HC 1088182 - DECISAO
A pretensão não pode ser conhecida por esta Corte Superior porque a matéria ainda não foi examinada pelo Tribunal de origem, aplicando-se o enunciado 691 da Súmula do STF; não se verificam exceções que autorizem a intervenção prematura do STJ, razão pela qual se indefere liminarmente o habeas corpus, nos termos do...
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- Parties
- Paciente: ERIKA VERUSKA DE SOUZA TEIXEIRA ANTUNES; Órgão Prolator Da Decisão Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 April 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Pedido De Liminar Indeferido; Impetração Perante STJ Com Aguardo De Julgamento Do Tribunal De Origem
- Outcome
- Indeferido liminarmente o Habeas Corpus
- Legal Topics
- Patrocínio Infiel (art. 355 Cp), Inépcia Da Denúncia, Atipicidade Da Conduta, Dolo Específico, Prejuízo Juridicamente Relevante, Negativa De Prestação Jurisdicional, Súmula 691 STF, Esgotamento Da Jurisdição Da Instância De Origem, Trancamento Da Ação Penal
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Parties
ERIKA VERUSKA DE SOUZA TEIXEIRA ANTUNES
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Prolator Da Decisão Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Pedido De Liminar Indeferido; Impetração Perante STJ Com Aguardo De Julgamento Do Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão que indeferiu liminar em HC na instância de origem
- 2 atipicidade do crime de patrocínio infiel
- 3 inépcia da denúncia por falta de individualização da vítima e descrição do ato
Ratio Decidendi
A pretensão não pode ser conhecida por esta Corte Superior porque a matéria ainda não foi examinada pelo Tribunal de origem, aplicando-se o enunciado 691 da Súmula do STF; não se verificam exceções que autorizem a intervenção prematura do STJ, razão pela qual se indefere liminarmente o habeas corpus, nos termos do art. 21-E, IV, c/c o art. 210 do RISTJ.
Court Disposition
Indeferido liminarmente o Habeas Corpus
Orders
- Indeferido liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ERIKA VERUSKA DE SOUZA TEIXEIRA ANTUNES em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 2060359-71.2026.8.26.0000. Consta dos autos que a paciente foi denunciada pela suposta prática do delito de patrocínio infiel, previsto no art. 355 do Código Penal, tendo sido recebida a denúncia pelo Juízo da 9ª Vara Criminal da Comarca de São Paulo nos autos n. 1530977-76.2022.8.26.0050. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a conduta imputada é atípica, diante da inexistência de conflito real de interesses na mesma lide e da atuação sucessiva, sem simultaneidade de patrocínios, além de se tratar de atuação administrativa, e não "em juízo", o que afastaria a subsunção ao art. 355 do Código Penal. Alega que não estão presentes os elementos do tipo penal, com ausência de descrição do dolo específico de trair e prejudicar, e de prejuízo juridicamente relevante ao antigo constituinte, o que inviabilizaria a persecução penal. Afirma que a denúncia é inepta por não individualizar a vítima, não descrever ato concreto de traição, não apontar prejuízo e não demonstrar o elemento subjetivo específico, em violação ao art. 41 do Código de Processo Penal, devendo ser rejeitada. Defende que não há justa causa para a ação penal, por inadequação típica da conduta e por vícios estruturais da peça acusatória, impondo o trancamento do processo ab initio. Expõe que a decisão que indeferiu a liminar padece de nulidade por negativa de prestação jurisdicional, por fundamentação genérica e por não enfrentar as teses de atipicidade, inépcia da denúncia, ausência de dolo e prejuízo, em violação ao art. 93, IX, da Constituição Federal. Alega que o indeferimento da liminar deslocou indevidamente matéria de direito para o campo probatório, ao afirmar a necessidade de dilação probatória, embora se trate de controle de legalidade e de questão jurídica verificável de plano. Requer, liminarmente, a suspensão da ação penal em curso. E, no mérito, o trancamento da ação penal por atipicidade da conduta, ausência de dolo específico e de prejuízo, e inépcia da denúncia. Subsidiariamente, pugna pela declaração de nulidade da decisão impugnada por negativa de prestação jurisdicional, com retorno para novo julgamento, bem como pelo reconhecimento da inépcia da denúncia e nulidade da ação penal desde o recebimento . É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA