o levantamento dos valores depositados judicialmente para a parte apelante (e-STJ, fls. 462/465). Dessa forma, não ficou evidenciada a negativa de prestação jurisdicional, pois o TJMT emitiu pronunciamento, de forma fundamentada, de toda a controvérsia posta em debate, ainda que de forma contrária ao pretendido pela parte. O que se vê, na verdade, é a irresignação de NEIDE com o resultado que lhe foi desfavorável, pretendendo, por meio da tese de violação do disposto nos arts. 489 e 1.022 do CPC, obter novo julgamento da matéria, com notório intuito infringente, o que se mostra inviável, já que inexistentes os requisitos elencados nos mencionados artigos. Sobre o tema, confira-se o seguinte julgado: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ARTS. 489 E 1022 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. SUFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO CONTRATUAL CUMULADA COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO DO AUTOR. REVISÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. A revisão da conclusão alcançada pelo colegiado estadual (quanto à regularidade da cobrança realizada pelo banco recorrido, em virtude da existência do débito oriundo de dois distintos contratos de financiamentos) demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que é defeso dada a natureza excepcional da via eleita, consoante enunciado da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. 3. No que diz respeito à divergência jurisprudencial, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a incidência da Súmula n. 7/STJ impede o exame do recurso no que tange à alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, uma vez que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão, tendo em vista a situação fática de cada caso. 4. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.022.899/MA, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022) Nessas condições, CONHEÇO do agravo para CONHECER do recurso especial, mas NEGAR-LHE PROVIMENTO. MAJORO em 5% o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em desfavor de NEIDE, limitados a 20%, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observada a justiça gratuita. É o voto. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas no art. 1.026, § 2º, do CPC.