REsp 2149407 - DECISAO
Constatada omissão no acórdão recorrido por não ter sido enfrentadas teses fáticas e jurídicas apontadas (relacionadas ao envio de cartão não solicitado, depósitos e cobranças indevidas, contatos e a via crucis administrativa/judicial), concluiu-se que houve ofensa ao art. 1.022 do CPC. Em razão disso, com...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: GEMA PINZETTA NARDI; Recorrido: BANCO RÉU
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decidido No STJ Anulação Do Acórdão Dos Embargos De Declaração E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Dou provimento ao recurso especial, para anular o acórdão proferido nos embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina para novo julgamento, suprimindo-se as omissões apontadas.
- Legal Topics
- Omissão No Acórdão, Embargos De Declaração, Dano Moral Por Descontos Indevidos Em Benefício Previdenciário, Ônus Da Prova, Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GEMA PINZETTA NARDI
Recorrente
BANCO RÉU
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decidido No STJ Anulação Do Acórdão Dos Embargos De Declaração E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC (omissão no acórdão)
- 2 caracterização de dano moral por descontos indevidos em benefício previdenciário
- 3 ônus da prova nos termos do art. 373 do CPC
Ratio Decidendi
Constatada omissão no acórdão recorrido por não ter sido enfrentadas teses fáticas e jurídicas apontadas (relacionadas ao envio de cartão não solicitado, depósitos e cobranças indevidas, contatos e a via crucis administrativa/judicial), concluiu-se que houve ofensa ao art. 1.022 do CPC. Em razão disso, com fundamento no art. 932 do CPC e Súmula 568 do STJ e na jurisprudência citada, anulou-se o acórdão dos embargos de declaração e determinou-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento suprimindo as omissões, sem decisão definitiva sobre o mérito do pedido de indenização por dano moral.
Court Disposition
Dou provimento ao recurso especial, para anular o acórdão proferido nos embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina para novo julgamento, suprimindo-se as omissões apontadas.
Orders
- Anular o acórdão dos embargos de declaração (fl. 405, e-STJ)
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento suprimindo-se as omissões apontadas
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial, interposto por GEMA PINZETTA NARDI, nos termos do art. 105, III, "a", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, assim ementado (fl. 345, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. DESCONTOS NÃO AUTORIZADOS EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. CARTÃO DE CRÉDITO COM MARGEM CONSIGNÁVEL NÃO CONTRATADO. PARCIAL PROCEDÊNCIA NA ORIGEM. INSURGÊNCIA DO BANCO RÉU. PRELIMINAR. APRESENTAÇÃO DE PROVA NOVA EM SEDE DE APELAÇÃO. JUNTADA DO CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO COM MARGEM CONSIGNÁVEL HIPOTETICAMENTE FORMALIZADO COM A AUTORA DA AÇÃO. INSTITUIÇÃO BANCÁRIA DEVIDAMENTE CITADA EM 2021. EXISTÊNCIA DO DOCUMENTO QUE ERA CONHECIDA À ÉPOCA. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA PARA A APRESENTAÇÃO DO DOCUMENTO SOMENTE NESTE MOMENTO PROCESSUAL. RECURSO NÃO CONHECIDO NO PONTO. MÉRITO. RESPONSABILIDADE CIVIL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA RÉ QUE ALEGA TER AGIDO EM EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO. INSUBSISTÊNCIA. CONSUMIDORA QUE IMPUGNOU A FORMALIZAÇÃO DE CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. ÔNUS DE COMPROVAR A SUA HIGIDEZ QUE RECAI SOBRE A PARTE QUE PRODUZIU O DOCUMENTO. BANCO DEMANDADO, CONTUDO, QUE NÃO LOGROU ÊXITO EM DEMONSTRARA EXISTÊNCIA DE FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AUTOR, NOS TERMOS DO ART. 373, II, DO CPC. DANO MORAL. PLEITEADO O AFASTAMENTO DA CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO A TAL TÍTULO. ACOLHIMENTO. DESCONTOS INDEVIDOS QUE NÃO GERARAM GRANDES IMPACTOS NOS RENDIMENTOS DO DEMANDANTE. EPISÓDIO QUE NÃO TEVE MAIORES DESDOBRAMENTOS. NATURALIDADE DOS FATOS COTIDIANOS QUE NÃO FORAM INTENSIFICADOS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE SITUAÇÃO APTA A GERAR DANO EXTRAPATRIMONIAL. OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR REPELIDA. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. REDISTRIBUIÇÃO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS. HONORÁRIOS RECURSAIS INCABÍVEIS. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO. Opostos embargos de declaração (fls. 352-355 e 384-387, e-STJ), os quais foram rejeitados (fl. 378 e 405, e-STJ). Em suas razões recursais (fls. 415-422, e-STJ), aponta o insurgente violação dos arts. 489, § 1º, IV; 1.022, II, e 1.013, §§ 1º e 2º, do CPC. Aduz, em apertada síntese, a existência de omissão no aresto recorrido acerca de questões fundamentais para o deslinde do feito, não obstante a oposição de embargos de declaração visando sanar tal vício. Sem contrarrazões (fl. 433, e-STJ) e admitido o recurso na origem (fls. 436-438, e-STJ), os autos ascenderam a esta egrégia Corte de Justiça. É o relatório. Decido. A insurgência merece acolhimento. 1. Da simples leitura dos autos, verifica-se que assiste razão ao recorrente quanto à alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, diante de omissão no v. acórdão acerca de questões fundamentais ao deslinde da controvérsia. Aduz, em síntese, que o Tribunal de origem afastou o pleito de indenização por dano moral, unicamente, por entender que o desconto indevido no benefício previdenciário não geraria abalo anímico suficiente, olvidando-se de que a alegação de dano moral encontrava apoio também na existência de outros fatos. Aponta, assim, omissão quanto às seguintes teses (fl. 420, e-STJ): (a) do envio de um cartão de crédito não solicitado ao arrepio da Súmula 532-STJ; (b) da realização de depósito de valores não requisitados na conta bancária de idosa; (c) do envio de faturas para cobranças coercitivas e indevidas; (d)dos contatos infrutíferos feitos pelo filho da idosa; e ainda por conta (e) da via crucis percorrida pela idosa, administrativamente e judicialmente, a fim de resolver um problema que ela não causou (Teoria do Desvio Produtivo), precisando inclusive efetuar deposito judicial a fim de devolver o dinheiro lhe entregue sem a sua solicitação ou contratação. No particular, decidiu a Corte local (fls. 342-343, e-STJ): No presente caso, resta analisar a (in)ocorrência do dano. Não obstante a existência de entendimento contrário, esta Sétima Câmara de Direito Civil adotou recentemente a tese de que o abalo anímico decorrente de desconto indevido em benefício previdenciário ou reserva de margem consignada não é presumido. Nestes casos, deve-se analisar o conjunto probatório dos autos afim de perquirir a ocorrência do dano. E assim sendo, registro não ser qualquer melindre que se configura apto a justificar a compensação pecuniária a título de danos morais, sob pena de banalização do referido instituto, uma vez que a ofensa, muitas vezes, pode ser tão insignificante que sequer gere prejuízo imaterial. O abalo anímico somente restará caracterizado quando houver uma ofensa aos direitos da personalidade do sujeito, em virtude da colocação deste diante de situação vexatória que chegue ao ponto de lhe perturbar o íntimo, intensificando a naturalidade dos fatos cotidianos, provocando fundadas aflições e angústias. .. Na espécie, a parte ré realizou descontos indevidos no benefício previdenciário da autora a título de cartão de crédito com margem consignável não contratado. O valor dos descontos totalizava R$ 42,61, enquanto o valor do benefício daquela alcançava a monta de R$ 1.498,60 (evento n. 12, OUT2/5). Isto é, ainda que a renda percebida pela demandante não fosse tão elevada, os descontos indevidos não seriam, por si só, suficientes para gerar abalo anímico indenizável. Nesse contexto, entendo que o ato ilícito não foi suficiente para gerar abalo anímico indenizável à requerente, pois o valor descontado, à primeira vista, não causou grande impacto nas finanças da acionante. A autora também não logrou êxito em demonstrar que o infortúnio vivenciado tenha ultrapassado o mero dissabor. Não ignoro que a situação possa ter sido desagradável e, por consequência, ter causado um certo desconforto à requerente, mas não ao ponto de configurar um transtorno que tenha ultrapassado um mero incômodo, até porque não ficou comprovada a ocorrência de consequências excepcionais advindas do episódio. É dizer, o evento não teve maiores desdobramentos capazes de afetar diretamente a dignidade da autora, motivo pelo qual não vislumbro um dano apto a causar sofrimento psicológico ou abalo à imagem e à honra. Assim sendo, ante a inexistência nos autos de prova suficiente a comprovar as hipóteses autorizadoras e ensejadoras do reconhecimento de abalo moral indenizável, ônus que incumbia à parte autora, a teor do art. 373, I, do Código de Processo Civil, impõe-se o provimento do apelo do banco réu no ponto, a fim de que seja afastada a obrigação de indenizar. grifou-se Foram opostos embargos de declaração suscitado omissão quanto aos pontos (fls. 384-387, e-STJ), mas o Tribunal a quo se limitou a afirmar a inexistência de vício a macular o julgado (fl. 405, e-STJ). Como se denota do aresto recorrido, portanto, deixou o órgão julgador de se pronunciar acerca das referidas teses, as quais se mostram fundamentais ao deslinde da controvérsia, razão pela qual merece acolhimento a alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC deduzida no apelo extremo, devendo os autos retornarem à origem a fim de que novo julgamento seja proferido, suprimindo-se as omissões apontadas. A propósito, é consoante entendimento firmado nesta Corte, havendo omissão no julgado, deve ser suprido o vício pelo Tribunal de origem. Confira-se: AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS NÃO IMPUGNADOS. ARTIGO 1.021, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015. AÇÃO DE RESOLUÇÃO DE COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. AÇÃO FUNDADA EM DIREITO PESSOAL. COMPETÊNCIA NÃO ANALISADA CORRETAMENTE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 1.022, II, DO CPC/15. OMISSÃO VERIFICADA. 1. Nos termos do artigo 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil/2015, é inviável o agravo interno que deixa de impugnar especificadamente os fundamentos da decisão agravada. 2. Se a Corte de origem deixou de examinar alegação do agravado que pode alterar substancialmente o resultado do julgamento, evidencia-se a violação ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, sendo necessário o retorno do autos para que o Tribunal estadual supra a omissão. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AgInt nos EDcl no AREsp 1512050/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 16/11/2020, DJe 20/11/2020) grifou-se AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. INSTRUMENTO PARTICULAR DE RESCISÃO CONTRATUAL. ART. 535 DO CPC/1973. VIOLAÇÃO. OMISSÃO NÃO SANADA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Constatada a existência de omissão não sanada no acórdão proferido pelo Tribunal local, a despeito da interposição de embargos de declaração, é de rigor o reconhecimento de violação do art. 535 do Código de Processo Civil de 1973, por negativa de prestação jurisdicional, com a determinação de retorno dos autos à origem para que se realize novo julgamento. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 889.277/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/06/2018, DJe 26/06/2018) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO VERIFICADA. OFENSA AO ART. 535. ACOLHIMENTO COM EFEITOS MODIFICATIVOS. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, contradição, omissão ou erro material (art. 535, I e II, do CPC). 2. No caso, verificada a existência de erro material, acolhem-se os embargos para que seja suprido o vício. 3. A Corte de origem não apresentou nenhum fundamento para rebater as omissões suscitadas em sede de embargos de declaração. Ao contrário, apresentou termos genéricos e sem relação concreta com os temas ventilados no recurso, não se pronunciando sobre as matérias de fato e de direito. Dessa forma, deve ser reconhecida a ofensa ao art. 535 do CPC. 4. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para, conhecer do agravo nos próprios autos e dar provimento ao especial, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de origem a fim de que se pronuncie sobre as alegações trazidas nos aclaratórios manejados naquela instância. (EDcl no AgRg no AREsp 250.637/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 15/12/2015, DJe 18/12/2015) grifou-se PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. OCORRÊNCIA. ANULAÇÃO DO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. 1.- Há omissão, com ofensa ao artigo 535 do Código de Processo Civil, no julgado que deixa de examinar as questões versadas no recurso que lhe foi submetido, cuja apreciação era relevante para o deslinde da controvérsia. .. 3.- Recurso Especial provido, anulando-se o Acórdão dos Embargos de Declaração, determinando o retorno ao Tribunal de origem para novo julgamento dos Embargos de Declaração, com análise das questões indicadas." (REsp n. 1.132.146/MT, Relator Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/3/2014, DJe 14/4/2014.) grifou-se 2. Do exposto, com fulcro no art. 932 do CPC c/c Súmula 568 do STJ, dou provimento ao recurso especial, para anular o acórdão proferido nos embargos de declaração (fl. 405, e-STJ) e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem a fim de que seja proferido um novo julgamento, suprimindo-se as omissões apontadas. Publique-se. Intimem-se. EMENTA