AREsp 2735518 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem analisou detidamente as questões suscitadas e manifestou-se de forma fundamentada, não havendo omissão nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC; além disso, a discussão sobre a culpa da concessionária e a necessidade de reparação por dano moral depende de...
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- Parties
- Agravante: ADRIELY APARECIDA CEZARETO LUCENA; Agravada: Concessionária
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Omissão/embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc), Fundamentação Do Acórdão (art. 489 Cpc), Súmula 7/stj, Dano Moral, Responsabilidade Objetiva De Concessionária, Honorários Advocatícios (art. 85, §11, Cpc)
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Parties
ADRIELY APARECIDA CEZARETO LUCENA
Agravante
Concessionária
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Se houve omissão no acórdão do Tribunal de origem quanto aos pontos suscitados pela recorrente (art. 1.022 do CPC)
- 2 Se o acórdão deixou de valorar adequadamente a existência do fato constitutivo do direito à reparação por dano moral (arts. 22, parágrafo único, do CDC; arts. 186, 927 e 944 do CC)
- 3 Se é possível, em recurso especial, reexaminar fatos e provas quando a controvérsia depende de prova material (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem analisou detidamente as questões suscitadas e manifestou-se de forma fundamentada, não havendo omissão nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC; além disso, a discussão sobre a culpa da concessionária e a necessidade de reparação por dano moral depende de reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ; por fim, majoraram-se honorários em 2% nos termos do art. 85, §11 do CPC.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente em 2% nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por ADRIELY APARECIDA CEZARETO LUCENA contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 1.667): APELAÇÕES CÍVES - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS - ACIDENTE DE TRÂNSITO - ACIDENTE CAUSADO POR OBJETO (PEÇA DE CAMINHÃO) SOLTO NA PISTA - PREJUDICIAL DE MÉRITO - PRESCRIÇÃO AFASTADA - RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA CONCESSIONÁRIA - CONFIGURAÇÃO DOS DANOS MATERIAIS DEVIDAMENTE COMPROVADOS - DANOS MORAIS NÃO DEMONSTRADOS - LUCROS CESSANTES- NÃO DEMONSTRADOS- RECURSOS DESPROVIDOS. O prazo prescricional para a propositura da ação condenatória ao pagamento de indenização por danos decorrentes de falha na prestação de serviços é de cinco anos, por incidência do artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor. A concessionária de serviço de administração de rodovias, que aufere lucros dos pedágios, responde objetivamente pelos danos causados aos usuários da rodovia, em razão de falha na prestação dos serviços (art. 37, § 6º, da CF), por força do previsto no Código de Defesa do Consumidor, pela própria natureza do serviço que fornece. É devida a restituição dos valores comprovadamente despendidos com os reparos feitos no veículo. Não há que se falar em condenação por dano moral se não comprovados transtornos na esfera de direitos de personalidade dos autores. Lucros cessantes não evidenciados, autora não comprovou período em que o veiculo ficou inutilizado. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 1.715-1.721). No recurso especial, a parte recorrente alega, preliminarmente, ofensa ao art. 1.022 do CPC, porquanto, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre pontos necessários ao deslinde da controvérsia. Aduz, no mérito, violação dos arts. 22, parágrafo único, do CDC e 186, 927 e 944 do Código Civil, pois o acórdão recorrido "deixou de valorar adequadamente a existência do fato constitutivo do direito à reparação do dano moral oriundo da negligência da concessionária com o dever de vistoriar e remover objetos da via pública, fato causador do acidente que originou os danos experimentados pela recorrente" (fl. 1.787). Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 1.818-1.829). Sobreveio juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 1.843-1.861), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fls. 1.901-1.908). É, no essencial, o relatório. A decisão agravada não merece reforma. Com efeito, o Tribunal de origem analisou detidamente o recurso especial interposto, devendo a decisão de admissibilidade ser mantida por seus próprios fundamentos. Não há falar em ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, uma vez que o Tribunal de origem, de forma clara e devidamente fundamentada, expressamente se manifestou acerca dos pontos alegados como omisso. Observa-se, portanto, que a lide foi solucionada em conformidade com o que foi apresentado em juízo. Assim, verifica-se que o acórdão recorrido está com fundamentação suficiente, inexistindo omissão ou contradição. Ademais, nos termos da jurisprudência do STJ, "não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp n. 1.907.401/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 29/8/2022). Verifica-se que, em relação à apontada ofensa aos arts. 22, parágrafo único, do CDC e 186, 927 e 944 do Código Civil, o recurso especial não merece prosperar porquanto encontra óbice na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. O Tribunal de origem decidiu a controvérsia em harmonia com a jurisprudência do STJ, e alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à culpa da concessionária no acidente e consequente necessidade de reparação de dano moral, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado, em recurso especial, pela Súmula 7 do STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente em 2%. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DANOS MORAIS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO.