AREsp 2319821 - ACORDAO
O recurso foi desprovido porque o Tribunal de origem examinou e decidiu as questões principais de forma fundamentada, não havendo omissão; as matérias que não foram apreciadas pelo tribunal a quo não se prestam a recurso especial por ausência de prequestionamento, conforme Súmula 211/STJ; e a alteração do...
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- Parties
- AGRAVANTE: ELIANA NATIVIDADE FERREIRA DE SOUZA; AGRAVANTE: GILBERTO FELISMINO DE SOUZA JUNIOR; AGRAVANTE: LUDIMILA DE SOUZA; AGRAVANTE: NEILA PAULA DE SOUZA; AGRAVADO: JOSE DE PAULA LEMOS; AGRAVADO: MARIA JOSE DE SOUZA LEMOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 March 2024
- Procedural Posture
- AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Decisão Colegiada (negado Provimento Ao Agravo Interno)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Omissão No Acórdão, Prequestionamento, Súmula 211/stj, Súmula 7/stj, Revelia, Reexame De Provas, Preclusão, Supressão De Instância
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Parties
ELIANA NATIVIDADE FERREIRA DE SOUZA
AGRAVANTE
GILBERTO FELISMINO DE SOUZA JUNIOR
AGRAVANTE
LUDIMILA DE SOUZA
AGRAVANTE
NEILA PAULA DE SOUZA
AGRAVANTE
JOSE DE PAULA LEMOS
AGRAVADO
MARIA JOSE DE SOUZA LEMOS
AGRAVADO
Procedural Posture
AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Decisão Colegiada (negado Provimento Ao Agravo Interno)
Legal Issues
- 1 existência ou inexistência de omissão no acórdão do Tribunal de origem
- 2 ausência de prequestionamento e aplicação da Súmula 211/STJ
- 3 inviabilidade de reexame de matéria fático-probatória por força da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
O recurso foi desprovido porque o Tribunal de origem examinou e decidiu as questões principais de forma fundamentada, não havendo omissão; as matérias que não foram apreciadas pelo tribunal a quo não se prestam a recurso especial por ausência de prequestionamento, conforme Súmula 211/STJ; e a alteração do entendimento demandaria reexame de prova, inviável na via especial nos termos da Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 13/03/2024 a 19/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Se as questões trazidas à discussão foram dirimidas, pelo Tribunal de origem, de forma suficientemente ampla, fundamentada e sem omissões, deve ser afastada a alegada violação aos arts. 489, § 1º, IV e 1.022, II, do Código de Processo Civil de 2015. 2. "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo" (Súmula 211/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI: Trata-se de agravo interno interposto em face da decisão de fls. 1.856/1.863, e-STJ, por meio da qual neguei provimento ao agravo em recurso especial. A parte agravante, em suas razões, afirmou que o Tribunal de origem foi omisso, por não ter analisado todas as questões suscitadas. Argumentou que a decisão recorrida foi contraditória por ter, ao mesmo tempo, afastado a alegação de omissão e reconhecido a falta de prequestionamento das matérias suscitadas perante a Corte local. Sustentou, por fim, que não se exige o reexame de provas para análise das questões referentes à preclusão e à supressão de instância. A parte agravada não apresentou contrarrazões, conforme certidões de fls. 1.885 e 1.886, e-STJ. É o relatório. AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 2.319.821 - MG (2023/0068513-2) RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI AGRAVANTE : ELIANA NATIVIDADE FERREIRA DE SOUZA AGRAVANTE : GILBERTO FELISMINO DE SOUZA JUNIOR AGRAVANTE : LUDIMILA DE SOUZA AGRAVANTE : NEILA PAULA DE SOUZA ADVOGADOS : EVANDRO FRANÇA MAGALHÃES - MG033017 THIAGO LUIZ ISACKSSON D"ALBUQUERQUE - DF020792 ADVOGADOS : ADRIANA DE SOUSA MENDES - MG099926 PRISCILA FERREIRA D"AVILA D ALBUQUERQUE - DF043501 AGRAVADO : JOSE DE PAULA LEMOS AGRAVADO : MARIA JOSE DE SOUZA LEMOS ADVOGADOS : ROSE MARY MARIA RODRIGUES CABRAL - MG061337 JÂNIO PEREIRA CABRAL - MG071628 EMENTA AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Se as questões trazidas à discussão foram dirimidas, pelo Tribunal de origem, de forma suficientemente ampla, fundamentada e sem omissões, deve ser afastada a alegada violação aos arts. 489, § 1º, IV e 1.022, II, do Código de Processo Civil de 2015. 2. "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo" (Súmula 211/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI (Relatora): Observo que os argumentos desenvolvidos pela parte agravante não infirmam a conclusão da decisão impugnada, razão pela qual o presente recurso não merece prosperar. Com efeito, reitero que o Tribunal de origem motivou adequadamente a sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à espécie. Não há que se falar, portanto, em omissão apenas pelo fato de o acórdão recorrido ter sido proferido em sentido contrário à pretensão da parte. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE VIDA. OMISSÃO NO ACÓRDÃO DE ORIGEM. NÃO OCORRÊNCIA. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. VERIFICAÇÃO. INVIABILIDADE. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA E CONTRATUAL DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. NÃO PROVIMENTO. 1. Se as questões trazidas à discussão foram dirimidas, pelo Tribunal de origem, de forma suficientemente ampla, fundamentada e sem omissões, obscuridades ou contradições, deve ser afastada a alegada ofensa ao artigo 1.022 do CPC/15. 2. Inviável a análise do recurso especial quando dependente de reexame de cláusulas contratuais e matéria de prova (Súmulas 5 e 7 do STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1709802/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 12/3/2019, DJe 15/3/2019) Anoto, em seguida, que não houve apreciação pelo Tribunal de origem dos arts. 8º, 505, I, II, 994, IV, 1.014, do Código de Processo Civil de 2015 e 4º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, o que impossibilita o julgamento do recurso, nesse aspecto, pela ausência do necessário prequestionamento, nos termos da Súmula nº 211, do STJ, que dispõe: "inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo". Em que pese a desnecessidade de menção expressa ao dispositivo infraconstitucional para a configuração do questionamento prévio, ressalto que é imprescindível que, no acórdão recorrido, a questão tenha sido discutida e decidida fundamentadamente, o que não verifico na presente hipótese. A propósito, cito os seguintes julgados: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 211 DO STJ. VALOR INDENIZATÓRIO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. A simples indicação dos dispositivos legais tidos por violados, sem enfrentamento do tema pelo acórdão recorrido, obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento (Súmula n. 211 do STJ). 2. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõe a Súmula n. 7/STJ. Somente em hipóteses excepcionais, quando irrisório ou exorbitante o valor da indenização por danos morais e estéticos arbitrado na origem, a jurisprudência desta Corte permite o afastamento do referido óbice, para possibilitar a revisão. 3. No caso, o valor estabelecido pelo Tribunal de origem, considerando os danos sofridos pela parte autora - amputação dos membros inferiores, perda auditiva, problemas renais, entre outros -, não se mostra excessivo, a justificar sua reavaliação em recurso especial. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.129.065/BA, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 15/12/2022.) PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. EDIFICAÇÃO ERGUIDA EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.DEMOLIÇÃO E RECUPERAÇÃO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. 1. O Tribunal Regional, com lastro nas conclusões da prova técnica pericial produzida e nas particularidades do caso concreto, bem como mediante o sopesar, de um lado, da supremacia do meio ambiente, "mesmo em situações em que haja efetiva configuração do fato consumado", e, do outro, da aplicabilidade dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, manteve o afastamento da condenação dos réus, ora agravados, à demolição do imóvel erguido em área de preservação permanente e à recuperação integral da área afetada. 2. Cenário em que o acolher da tese recursal reclama inevitável revolver de aspectos fático-probatórios constantes dos autos, providência sabidamente inviável na via do apelo especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 3. Há manifesta ausência de prequestionamento, a atrair a aplicação da Súmula 211 do STJ, quando os conteúdos dos preceitos legais tidos por violados não são examinados na origem, mesmo após opostos embargos de declaração. 4. Segundo o entendimento desta Corte de Justiça, para se reconhecer o prequestionamento ficto de que trata o art. 1.025 do CPC/2015, na via do especial, impõe-se ao recorrente a indicação de contrariedade ao art. 1.022 do CPC/2015, o que não ocorreu. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.883.702/SC, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 15/12/2022.) Afasto a alegação de que teria havido contradição por se reconhecer, ao mesmo tempo, a inexistência de omissão por parte do TJMG e a falta de prequestionamento, com a incidência da Súmula 211/STJ. Como já ressaltado, o recorrente não possui o direito de ter todos os argumentos alegados rebatidos, cabendo ao tribunal analisar e debater as questões principais para o deslinde da controvérsia, o que foi, de fato, observado pelo TJMG. A Corte local, nesse sentido, examinou, de forma fundamentada e completa as questões suscitadas pelas partes. Por fim, transcrevo excertos da decisão recorrida, por meio da qual analisei a questão referente à revelia (fls. 1.859/1.861, e-STJ): A revelia dos réus foi assim reconhecida (fls. 1.276/1.278, e-STJ): Da revelia. Os apelados, em suas contrarrazões aduziram preliminar de revelia, sob o fundamento de que os apelantes apresentaram contestação 5 (cinco) meses e 6 (seis) dias após o término do prazo, motivo pelo qual deve ser desentranhada a peça de contestação. Alegaram que devem ser aplicadas as regras do Código de Processo Civil de 1973, tendo em vista sua vigência à época da citação, e que o prazo para contestação se iniciou após o decurso do prazo do edital, ou seja, em 13/09/2013, tendo os apelantes apresentado contestação em 20/01/2014. Analisando os autos, verifico que a requerida Eliana Natividade Ferreira de Souza foi citada em 25/02/2012, e a juntada do mandado se deu em 12/03/2012; a requerida Ludimila de Souza foi citada em 25/02/2012 e a juntada do mandado se deu em 12/03/2012; e o requerido Gilberto Felismino de Souza Júnior foi citado em 17/02/2012, tendo sido juntado o mandado em 26/03/2012. A requerida Neila de Paula Souza, por sua vez, foi citada por edital, publicado em 21/06/2013, sexta-feira, com prazo de 30 dias corridos (conforme artigo 232, IV, do Código de Processo Civil de 1973), e prazo de 15 dias corridos para contestar, com início em 24/07/2013. Da análise dos autos, verifico ter sido juntada procuração pela apelante Neila de Paula Souza em 23/07/2013 (documentos eletrônicos de ordem números 07 e 08), conferindo poder específico ao procurador para: "defender em ação inscrita sob o nº 0702.11.054110- 0, que tramita na 4ª Vara Cível da Comarca de Uberlândia - MG." O comparecimento da requerida, antes de lhe ser nomeado curador especial, com a apresentação de procuração com poder específico para a presente ação supre sua citação pessoal. Vejamos o disposto no artigo 214, §1º do Código de Processo Civil de 1973: "Art. 214. Para a validade do processo é indispensável a citação inicial do réu. § 1º O comparecimento espontâneo do réu supre, entretanto, a falta de citação.(..)" De acordo com o art. 241, incisos III e V, do Código de Processo Civil de 1973, em caso de existência de mais de um requerido no polo passivo da lide, o prazo para eles se manifestarem e, via de consequência, os 15 dias que lhes eram concedidos pelo diploma processual para apresentarem a Contestação, começou a ser computado a partir da data de juntada aos autos do último AR ou mandado citatório cumprido ou em caso de citação por edital, após a dilação assinada pelo Juiz. (..) Portanto, tendo em vista o escoamento do prazo fixado no edital em 24/07/2012, bem como o comparecimento espontâneo da requerida Neila de Paula Souza em 23/07/2012, conforme procuração juntada aos autos verifico que todos os requeridos são revéis, nos termos do art. 319 do CPC/1973, vigente à época das citações e do decurso do prazo legal para contestarem. Por outro lado, ressalto que a revelia, por si só, não acarreta o acolhimento da pretensão dos requerentes quando o contrário resultar da convicção do julgador, pois, havendo provas apontando em outra direção, ou no caso de serem inverossímeis os fatos afirmados na inicial, o julgador deve desconsiderá-las. Portanto, os efeitos da revelia são relativos, uma vez que a matéria de fato deve ser sopesada sob o crivo da plausibilidade e da verossimilhança, devendo ser prestigiado o princípio da busca da verdade real. Assim, o ônus da prova deverá atender ao disposto no art. 333, I, do CPC/1973 (art. 373 do CPC/2015). Diante do exposto, acolho a preliminar e decreto a revelia dos apelantes, mas deixo de determinar o desentranhamento da contestação e passo a analisar os pontos controvertidos. O TJMG consignou que a apelante Neila Paula de Souza compareceu espontaneamente aos autos para juntar a procuração conferindo poderes específicos ao seu procurador, o que teria suprido a sua citação pessoal. A modificação dessa premissa, a fim de se afastar a conclusão de comparecimento espontâneo, exigiria o reexame de provas, providência vedada em recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ. Anoto que a jurisprudência suscitada pela parte ora recorrente, no sentido de que o peticionamento nos autos por advogado destituído de poderes especiais para receber a citação não configura comparecimento espontâneo apto a suprir tal necessidade, é notadamente diversa da situação dos autos e, portanto, aqui inaplicável. Na espécie, foi a própria parte quem se apresentou ao processo. Ainda quanto à revelia, ressaltou o TJMG que, apesar do seu reconhecimento, não se determinou o desentranhamento da contestação e de seus documentos. Ponderou, nesse sentido, que "os pontos controvertidos foram analisados com base em todas as peças contidas nos autos, com a busca da verdade real e, portanto, não há nulidade sem prejuízo" (fl. 1.480, e-STJ). Como se nota, a Súmula 7/STJ foi aplicada, nesse ponto, diante da impossibilidade de se alterar o entendimento firmado pelo TJMG de que a parte teria comparecido espontaneamente aos autos, e não por conta, como alegado em agravo interno, da impossibilidade de análise das teses de preclusão e de supressão de instância sem o reexame de provas. Em face do exposto, não havendo o que reformar, nego provimento ao agravo interno. É o voto.