AREsp 2550230 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, quanto ao recurso especial, negou-se provimento porque não houve omissão ou negativa de prestação jurisdicional (art. 489 e art. 1.022 CPC), a decisão do Tribunal de origem enfrentou adequadamente as questões e a alteração pretendida pelo recorrente exigiria reexame de matéria...
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- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA; Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade E Mérito Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Omissão E Prequestionamento (arts. 489 E 1.022 Cpc), Astreinte (multa Cominatória), Ato Atentatório À Dignidade Da Justiça, Litigância De Má Fé, Reserva Do Possível, Reexame De Matéria Fático Probatória (súmula 7/stj), Coisa Julgada
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade E Mérito Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 existência de omissão no acórdão (art. 489 e art. 1.022 CPC)
- 2 possibilidade de cominação de multa diária (astreinte) contra entidade pública (INCRA)
- 3 aplicabilidade da reserva do possível como óbice ao cumprimento de decisão transitada em julgado
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, quanto ao recurso especial, negou-se provimento porque não houve omissão ou negativa de prestação jurisdicional (art. 489 e art. 1.022 CPC), a decisão do Tribunal de origem enfrentou adequadamente as questões e a alteração pretendida pelo recorrente exigiria reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7 do STJ. Ademais, o INCRA foi considerado omisso quanto ao cumprimento da obrigação de fazer transitada em julgado, não podendo invocar reserva do possível ou ausência de previsão orçamentária para se eximir do cumprimento, justificando a manutenção das penalidades e medidas determinadas pelo tribunal de origem.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Sem condenação em honorários advocatícios recursais.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo contra decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA, com fundamento na incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ. Em suas razões recursais, a parte agravante sustenta o preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial. Contraminuta apresentada. O Ministério Público Federal apresentou manifestação, sintetizada na seguinte ementa (fl. 244): DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. INCONFORMISMO DA PARTE COM A DECISÃO QUE LHE FOI CONTRÁRIA AOS INTERESSES. JULGADOR QUE NÃO ESTÁ OBRIGADO A EXAMINAR TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES, MAS SOMENTE AS NECESSÁRIAS PARA FORMAR O SEU LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. PRECEDENTES. IMPLEMENTAÇÃO DE ESTRUTURA DE FORNECIMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA EM ASSENTAMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RESERVA DO POSSÍVEL. INAPLICABILIDADE NO CASO DE OMISSÃO QUANTO À EFETIVAÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ENTENDIMENTO DO STF E DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83 DA CORTE SUPERIOR. PARECER DO MPF PELO CONHECIMENTO DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. É o relatório. Passo a decidir. Atendidos os pressupostos de conhecimento do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. Nas razões do recurso especial, a parte agravante afirma que houve violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC. Argumenta que o acórdão recorrido não enfrentou questões essenciais suscitadas nos embargos de declaração, pleiteando a aplicação do prequestionamento ficto e a anulação do acórdão dos embargos para suprir as omissões. Alega que houve omissão no seguinte ponto (fl. 164): Especificamente, não constou no v. acórdão que a decisão que comina astreinte, bem como seu valor, não faz coisa julgada e nem preclui, consoante jurisprudência do STJ, em sede de recurso representativo de controvérsia, tema 706 e norma jurídica contida no art. 536, §1º, II do CPC. Além disso, o v. acórdão foi omisso quanto ao pedido eventual de fixação de um teto máximo para a incidência de multa cominatória, conforme entendimento do próprio STJ. Por fim, o v. acórdão não aponta qual seria o ato doloso ou de culpa grave que justifique a cominação de atentatório à dignidade da justiça, nos termos do art. 772, II c/c 774, IV, CPC e nas penas de litigância de má-fé, contido no §3º, art. 536, CPC. No mérito, sustenta afronta aos arts. 536, § 1º, II, e § 3º, 772, II, 774, IV, e 927, III, do CPC. Afirma inexistir resistência injustificada, invocando esforços administrativos, obstáculos técnicos e orçamentários, para afastar penalidades por ato atentatório e má-fé. Requer a revisão, exclusão ou, subsidiariamente, a fixação de teto para a multa cominatória, em observância à proporcionalidade e razoabilidade. Inicialmente, quanto à apontada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC, não há nulidade por omissão, tampouco negativa de prestação jurisdicional, no acórdão que decide de modo integral e com fundamentação suficiente a controvérsia posta. No caso, o Tribunal de origem dirimiu as questões pertinentes ao litígio de forma suficientemente ampla e fundamentada, consignando que (fl. 78): Anote-se, ainda, que correta a decisão agravada ao fixar multa por ato atentatório à dignidade da justiça, visto que conforme observado na decisão agravada, o título judicial transitado em julgado (em 09.03.2021) já fixava prazo de 120 dias para o efetivo fornecimento de água. Por fim, entendo que razoáveis as penalidades já aplicadas na decisão agravada, devendo ser afastado o pedido do parquet quanto à fixação de 48 horas, para fins de eventual sujeição às sanções criminais, administrativas e civis cabíveis, as lotações, do fornecimento dos dados do cargo e o nome completo das autoridades administrativas responsáveis pela efetivação da ordem judicial decretada pela Egrégia 4ª Turma deste TRF, sob pena de ofício à OAB e à Corregedoria da AGU (§6º do art. 77 do CPC/2015) e, ainda, quanto à imediata intimação pessoal dos responsáveis, para que comprovem o início da execução das obras no prazo inderrogável de 10 dias, sob pena de multa diária no valor de R$ 10.000,00 a lhes serem pessoalmente direcionadas, para além da instauração de inquérito policial para a apuração de conduta criminal e de improbidade administrativa. Como se vê, a negativa de prestação jurisdicional não restou configurada. Por outro lado, a fundamentação adotada no acórdão é suficiente para respaldar a conclusão alcançada. Vale lembrar que, mesmo à luz do art. 489 do CPC, o órgão julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pela parte, mas apenas sobre aqueles capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada. Assim, inexiste violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC. Em relação ao mérito, o Tribunal de origem consignou: De início, observo que a recorrente demonstrou os fundamentos do seu recurso, impugnando de maneira clara e expressa os argumentos do decisum recorrido, razão pela qual afasto as alegações da parte agravada acerca da impossibilidade de conhecimento do presente recurso. No mérito, o recurso não comporta provimento. A decisão agravada restou assim proferida: .. 2. Assiste razão ao Ministério Público Federal, devendo ser rejeitada na sua integralidade a impugnação ao cumprimento da sentença. Como dito na decisão anterior, não há justificativa nos autos para o fato de que a ação visando à concretização de direito constitucional sensível, proposta há 10 anos, ainda não tenha resultado em concreto atendimento da população envolvida. Outrossim, a matéria invocada pelo INCRA na impugnação não é passível de conhecimento na fase processual em que se encontra o processo. Com efeito, a atribuição de responsabilidade ao INCRA para a concretização do abastecimento hídrico nos assentamentos objeto da ação foi reconhecida por acórdão que detém o atributo da coisa julgada. Por essa mesma razão, não é possível ao INCRA invocar a reserva do possível e a separação dos poderes para se esquivar do cumprimento da decisão, pois tais matérias foram ou deveriam ter sido alegadas durante a fase de conhecimento. Pelos mesmos motivos, não pode ser acolhida a tese de que inexiste previsão orçamentária específica, poiso trânsito em julgado do Recurso Extraordinário interposto pelo réu se deu em 09/03/2021 (id 52122060 - Pág. 21), de modo que era possível inserir a obrigação na atual lei orçamentária para execução do projeto. Ademais, a impugnação trazida pelo INCRA não veio acompanhada de qualquer documento a demonstrar as providências administrativas até então tomadas pela autarquia para o cumprimento da decisão transitada em julgado. Ainda, como assinalado pelo MPF, o e. TRF3 ratificou o prazo de 120 dias para a efetivação da obrigação de fazer, e referida ordem transitou em julgado em 09/03/2021, de modo que já decorreu tempo suficiente sem que a parte tenha demonstrado que providenciou qualquer cumprimento. Por fim, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é "cabível a cominação de multa diária (astreinte) contra a Fazenda pública como meio executivo para cumprimento de obrigação de fazer ou entregar coisa (arts. 461 e 461-A do CPC),inclusive para obrigar autarquia federal a providenciar a escrituração de Títulos da Dívida Agrária (TDA) para o pagamento de indenização pactuada em decorrência de desapropriação, por interesse social, para fins de reforma agrária" (STJ, AREsp 1.577.304/MT, Rel. Ministro HERMANBENJAMIN, SEGUNDA TURMA, D Je de 27/02/2020). Nesse sentido: STJ, REsp 1.688.632/RS, Rel. Ministro MAUROCAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de27/11/2017; REsp 1.664.327/PB, Rel. Ministro HERMANBENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 12/09/2017 (STJ, AgInt no REsp 1658810/PR, Rel. Ministra ASSUSETEMAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/02/2021,DJe 11/02/2021). Esse entendimento segue a previsão dos artigos 536 e 537 do CPC: .. Considerando o trânsito em julgado da decisão que reconheceu a obrigação de fazer, o INCRA foi intimado para, no prazo de 15 dias, demonstrar o imediato cumprimento do comando judicial, sob pena de multa diária no total de R$1.000,00 por dia de descumprimento, ciente de que seria devida a partir do 16º dia da intimação. Assim, é o INCRA devedor da multa aplicada, desde o 16º dia da intimação, até o efetivo cumprimento da obrigação de fazer demonstrado nos autos (ar. 537, § 4º, do CPC). Diante do exposto, rejeito a impugnação apresentada e acolho o parecer ministerial de id 160307631, para o fim de determinar ao INCRA que comprove o cumprimento da sentença (obrigação de fazer consistente na conclusão das obras de construção de rede de distribuição de água nos assentamento "Antônio Lafaiete de Oliveira" e "Margarida Maria Alves"), apresentando as providências administrativas já realizadas e eventual cronograma visando ao integral cumprimento da ordem judicial, no derradeiro prazo de 15dias, sob pena de aplicação de multa por ato atentatório à dignidade da justiça (art. 772, II, e art. 774, IV, ambos do CPC), sem prejuízo da incidência das penas por litigância de má-fé e da responsabilização do agente público competente por crime de desobediência (art. 536, § 3º, CPC). .. Conforme se extrai da transcrição supra, o provimento recorrido encontra-se devidamente fundamentado, tendo dado à lide a solução mais consentânea possível, à vista dos elementos contidos nos autos. Desta feita, não tendo o recurso apresentado pela agravante trazido nada de novo que pudesse infirmar o quanto decidido, de rigor a manutenção da decisão agravada, por seus próprios fundamentos. .. De fato, verifica-se que já quando proferido o acórdão por esta Quarta Turma, restou fixada a responsabilidade do INCRA, na condição de órgão executor do PNRA (Programa Nacional da Reforma Agrária), para assegurar aos beneficiários uma estrutura mínima, sob pena de inviabilizar-se a própria finalidade do programa social. Naquela época o acórdão proferido já consignava, quanto ao objeto da demanda, que a implementação da infraestrutura básica dos assentamentos era imprescindível à sobrevivência e ainda ao desenvolvimento qualquer atividade produtiva Atente-se que também foi afastada a alegação da ausência de previsão orçamentária, visto que restou expressamente asseverado, in verbis: A falta de previsão orçamentária, a Lei de ResponsabilidadeFiscal e a Lei de Diretrizes Orçamentárias não podem serinvocadas como escusa para que se deixe de garantir ofornecimento de água aos assentados, sob pena de violação aum bem maior, que é o da vida ou a dignidade da pessoahumana. Tampouco se poderia invocar a necessidade delicitação para se afastar o tratamento requerido, pois se tratade caso de emergência, em que é dispensável a licitação,consoante inteligência dos artigos 24, IV, da Lei nº8.666/1993 e 37, XXI, da Constituição Federal Nesse sentido, resta também prejudicada a alegação quanto à aplicação da reserva do possível, sobretudo, porque a demanda iniciou-se no ano de 2011. Saliente-se que, ao tempo em que proferido o v. acórdão (julgado em 05/09/2018 e publicado em 11/10/2018) a Quarta Turma já havia mantido tanto prazo para o efetivo fornecimento de água aos assentados, como também a multa, no caso de descumprimento, nos seguintes termos: .. Razoáveis o prazo e a multa fixados na r. sentença monocrática, pois como bem observou o i. representante do Ministério Público Federal ".. ao prazo de 120 dias para o fornecimento de água para os assentados 120 dias deve ser somado o prazo de quase 03 (três) anos de omissão do INCRA já decorrido desde a propositura da presente ação, ou seja, não são 120 dias, são mais de 1.000 dias. Ressalte-se que a recorrente já naquela época foi declarada omissa. Assim, não vislumbro qualquer relevância na fundamentação da ora agravante, devendo ser mantida a decisão agravada. Anote-se, ainda, que correta a decisão agravada ao fixar multa por ato atentatório à dignidade da justiça, visto que conforme observado na decisão agravada, o título judicial transitado em julgado (em 09.03.2021) já fixava prazo de 120 dias para o efetivo fornecimento de água. Por fim, entendo que razoáveis as penalidades já aplicadas na decisão agravada, devendo ser afastado o pedido do quanto àparquet fixação de 48 horas, para fins de eventual sujeição às sanções criminais, administrativas e civis cabíveis, as lotações, do fornecimento dos dados do cargo e o nome completo das autoridades administrativas responsáveis pela efetivação da ordem judicial decretada pela Egrégia 4ª Turma deste TRF, sob pena de ofício à OAB e à Corregedoria da AGU (§6º do art. 77 do CPC/2015) e, ainda, quanto à imediata intimação pessoal dos responsáveis, para que comprovem o início da execução das obras no prazo inderrogável de 10 dias, sob pena de multa diária no valor de R$ 10.000,00 a lhes serem pessoalmente direcionadas, para além da instauração de inquérito policial para a apuração de conduta criminal e de improbidade administrativa. A alteração da conclusão do Tribunal a quo ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7 do STJ. Nesse sentido: "É inviável, em sede de recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória, nos termos da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"" (AgInt no AREsp n. 1.964.284/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 5/12/2023). Por fim, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal é pacífica no sentido de que a atuação do Poder Judiciário é legítima para determinar a implementação de políticas públicas, especialmente aquelas relacionadas a direitos fundamentais como a saúde, em casos de omissão ou deficiência da Administração Pública, sem que isso configure indevida ingerência no mérito administrativo. A propósito: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. REQUISITOS AUTORIZADORES DE MEDIDA LIMINAR. DEGRADAÇÃO DE SÍTIO HISTÓRICO . NECESSIDADE DE REEXAME DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. DESCABIMENTO. SÚMULA 7/STJ. SÚMULA 735/STF . TEORIA DA RESERVA DO POSSÍVEL. AFASTAMENTO. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem deu provimento a Agravo de Instrumento interposto contra decisão que indeferiu pedido de tutela liminar em Ação Civil Pública, para que o Estado lato senso (Incra, Iphan e Fundação Cultural Palmares) proceda à elaboração do laudo antropológico, com vistas à qualificação dos ocupantes do platô da Serra da Barriga, localizada no Município de União dos Palmares/AL, assim como finalizem o inventário das construções existentes, com a adoção das medidas de intensificação de vigilância na localidade e o efetivo funcionamento do Conselho Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares . 2. A iterativa jurisprudência do STJ é no sentido de que, para analisar critérios adotados pela instância ordinária para conceder ou não liminar ou antecipação dos efeitos da tutela, é necessário reexaminar os elementos probatórios, a fim de aferir "a prova inequívoca que convença da verossimilhança da alegação", nos termos do art. 273 do CPC/1973, o que não é possível em Recurso Especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 3 . Ademais, o juízo de valor precário, emitido na concessão ou no indeferimento de medida liminar, não tem o condão de ensejar a violação da legislação federal, o que implica o não cabimento do Recurso Especial, nos termos da Súmula 735/STF. 4. Além disso, ainda que se afastasse tal óbice, melhor sorte não assistiria aos recorrentes. O Tribunal local, ao dirimir a lide, consignou que há grave degradação ambiental ao Sítio Histórico e Arqueológico da Serra da Barriga, bem como questões fundiárias na região e problemas relacionados à gestão do Parque Memorial Serra da Barriga, situado no Município de União dos Palmares/AL (fl . 1.925, e-STJ). Assim, é evidente que, para modificar o entendimento firmado no acórdão recorrido, verificando se há ou não inércia ou omissão dos insurgentes, seria necessário exceder as razões colacionadas no acórdão vergastado, o que demanda incursão no contexto fático-probatório dos autos, vedada em Recurso Especial, conforme a Súmula 7/STJ. 5. Finalmente, ressalto que o STF tem decidido que, ante a demora ou inércia do Poder competente, o Poder Judiciário poderá determinar, em caráter excepcional, a implementação de políticas públicas para o cumprimento de deveres previstos no ordenamento constitucional, sem que isso configure invasão da discricionariedade ou afronta à reserva do possível. 6. Recurso Especial não conhecido (REsp 1.677.832/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 06/03/2018, DJe de 22/11/2018). Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a e b, do RISTJ, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Sem condenação em honorários advocatícios recursais, tendo em vista que o agravo em recurso especial se origina de acórdão proferido em julgamento de agravo de instrumento. Intimem-se. EMENTA