REsp 2047963 - DECISAO
O recurso especial foi negado porque o Tribunal de origem demonstrou, de plano, a atipicidade da conduta imputada a Almir Ribeiro Filho e Ana Luiza Pereira Ribeiro: a denúncia não descreveu posse jurídica prévia dos valores pelos referidos pacientes, nem narrativa suficiente de ajuste ou participação dolosa que caracterizasse peculato ou concurso de agentes; o mero recebimento de salários sem contraprestação, a ausência de qualificação e a acumulação de cargos são irregularidades de caráter administrativo ou de improbidade, não se amoldando ao crime de peculato segundo a jurisprudência desta Corte.
- Parties
- Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS; Tribunal De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais; Denunciado: Fernando de Assis Batista; Denunciada: Ana Luiza Pereira Ribeiro; Denunciado: Almir Ribeiro Filho; Denunciado: Geraldo Jordan de Souza Júnior
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial Interposto Contra Acórdão Em Habeas Corpus / Julgamento/decisão Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Recurso especial não provido; mantida a decisão que concedeu habeas corpus para trancamento parcial do processo
- Legal Topics
- Peculato, Atipicidade Da Conduta, Habeas Corpus, Trancamento De Processo, Servidores "fantasmas", Improbidade Administrativa
Case Brief
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Recorrente
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Tribunal De Origem
Fernando de Assis Batista
Denunciado
Ana Luiza Pereira Ribeiro
Denunciada
Almir Ribeiro Filho
Denunciado
Geraldo Jordan de Souza Júnior
Denunciado
Procedural Posture
Recurso Especial Interposto Contra Acórdão Em Habeas Corpus / Julgamento/decisão Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Se a conduta de servidores comissionados que não prestaram serviço ("servidores fantasmas") configura o crime de peculato
- 2 Se a denúncia descreve factualidade suficiente para demonstrar posse jurídica de valores públicos e ajuste prévio entre agentes (art. 29 do CP)
- 3 Se é cabível o trancamento do processo por atipicidade por meio de habeas corpus
Ratio Decidendi
O recurso especial foi negado porque o Tribunal de origem demonstrou, de plano, a atipicidade da conduta imputada a Almir Ribeiro Filho e Ana Luiza Pereira Ribeiro: a denúncia não descreveu posse jurídica prévia dos valores pelos referidos pacientes, nem narrativa suficiente de ajuste ou participação dolosa que caracterizasse peculato ou concurso de agentes; o mero recebimento de salários sem contraprestação, a ausência de qualificação e a acumulação de cargos são irregularidades de caráter administrativo ou de improbidade, não se amoldando ao crime de peculato segundo a jurisprudência desta Corte.
Court Disposition
Recurso especial não provido; mantida a decisão que concedeu habeas corpus para trancamento parcial do processo
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Mantém‑se o trancamento do processo nº 0086477-14.2019.8.13.0134 em relação a Almir Ribeiro Filho e Ana Luiza Pereira Ribeiro e suas imputações (artigo 312, caput, c/c 29 e artigo 327).
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