AREsp 2533788 - DECISAO
Houve omissão do Tribunal de origem na apreciação das alegações do agravante sobre a substituição da penhora de imóvel por ativos financeiros e o princípio da menor onerosidade, configurando violação do art. 1.022, II, do CPC/2015; por envolver matéria fática, impõe-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para...
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- Parties
- Agravante: USINA AÇUCAREIRA ESTER S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Provimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial, anulando o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração por violação do art. 1.022, II, do CPC/2015, com retorno dos autos ao Tribunal de origem.
- Legal Topics
- Omissão/embargos De Declaração, Substituição De Penhora (bacenjud), Princípio Da Menor Onerosidade, Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento
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Parties
USINA AÇUCAREIRA ESTER S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Provimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 omissão do Tribunal de origem quanto à alegação de que a substituição da penhora de imóvel por numerário pelo sistema BACENJUD violaria o princípio da menor onerosidade
- 2 apreciação do cabimento de embargos de declaração nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
- 3 limitação do conhecimento no STJ sobre matéria de fato nos termos do art. 1.025 do CPC/2015
Ratio Decidendi
Houve omissão do Tribunal de origem na apreciação das alegações do agravante sobre a substituição da penhora de imóvel por ativos financeiros e o princípio da menor onerosidade, configurando violação do art. 1.022, II, do CPC/2015; por envolver matéria fática, impõe-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para reapreciação dos embargos de declaração e exame concreto das questões suscitadas, viabilizando o efetivo prequestionamento para a instância especial.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial, anulando o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração por violação do art. 1.022, II, do CPC/2015, com retorno dos autos ao Tribunal de origem.
Orders
- Anular o acórdão dos embargos de declaração por violação do art. 1.022, II, do CPC/2015
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para reapreciação dos embargos de declaração opostos pelo agravante
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pela USINA AÇUCAREIRA ESTER S.A. contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, que não admitiu recurso especial fundado na alínea "a" do permissivo constitucional e que desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 156): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO. MULTA. INSCRIÇÃO DA DÍVIDA. PRETENSÃO À SUBSTITUIÇÃO DA PENHORA DETERMINADA SOBRE IMÓVEL COM RESTRIÇÕES POR EFETIVAÇÃO DA PENHORA ON LINE PELO SISTEMA BACENJUD. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 11, INCISO I, DA LF Nº 6.830/80 E ART. 835, INCISO I, DO CPC. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 188/194). No especial obstaculizado, o ora agravante apontou violação dos arts. 489, § 1º, III e IV e 1.022, I e III, do CPC/2015, aduzindo, preliminarmente, a nulidade do julgado por ausência de fundamentação e por negativa de prestação jurisdicional, ante a falta de enfrentamento, pela Corte a quo, dos temas relativos à: a) "atual litigiosidade da execução fiscal onde se deu a decisão de origem" e b) "situação de comprometimento da safra e a crise instalada pela pandemia de covid-19, o que obrigou a Recorrente a contrair vultosos empréstimos bancários" (e-STJ fls. 224/226). No mérito, defendeu ofensa ao art. 805, caput e parágrafo único, alegando que houve vulneração ao princípio da menor onerosidade ao devedor pela substituição da penhora de imóvel por numerário pelo sistema BACENJUD. Contrarrazões apresentadas às e-STJ fls. 242/244. O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, tendo sido os fundamentos da aludida decisão atacados no recurso ora em exame. Passo a decidir. Os autos tratam de execução de multa ambiental por queima irregular de cana-de-açúcar, na qual a Corte local deferiu o pedido da parte exequente, ora agravada, para penhorar valores, após recusa da Fazenda Estadual do bem imóvel ofertado em penhora. No que concerne à alegada negativa de prestação jurisdicional, saliente-se que o art. 1.022 do Código de Processo Civil/2015 prevê que os embargos de declaração são cabíveis, contra qualquer decisão judicial, no intuito de esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou para correção de eventual erro material, como se lê: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III - corrigir erro material. Especificamente quanto à hipótese do inciso II, a novel legislação processual definiu como omissão as seguintes situações: (i) deixar de se manifestar sobre tese firmada em sede de recursos repetitivos ou em incidente de assunção de incompetência, e (ii) incorrer a decisão judicial em qualquer das condutas descritas no artigo 489, § 1º, do CPC/2015. Esse dispositivo, por sua vez, trata dos casos em que a decisão judicial carece de fundamentação, senão vejamos: § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Para a admissão do recurso especial com base no referido dispositivo, a omissão tem que ser manifesta, ou seja, imprescindível para o enfrentamento da controvérsia. No presente caso, a insurgência do recorrente se amolda à hipótese elencada no inciso IV do art. 489, § 1º, do CPC/2015, tendo em vista que a Corte de origem, a despeito de o tema ter surgido do provimento do recurso da parte adversa, não exprimiu juízo de valor sobre a alegação de que a substituição do imóvel oferecido em penhora por ativos financeiros violaria o princípio da menor onerosidade. Com efeito, é de suma importância a verificação da referida tese, na medida em que esta Corte, a despeito de considerar legítima a recusa ou a substituição, pela Fazenda Pública, de bem nomeado à penhora em desacordo com a gradação legal prevista no art. 11 da Lei n. 6.830/1980 e no art. 655 do CPC, entende que à parte executada cabe apresentar elementos concretos que justifiquem a incidência do princípio da menor onerosidade para afastar a ordem legal, matéria de ordem fática a cargo das instâncias de origem. Como o tema envolve questão de fato, dele esta Corte não pode conhecer com arrimo no art. 1.025 do CPC/2015, posto que "esse dispositivo legal merece interpretação conforme a Constituição Federal (art. 105, III) para que o chamado prequestionamento ficto se limite às questões de direito, e não às questões de fato" (AgInt no REsp 1.736.563/RS, Relator Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27/11/2018). Assim, a ocorrência de vício de integração justifica a nulidade do acórdão recorrido, por violação do art. 1.022 do CPC/2015, para que as questões levantadas pela recorrente sejam apreciadas pelo Tribunal de origem, à luz do caso concreto, até mesmo para fins de efetivo prequestionamento, sob pena de inviabilizar o acesso à instância especial, nos termos da Súmula 211 do STJ. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. ACOLHIDA EM PARTE NA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO CONFIGURADA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA OMITIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Quanto à alegada violação ao art. 1.022, II, do CPC apresentada pela recorrente, ora agravada, nas razões do recurso especial, verifica-se que a decisão hostilizada foi clara e precisa ao concluir, após análise dos autos, que o Tribunal de origem incorreu em negativa de prestação jurisdicional, tendo em vista que deixou de se manifestar acerca de pontos relevantes para a solução da controvérsia e apresentados pela parte agravada em sede de embargos de declaração. 2. Os trechos do acórdão do Tribunal de origem apresentados nas razões desse agravo interno não são suficientes para suprir as omissões arguidas pela recorrente, ora agravada, em sede de recurso especial. 3. Nessas circunstâncias, a outra conclusão não se chega senão a de que os autos devem retornar ao Juízo a quo para novo julgamento dos aclaratórios, a fim de que sejam sanadas as omissões apontadas. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.801.878/RJ, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 4/10/2021, DJe de 7/10/2021). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 182/STJ. NÃO INCIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. EMBARGOS DE TERCEIRO JULGADOS PROCEDENTES. DETERMINAÇÃO DE PENHORA PARCIAL SOBRE IMÓVEL. PRESERVAÇÃO DA MEAÇÃO DO CÔNJUGE. INDIVISIBILIDADE DO BEM ARGUIDA PELO EXEQUENTE. OMISSÃO CARACTERIZADA. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC DE 2015. AGRAVO PROVIDO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A ausência de manifestação sobre questão relevante para o julgamento da causa, mesmo após a oposição de embargos de declaração, constitui negativa de prestação jurisdicional (CPC/1973, art. 535, II; CPC/2015, art. 1.022, II), impondo-se a anulação do acórdão dos embargos de declaração e o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se manifeste sobre o ponto omisso. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem, não obstante provocado, deixou de se manifestar sobre a indivisibilidade do imóvel penhorado, de modo a não comportar a alienação judicial da fração ideal de 50%, correspondente à meação do cônjuge que não participou do negócio jurídico que gerou o título executivo, mas apenas da integralidade do bem, com a reserva do valor correspondente à meação. Configuração de omissão relevante. 3. Agravo interno provido para conhecer do agravo e dar parcial provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp 1.683.696/SP, Relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 24/5/2021, DJe de 30/6/2021). Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, II, "c", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para DAR PROVIMENTO ao recurso especial, a fim de anular o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração, por violação do art. 1.022, II, do CPC/2015, determinando o retorno dos autos para que o Tribunal de origem reaprecie os embargos de declaração opostos pelo ora agravante, sanando o vício de integração ora identificado. Publique-se. Intimem-se. EMENTA