AREsp 2610197 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem apreciou e fundamentou suficientemente as questões suscitadas, não havendo omissão ou contradição que autorizasse integração via art. 1.022 CPC; a alegada desproporcionalidade da sanção de improbidade não justificava intervenção do STJ; e a admissibilidade do...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Monocrática Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade E Julgamento Do Agravo Interno
- Outcome
- Conheço do Agravo para conhecer do Recurso Especial e negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Omissão/embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc), Inadmissibilidade Por Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Prescrição, Tríplice Identidade E Litispendência (art. 337 Cpc), Princípio Da Proporcionalidade Das Sanções
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Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Monocrática Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade E Julgamento Do Agravo Interno
Legal Issues
- 1 alegação de omissão do acórdão (art. 1.022 CPC/2015)
- 2 alegada violação do art. 12 da Lei n. 8.429/92 por desproporcionalidade de sanção
- 3 pretensão de divergência jurisprudencial e óbice das Súmulas 7 e 83 do STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem apreciou e fundamentou suficientemente as questões suscitadas, não havendo omissão ou contradição que autorizasse integração via art. 1.022 CPC; a alegada desproporcionalidade da sanção de improbidade não justificava intervenção do STJ; e a admissibilidade do Recurso Especial foi obstruída por óbice de natureza fática/probatória e súmulas do STJ (Súmula 7/83), inviabilizando a análise de suposto dissídio jurisprudencial.
Court Disposition
Conheço do Agravo para conhecer do Recurso Especial e negar-lhe provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo contra decisão monocrática do Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que inadmitiu o Recurso Especial com base nas Súmulas 7 e 83 do STJ. A parte agravante afirma que o acórdão recorrido é omisso, porquanto deixou de analisar algumas questões de direito, principalmente quanto à ausência de identidade entre os pedidos (fl. 3.734). A parte agravada apresentou contraminuta às fls. 3.761-3.768. Parecer do Ministério Público Federal às fls. 3.784-3.788. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 23.7.2024. A irresignação merece ser apreciada. Inicialmente, cabe ressaltar que o Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal de origem pode julgar a admissibilidade do Recurso Especial, negando seguimento caso a pretensão do recorrente encontre óbice em alguma Súmula desta Corte, sem que haja violação à competência do Superior Tribunal de Justiça. Constato que não se configurou a ofensa aos arts. 489 e 1.022, II, do Código de Processo Civil, uma vez que o TJRJ julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia como lhe foi apresentada. Ademais, verifica-se que o acórdão impugnado está bem fundamentado, inexistindo omissão ou contradição. Confira-se: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/15 E ART. 12 DA LEI N. 8.429/92. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. ENTENDIMENTO FIRMADO POR JURISPRUDÊNCIA DO STJ. NÃO OBRIGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 489 DO CPC/15. VÍCIOS. AUSÊNCIA. PROPORCIONALIDADE. SANÇÕES. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. ALEGAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO 7 DA SÚMULA DO STJ. (..) II - O agravante alega violação do art. 1.022, II, do Código de Processo Civil e do art. 12 da Lei n. 8.429/92, bem como sustenta existir divergência jurisprudencial. No tocante à alegada omissão do Tribunal de origem, não lhe assiste razão. O acórdão recorrido não se ressente de omissão, porquanto apreciou a controvérsia com fundamentação suficiente, embora contrária ao interesse do recorrente. III - É fácil perceber que o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais declinou, de forma suficiente, dos motivos por que considerou correto o procedimento adotado pelo Juiz de primeiro grau. A pretexto de que haveria omissão no acórdão, pretende o recorrente, na realidade, a modificação do v. aresto impugnado. IV - Conforme entendimento pacífico desta Corte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS n. 21.315/DF, Rel. Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. V - Para além do alegado vício de fundamentação e omissão, suscitou o recorrente a violação do art. 12 da Lei de Improbidade Administrativa, tendo em conta a sustentada desproporcionalidade da sanção imposta. Na forma como aplicada e à luz da conduta descrita no acórdão recorrido, inexiste desproporção que justifique a excepcional intervenção corretiva do STJ. A propósito, a orientação remansosa nesta Corte é de que, apenas no caso de patente afronta ao princípio da proporcionalidade, afigura-se possível a revisão das sanções aplicadas pela prática de ato de improbidade administrativa. VI - Portanto, falta ao recurso especial fundado na alínea a do inciso III do art. 105 da CF requisito específico de admissibilidade. Consequência disso é a inadmissibilidade do recurso também quanto à alegada existência de dissídio jurisprudencial (CF, art. 105, III, c). Afinal, se não analisado o mérito da decisão recorrida, o que esbarraria no óbice na Súmula n. 7 do STJ, não há como investigar se a interpretação dada ao caso é divergente da empregada nos outros julgamentos expostos. VII - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.812.069/MG, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe 26/5/2021). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. VÍCIOS DE INTEGRAÇÃO NÃO CONFIGURADOS. 1. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. 2. No caso dos autos, não há vício a ensejar esclarecimento ou a integração do que decidido no julgado. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1. 739.212/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 28/5/2021). A Corte a quo, soberana na análise do contexto fático-probatório do feito, assentou que as demandas possuem a tríplice identidade (partes, pedido e causa de pedir): Como visto, o acórdão embargado discorreu sobre os temas necessários e suficientes à composição do litígio, ponderando que, tanto na ação anulatória, quanto nos embargos à execução, o fim buscado pelo ora embargante é o mesmo, qual seja: impedir a cobrança do ICMS constituído através dos autos de infração nº 03.238938-9 e nº 03.238934-8, sendo certo que os argumentos lançados na anulatória e nos embargos à execução são absolutamente os mesmos. Restou consignado, ainda, que diante da tríplice identidade prevista no artigo 337, §§ 1º, 2º e 3º, do CPC (identidade de partes, pedido e causa de pedir), está configurada na presente hipótese a litispendência. Depreende-se que houve manifestação explícita sobre as questões trazidas pela agravante, portanto não se pode falar em omissão. Dessa maneira, não tendo sido infirmadas adequadamente as razões que nortearam o decisum impugnado, não se pode acolher a irresignação. Diante do exposto, conheço do Agravo para conhecer do Recurso Especial e negar-lhe provimento, com fulcro no art. 932 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA